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quarta-feira, 30 de janeiro de 2019
São Lucas - Capítulo 6
A
gratuidade nas relações -* 27
«Mas, eu digo a vocês que me escutam: amem os seus
inimigos, e façam o bem aos que odeiam vocês. 28 Desejem
o bem aos que os amaldiçoam, e rezem por aqueles que caluniam vocês. 29
Se alguém lhe dá um tapa numa face, ofereça também a outra; se alguém lhe
toma o manto, deixe que leve também a túnica. 30 Dê
a quem lhe pede e, se alguém tira o que é de você, não peça que devolva. 31
O que vocês desejam que os outros lhes façam, também vocês devem fazer a
eles. 32 Se vocês amam somente aqueles que os amam,
que gratuidade é essa? Até mesmo os pecadores amam aqueles que os amam. 33
Se vocês fazem o bem somente aos que lhes fazem o bem, que gratuidade é
essa? Até mesmo os pecadores fazem assim. 34 E se
vocês emprestam somente para aqueles de quem esperam receber, que gratuidade é
essa? Até mesmo os pecadores emprestam aos pecadores, para receber de volta a
mesma quantia. 35 Ao contrário, amem os inimigos,
façam o bem e emprestem, sem esperar coisa alguma em troca. Então, a recompensa
de vocês será grande, e vocês serão filhos do Altíssimo, porque Deus é bondoso
também para com os ingratos e maus. 36 Sejam
misericordiosos, como também o Pai de vocês é misericordioso.»
Só
Deus pode julgar -* 37
«Não julguem, e vocês não serão julgados; não condenem, e
não serão condenados; perdoem, e serão perdoados. 38 Dêem,
e será dado a vocês; colocarão nos braços de vocês uma boa medida, calcada,
sacudida, transbordante. Porque a mesma medida que vocês usarem para os outros,
será usada para vocês.»
39
Jesus contou uma parábola aos discípulos: «Pode um cego
guiar outro cego? Não cairão os dois num buraco? 40 Nenhum
discípulo é maior do que o mestre; e todo discípulo bem formado será como o seu
mestre. 41 Por que você fica olhando o cisco no
olho do seu irmão, e não presta atenção na trave que há no seu próprio olho? 42
Como é que você pode dizer ao seu irmão: ‘Irmão, deixe-me tirar o cisco
do seu olho’, quando você não vê a trave no seu próprio olho? Hipócrita! Tire
primeiro a trave do seu próprio olho, e e então você enxergará bem, para tirar o cisco do olho do seu irmão."
Os
atos revelam a pessoa -* 43
«Não existe árvore boa que dê frutos ruins, nem árvore
ruim que dê frutos bons; 44 porque toda árvore é
conhecida pelos seus frutos. Não se colhem figos de espinheiros, nem se apanham
uvas de plantas espinhosas. 45 O homem bom tira
coisas boas do bom tesouro do seu coração, mas o homem mau tira do seu mal coisas más, porque a boca fala daquilo de que o coração está cheio.»
Passar
para a ação -* 46
«Por que vocês me chamam: ‘Senhor! Senhor!’, e não fazem o
que eu digo? 47 Vou mostrar a vocês com quem se
parece todo aquele que ouve as minhas palavras e as põe em prática. 48
É semelhante a um homem que construiu uma casa: cavou fundo e colocou o
alicerce sobre a rocha. Veio a enchente, a enxurrada bateu contra a casa, mas
não conseguiu derrubá-la, porque estava bem construída. 49
Aquele que ouve e não põe em prática, é semelhante a um homem que
construiu uma casa sobre a terra, sem alicerce. A enxurrada bateu contra a
casa, e ela imediatamente desabou; e foi grande a ruína dessa casa.»
http://www.paulus.com.br/biblia-pastoral/_PWM.HTM
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terça-feira, 29 de janeiro de 2019
Salmo 73(74)
Lamentação sobre o templo devastado
Não tenhais medo
dos que matam o corpo (Mt 10,28).
I
–1 Ó Senhor, por que razão
nos rejeitastes para sempre *e vos irais contra as ovelhas do rebanho que guiais?
=2 Recordai-vos deste povo que outrora adquiristes, †
desta tribo que remistes para ser a vossa herança, *
e do monte de Sião que escolhestes por morada!
–3 Dirigi-vos até lá para ver quanta ruína: *
no santuário o inimigo destruiu todas as coisas;
–4 e, rugindo como feras, no local das grandes festas, *
lá puseram suas bandeiras vossos ímpios inimigos.
–5 Pareciam lenhadores derrubando uma floresta, *
6 ao quebrarem suas portas com martelos e com malhos.
–7 Ó Senhor, puseram fogo mesmo em vosso santuário! *
Rebaixaram, profanaram o lugar onde habitais!
–8 Entre si eles diziam: “Destruamos de uma vez!” *
E os templos desta terra incendiaram totalmente.
–9 Já não vemos mais prodígios, já não temos mais profetas,*
ninguém sabe, entre nós, até quando isto será!
–10 Até quando, Senhor Deus, vai blasfemar o inimigo? *
Porventura ultrajará eternamente o vosso nome?
–11 Por que motivo retirais a vossa mão que nos ajuda? *
Por que retendes escondido vosso braço poderoso?
–12 No entanto, fostes vós o nosso Rei desde o princípio, *
e só vós realizais a salvação por toda a terra.
Ant. Recordai-vos deste povo que outrora adquiristes!
Ant. 3 Levantai-vos, Senhor Deus,
e defendei a vossa causa!
II
–13 Com vossa força poderosa
dividistes vastos mares *e quebrastes as cabeças dos dragões nos oceanos.
–14 Fostes vós que ao Leviatã esmagastes as cabeças *
e o jogastes como pasto para os monstros do oceano.
–15 Vós fizestes irromper fontes de águas e torrentes *
e fizestes que secassem grandes rios caudalosos.
–16 Só a vós pertence o dia, só a vós pertence a noite; *
vós criastes sol e lua, e os fixastes lá nos céus.
–17 Vós marcastes para a terra o lugar de seus limites, *
vós formastes o verão, vós criastes o inverno.
–18 Recordai-vos, ó Senhor, das blasfêmias do inimigo *
e de um povo insensato que maldiz o vosso nome!
–19 Não entregueis ao gavião a vossa ave indefesa, *
não esqueçais até o fim a humilhação dos vossos pobres!
–20 Recordai vossa Aliança! A medida transbordou, *
porque nos antros desta terra só existe violência!
–21 Que não se escondam envergonhados o humilde e o pequeno, *
mas glorifiquem vosso nome o infeliz e o indigente!
–22 Levantai-vos, Senhor Deus, e defendei a vossa causa! *
Recordai-vos do insensato que blasfema o dia todo!
–23 Escutai o vozerio dos que gritam contra vós, *
e o clamor sempre crescente dos rebeldes contra vós!
Ant. Levantai-vos, Senhor Deus, e defendei a vossa causa!
Leitura breve Dt
15,7-8
Se um dos teus irmãos,
que mora em alguma de tuas cidades, na terra que o Senhor teu Deus te vai dar,
cair na pobreza, não lhe endureças o teu coração nem lhe feches a mão. Ao
contrário, abre a mão para o teu irmão pobre e empresta-lhe o bastante para a
necessidade que o oprime.
V. Escutastes os desejos
dos pequenos. R. Seu coração fortalecestes e os ouvistes.
Oração
Ó Deus, que revelastes
a Pedro vosso plano de salvação para todos os povos, fazei que nossos trabalhos
vos agradem e, pela vossa graça, sirvam ao vosso desígnio de amor e redenção.
Por Cristo, nosso Senhor.
Conclusão da Hora
V.Bendigamos ao Senhor.
R. Graças a Deus.
R. Graças a Deus.
Lamentações - Capítulo 5
1Lembrai-vos, Senhor, do que nos aconteceu. Olhai, considerai nossa humilhação.2Nossa herança passou a mãos estranhas, e nossas casas foram entregues a desconhecidos.3Órfãos, fomos privados de nossos pais, e nossas mães são como viúvas.4Somente a preço de dinheiro nos é dado beber; a nossa lenha, devemos pagá-la.5Carregando o jugo ao pescoço, somo perseguidos, extenuamo-nos, não há trégua para nós!6Estendemos a mão ao Egito e à Assíria para obtermos o pão para comer.7Pecaram nossos pais, e já não existem, e sobre nós caíram os castigos de suas iniqüidades.8Um povo de escravos domina sobre nós. Ninguém nos arrebata de suas mãos.9Se comemos o pão, é com perigo de nossa vida, por causa da espada que ataca no deserto.10Nossa pele esbraseou-se como ao forno, sob os ardores da fome.11Foram violadas as mulheres de Sião e as jovens nas cidades de Judá;12chefes foram executados pelas mãos (dos inimigos) que nenhum respeito tiveram pelos anciãos.13Jovens tiveram que girar a mó, e adolescentes vergaram sob o peso dos fardos de lenha.14Não se assentam mais às portas os anciãos, deixaram os jovens de dedilhar as cordas da lira.15Fugiu-nos a alegria dos corações; nossas danças se converteram em luto.16Caiu-nos da cabeça a coroa; desgraçados de nós, porque pecamos.17Amargurou-se-nos o coração, e nossos olhos toldaram-se (de lágrimas),18porque o monte Sião foi assolado, e nele andam à solta os chacais.19Vós, porém, Senhor, sois eterno, e vosso trono subsistirá através dos tempos.20Por que persistir em esquecer-nos? Por que abandonar-nos para sempre?21Reconduzi-nos a vós, Senhor; e voltaremos. Fazei-nos reviver os dias de outrora.22A menos que nos tenhais abandonado, e que contra nós demasiadamente vos tenhais irritado.
Esdras - Capítulo 1
1No
primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia, para que se cumprisse a profecia
posta pelo Senhor na boca de Jeremias, o Senhor suscitou o espírito de
Ciro, rei da Pérsia, o qual mandou fazer em todo o seu reino, de viva
voz e por escrito, a proclamação seguinte:2Assim
fala Ciro, rei da Pérsia: o Senhor, Deus do céu, deu-me todos os reinos
da terra, e encarregou-me de construir-lhe um templo em Jerusalém, que
fica na terra de Judá.3Quem
é dentre vós pertencente ao seu povo, que seu Deus o acompanhe, suba a
Jerusalém que fica na terra de Judá e construa o templo do Senhor, Deus
de Israel, o Deus que reside em Jerusalém.4Que
todos os sobreviventes (de Judá) onde quer que residam, sejam providos
pelos habitantes da localidade onde se encontrarem, de prata, ouro,
cereais e gado, bem como de oferendas voluntárias para o templo do Deus
que reside em Jerusalém.5Então
os chefes de família de Judá e de Benjamim, bem como todos os
sacerdotes e os levitas, principalmente todos aqueles cujo espírito Deus
havia tocado, prepararam-se para ir reedificar o templo do Senhor em
Jerusalém.6Todos os
que habitavam pelas redondezas ajudaram-nos, dando-lhes prata, ouro,
bens diversos, gado, cereais e coisas preciosas, além das outras ofertas
voluntárias.7O rei
Ciro entregou também os utensílios que Nabucodonosor trouxera do templo
do Senhor em Jerusalém e colocara no templo de seu deus.8Ciro,
rei da Pérsia, mandou-os entregar pelas mãos de Mitrídates, o
tesoureiro, o qual os entregou a Sassabasar, príncipe de Judá.9Eis o número deles: trinta bacias de ouro, mil bacias de prata, vinte e nove facas, trinta taças de ouro,10quatrocentas e dez taças de prata, e mil outros utensílios.11Todos
os utensílios de ouro e de prata eram em número de cinco mil e
quatrocentos. Tudo levou Sassabasar quando os exilados voltaram de
Babilônia para Jerusalém.
domingo, 27 de janeiro de 2019
Salmo 117(118)
Canto de alegria e salvação
Ele é a pedra, que
vós, os construtores, desprezastes, e que se tornou a pedra angular (At 4,11)
III
–19 Abri-me vós, abri-me as
portas da justiça; *quero entrar para dar graças ao Senhor!
–20 “Sim, esta é a porta do Senhor, *
por ela só os justos entrarão!”
–21 Dou-vos graças, ó Senhor, porque me ouvistes *
e vos tornastes para mim o Salvador!
–22 “A pedra que os pedreiros rejeitaram, *
tornou-se agora a pedra angular.
–23 Pelo Senhor é que foi feito tudo isso: *
Que maravilhas ele fez a nossos olhos!
–24 Este é o dia que o Senhor fez para nós, *
alegremo-nos e nele exultemos!
–25 Ó Senhor, dai-nos a vossa salvação, *
ó Senhor, dai-nos também prosperidade!”
–26 Bendito seja, em nome do Senhor, *
aquele que em seus átrios vai entrando!
– Desta casa do Senhor vos bendizemos. *
27 Que o Senhor e nosso Deus nos ilumine!
– Empunhai ramos nas mãos, formai cortejo, *
aproximai-vos do altar, até bem perto!
–28 Vós sois meu Deus, eu vos bendigo e agradeço! *
Vós sois meu Deus, eu vos exalto com louvores!
–29 Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! *
“Eterna é a sua misericórdia!”
Ant. Que o Senhor e nosso Deus nos ilumine, aleluia!
Leitura breve Rm 8,22-23
Sabemos que toda a criação, até ao tempo presente, está gemendo como que em dores de parto. E não somente ela, mas nós também, que temos os primeiros frutos do Espírito, estamos interiormente gemendo, aguardando a adoção filial e a libertação para o nosso corpo.
V. Bendize, ó minha alma, ao Senhor!
R. Do sepulcro ele salva tua vida!
Sabemos que toda a criação, até ao tempo presente, está gemendo como que em dores de parto. E não somente ela, mas nós também, que temos os primeiros frutos do Espírito, estamos interiormente gemendo, aguardando a adoção filial e a libertação para o nosso corpo.
V. Bendize, ó minha alma, ao Senhor!
R. Do sepulcro ele salva tua vida!
Oração
Deus eterno e
todo-poderoso, dirigi a nossa vida segundo o vosso amor, para que possamos,
em nome do vosso Filho, frutificar em boas obras. Por Cristo, nosso Senhor.
Conclusão da Hora
sábado, 26 de janeiro de 2019
MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO
PARA O LIII DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS
(2 DE JUNHO DE 2019)
PARA O LIII DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS
(2 DE JUNHO DE 2019)
« “Somos membros uns dos outros” (Ef 4, 25):
das comunidades de redes sociais à comunidade humana »
das comunidades de redes sociais à comunidade humana »
Queridos irmãos e irmãs!
Desde quando se tornou possível dispor da internet, a Igreja tem
sempre procurado que o seu uso sirva o encontro das pessoas e a
solidariedade entre todos. Com esta Mensagem, gostaria de vos
convidar uma vez mais a refletir sobre o fundamento e a importância do
nosso ser-em-relação e descobrir, nos vastos desafios do atual panorama
comunicativo, o desejo que o homem tem de não ficar encerrado na própria
solidão.
As metáforas da «rede» e da «comunidade»
Hoje, o ambiente dos mass-media é tão invasivo que já não se consegue
separar do círculo da vida quotidiana. A rede é um recurso do nosso
tempo: uma fonte de conhecimentos e relações outrora impensáveis. Mas
numerosos especialistas, a propósito das profundas transformações
impressas pela tecnologia às lógicas da produção, circulação e fruição
dos conteúdos, destacam também os riscos que ameaçam a busca e a
partilha duma informação autêntica à escala global. Se é verdade que a
internet constitui uma possibilidade extraordinária de acesso ao saber,
verdade é também que se revelou como um dos locais mais expostos à
desinformação e à distorção consciente e pilotada dos factos e relações
interpessoais, a ponto de muitas vezes cair no descrédito.
É necessário reconhecer que se, por um lado, as redes sociais servem
para nos conectarmos melhor, fazendo-nos encontrar e ajudar uns aos
outros, por outro, prestam-se também a um uso manipulador dos dados
pessoais, visando obter vantagens no plano político ou económico, sem o
devido respeito pela pessoa e seus direitos. As estatísticas relativas
aos mais jovens revelam que um em cada quatro adolescentes está
envolvido em episódios de cyberbullying.[1]
Na complexidade deste cenário, pode ser útil voltar a refletir sobre a metáfora da rede, colocada
inicialmente como fundamento da internet para ajudar a descobrir as
suas potencialidades positivas. A figura da rede convida-nos a refletir
sobre a multiplicidade de percursos e nós que, na falta de um centro,
uma estrutura de tipo hierárquico, uma organização de tipo vertical,
asseguram a sua consistência. A rede funciona graças à comparticipação
de todos os elementos.
Reconduzida à dimensão antropológica, a metáfora da rede lembra outra figura densa de significados: a comunidade.
Uma comunidade é tanto mais forte quando mais for coesa e solidária,
animada por sentimentos de confiança e empenhada em objetivos
compartilháveis. Como rede solidária, a comunidade requer a escuta
recíproca e o diálogo, baseado no uso responsável da linguagem.
No cenário atual, salta aos olhos de todos como a comunidade de redes
sociais não seja, automaticamente, sinónimo de comunidade. No melhor
dos casos, tais comunidades conseguem dar provas de coesão e
solidariedade, mas frequentemente permanecem agregados apenas indivíduos
que se reconhecem em torno de interesses ou argumentos caraterizados
por vínculos frágeis. Além disso, na social web, muitas vezes a
identidade funda-se na contraposição ao outro, à pessoa estranha ao
grupo: define-se mais a partir daquilo que divide do que daquilo que
une, dando espaço à suspeita e à explosão de todo o tipo de preconceito
(étnico, sexual, religioso, e outros). Esta tendência alimenta grupos
que excluem a heterogeneidade, alimentam no próprio ambiente digital um
individualismo desenfreado, acabando às vezes por fomentar espirais de
ódio. E, assim, aquela que deveria ser uma janela aberta para o mundo,
torna-se uma vitrine onde se exibe o próprio narcisismo.
A rede é uma oportunidade para promover o encontro com os outros, mas
pode também agravar o nosso autoisolamento, como uma teia de aranha
capaz de capturar. Os adolescentes é que estão mais expostos à ilusão de
que a social web possa satisfazê-los completamente a nível
relacional, até se chegar ao perigoso fenómeno dos jovens «eremitas
sociais», que correm o risco de se alhear totalmente da sociedade. Esta
dinâmica dramática manifesta uma grave rutura no tecido relacional da
sociedade, uma laceração que não podemos ignorar.
Esta realidade multiforme e insidiosa coloca várias questões de
caráter ético, social, jurídico, político, económico, e interpela também
a Igreja. Enquanto cabe aos governos buscar as vias de regulamentação
legal para salvar a visão originária duma rede livre, aberta e segura, é
responsabilidade ao alcance de todos nós promover um uso positivo da
mesma.
Naturalmente não basta multiplicar as conexões, para ver crescer
também a compreensão recíproca. Então, como reencontrar a verdadeira
identidade comunitária na consciência da responsabilidade que temos uns
para com os outros inclusive na rede on-line?
«Somos membros uns dos outros»
Pode-se esboçar uma resposta a partir duma terceira metáfora – o corpo e os membros
– usada por São Paulo para falar da relação de reciprocidade entre as
pessoas, fundada num organismo que as une. «Por isso, despi-vos da
mentira e diga cada um a verdade ao seu próximo, pois somos membros uns
dos outros» (Ef 4, 25). O facto de sermos membros uns dos outros
é a motivação profunda a que recorre o Apóstolo para exortar a
despir-se da mentira e dizer a verdade: a obrigação de preservar a
verdade nasce da exigência de não negar a mútua relação de comunhão. Com
efeito, a verdade revela-se na comunhão; ao contrário, a mentira é
recusa egoísta de reconhecer a própria pertença ao corpo; é recusa de se
dar aos outros, perdendo assim o único caminho para se reencontrar a si
mesmo.
A metáfora do corpo e dos membros leva-nos a refletir sobre a nossa
identidade, que se funda sobre a comunhão e a alteridade. Como cristãos,
todos nos reconhecemos como membros do único corpo cuja cabeça é
Cristo. Isto ajuda-nos a não ver as pessoas como potenciais
concorrentes, considerando os próprios inimigos como pessoas. Já não
tenho necessidade do adversário para me autodefinir, porque o olhar de
inclusão, que aprendemos de Cristo, faz-nos descobrir a alteridade de
modo novo, ou seja, como parte integrante e condição da relação e da
proximidade.
Uma tal capacidade de compreensão e comunicação entre as pessoas
humanas tem o seu fundamento na comunhão de amor entre as Pessoas
divinas. Deus não é Solidão, mas Comunhão; é Amor e, consequentemente,
comunicação, porque o amor sempre comunica; antes, comunica-se a si
mesmo para encontrar o outro. Para comunicar connosco e Se comunicar a
nós, Deus adapta-Se à nossa linguagem, estabelecendo na história um
verdadeiro e próprio diálogo com a humanidade (cf. Conc. Ecum. Vat. II,
Const. dogm. Dei Verbum, 2).
Em virtude de termos sido criados à imagem e semelhança de Deus, que é
comunhão e comunicação-de-Si, trazemos sempre no coração a nostalgia de
viver em comunhão, de pertencer a uma comunidade. Como afirma São
Basílio, «nada é tão específico da nossa natureza como entrar em relação
uns com os outros, ter necessidade uns dos outros».[2]
O panorama atual convida-nos, a todos nós, a investir nas relações, a
afirmar – também na rede e através da rede – o caráter interpessoal da
nossa humanidade. Por maior força de razão nós, cristãos, somos chamados
a manifestar aquela comunhão que marca a nossa identidade de crentes.
De facto, a própria fé é uma relação, um encontro; e nós, sob o impulso
do amor de Deus, podemos comunicar, acolher e compreender o dom do outro
e corresponder-lhe.
É precisamente a comunhão à imagem da Trindade que distingue a pessoa
do indivíduo. Da fé num Deus que é Trindade, segue-se que, para ser eu
mesmo, preciso do outro. Só sou verdadeiramente humano, verdadeiramente
pessoal, se me relacionar com os outros. Com efeito, o termo pessoa
conota o ser humano como «rosto», voltado para o outro, comprometido com
os outros. A nossa vida cresce em humanidade passando do caráter
individual ao caráter pessoal; o caminho autêntico de humanização vai do
indivíduo que sente o outro como rival para a pessoa que nele reconhece
um companheiro de viagem.
Do «like» ao «amen»
A imagem do corpo e dos membros recorda-nos que o uso da social web
é complementar do encontro em carne e osso, vivido através do corpo, do
coração, dos olhos, da contemplação, da respiração do outro. Se a rede
for usada como prolongamento ou expetação de tal encontro, então não se
atraiçoa a si mesma e permanece um recurso para a comunhão. Se uma
família utiliza a rede para estar mais conectada, para depois se
encontrar à mesa e olhar-se olhos nos olhos, então é um recurso. Se uma
comunidade eclesial coordena a sua atividade através da rede, para
depois celebrar juntos a Eucaristia, então é um recurso. Se a rede é uma
oportunidade para me aproximar de casos e experiências de bondade ou de
sofrimento distantes fisicamente de mim, para rezar juntos e, juntos,
buscar o bem na descoberta daquilo que nos une, então é um recurso.
Assim, podemos passar do diagnóstico à terapia: abrir o caminho ao
diálogo, ao encontro, ao sorriso, ao carinho... Esta é a rede que
queremos: uma rede feita, não para capturar, mas para libertar, para
preservar uma comunhão de pessoas livres. A própria Igreja é uma rede
tecida pela Comunhão Eucarística, onde a união não se baseia nos gostos
[«like»], mas na verdade, no «amen» com que cada um adere ao Corpo de Cristo, acolhendo os outros.
Vaticano, na Memória de São Francisco de Sales, 24 de janeiro de 2019.
Franciscus
[1] Para circunscrever o fenómeno, será instituído um Observatório internacional sobre cyberbullying, com sede no Vaticano.
[2] Grandes Regras, III, 1: PG 31, 917. Cf. Bento XVI, Mensagem para o XLIII Dia Mundial das Comunicações Sociais (2009).
© Copyright - Libreria Editrice Vaticana
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São Timóteo e São Tito, bispos . Memória
26 de Janeiro de 2019
Cor: Branco
1ª Leitura - 2Tm 1,1-8
Recordo-me da fé sincera que tens.
Início da Segunda Carta de São Paulo a Timóteo 1,1-8
1Paulo, Apóstolo de Jesus Cristo pelo desígnio de Deus referente à promessa de vida que temos em Cristo Jesus, 2a Timóteo, meu querido filho: Graça, misericórdia e paz da parte de Deus Pai e de Cristo Jesus, nosso Senhor! 3Dou graças a Deus, - a quem sirvo com a consciência pura, como aprendi dos meus antepassados -, quando me lembro de ti, dia e noite, nas minhas oraçðes. 4Lembrando-me das tuas lágrimas, sinto grande desejo de rever-te, e assim ficar cheio de alegria. 5Recordo-me da fé sincera que tens, aquela mesma fé que antes tiveram tua avó Loide e tua mãe Eunice. Sem dúvida, assim é também a tua. 6Por este motivo, exorto-te a reavivar a chama do dom de Deus que recebeste pela imposição das minhas mãos. 7Pois Deus não nos deu um espírito de timidez mas de fortaleza, de amor e sobriedade. 8Não te envergonhes do testemunho de Nosso Senhor nem de mim, seu prisioneiro, mas sofre comigo pelo Evangelho, fortificado pelo poder de Deus. Palavra da Salvação.Leituras do Dia
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