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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

28 fev
Vida bela sem corrupção
 

A corrupção tem as cores da noite. Habita em subterrâneos, mesmo que aparente morar em palácios que brilham ao sol. Deixou de ter rosto para só usar máscaras, a pôr segundo as conveniências. Seu cérebro evaporou-se para nele colocar a maquinaria de esquemas alternativos. Arrancou o seu coração de carne para o substituir por um poderoso íman que atrai todos os fracos e influenciáveis que multipliquem seus insaciáveis lucros.
A corrupção é um vírus que contamina a virtude pública, e que atinge transversalmente todas as classes e profissões. Ninguém está imune e todos precisamos de estar alerta. Felizmente, não é um mal sem remédio. É sempre oportuno recordarmos modelos de vencedores da batalha da anticorrupção. Pessoas de carne e sangue como nós, não heróis angélicos, mas gente frágil que teve a sabedoria da fé, que se agarrou à rocha firme da omnipotência de Deus. Nesta imensa galeria, brilham os mártires de todos os tempos: os apóstolos de Cristo e uma plêiade de virgens, incontável gente simples mas também reis e ministros, como S. Tomás Moro, Chanceler do Reino de Inglaterra.
A corrupção não foi inventada nos tempos modernos. Existiu desde sempre, tal como a virtude que se lhe opõe sem cedências. Baste ir às origens do género humano, descritas nas primeiras páginas da Bíblia. Adão e Eva deixaram-se corromper por uma enganosa promessa: desobedecei a Deus e sereis como Ele… Um deus de substituição, soberbo e ganancioso.
A Transparency International (TI), com dados do Barómetro Global da Corrupção (BGC), tendo entrevistado cerca de 162 mil cidadãos de 119 países, entre 2014 e 2017, conclui que 1 em cada 4 cidadãos teve de pagar um suborno por ano para aceder a serviços públicos. E vem indicada a classe que mais pratica a corrupção: os próprios eleitos pelo povo que estão em cargos de poder.
O Compêndio da Doutrina Social da Igreja assim afirma: "Entre as deformações do sistema democrático, a corrupção política é uma das mais graves, porque trai, ao mesmo tempo, os princípios da moral e as normas da justiça social; compromete o correto funcionamento do Estado, influindo negativamente na relação entre governantes e governados; introduzindo uma crescente desconfiança em relação à política e aos seus representantes, com o consequente enfraquecimento das instituições" (n. 411).
Entre as múltiplas exortações da Palavra de Deus, cito esta passagem da segunda carta de S. Pedro que assim descreve os corruptos: "São homens imundos e corrompidos, que sentem prazer em enganar, enquanto se banqueteiam convosco. Os seus olhos estão cheios de adultério e não se fartam de pecar. Seduzem as almas débeis; o seu coração está acostumado à cobiça" (2, 13-14).
Importa trabalhar na conversão do nosso coração para passarmos de "DDT: Dono Disto Tudo" a "SDT: Servidor Destes Todos". Cristo, sendo Mestre e Senhor, clarificou que "estou no meio de vós como aquele que serve" (Lc 22, 27); e "o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por todos" (Mc 10, 45).
Abdul Kalam, presidente da Índia de 2002 a 2007, assim afirmou: "Para que um país se torne livre de corrupção e seja uma nação de belas mentes, acredito que existem três membros-chave da sociedade que podem fazer a diferença. O pai, a mãe e o professor".
O nosso Papa Francisco tem sido um profeta destemido na luta contra a corrupção. Apenas uma breve citação: o mundo de hoje necessita de "homens e mulheres que, cheios de esperança e firmes na fé, dêem testemunho de que o amor, manifestado na solidariedade e na partilha, é mais forte e luminoso que as trevas do egoísmo e da corrupção" (2017.11.10).
É fácil situar-nos de fora e apontarmos o dedo acusador aos grandes corruptos, que aparecem nas vitrinas da comunicação social. A cada um de nós, a mim e a ti, cabe a pacífica luta por uma vida bela, honestamente altruísta.
 Manuel Morujão, sj
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 Intenções Papa Francisco Mês Março 2018
20182019
JFMAMJJASOND
Neste mês de Março, o Papa Francisco propõe como desafio e oração para a Igreja a urgência do discernimento pessoal e comunitário. De uma forma geral, podemos definir o discernimento como a busca orante da vontade de Deus, neste caso, para a vida cristã e o agir das comunidades. O ponto de partida de qualquer discernimento é uma atitude espiritual de querer, acima de tudo, aquilo que Deus quer, respondendo às circunstâncias e oportunidades do tempo presente. Isto exige abertura e liberdade interior, para não ficar preso ao passado, àquilo que sempre se fez de determinada forma, mas estar em sintonia com o Espírito, olhando o futuro com esperança. Implica olhar os acontecimentos como modos que Deus tem de comunicar algo e escutar, a partir deles, os apelos que são feitos. Avaliar o que se fez, agradecendo o bem conseguido, dar conta do que há a mudar, do que já não resulta ou se cristalizou no tempo. O passo seguinte é partilhar com alguém, ou em grupo, os frutos deste tempo de avaliação, o que mais tocou, aquilo que se moveu no coração de cada um: os sentimentos que surgiram, as inspirações e ideias para o futuro. A pergunta decisiva é: a partir daquilo que observo e sinto, qual será o caminho que Deus me está a propor? Cada tempo tem os seus desafios e devemos sentir-nos continuamente chamados a corresponder-lhes com generosidade e criatividade. Nesse sentido, é essencial promover na vida cristã e na vida das instituições eclesiais estas oportunidades de oração, conversação espiritual e trabalho em comum, numa verdadeira experiência de abrir a ação da Igreja ao sopro do Espírito.
Intenção
Pela evangelização: Formação para o discernimento espiritual Para que toda a Igreja reconheça a urgência da formação para o discernimento espiritual, a nível pessoal e comunitário.
Oração
Pai de bondade, envia sobre cada um de nós o teu Espírito Santo, Espírito de inteligência e sabedoria, que nos ajuda a olhar o presente com gratidão e o futuro com esperança. Ajuda-nos a libertarmo-nos do desânimo e de todo o tipo de resistências, abrindo-nos com coragem e criatividade ao que a Igreja e o mundo mais precisam. Faz crescer em nós o gosto e o desejo do discernimento, para que as nossas comunidades possa ser lugares de partilha e diálogo, testemunhas da tua caridade e capazes de responder com generosidade àquilo que nos pedes em cada momento. Pai-Nosso...
Desafios
Procurar, ao longo deste mês, rezar os acontecimentos do presente, a nível pessoal e da própria comunidade, e discernir neles os modos como Deus quer falar: agradecer aquilo que corre bem, que dá frutos... Avaliar aquilo que se sente ser necessário mudar... Pedir a graça da liberdade interior, questionando sem receio alguns tipos de afirmações que podem bloquear um verdadeiro processo de discernimento, tais como: “sempre se fez assim” ou “já não vale a pena”. Organizar, na própria comunidade ou instituição, um momento de oração e partilha sobre o que o discernimento pode trazer de ideias para a ação apostólica no futuro. Que passos concretos podem ser dados e que continuidade se pode dar a estes processos?
http://www.redemundialdeoracaodopapa.pt/

domingo, 25 de fevereiro de 2018

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO
PARA O LII DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS

Tema: «"A verdade vos tornará livres” (Jo 8, 32).
Fake news e jornalismo de paz»
[13 de maio de 2018]

Queridos irmãos e irmãs!
No projeto de Deus, a comunicação humana é uma modalidade essencial para viver a comunhão. Imagem e semelhança do Criador, o ser humano é capaz de expressar e compartilhar o verdadeiro, o bom e o belo. É capaz de narrar a sua própria experiência e o mundo, construindo assim a memória e a compreensão dos acontecimentos. Mas, se orgulhosamente seguir o seu egoísmo, o homem pode usar de modo distorcido a própria faculdade de comunicar, como o atestam, já nos primórdios, os episódios bíblicos dos irmãos Caim e Abel e da Torre de Babel (cf. Gn 4, 1-16; 11, 1-9). Sintoma típico de tal distorção é a alteração da verdade, tanto no plano individual como no coletivo. Se, pelo contrário, se mantiver fiel ao projeto de Deus, a comunicação torna-se lugar para exprimir a própria responsabilidade na busca da verdade e na construção do bem. Hoje, no contexto duma comunicação cada vez mais rápida e dentro dum sistema digital, assistimos ao fenómeno das «notícias falsas», as chamadas fake news: isto convida-nos a refletir, sugerindo-me dedicar esta Mensagem ao tema da verdade, como aliás já mais vezes o fizeram os meus predecessores a começar por Paulo VI (cf. Mensagem de 1972: «Os instrumentos de comunicação social ao serviço da Verdade»). Gostaria, assim, de contribuir para o esforço comum de prevenir a difusão das notícias falsas e para redescobrir o valor da profissão jornalística e a responsabilidade pessoal de cada um na comunicação da verdade.
1. Que há de falso nas «notícias falsas»?
A expressão fake news é objeto de discussão e debate. Geralmente diz respeito à desinformação transmitida on-line ou nos mass-media tradicionais. Assim, a referida expressão alude a informações infundadas, baseadas em dados inexistentes ou distorcidos, tendentes a enganar e até manipular o destinatário. A sua divulgação pode visar objetivos prefixados, influenciar opções políticas e favorecer lucros económicos.
A eficácia das fake news fica-se a dever, em primeiro lugar, à sua natureza mimética, ou seja, à capacidade de se apresentar como plausíveis. Falsas mas verosímeis, tais notícias são capciosas, no sentido que se mostram hábeis a capturar a atenção dos destinatários, apoiando-se sobre estereótipos e preconceitos generalizados no seio dum certo tecido social, explorando emoções imediatas e fáceis de suscitar como a ansiedade, o desprezo, a ira e a frustração. A sua difusão pode contar com um uso manipulador das redes sociais e das lógicas que subjazem ao seu funcionamento: assim os conteúdos, embora desprovidos de fundamento, ganham tal visibilidade que os próprios desmentidos categorizados dificilmente conseguem circunscrever os seus danos.
A dificuldade em desvendar e erradicar as fake news é devida também ao facto de as pessoas interagirem muitas vezes dentro de ambientes digitais homogéneos e impermeáveis a perspetivas e opiniões divergentes. Esta lógica da desinformação tem êxito, porque, em vez de haver um confronto sadio com outras fontes de informação (que poderia colocar positivamente em discussão os preconceitos e abrir para um diálogo construtivo), corre-se o risco de se tornar atores involuntários na difusão de opiniões tendenciosas e infundadas. O drama da desinformação é o descrédito do outro, a sua representação como inimigo, chegando-se a uma demonização que pode fomentar conflitos. Deste modo, as notícias falsas revelam a presença de atitudes simultaneamente intolerantes e hipersensíveis, cujo único resultado é o risco de se dilatar a arrogância e o ódio. É a isto que leva, em última análise, a falsidade.
2. Como podemos reconhecê-las?
Nenhum de nós se pode eximir da responsabilidade de contrastar estas falsidades. Não é tarefa fácil, porque a desinformação se baseia muitas vezes sobre discursos variegados, deliberadamente evasivos e subtilmente enganadores, valendo-se por vezes de mecanismos refinados. Por isso, são louváveis as iniciativas educativas que permitem apreender como ler e avaliar o contexto comunicativo, ensinando a não ser divulgadores inconscientes de desinformação, mas atores do seu desvendamento. Igualmente louváveis são as iniciativas institucionais e jurídicas empenhadas na definição de normativas que visam circunscrever o fenómeno, e ainda iniciativas, como as empreendidas pelas tech e media company, idóneas para definir novos critérios capazes de verificar as identidades pessoais que se escondem por detrás de milhões de perfis digitais.
Mas a prevenção e identificação dos mecanismos da desinformação requerem também um discernimento profundo e cuidadoso. Com efeito, é preciso desmascarar uma lógica, que se poderia definir como a «lógica da serpente», capaz de se camuflar e morder em qualquer lugar. Trata-se da estratégia utilizada pela serpente – «o mais astuto de todos os animais», como diz o livro do Génesis (cf. 3, 1-15) – a qual se tornou, nos primórdios da humanidade, artífice da primeira fake news, que levou às trágicas consequências do pecado, concretizadas depois no primeiro fratricídio (cf. Gn 4) e em inúmeras outras formas de mal contra Deus, o próximo, a sociedade e a criação. A estratégia deste habilidoso «pai da mentira» (Jo 8, 44) é precisamente a mimese, uma rastejante e perigosa sedução que abre caminho no coração do homem com argumentações falsas e aliciantes. De facto, na narração do pecado original, o tentador aproxima-se da mulher, fingindo ser seu amigo e interessar-se pelo seu bem. Começa o diálogo com uma afirmação verdadeira, mas só em parte: «É verdade ter-vos Deus proibido comer o fruto de alguma árvore do jardim?» (Gn 3, 1). Na realidade, o que Deus dissera a Adão não foi que não comesse de nenhuma árvore, mas apenas de uma árvore: «Não comas o [fruto] da árvore do conhecimento do bem e do mal» (Gn 2, 17). Retorquindo, a mulher explica isso mesmo à serpente, mas deixa-se atrair pela sua provocação: «Podemos comer o fruto das árvores do jardim; mas, quanto ao fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: “Nunca o deveis comer nem sequer tocar nele, pois, se o fizerdes, morrereis”» (Gn 3, 2-3). Esta resposta tem sabor a legalismo e pessimismo: dando crédito ao falsário e deixando-se atrair pela sua apresentação dos factos, a mulher extravia-se. Em primeiro lugar, dá ouvidos à sua réplica tranquilizadora: «Não, não morrereis»(3, 4). Depois a argumentação do tentador assume uma aparência credível: «Deus sabe que, no dia em que comerdes [desse fruto], abrir-se-ão os vossos olhos e sereis como Deus, ficareis a conhecer o bem e o mal»(3, 5). Enfim, ela chega a desconfiar da recomendação paterna de Deus, que tinha em vista o seu bem, para seguir o aliciamento sedutor do inimigo: «Vendo a mulher que o fruto devia ser bom para comer, pois era de atraente aspeto (…) agarrou do fruto, comeu»(3, 6). Este episódio bíblico revela assim um facto essencial para o nosso tema: nenhuma desinformação é inofensiva; antes pelo contrário, fiar-se daquilo que é falso produz consequências nefastas. Mesmo uma distorção da verdade aparentemente leve pode ter efeitos perigosos.
De facto, está em jogo a nossa avidez. As fake news tornam-se frequentemente virais, ou seja, propagam-se com grande rapidez e de forma dificilmente controlável, não tanto pela lógica de partilha que carateriza os meios de comunicação social como sobretudo pelo fascínio que detêm sobre a avidez insaciável que facilmente se acende no ser humano. As próprias motivações económicas e oportunistas da desinformação têm a sua raiz na sede de poder, ter e gozar, que, em última instância, nos torna vítimas de um embuste muito mais trágico do que cada uma das suas manifestações: o embuste do mal, que se move de falsidade em falsidade para nos roubar a liberdade do coração. Por isso mesmo, educar para a verdade significa ensinar a discernir, a avaliar e ponderar os desejos e as inclinações que se movem dentro de nós, para não nos encontrarmos despojados do bem «mordendo a isca» em cada tentação.
3. «A verdade vos tornará livres» (Jo 8, 32)
De facto, a contaminação contínua por uma linguagem enganadora acaba por ofuscar o íntimo da pessoa. Dostoevskij deixou escrito algo de notável neste sentido: «Quem mente a si mesmo e escuta as próprias mentiras, chega a pontos de já não poder distinguir a verdade dentro de si mesmo nem ao seu redor, e assim começa a deixar de ter estima de si mesmo e dos outros. Depois, dado que já não tem estima de ninguém, cessa também de amar, e então na falta de amor, para se sentir ocupado e distrair, abandona-se às paixões e aos prazeres triviais e, por culpa dos seus vícios, torna-se como uma besta; e tudo isso deriva do mentir contínuo aos outros e a si mesmo» (Os irmãos Karamazov, II, 2).
E então como defender-nos? O antídoto mais radical ao vírus da falsidade é deixar-se purificar pela verdade. Na visão cristã, a verdade não é uma realidade apenas conceptual, que diz respeito ao juízo sobre as coisas, definindo-as verdadeiras ou falsas. A verdade não é apenas trazer à luz coisas obscuras, «desvendar a realidade», como faz pensar o termo que a designa em grego: aletheia, de a-lethès, «não escondido». A verdade tem a ver com a vida inteira. Na Bíblia, reúne os significados de apoio, solidez, confiança, como sugere a raiz ‘aman (daqui provém o próprio Amen litúrgico). A verdade é aquilo sobre o qual nos podemos apoiar para não cair. Neste sentido relacional, o único verdadeiramente fiável e digno de confiança sobre o qual se pode contar, ou seja, o único «verdadeiro» é o Deus vivo. Eis a afirmação de Jesus: «Eu sou a verdade» (Jo 14, 6). Sendo assim, o homem descobre sempre mais a verdade, quando a experimenta em si mesmo como fidelidade e fiabilidade de quem o ama. Só isto liberta o homem: «A verdade vos tornará livres»(Jo 8, 32).
Libertação da falsidade e busca do relacionamento: eis aqui os dois ingredientes que não podem faltar, para que as nossas palavras e os nossos gestos sejam verdadeiros, autênticos e fiáveis. Para discernir a verdade, é preciso examinar aquilo que favorece a comunhão e promove o bem e aquilo que, ao invés, tende a isolar, dividir e contrapor. Por isso, a verdade não se alcança autenticamente quando é imposta como algo de extrínseco e impessoal; mas brota de relações livres entre as pessoas, na escuta recíproca. Além disso, não se acaba jamais de procurar a verdade, porque algo de falso sempre se pode insinuar, mesmo ao dizer coisas verdadeiras. De facto, uma argumentação impecável pode basear-se em factos inegáveis, mas, se for usada para ferir o outro e desacreditá-lo à vista alheia, por mais justa que apareça, não é habitada pela verdade. A partir dos frutos, podemos distinguir a verdade dos vários enunciados: se suscitam polémica, fomentam divisões, infundem resignação ou se, em vez disso, levam a uma reflexão consciente e madura, ao diálogo construtivo, a uma profícua atividade.
4. A paz é a verdadeira notícia
O melhor antídoto contra as falsidades não são as estratégias, mas as pessoas: pessoas que, livres da ambição, estão prontas a ouvir e, através da fadiga dum diálogo sincero, deixam emergir a verdade; pessoas que, atraídas pelo bem, se mostram responsáveis no uso da linguagem. Se a via de saída da difusão da desinformação é a responsabilidade, particularmente envolvido está quem, por profissão, é obrigado a ser responsável ao informar, ou seja, o jornalista, guardião das notícias. No mundo atual, ele não desempenha apenas uma profissão, mas uma verdadeira e própria missão. No meio do frenesim das notícias e na voragem dos scoop, tem o dever de lembrar que, no centro da notícia, não estão a velocidade em comunicá-la nem o impacto sobre a audience, mas as pessoas. Informar é formar, é lidar com a vida das pessoas. Por isso, a precisão das fontes e a custódia da comunicação são verdadeiros e próprios processos de desenvolvimento do bem, que geram confiança e abrem vias de comunhão e de paz.
Por isso desejo convidar a que se promova um jornalismo de paz, sem entender, com esta expressão, um jornalismo «bonzinho», que negue a existência de problemas graves e assuma tons melífluos. Pelo contrário, penso num jornalismo sem fingimentos, hostil às falsidades, a slogans sensacionais e a declarações bombásticas; um jornalismo feito por pessoas para as pessoas e considerado como serviço a todas as pessoas, especialmente àquelas – e no mundo, são a maioria – que não têm voz; um jornalismo que não se limite a queimar notícias, mas se comprometa na busca das causas reais dos conflitos, para favorecer a sua compreensão das raízes e a sua superação através do aviamento de processos virtuosos; um jornalismo empenhado a indicar soluções alternativas às escalation do clamor e da violência verbal.
Por isso, inspirando-nos numa conhecida oração franciscana, poderemos dirigir-nos, à Verdade em pessoa, nestes termos:
Senhor, fazei de nós instrumentos da vossa paz.
Fazei-nos reconhecer o mal que se insinua em uma comunicação que não
cria comunhão.
Tornai-nos capazes de tirar o veneno dos nossos juízos.
Ajudai-nos a falar dos outros como de irmãos e irmãs.
Vós sois fiel e digno de confiança;
fazei que as nossas palavras sejam sementes de bem para o mundo:
onde houver rumor, fazei que pratiquemos a escuta;
onde houver confusão, fazei que inspiremos harmonia;
onde houver ambiguidade, fazei que levemos clareza;
onde houver exclusão, fazei que levemos partilha;
onde houver sensacionalismo, fazei que usemos sobriedade;
onde houver superficialidade, fazei que ponhamos interrogativos
verdadeiros;
onde houver preconceitos, fazei que despertemos confiança;
onde houver agressividade, fazei que levemos respeito;
onde houver falsidade, fazei que levemos verdade.
Amen.
Vaticano, 24 de janeiro – Memória de São Francisco de Sales – do ano de 2018.
Franciscus
Salmo 22(23)

O Bom Pastor
O Cordeiro será o seu pastor e os conduzirá às fontes da água da vida (Ap 7,17).
1 O Senhor é o pastor que me conduz; *
não me falta coisa alguma.
2 Pelos prados e campinas verdejantes *
ele me leva a descansar.
– Para as águas repousantes me encaminha, *
3 e restaura as minhas forças.

– Ele me guia no caminho mais seguro, *
pela honra do seu nome.
4 Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, *
nenhum mal eu temerei;
– estais comigo com bastão e com cajado; *
eles me dão a segurança!

5 Preparais à minha frente uma mesa, *
bem à vista do inimigo,
– e com óleo vós ungis minha cabeça; *
o meu cálice transborda.

6 Felicidade e todo bem hão de seguir-me *
por toda a minha vida;
– e, na casa do Senhor, habitarei *
pelos tempos infinitos. 

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quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

CÁTEDRA DE SÃO PEDRO, APÓSTOLO Festa

Desde o século IV, a festa da Cátedra de Pedro é celebrada neste dia em Roma, como sinal da unidade da Igreja, fundada sobre o Apóstolo.


Salmo 18 (19)A
2 Os céus proclamam a glória do Senhor, *
e o firmamento, a obra de suas mãos;
3 o dia ao dia transmite esta mensagem, *
a noite à noite publica esta notícia.
4 Não são discursos nem frases ou palavras, *
nem são vozes que possam ser ouvidas;
5 seu som ressoa e se espalha em toda a terra, *
chega aos confins do universo a sua voz. 

6 Armou no alto uma tenda para o sol; *
ele desponta no céu e se levanta
– como um esposo do quarto nupcial, *
como um herói exultante em seu caminho.

7 De um extremo do céu põe-se a correr *
e vai traçando o seu rastro luminoso,
– até que possa chegar ao outro extremo, *
e nada pode fugir ao seu calor.
– Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. *
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
Ant. Disse Pedro: Este Jesus que vós matastes,
Deus Pai ressuscitou e deu-lhe glória.
Ant. 2 O Senhor enviou o seu anjo
e livrou-me das mãos de Herodes.
Fonte: http://www.liturgiadashoras.org/


Leitura da Primeira Carta de São Pedro 5,1-4
Caríssimos: 1Exorto aos presbíteros que estão entre vós, 
eu, presbítero como eles, 
testemunha dos sofrimentos de Cristo 
e participante da glória que será revelada: 
2Sede pastores do rebanho de Deus, confiado a vós; 
cuidai dele, não por coação, mas de coração generoso; 
não por torpe ganância, mas livremente; 
3não como dominadores daqueles que vos foram confiados, 
mas antes, como modelos do rebanho. 
4Assim, quando aparecer o pastor supremo, 
recebereis a coroa permanente da glória.  
Palavra do Senhor.