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quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Discípulos Missionários - O Vídeo do Papa 10 – outubro de 2021

 

 Intenções

20212022
JFMAMJJASOND

Intenção

Discípulos missionários (Pela Evangelização)

Rezemos para que cada batizado seja envolvido na evangelização e disponível para a missão, através de um testemunho de vida que tenha o sabor do Evangelho.

Reflexão

Nos últimos anos, o Papa Francisco tem dedicado a sua intenção de oração, para o mês de outubro, ao tema da Missão, já que neste mês se celebra o Dia Mundial das Missões (dia 24). Para o Santo Padre, toda a existência cristã e eclesial é marcada pela missão. Na sua mensagem para o Dia Mundial das Missões, em 2019, afirma explicitamente isso: «Eu sou sempre uma missão; tu és sempre uma missão; cada batizada e batizado é uma missão. Quem ama, põe-se em movimento, sente-se impelido para fora de si mesmo: é atraído e atrai; dá-se ao outro e tece relações que geram vida. Para o amor de Deus, ninguém é inútil nem insignificante. Cada um de nós é uma missão no mundo, porque é fruto do amor de Deus».

 A missão não é algo que se tem, ou que é confiado, é algo que se é, faz parte da identidade. Por isso, a expressão «discípulos missionários», tão cara ao Santo Padre, une as duas dimensões da vida de fé: o aprender de Jesus, como discípulo, ouvindo a voz do Mestre e seguindo-o, e o ser enviado, sobretudo porque foi tocado pela Boa Notícia de Jesus e deseja transmiti-la aos outros.

 A vida é missão. Se encararmos assim os nossos dias, entramos num dinamismo muito positivo para as nossas palavras, gestos e ações. Damos sabor à vida e um sabor particular, o «sabor do Evangelho», que fala sobretudo de ternura, misericórdia, entrega da vida, cuidado... 

 É importante dar-nos conta que a Missão de evangelizar não está reservada aos padres, consagrados ou consagradas, mas é algo inerente ao ser batizado. Cada cristão é um missionário. Se todos crescermos nesta consciência, as nossas comunidades cristãs e as nossas famílias serão certamente luz e sinal de esperança e caridade neste mundo, tão sedento da graça de Deus, especialmente nas vidas de quem se sente só e desamparado. Fiquemos com esta ideia: a missão não deixa ninguém para trás.

Oração

Deus, nosso Pai, 

que nos enviaste o teu Filho Jesus 

para anunciar a todos a tua salvação. 

Ao dar a sua vida, ao aproximar-se 

dos mais frágeis e desfavorecidos, 

o teu Filho Jesus deixou-nos um testemunho 

 de como devemos ser discípulos e apóstolos. 

Dá-nos a graça de anunciarmos sem medo 

que a vida tem sentido e é maior 

se tiver o sabor do Evangelho de Jesus. 

Pai-Nosso...

Desafios

- Dar testemunho de vida, assumindo-me, enquanto batizado, como discípulo missionário, fazendo com que a minha vida reflita o sabor do Evangelho.

 - Deixar-se conduzir pelo Espírito Santo, através da oração pessoal e da intimidade com Cristo, que faz descobrir os apelos que a realidade me faz, para lhe levar a consolação.

 - Ser disponível para a missão de Cristo, oferecendo diariamente a vida, as ações e as palavras para bem daqueles que mais precisam de experimentar a compaixão do Senhor.

 - Ser missionário na vida quotidiana, como parte da Igreja que é enviada ao mundo para anunciar a proximidade do Reino, nos ambientes onde me movo.

 https://redemundialdeoracaodopapa.pt/rezar-com-o-papa/intencoes/2021/10

sábado, 25 de setembro de 2021

 Meditação Diária

26 set 
 
Dom, 26 – Domingo XXVI do Tempo Comum – Ano B / Dia Mundial do Migrante e do Refugiado

Num 11, 25-29 / Slm 18 (19), 8.10.12-14 / Tg 5, 1-6 / Mc 9, 38-43.45.47-48

Tanto no livro dos Números como no Evangelho, aparece a pretensão de alguns quererem que outros não sejam considerados, não tenham qualidades especiais, porque isso os incomoda, fazendo-lhes sombra. Trata-se do ciúme e da inveja, que são vícios que podem corromper o nosso coração. O bem a fazer não tem patrões nem donos. Todos somos chamados a estimar as qualidades e virtudes que existem nos nossos próximos, que nos completam, e assim todos ficamos mais enriquecidos. Cultivo na minha família, comunidade e grupo de trabalho ou convívio, a estima recíproca, a mútua consideração, o apreço pelo que há de bom nas outras pessoas, naquilo que são e no que fazem?

Na carta de São Tiago encontramos um veemente apelo aos ricos que, em vez de acumularem histórias de solidariedade e ajuda, multiplicam casos de injustiça e corrupção que bradam aos céus. É uma página de gritante doutrina social, de há vinte séculos, mas cheia de atualidade. São Tiago, evidentemente, não se manifesta contra os ricos, mas sim contra o mau uso das riquezas, de quem explora os trabalhadores e faz da injustiça o meio de se tornar ainda mais rico. Uso aquilo que tenho, que sei e posso, para ajudar e servir aqueles que são os meus próximos?

Cristo arrisca fazer esta promessa: «Quem vos der a beber um copo de água, por serdes de Cristo, em verdade vos digo que não perderá a sua recompensa». Dar um copo de água é um gesto muito simples e comum. Mas o Senhor garante que o recompensará. Vai na linha da solene afirmação do juízo final: «o que fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos a mim o fizestes». Cristo identifica-se connosco. Somos muito mais do que nós mesmos. Somos Cristo em nós.

O Senhor Jesus exorta-nos, com imagens de estrutural radicalidade, a dar bom exemplo e a evitar tudo o que possa ser motivo de escândalo. É que ser ocasião de escândalo é algo tão grave como cortar um pé ou uma mão a alguém. Temos a obrigação de edificar, de sermos positivamente construtivos, renunciando a dar rédea solta ao egoísmo com que usamos o que somos e podemos: a nossa inteligência e vontade, a nossa força física e desejos de domínio. É preciso arrancar dos nossos olhos a soberba e o desprezo. Importa cortar dos nossos pés tudo o que nos leva por maus caminhos e ensinar as nossas mãos a amar e a servir.

O mundo dos migrantes e refugiados é um mundo imenso, que necessita de uma imensa solidariedade. Este é o tema que o Papa Francisco nos propõe para o Dia Mundial deste ano: «Rumo a um “nós” cada vez maior», mais inclusivo, sem fronteiras, ao jeito do Bom Samaritano, que aceita fazer tudo o que pode por quem sofre.

https://redemundialdeoracaodopapa.pt/meditacao-diaria/1450 

 SONETO  DE  SAÚDE (I)

Doença é um momento de balanço.
É pausa essencial, não-programada.
O corpo diz: “existo, logo canso”
e pede um intervalo na jornada.

Saúde é um conceito relativo,
mas, neste mundo, o que é absoluto ?
Tudo é mudança. Isso é estar vivo:
ver como é único cada minuto.

Tumor atinge o corpo: está restrito.
Amor é absoluto: atinge a alma.
Assim, o Amor revela o infinito.

Apreender da Vida sua essência
demanda tempo, exige muita calma.
Doença é o acordar da existência.

 Paulo Roxo Barja

 Soneto de Saúde (II) – P.Barja

SONETO  DE  SAÚDE   (II)

 Viver é perceber em cada instante
a vida que o instante em si contém.
Saúde tem aquele que mantém,
no leito do hospital, o olhar brilhante.

Saudável é saudar com alegria
o movimento, ontem impossível,
que agora é um exercício bem plausível
na leve evolução de cada dia.

Passeio de cadeira é uma viagem;
olhar estrelas brilhantes no teto,
uma possível e bela paisagem.

E é bom ganhar de amigos todo o afeto.
Sorrisos, da equipe de enfermagem.
Da amada, um beijo e o doce predileto.

Paulo Roxo Barja

https://redehumanizasus.net/64106-soneto-de-saude-ii-pbarja/

domingo, 19 de setembro de 2021

 Meditação Diária

Dom, 19 – Domingo XXV do Tempo Comum – Ano B

Sab 2, 12.17-20 / Slm 53 (54), 3-6.8 / Tg 3, 16 – 4, 3 / Mc 9, 30-37

Esta página do livro da Sabedoria adverte-nos sobre os falsos sábios que vivem centrados nos seus prazeres, desregradamente sem lei nem limite. Por isso a vida dos justos é-lhes um estorvo e, em si mesma, uma condenação dos seus erros. Assim, planeiam liquidar quem segue a lei de Deus e pratica a justiça. Mas quem elimina uma pessoa boa acrescenta um crime de bradar aos céus à própria maldade. A Palavra de Deus, por contraste, exorta-nos a seguir o caminho da bondade e da justiça, custe o que custar. Este bom exemplo será um positivo desafio à conversão dos que andam em contramão nas estradas da vida.

São Tiago adverte-nos sobre o que se passa no nosso coração. Podemos deixar que se vão acumulando invejas e rivalidades, ódios e todo o tipo de paixões destrutivas. Este acumular de maldade venenosa acaba por explodir em conflitos e guerras. Cabe-nos estar atentos para cultivar «a sabedoria que vem do alto, que é pura, pacífica, compreensiva e generosa». Sendo verdade que «quem semeia ventos colhe tempestades», não menos verdade é que quem semeia bondade colhe amores-perfeitos.

O evangelista Marcos refere três vezes o anúncio da paixão feito por Jesus. É neste contexto dramático que os discípulos ousam discutir sobre quem é o mais importante do grupo dos seguidores de Jesus. É a imagem das nossas contradições e incongruências, em que em vez de socorrermos um ferido, nos ocupamos a analisar a ementa de luxo de um restaurante próximo. Jesus, sem se centrar na sua paixão, põe em evidência a verdadeira grandeza, cujo modelo é uma criança simples e pura. Esta é também a imagem do que há de grande e bom em mim?

 https://redemundialdeoracaodopapa.pt/meditacao-diaria/1443

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Santa Missa | 24ª Semana do Tempo Comum | Nossa Senhora das Dores | Quar...

TRECHO DE UM LIVRO

Não há florestas de ipês. Há ipês nas florestas. Um aqui, outro lá. Como não há multidão de amigos. Há amigos na multidão. Raros, consistentes, mas poucos.

O ipê marca sua presença na paisagem, como o amigo marca sua presença na memória. O olhar espraia-se na distância e o amarelo esparso prende sua atenção. No espaço vasto da memória os amigos são lembrados com nitidez, em contraste com a multidão dos conhecidos.

No ipê, a flor é frágil e passageira. O tronco é sólido e resistente. O tronco é a alma. A flor é a palavra. No amigo, mais que na palavra é na alma que se apoia o coração que busca. Mais importante que aquilo que diz é aquilo que é.

0 ipê fala pouco. Dá o seu recado e esconde-se no silêncio, para voltar na hora oportuna. Falasse o ano todo, não seria tão expressivo, como o amigo que não é falastrão. Sua palavra é tesouro e não se desperdiça na sonoridade vazia.

0 ipê chama a atenção, mas não se exibe. Cumprida sua tarefa, ele se perde na vegetação que o cerca. Com humildade e discrição

É assim o amigo. Presente na hora exata, não alardeia a amizade que oferece. A amizade é uma sintonia do espírito. Não é um cartaz colado na testa, nem um rótulo fixado no exterior.

O ipê nada pede. Nasce espontâneo e não fica a exigir cuidados.

Como o amigo, que não é interesseiro. Porque amigo que se move em troca de favores não é amigo. O amigo nunca deve e nunca cobra. Ele apenas é. E nisso está sua característica.

É generoso o ipê. Depois que encantou a tantos com o seu colorido, devolve logo suas flores à terra, da qual os recebeu, cobrindo-a de um tapete amarelo e vivo, da mesma cor da coroa de ouro com que a natureza o enriqueceu.

O amigo não se deixa vencer em generosidade. A prestatividade e a solicitude são para ele como o respirar. Brotam do seu ser com a naturalidade que nunca parece exigir esforço, sem aguardar retribuição.

Entre tantas lições que nos dá o ipê, esta, a da amizade, é das mais preciosas. Não é rico, porque não tem frutos. Consegue ser amado por aquilo que é e não por aquilo que tem...

Ele vem dizer, todos os anos, que a amizade é um tesouro. Como o ouro da cor que o reveste.

Cultive a amizade. Ela dura sempre. Os aplausos fugazes morrem e os elogios vazios desaparecem. Mas ela é forte como o tronco do ipê. É como a vida que não desiste. É o suporte de todas as outras coisas. E dá valor a todas elas.

Padre João Baptista Zecchin 

Ipês: amarelos, brancos, roxos...

Arquidiocese de Belo Horizonte

15 de setembro, 4ª feira da 24ª semana do Tempo Comum | Dia de Nossa Senhora das Dores.

Hoje é dia 15 de setembro, 4ª feira da 24ª semana do Tempo Comum | Dia de Nossa Senhora das Dores.

- As nossas noites nem sempre coincidem com as horas noturnas. Por vezes, são bem mais longas e assustadoras. Hoje, sinta-se irmão e irmã, daqueles e daquelas que, por qualquer motivo deixaram a noite instalar-se na sua vida. E, também daqueles que vivem pesadas cruzes impostas pela fome, pela pobreza, pelo sofrimento. Pense em Maria, que aos pés da cruz de Jesus, vive uma “noite” dolorosa. Comece tua oração falando com o Senhor sobre as tuas noites.

- Escuta o Evangelho de João, capítulo 19, versículo 25 a 27:
Naquele tempo perto da cruz de Jesus, estavam de pé a sua mãe, a irmã da sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: "Mulher, este é o teu filho". Depois disse ao discípulo: "Esta é a tua mãe".
Daquela hora em diante, o discípulo a acolheu consigo.

- Aos pés da cruz, de pé, está Maria, Mãe de Jesus. Ela não se dobra a esta que será a maior de suas dores e como uma mulher forte continua crendo, esperando e tendo confiança em Deus, mesmo neste momento tão difícil. Por vontade de Jesus Maria é adotada como mãe pela comunidade cristã de todos os tempos. O discípulo amado, que representa a comunidade, a recebe como mãe, a de Mãe da Igreja, acolhendo a todos como filhos. Contemple essa cena: Maria aos pés da Cruz do seu Filho Jesus.

- O que a cena de Maria aos pés da cruz de Jesus provoca em você? Como você reage diante das suas cruzes de cada dia? Como você vê as cruzes do mundo: a fome, a violência e o ódio?

- “Mulher, este é o teu filho". Depois disse ao discípulo: "Esta é a tua mãe". Maria no leva a desenvolver a vida do batismo pela qual nos tornamos filhos. Ao mesmo tempo, esse carisma materno faz crescer em nós a fraternidade. Assim diz o poema de Dom Pedro Casaldáliga, chamado “Dizer teu nome Maria”:

Dizer teu nome Maria
É dizer que a pobreza compra os olhares de Deus
Dizer teu nome Maria
É dizer que a promessa vem com leite de mulher
Dizer teu nome Maria
É dizer que nossa carne veste o silêncio do Verbo
Dizer teu nome Maria
É dizer que o Reino chega caminhando com a história
Dizer teu nome Maria
É dizer ao pé da Cruz e nas chamas do Espírito
Dizer teu nome Maria
É dizer que todo Nome pode estar cheio de Graça
Dizer teu nome Maria
É dizer que toda Morte pode ser também a Páscoa
Dizer teu nome Maria
É chamar-te Toda Sua, causa da nossa alegria
Dizer teu nome Maria
É dizer que todo nome pode estar cheio de Graça

- Termina essa oração pedindo a Maria, Mãe de Jesus, que te inspire a ter um coração simples e pobre como o dela, para poder viver a espera e a esperança. Peça também que ela te inspire a ter um coração sereno e forte para que saiba viver as cruzes de cada dia e a alegria de seguir seu Filho Jesus.

- Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, como era no princípio, agora e sempre. Amém.

https://arquidiocesebh.org.br/palavra-se-fez-carne/Arquidiocese de Belo Horizonte

domingo, 12 de setembro de 2021

 Ipês

Na florada dos ipês, em que tu crês?

Pelas ruas, bosques e campos,

tão floridos e santos, um bálsamo de luz.

Cores vibrantes de esperança.

O amarelo da alegria,

o roxo da melancolia,

o branco da calmaria,

e outros tons de doçura, de silêncio e euforia.

Despertam a vida interior,

exaltam o Criador, afugentam o temor.

Em que tu crês?

Nas flores dos ipês,

que dão mel aos pequenos mimos,

e descanso nos caminhos.

Fortaleza generosa,

mesmo em tempos de prova.

Amarelos, roxos, brancos, tão raros, tão caros.

Presente do Divino para o pequenino.

Energia que atrai, luz perene e mansa.

Em que eu creio?

Na florada dos ipês.

Na paz da natureza, na brisa da liberdade.

Antes que tudo passe, saio a admirá-los.

E assim no compasso alegre,

Em tudo dou graças. Deus é bom!

Em que se crê? Na florada dos ipês!

Pe. Nilton Boni cmf

 https://www.ekflori.com.br/

sexta-feira, 3 de setembro de 2021

Artigo de Dom Walmor

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Primavera na Serra

Primavera na Serra da Piedade é uma canção que brota nos corações dos sensatos – daqueles que cultivam uma sabedoria indispensável: tudo está interligado no cuidado com a casa comum. Erros na relação com o planeta, defraudando o meio ambiente, conduzem sempre, e cada vez mais, a humanidade rumo a prejuízos. Merece, pois, a atenção de todos o canto da primavera na Serra da Piedade, coração de Minas Gerais, onde se encontra a síntese das riquezas do “Estado Diamante”. Desarmonias preocupantes ferem a melodia de exuberantes biomas: Mata Atlântica, Cerrado e Campos Rupestres. Tristemente, as belezas religiosas, paisagísticas e histórico-culturais da Serra da Piedade estão cada vez mais emolduradas em uma lacônica lamentação.

Os mineiros, cada brasileiro e toda a humanidade precisam saber o que está acontecendo: a agressão fere um patrimônio de todos, que precisa ser preservado, pois é preciosa herança que garante equilíbrio à vida humana. As autoridades governamentais, as instâncias judiciárias – toda sociedade – estão convocadas a rever processos, apurar e ajustar interpretações que motivam as decisões e as licenças. É preciso ir além dos interesses minerários estreitos, que enriquecem poucos, iludindo com a oferta de alguns postos de trabalho, enquanto inviabiliza a possibilidade de um bem maior. Os procedimentos minerários em curso na Serra da Piedade merecem ser estudados, com embasamento científico, para que suas consequências desastrosas, em futuro muito próximo, possam ser enxergadas. Nascentes serão afetadas, o indispensável aquífero da região – a água é bem inegociável da humanidade – sofrerá grave degradação.

A agressão à primavera na Serra da Piedade é gravíssima e requer envolvimento, posicionamento e adequada reação da sociedade. A primavera da Serra da Piedade deve inspirar um clamor capaz de incomodar ouvidos e corações para que não sejam repetidos desmandos e manipulações interesseiras a serviço do lucro de poucos, inviabilizando o bem comum. A Arquidiocese de Belo Horizonte, indicando graves e consistentes evidências, apresentou recurso ao Conselho de Política Ambiental (COPAM), órgão da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais, solicitando a suspensão das licenças concedidas à atividade minerária na Serra da Piedade. É importante destacar no recurso apresentado pela Arquidiocese, o parecer da Agência Nacional de Mineração (ANM), contrário à atividade minerária na Serra da Piedade. O parecer é claro: condena o projeto apresentado pela mineradora.

Ainda assim, os conselheiros do COPAM deram anuência para a exploração predatória do Monumento Natural Estadual Serra da Piedade. Além da condenação da ANM, argumentações fortemente fundamentadas na legislação, que indicam erros no projeto, foram totalmente ignoradas. Essa decisão representa um enorme prejuízo, duro golpe ao meio ambiente e à vida. Trata-se de uma irresponsável e cruel agressão às riquezas da Serra da Piedade – fauna, flora, recursos hídricos e habitantes. A mineração que desconsidera a legislação, o meio ambiente, a vida e o bem comum fere a dignidade humana. É uma exploração predatória que visa apenas o lucro.

A sociedade, com seus segmentos sérios, precisa acolher a convocação para pedir – a partir de gestos, posicionamentos e argumentos – que as decisões e as licenças, favoráveis a interesses oligárquicos, sejam sabiamente revistas por órgãos governamentais e judiciários. Sem essa revisão, as instâncias que favorecem a exploração predatória estarão historicamente marcadas como responsáveis pelo que está ocorrendo na Serra da Piedade. Oportuno sublinhar: se não houver revisão profunda em todo o processo envolvendo a atividade extrativista e as empresas minerárias, se continuará a conviver com tragédias ainda mais cruéis – urgentemente é preciso dar um basta a esta triste realidade de lutos, perdas e muito sofrimento provocados pela ganância.

Há uma verdadeira batalha em curso. De um lado, interesses econômicos poderosos, que buscam a qualquer preço acumular, egoisticamente, mais riquezas. Do outro, os que defendem mais harmonia entre o ser humano e a casa comum, sabedores de que não existe humanidade saudável em um território adoecido, em um planeta doente, conforme bem adverte o Papa Francisco. Corações sensatos defendam o canto da natureza, a primavera na Serra da Piedade.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte
Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)

quarta-feira, 1 de setembro de 2021

Um estilo de vida ecossustentável - O Vídeo do Papa 9 - setembro de 2021

Intenções 
212022JFMAMJJASOND

Intenção

Um estilo de vida eco sustentável (Universal)

Rezemos para que todos façamos escolhas corajosas através de um estilo de vida sóbrio e ecossustentável, alegrando-nos pelos jovens que se empenham resolutamente por isso.

Reflexão

Um dos maiores desafios que enfrentamos enquanto humanidade é o futuro do nosso planeta e a grave questão de como as gerações futuras irão viver num mundo depredado e saqueado. Estas palavras fortes têm sido usadas frequentemente pelo Papa Francisco, denunciando os sistemas económicos que, privilegiando o lucro e a ganância a qualquer custo, optam por estilos de produção que não são sustentáveis e, a curto prazo, causarão um dano irreversível ao planeta. Estas ações atingem sobretudo as populações mais vulneráveis dos países em vias de desenvolvimento, onde as grandes empresas fazem o que não lhes é permitido fazer nos seus países de origem. 

 O mês de setembro, que começa com a celebração do Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, inaugura o Tempo da Criação, até 4 de outubro, durante o qual muitas instituições, entre as quais a Rede Mundial de Oração do Papa, em parceria com o Movimento Global Católico pelo Clima, promovem iniciativas para sensibilizar a todos para a urgência deste tema.

 O Santo Padre, neste ano, chama a nossa atenção para as gerações mais jovens que se empenham na defesa da nossa Casa Comum, com o que isto significa de apelo às gerações mais velhas para a responsabilidade para com o futuro. Esta onda juvenil deverá ser mais acolhida e, sobretudo, trazida para os hábitos do dia a dia. 

 Nesse sentido, o Papa Francisco fala de termos a coragem de optar por um estilo de vida sóbrio e ecossustentável, que implica mudanças nos hábitos de consumo, estilos de vida, confortos a que estamos habituados. Neste mês, procuremos informar-nos sobre os modos concretos e as escolhas que temos à disposição para fazer com que a nossa vida ajude as gerações futuras a encontrar um mundo melhor e mais habitável, cuidando com empenho da Criação que Deus nos deu com tanto amor.

 Oração

Pai bom, 

quando criaste o céu e a terra 

deixaste aos teus filhos um mundo cheio de harmonia e beleza,

para que dele cuidássemos e dele vivêssemos, 

nós e as gerações futuras. 

Mas o nosso egoísmo e desejo de ter tudo

causa grande dano à nossa Casa Comum, 

e põe em questão o futuro das novas gerações. 

Converte o nosso coração, 

para que tenhamos a coragem 

de viver de modo mais sóbrio, 

mais atento e responsável, 

cuidando da terra como cuidamos dos nossos irmãos 

 que estão doentes e que sofrem. 

Pai-Nosso...

Desafios

- Viver de um modo mais sóbrio e simples, encontrando alternativas sustentáveis aos próprios hábitos de consumo e que tragam novo dinamismo e entusiasmo à vida. 

 - Admirar e agradecer a criação, desfrutando da natureza e sensibilizando os outros para a necessidade de a preservar. 

 - Trabalhar para os outros, saindo do próprio egoísmo e dedicando tempo e energia aos que mais precisam da minha atenção e generosidade. 

- Apoiar e ajudar decisões corajosas dos jovens, deixando-me provocar por elas e questionar acerca daquilo a que se está mais habituado e acomodado.

 https://redemundialdeoracaodopapa.pt/rezar-com-o-papa/intencoes/2021/9