Postagens populares

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Obras de Misericórdia - Corporais e Espirituais

São Lucas - Capítulo 6

A gratuidade nas relações -* 27 «Mas, eu digo a vocês que me escutam: amem os seus inimigos, e façam o bem aos que odeiam vocês. 28 Desejem o bem aos que os amaldiçoam, e rezem por aqueles que caluniam vocês. 29 Se alguém lhe um tapa numa face, ofereça também a outra; se alguém lhe toma o manto, deixe que leve também a túnica. 30 a quem lhe pede e, se alguém tira o que é de você, não peça que devolva. 31 O que vocês desejam que os outros lhes façam, também vocês devem fazer a eles. 32 Se vocês amam somente aqueles que os amam, que gratuidade é essa? Até mesmo os pecadores amam aqueles que os amam. 33 Se vocês fazem o bem somente aos que lhes fazem o bem, que gratuidade é essa? Até mesmo os pecadores fazem assim. 34 E se vocês emprestam somente para aqueles de quem esperam receber, que gratuidade é essa? Até mesmo os pecadores emprestam aos pecadores, para receber de volta a mesma quantia. 35 Ao contrário, amem os inimigos, façam o bem e emprestem, sem esperar coisa alguma em troca. Então, a recompensa de vocês será grande, e vocês serão filhos do Altíssimo, porque Deus é bondoso também para com os ingratos e maus. 36 Sejam misericordiosos, como também o Pai de vocês é misericordioso
39 Jesus contou uma parábola aos discípulos: «Pode um cego guiar outro cego? Não cairão os dois num buraco? 40 Nenhum discípulo é maior do que o mestre; e todo discípulo bem formado será como o seu mestre. 41 Por que você fica olhando o cisco no olho do seu irmão, e não presta atenção na trave que no seu próprio olho? 42 Como é que você pode dizer ao seu irmão: ‘Irmão, deixe-me tirar o cisco do seu olho’, quando você não a trave no seu próprio olho? Hipócrita! Tire primeiro a trave do seu próprio olho, e e então você enxergará bem, para tirar o cisco do olho do seu irmão."
SALMO 24 (23) *
O Rei da glória
1*       Salmo. De Davi.
2         Ele próprio fundou-a sobre os mares e firmou-a sobre os rios.
3*       - Quem pode subir à montanha de Javé? Quem pode estar no seu lugar santo?
4         - Aquele que tem mãos inocentes e coração puro,
5         Esse receberá a bênção de Javé, e do seu Deus salvador receberá a justiça.
6         - Essa é a geração dos que procuram Javé, dos que buscam tua face, ó Deus de Jacó.
8         - Quem é esse Rei da glória?
- É Javé, o herói valoroso! É Javé, o herói das guerras!
9         Portas, levantem seus frontões; elevem-se, portais antigos, pois vai entrar o Rei da glória!
10        - Quem é esse Rei da glória?
- É Javé dos Exércitos! Ele é o Rei da glória

terça-feira, 29 de janeiro de 2019


Salmo 73(74)
Lamentação sobre o templo devastado
Não tenhais medo dos que matam o corpo (Mt 10,28).
I
1 Ó Senhor, por que razão nos rejeitastes para sempre *
e vos irais contra as ovelhas do rebanho que guiais?

=2
Recordai-vos deste povo que outrora adquiristes, †
desta tribo que remistes para ser a vossa herança, *
e do monte de Sião que escolhestes por morada!

3 Dirigi-vos até lá para ver quanta ruína: *
no santuário o inimigo destruiu todas as coisas;

4
e, rugindo como feras, no local das grandes festas, *
lá puseram suas bandeiras vossos ímpios inimigos.

5 Pareciam lenhadores derrubando uma floresta, *
6 ao quebrarem suas portas com martelos e com malhos.
7
Ó Senhor, puseram fogo mesmo em vosso santuário! *
Rebaixaram, profanaram o lugar onde habitais!

8 Entre si eles diziam: “Destruamos de uma vez!” *
E os templos desta terra incendiaram totalmente.

9
Já não vemos mais prodígios, já não temos mais profetas,*
ninguém sabe, entre nós, até quando isto será!

10 Até quando, Senhor Deus, vai blasfemar o inimigo? *
Porventura ultrajará eternamente o vosso nome?

11 Por que motivo retirais a vossa mão que nos ajuda? *
Por que retendes escondido vosso braço poderoso?

12
No entanto, fostes vós o nosso Rei desde o princípio, *
e só vós realizais a salvação por toda a terra.

Ant. Recordai-vos deste povo que outrora adquiristes!
Ant. 3 Levantai-vos, Senhor Deus,
e defendei a vossa causa!

II
13 Com vossa força poderosa dividistes vastos mares *
e quebrastes as cabeças dos dragões nos oceanos.

14 Fostes vós que ao Leviatã esmagastes as cabeças *
e o jogastes como pasto para os monstros do oceano.

15
Vós fizestes irromper fontes de águas e torrentes *
e fizestes que secassem grandes rios caudalosos.

16 Só a vós pertence o dia, só a vós pertence a noite; *
vós criastes sol e lua, e os fixastes lá nos céus.

17
Vós marcastes para a terra o lugar de seus limites, *
vós formastes o verão, vós criastes o inverno.

18 Recordai-vos, ó Senhor, das blasmias do inimigo *
e de um povo insensato que maldiz o vosso nome!

19
Não entregueis ao gavião a vossa ave indefesa, *
não esqueçais até o fim a humilhação dos vossos pobres!

20 Recordai vossa Aliança! A medida transbordou, *
porque nos antros desta terra só existe violência!

21
Que não se escondam envergonhados o humilde e o pequeno, *
mas glorifiquem vosso nome o infeliz e o indigente!

22 Levantai-vos, Senhor Deus, e defendei a vossa causa! *
Recordai-vos do insensato que blasfema o dia todo!

23
Escutai o vozerio dos que gritam contra vós, *
e o clamor sempre crescente dos rebeldes contra vós!

Ant. Levantai-vos, Senhor Deus, e defendei a vossa causa!
Leitura breve Dt 15,7-8
Se um dos teus irmãos, que mora em alguma de tuas cidades, na terra que o Senhor teu Deus te vai dar, cair na pobreza, não lhe endureças o teu coração nem lhe feches a mão. Ao contrário, abre a mão para o teu irmão pobre e empresta-lhe o bastante para a necessidade que o oprime.
V. Escutastes os desejos dos pequenos.
R. Seu coração fortalecestes e os ouvistes.

Oração
Ó Deus, que revelastes a Pedro vosso plano de salvação para todos os povos, fazei que nossos trabalhos vos agradem e, pela vossa graça, sirvam ao vosso desígnio de amor e redenção. Por Cristo, nosso Senhor.
 
Conclusão da Hora
V.Bendigamos ao Senhor.
R. Graças a Deus.

Lamentações - Capítulo 5

1Lembrai-vos, Senhor, do que nos aconteceu. Olhai, considerai nossa humilhação.2Nossa herança passou a mãos estranhas, e nossas casas foram entregues a desconhecidos.3Órfãos, fomos privados de nossos pais, e nossas mães são como viúvas.4Somente a preço de dinheiro nos é dado beber; a nossa lenha, devemos pagá-la.5Carregando o jugo ao pescoço, somo perseguidos, extenuamo-nos, não há trégua para nós!6Estendemos a mão ao Egito e à Assíria para obtermos o pão para comer.7Pecaram nossos pais, e já não existem, e sobre nós caíram os castigos de suas iniqüidades.8Um povo de escravos domina sobre nós. Ninguém nos arrebata de suas mãos.9Se comemos o pão, é com perigo de nossa vida, por causa da espada que ataca no deserto.10Nossa pele esbraseou-se como ao forno, sob os ardores da fome.11Foram violadas as mulheres de Sião e as jovens nas cidades de Judá;12chefes foram executados pelas mãos (dos inimigos) que nenhum respeito tiveram pelos anciãos.13Jovens tiveram que girar a mó, e adolescentes vergaram sob o peso dos fardos de lenha.14Não se assentam mais às portas os anciãos, deixaram os jovens de dedilhar as cordas da lira.15Fugiu-nos a alegria dos corações; nossas danças se converteram em luto.16Caiu-nos da cabeça a coroa; desgraçados de nós, porque pecamos.17Amargurou-se-nos o coração, e nossos olhos toldaram-se (de lágrimas),18porque o monte Sião foi assolado, e nele andam à solta os chacais.19Vós, porém, Senhor, sois eterno, e vosso trono subsistirá através dos tempos.20Por que persistir em esquecer-nos? Por que abandonar-nos para sempre?21Reconduzi-nos a vós, Senhor; e voltaremos. Fazei-nos reviver os dias de outrora.22A menos que nos tenhais abandonado, e que contra nós demasiadamente vos tenhais irritado.

 Esdras - Capítulo 1

1No primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia, para que se cumprisse a profecia posta pelo Senhor na boca de Jeremias, o Senhor suscitou o espírito de Ciro, rei da Pérsia, o qual mandou fazer em todo o seu reino, de viva voz e por escrito, a proclamação seguinte:2Assim fala Ciro, rei da Pérsia: o Senhor, Deus do céu, deu-me todos os reinos da terra, e encarregou-me de construir-lhe um templo em Jerusalém, que fica na terra de Judá.3Quem é dentre vós pertencente ao seu povo, que seu Deus o acompanhe, suba a Jerusalém que fica na terra de Judá e construa o templo do Senhor, Deus de Israel, o Deus que reside em Jerusalém.4Que todos os sobreviventes (de Judá) onde quer que residam, sejam providos pelos habitantes da localidade onde se encontrarem, de prata, ouro, cereais e gado, bem como de oferendas voluntárias para o templo do Deus que reside em Jerusalém.5Então os chefes de família de Judá e de Benjamim, bem como todos os sacerdotes e os levitas, principalmente todos aqueles cujo espírito Deus havia tocado, prepararam-se para ir reedificar o templo do Senhor em Jerusalém.6Todos os que habitavam pelas redondezas ajudaram-nos, dando-lhes prata, ouro, bens diversos, gado, cereais e coisas preciosas, além das outras ofertas voluntárias.7O rei Ciro entregou também os utensílios que Nabucodonosor trouxera do templo do Senhor em Jerusalém e colocara no templo de seu deus.8Ciro, rei da Pérsia, mandou-os entregar pelas mãos de Mitrídates, o tesoureiro, o qual os entregou a Sassabasar, príncipe de Judá.9Eis o número deles: trinta bacias de ouro, mil bacias de prata, vinte e nove facas, trinta taças de ouro,10quatrocentas e dez taças de prata, e mil outros utensílios.11Todos os utensílios de ouro e de prata eram em número de cinco mil e quatrocentos. Tudo levou Sassabasar quando os exilados voltaram de Babilônia para Jerusalém.

domingo, 27 de janeiro de 2019


Salmo 117(118)

Canto de alegria e salvação
Ele é a pedra, que vós, os construtores, desprezastes, e que se tornou a pedra angular (At 4,11)

III
19 Abri-me vós, abri-me as portas da justiça; *
quero entrar para dar graças ao Senhor!

20 “Sim, esta é a porta do Senhor, *
por ela só os justos entrarão!”

21
Dou-vos graças, ó Senhor, porque me ouvistes *
e vos tornastes para mim o Salvador!

22 “A pedra que os pedreiros rejeitaram, *
tornou-se agora a pedra angular.

23 Pelo Senhor é que foi feito tudo isso: *
Que maravilhas ele fez a nossos olhos!

24
Este é o dia que o Senhor fez para nós, *
alegremo-nos e nele exultemos!

25 Ó Senhor, dai-nos a vossa salvação, *
ó Senhor, dai-nos também prosperidade!”

26 Bendito seja, em nome do Senhor, *
aquele que em seus átrios vai entrando!

– Desta casa do Senhor vos bendizemos. *
27
Que o Senhor e nosso Deus nos ilumine!
– Empunhai ramos nas mãos, formai cortejo, *
aproximai-vos do altar, até bem perto!

28 Vós sois meu Deus, eu vos bendigo e agradeço! *
Vós sois meu Deus, eu vos exalto com louvores!

29
Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! *
“Eterna é a sua misericórdia!”

Ant. Que o Senhor e nosso Deus nos ilumine, aleluia!

Leitura breve Rm 8,22-23
Sabemos que toda a criação, até ao tempo presente, está gemendo como que em dores de parto. E não somente ela, mas nós também, que temos os primeiros frutos do Espírito, estamos interiormente gemendo, aguardando a adoção filial e a libertação para o nosso corpo.

V. Bendize, ó minha alma, ao Senhor!
R. Do sepulcro ele salva tua vida!
Oração
Deus eterno e todo-poderoso, dirigi a nossa vida segundo o vosso amor, para que possamos, em nome do vosso Filho, frutificar em boas obras. Por Cristo, nosso Senhor.

 
Conclusão da Hora
V.Bendigamos ao Senhor.
R. Graças a Deus.

 http://liturgiadashoras.online/

sábado, 26 de janeiro de 2019

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO
PARA O LIII DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS
(2 DE JUNHO DE 2019)

« “Somos membros uns dos outros” (Ef 4, 25):
das comunidades de redes sociais à comunidade humana »

Queridos irmãos e irmãs!
Desde quando se tornou possível dispor da internet, a Igreja tem sempre procurado que o seu uso sirva o encontro das pessoas e a solidariedade entre todos. Com esta Mensagem, gostaria de vos convidar uma vez mais a refletir sobre o fundamento e a importância do nosso ser-em-relação e descobrir, nos vastos desafios do atual panorama comunicativo, o desejo que o homem tem de não ficar encerrado na própria solidão.
As metáforas da «rede» e da «comunidade»
Hoje, o ambiente dos mass-media é tão invasivo que já não se consegue separar do círculo da vida quotidiana. A rede é um recurso do nosso tempo: uma fonte de conhecimentos e relações outrora impensáveis. Mas numerosos especialistas, a propósito das profundas transformações impressas pela tecnologia às lógicas da produção, circulação e fruição dos conteúdos, destacam também os riscos que ameaçam a busca e a partilha duma informação autêntica à escala global. Se é verdade que a internet constitui uma possibilidade extraordinária de acesso ao saber, verdade é também que se revelou como um dos locais mais expostos à desinformação e à distorção consciente e pilotada dos factos e relações interpessoais, a ponto de muitas vezes cair no descrédito.
É necessário reconhecer que se, por um lado, as redes sociais servem para nos conectarmos melhor, fazendo-nos encontrar e ajudar uns aos outros, por outro, prestam-se também a um uso manipulador dos dados pessoais, visando obter vantagens no plano político ou económico, sem o devido respeito pela pessoa e seus direitos. As estatísticas relativas aos mais jovens revelam que um em cada quatro adolescentes está envolvido em episódios de cyberbullying.[1]
Na complexidade deste cenário, pode ser útil voltar a refletir sobre a metáfora da rede, colocada inicialmente como fundamento da internet para ajudar a descobrir as suas potencialidades positivas. A figura da rede convida-nos a refletir sobre a multiplicidade de percursos e nós que, na falta de um centro, uma estrutura de tipo hierárquico, uma organização de tipo vertical, asseguram a sua consistência. A rede funciona graças à comparticipação de todos os elementos.
Reconduzida à dimensão antropológica, a metáfora da rede lembra outra figura densa de significados: a comunidade. Uma comunidade é tanto mais forte quando mais for coesa e solidária, animada por sentimentos de confiança e empenhada em objetivos compartilháveis. Como rede solidária, a comunidade requer a escuta recíproca e o diálogo, baseado no uso responsável da linguagem.
No cenário atual, salta aos olhos de todos como a comunidade de redes sociais não seja, automaticamente, sinónimo de comunidade. No melhor dos casos, tais comunidades conseguem dar provas de coesão e solidariedade, mas frequentemente permanecem agregados apenas indivíduos que se reconhecem em torno de interesses ou argumentos caraterizados por vínculos frágeis. Além disso, na social web, muitas vezes a identidade funda-se na contraposição ao outro, à pessoa estranha ao grupo: define-se mais a partir daquilo que divide do que daquilo que une, dando espaço à suspeita e à explosão de todo o tipo de preconceito (étnico, sexual, religioso, e outros). Esta tendência alimenta grupos que excluem a heterogeneidade, alimentam no próprio ambiente digital um individualismo desenfreado, acabando às vezes por fomentar espirais de ódio. E, assim, aquela que deveria ser uma janela aberta para o mundo, torna-se uma vitrine onde se exibe o próprio narcisismo.
A rede é uma oportunidade para promover o encontro com os outros, mas pode também agravar o nosso autoisolamento, como uma teia de aranha capaz de capturar. Os adolescentes é que estão mais expostos à ilusão de que a social web possa satisfazê-los completamente a nível relacional, até se chegar ao perigoso fenómeno dos jovens «eremitas sociais», que correm o risco de se alhear totalmente da sociedade. Esta dinâmica dramática manifesta uma grave rutura no tecido relacional da sociedade, uma laceração que não podemos ignorar.
Esta realidade multiforme e insidiosa coloca várias questões de caráter ético, social, jurídico, político, económico, e interpela também a Igreja. Enquanto cabe aos governos buscar as vias de regulamentação legal para salvar a visão originária duma rede livre, aberta e segura, é responsabilidade ao alcance de todos nós promover um uso positivo da mesma.
Naturalmente não basta multiplicar as conexões, para ver crescer também a compreensão recíproca. Então, como reencontrar a verdadeira identidade comunitária na consciência da responsabilidade que temos uns para com os outros inclusive na rede on-line?
«Somos membros uns dos outros»
Pode-se esboçar uma resposta a partir duma terceira metáfora – o corpo e os membros – usada por São Paulo para falar da relação de reciprocidade entre as pessoas, fundada num organismo que as une. «Por isso, despi-vos da mentira e diga cada um a verdade ao seu próximo, pois somos membros uns dos outros» (Ef 4, 25). O facto de sermos membros uns dos outros é a motivação profunda a que recorre o Apóstolo para exortar a despir-se da mentira e dizer a verdade: a obrigação de preservar a verdade nasce da exigência de não negar a mútua relação de comunhão. Com efeito, a verdade revela-se na comunhão; ao contrário, a mentira é recusa egoísta de reconhecer a própria pertença ao corpo; é recusa de se dar aos outros, perdendo assim o único caminho para se reencontrar a si mesmo.
A metáfora do corpo e dos membros leva-nos a refletir sobre a nossa identidade, que se funda sobre a comunhão e a alteridade. Como cristãos, todos nos reconhecemos como membros do único corpo cuja cabeça é Cristo. Isto ajuda-nos a não ver as pessoas como potenciais concorrentes, considerando os próprios inimigos como pessoas. Já não tenho necessidade do adversário para me autodefinir, porque o olhar de inclusão, que aprendemos de Cristo, faz-nos descobrir a alteridade de modo novo, ou seja, como parte integrante e condição da relação e da proximidade.
Uma tal capacidade de compreensão e comunicação entre as pessoas humanas tem o seu fundamento na comunhão de amor entre as Pessoas divinas. Deus não é Solidão, mas Comunhão; é Amor e, consequentemente, comunicação, porque o amor sempre comunica; antes, comunica-se a si mesmo para encontrar o outro. Para comunicar connosco e Se comunicar a nós, Deus adapta-Se à nossa linguagem, estabelecendo na história um verdadeiro e próprio diálogo com a humanidade (cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Dei Verbum, 2).
Em virtude de termos sido criados à imagem e semelhança de Deus, que é comunhão e comunicação-de-Si, trazemos sempre no coração a nostalgia de viver em comunhão, de pertencer a uma comunidade. Como afirma São Basílio, «nada é tão específico da nossa natureza como entrar em relação uns com os outros, ter necessidade uns dos outros».[2]
O panorama atual convida-nos, a todos nós, a investir nas relações, a afirmar – também na rede e através da rede – o caráter interpessoal da nossa humanidade. Por maior força de razão nós, cristãos, somos chamados a manifestar aquela comunhão que marca a nossa identidade de crentes. De facto, a própria fé é uma relação, um encontro; e nós, sob o impulso do amor de Deus, podemos comunicar, acolher e compreender o dom do outro e corresponder-lhe.
É precisamente a comunhão à imagem da Trindade que distingue a pessoa do indivíduo. Da fé num Deus que é Trindade, segue-se que, para ser eu mesmo, preciso do outro. Só sou verdadeiramente humano, verdadeiramente pessoal, se me relacionar com os outros. Com efeito, o termo pessoa conota o ser humano como «rosto», voltado para o outro, comprometido com os outros. A nossa vida cresce em humanidade passando do caráter individual ao caráter pessoal; o caminho autêntico de humanização vai do indivíduo que sente o outro como rival para a pessoa que nele reconhece um companheiro de viagem.
Do «like» ao «amen»
A imagem do corpo e dos membros recorda-nos que o uso da social web é complementar do encontro em carne e osso, vivido através do corpo, do coração, dos olhos, da contemplação, da respiração do outro. Se a rede for usada como prolongamento ou expetação de tal encontro, então não se atraiçoa a si mesma e permanece um recurso para a comunhão. Se uma família utiliza a rede para estar mais conectada, para depois se encontrar à mesa e olhar-se olhos nos olhos, então é um recurso. Se uma comunidade eclesial coordena a sua atividade através da rede, para depois celebrar juntos a Eucaristia, então é um recurso. Se a rede é uma oportunidade para me aproximar de casos e experiências de bondade ou de sofrimento distantes fisicamente de mim, para rezar juntos e, juntos, buscar o bem na descoberta daquilo que nos une, então é um recurso.
Assim, podemos passar do diagnóstico à terapia: abrir o caminho ao diálogo, ao encontro, ao sorriso, ao carinho... Esta é a rede que queremos: uma rede feita, não para capturar, mas para libertar, para preservar uma comunhão de pessoas livres. A própria Igreja é uma rede tecida pela Comunhão Eucarística, onde a união não se baseia nos gostos [«like»], mas na verdade, no «amen» com que cada um adere ao Corpo de Cristo, acolhendo os outros.
Vaticano, na Memória de São Francisco de Sales, 24 de janeiro de 2019.

Franciscus
 

[1] Para circunscrever o fenómeno, será instituído um Observatório internacional sobre cyberbullying, com sede no Vaticano.
[2] Grandes Regras, III, 1: PG 31, 917. Cf. Bento XVI, Mensagem para o XLIII Dia Mundial das Comunicações Sociais (2009).


© Copyright - Libreria Editrice Vaticana

O que está acontecendo contigo

Aprendendo com o Apóstolo Paulo

 http://liturgiadiaria.cnbb.org.br

São Timóteo e São Tito, bispos . Memória

26 de Janeiro de 2019
Cor: Branco

1ª Leitura - 2Tm 1,1-8

Recordo-me da fé sincera que tens.
Início da Segunda Carta de São Paulo a Timóteo 1,1-8
1Paulo, Apóstolo de Jesus Cristo pelo desígnio de Deus referente à promessa de vida que temos em Cristo Jesus, 2a Timóteo, meu querido filho: Graça, misericórdia e paz da parte de Deus Pai e de Cristo Jesus, nosso Senhor! 3Dou graças a Deus, - a quem sirvo com a consciência pura, como aprendi dos meus antepassados -, quando me lembro de ti, dia e noite, nas minhas oraçðes. 4Lembrando-me das tuas lágrimas, sinto grande desejo de rever-te, e assim ficar cheio de alegria. 5Recordo-me da fé sincera que tens, aquela mesma fé que antes tiveram tua avó Loide e tua mãe Eunice. Sem dúvida, assim é também a tua. 6Por este motivo, exorto-te a reavivar a chama do dom de Deus que recebeste pela imposição das minhas mãos. 7Pois Deus não nos deu um espírito de timidez mas de fortaleza, de amor e sobriedade. 8Não te envergonhes do testemunho de Nosso Senhor nem de mim, seu prisioneiro, mas sofre comigo pelo Evangelho, fortificado pelo poder de Deus. Palavra da Salvação.

Leituras do Dia




Liturgia Diária

26 de Janeiro de 2019
mês:
ano:
<<Janeiro de 2019>>
DOMSEGTERQUAQUISEXSAB
0102030405
06070809101112
13141516171819
202122232425
2728293031





















3º Domingo Do Tempo Comum

27 de Janeiro de 2019
Cor: Verde

2ª Leitura - 1Cor 12,12-30

Vós, todos juntos, sois o corpo de Cristo e, individualmente, sois membros desse corpo.
Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios 12,12-30
Irmãos:
12Como o corpo é um, embora tenha muitos membros, e como todos os membros do corpo, embora sejam muitos, formam um só corpo, assim também acontece com Cristo.
13De fato, todos nós, judeus ou gregos, escravos ou livres, fomos batizados num único Espírito, para formarmos um único corpo, e todos nós bebemos de um único Espírito.
14Com efeito, o corpo não é feito de um membro apenas, mas de muitos membros.
15Se o pé disser: 'Eu não sou mão, portanto não pertenço ao corpo',nem por isso deixa de pertencer ao corpo.
16E se o ouvido disser: 'Eu não sou olho, portanto não pertenço ao corpo', nem por isso deixa de pertencer ao corpo.
17Se o corpo todo fosse olho, onde estaria o ouvido?Se o corpo todo fosse ouvido, onde estaria o olfato?
18De fato, Deus dispôs os membros e cada um deles no corpo, como quis.
19Se houvesse apenas um membro, onde estaria o corpo?
20Há muitos membros, e, no entanto, um só corpo.
21O olho não pode, pois, dizer à mão:
'Não preciso de ti'.Nem a cabeça pode dizer aos pés: 'Não preciso de vós'.
22Antes pelo contrário, os membros do corpo que parecem ser mais fracos são muito mais necessários do que se pensa.
23Também os membros que consideramos menos honrosos, a estes nós cercamos com mais honra, e os que temos por menos decentes, nós os tratamos com mais decência.
24Os que nós consideramos decentes não precisam de cuidado especial. Mas Deus, quando formou o corpo, deu maior atenção e cuidado ao que nele é tido como menos honroso, 
25para que não haja divisão no corpo e, assim, os membros zelem igualmente uns pelos outros.
26Se um membro sofre, todos os membros sofrem com ele; se é honrado, todos os membros se regozijam com ele.
27Vós, todos juntos, sois o corpo de Cristo e, individualmente, sois membros desse corpo.
28E, na Igreja, Deus colocou, em primeiro lugar, os apóstolos; em segundo lugar, os profetas; em terceiro lugar, os que têm o dom e a missão de ensinar;depois, outras pessoas com dons diversos, a saber:dom de milagres, dom de curas, dom para obras de misericórdia, dom de governo e direção, dom de línguas.
29Acaso todos são apóstolos?
Todos são profetas?
Todos ensinam?
Todos realizam milagres?
30Todos têm o dom das curas?
Todos falam em línguas?
Todos as interpretam?
Palavra do Senhor.