
Prov 2, 1-9 / Slm 33 (34), 2-11 / Mt 19, 27-29
O Senhor (…) é um escudo para os que vivem honestamente. (1.ª Leitura)
Há
mentiras que são «legítimas». São as mentiras próprias da
sociabilidade. Por exemplo, se nos dão um presente, por muito que não
gostemos, não vamos fazer má cara. Se vamos a casa de alguém, não vamos
dizer que a comida não está bem temperada ou que o doce está azedo, como
já me aconteceu. Isto são mentiras socialmente aceites. Outra coisa é
elogiarmos um comportamento que vai contra os nossos princípios, é
trairmos a nossa consciência.
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I.
COMUNICAÇÃO ENTRE
AS COMUNIDADES
Convite à solidariedade
-* 1 Aos
irmãos judeus que estão no Egito. Saudações! Os irmãos judeus que moram em
Jerusalém e na Judéia desejam paz e prosperidade. 2 Deus
conceda suas graças a vocês e se lembre da aliança que fez com Abraão, Isaac e
Jacó, seus servos fiéis. 3 Que ele dê a todos vocês
coração capaz de honrá-lo e de praticar a sua vontade, coração generoso e
espírito decidido. 4 Que lhes abra o coração para a
sua lei e seus mandamentos, e lhes conceda a paz. 5 Que
ele escute suas orações, se reconcilie com vocês e não os abandone no tempo da
desgraça.
6
Nós estamos rezando por vocês, aqui e agora.
7
Durante o reinado de Demétrio, no ano cento e sessenta e
nove, nós, judeus, tínhamos escrito a vocês o seguinte: «No meio da grande
tribulação que caiu sobre nós, nesses anos em que Jasão e seus companheiros
traíram a terra santa e o reino, 8 quando
incendiaram o portal do Templo e mataram inocentes, nós oramos ao Senhor, e ele
nos ouviu. Então oferecemos um sacrifício e uma oblação de flor de farinha,
acendemos as lâmpadas e apresentamos os pães». 9 Portanto,
celebrem a festa das Tendas do mês de Casleu.
10
Ano cento e oitenta e oito.
Unidos no culto e na
tradição -* Os
judeus que moram em Jerusalém e na Judéia, o conselho dos Anciãos e Judas, para
Aristóbulo, mestre do rei Ptolomeu e membro da família dos sacerdotes ungidos,
e também para todos os judeus que vivem no Egito. Saudações e prosperidade.
11
Libertados por Deus dos maiores perigos, nós agradecemos
muito a ele, como a alguém que lutou junto conosco contra o rei, 12
pois Deus expulsou os que se haviam entrincheirado contra a cidade santa.
13 De fato, o chefe deles foi para a Pérsia
acompanhado de um exército que parecia invencível, mas que acabou destroçado no
templo de Nanéia, através de uma cilada armada pelos sacerdotes da deusa. 14
Antíoco foi para esse lugar, junto com os amigos que o acompanhavam,
pretendendo casar-se com a deusa, a fim de pegar as grandes riquezas que havia
nesse lugar, a título de dote. 15 Os sacerdotes do
templo de Nanéia lhe mostraram as riquezas, e ele entrou no recinto sagrado com
alguns poucos companheiros. Logo que Antíoco entrou, os sacerdotes fecharam o
templo, 16 abriram a porta secreta do forro e
mataram o rei a pedradas. Esquartejaram o rei e jogaram a cabeça dele para os
que estavam do lado de fora. 17 Por tudo isso,
bendito seja o nosso Deus, que entregou esses ímpios à morte.
18
Estando para celebrar a purificação do Templo, no dia
vinte e cinco de Casleu, achamos que seria bom comunicar-lhes isso, para que
vocês também a comemorem de maneira semelhante à festa das Tendas e à festa do
Fogo, que apareceu quando Neemias ofereceu os sacrifícios, depois da
reconstrução do Templo e do altar. 19 De fato,
quando os nossos antepassados foram levados para a Pérsia, alguns sacerdotes
piedosos pegaram fogo do altar e secretamente o esconderam num poço seco.
Deixaram a coisa tão segura, que ninguém ficou sabendo onde era esse lugar. 20
Passados muitos anos, quando Deus achou conveniente, Neemias, o enviado
do rei da Pérsia, mandou os descendentes dos sacerdotes procurar o fogo que
tinham escondido. Segundo nos contam, eles não encontraram o fogo, mas somente
um líquido grosso. Neemias mandou que tirassem e trouxessem o tal líquido. 21
Depois de colocarem em cima do altar tudo o que fazia parte do sacrifício,
Neemias ordenou aos sacerdotes que molhassem com esse líquido a lenha e tudo o
que estava em cima. 22 Feito isso e passado algum
tempo, o sol, até então encoberto pelas nuvens, começou a brilhar, e um fogo
forte logo se acendeu, de tal maneira que todos ficaram admirados. 23
Enquanto o sacrifício era queimado, os sacerdotes rezavam com todo o povo
presente. Jônatas entoava e todos os outros respondiam junto com Neemias. 24
A oração era assim: «Senhor, Senhor Deus, Criador de todas as coisas,
terrível, forte, justo, misericordioso, único rei, único bom, 25
único generoso, único justo, todo-poderoso e eterno, tu que salvas Israel
de todo o mal, tu que tornaste escolhidos os nossos antepassados e os
santificaste, 26 aceita o sacrifício em favor de
todo o teu povo Israel. Guarda e santifica a tua herança. 27
Reúne os nossos dispersos. Liberta os que são escravos no meio das
nações. Olha para os que são marginalizados e desprezados. Assim as outras
nações ficarão sabendo que tu és o nosso Deus. 28 Castiga
aqueles que nos oprimem, que nos humilham com soberba. 29
Planta o teu povo em teu lugar santo, conforme disse Moisés».
30
Enquanto isso, os sacerdotes entoavam os hinos. 31
Logo que o sacrifício foi consumado, Neemias mandou jogar o resto do
líquido em cima de grandes pedras. 32 Feito isso,
brilhou uma chama, que logo se apagou, enquanto o fogo sobre o altar continuava
aceso. 33 Logo que o fato se tornou conhecido,
contaram ao rei dos persas que, no lugar onde os sacerdotes exilados tinham
escondido o fogo, aparecera uma água, com a qual os companheiros de Neemias
purificaram as oferendas do sacrifício. 34 Confirmado
o fato, o rei mandou cercar o lugar e o declarou sagrado. 35
Daí se tiravam muitos lucros, que eram repartidos entre os favorecidos do
rei. 36 Os companheiros de Neemias deram então a
esse líquido o nome de «neftar», que significa purificação. Muitos, porém, o
chamam de «nafta».
* 1,1-10a: Judas
Macabeu liderou o movimento de resistência dos judeus contra o rei grego
Antíoco IV. Para comemorar a vitória, Judas purificou o Templo de Jerusalém dos
elementos pagãos aí introduzidos e o consagrou novamente, instituindo uma
espécie de segunda festa das Tendas, celebrada em dezembro (cf. 1Mc 4,59). A
comunidade judaica de Jerusalém escreve agora (124 a.C.) uma carta para a
comunidade que vive no Egito, convidando-a a celebrar a mesma festa, como
solidariedade na luta e na alegria da vitória. Tal comunicação entre as comunidades
judaicas continuará depois entre as cristãs. É na solidariedade que as
comunidades encontram força para resistir e lutar.
* 1,10b-2,18: Escrita em 164 a.C., pouco antes
da purificação e consagração do Templo, esta segunda carta foi dirigida a
Aristóbulo, judeu de Alexandria. Misturando acontecimentos históricos e
elementos lendários, a finalidade da carta é convidar os judeus de Alexandria a
comemorarem a reconsagração do Templo de Jerusalém. O autor se preocupa em
legitimar o culto (história do fogo, lembrança de Moisés e Salomão) e oferecer
meios para a comunidade judaica se manter unida e consciente de suas tradições
(biblioteca, celebrações).
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III.
DEUS IMPEDE A TRAIÇÃO
1*
A cidade santa vivia na mais completa paz, e os
mandamentos eram observados da melhor maneira possível, por causa da santidade
do sumo sacerdote Onias, e de sua firme oposição a tudo o que havia de mal. 2
Os próprios reis respeitavam o lugar santo, e homenageavam o Templo com
os mais belos donativos. 3 Até Seleuco, rei da
Ásia, com seus próprios recursos sustentava todas as despesas necessárias para
as funções dos sacrifícios.
4
Um tal de Simão, porém, da tribo de Belga, e que era
administrador do Templo, desentendeu-se com o sumo sacerdote a propósito da
administração da cidade. 5 Como não foi capaz de
derrotar Onias, ele foi então procurar Apolônio de Tarso que, nessa ocasião,
era o comandante da Celessíria e da Fenícia. 6 Contou-lhe
que o tesouro do Templo em Jerusalém estava cheio de riquezas, tantas que nem
dava para falar, e que a quantidade de dinheiro era incalculável. Disse-lhe
também que isso não era necessário para os sacrifícios e poderia muito bem cair
em poder do rei. 7 Apolônio, ao ter uma audiência
com o rei, contou-lhe tudo o que lhe tinha sido relatado. Então o rei destacou
Heliodoro, encarregado da administração, e deu-lhe ordem para ir e retirar as
tão faladas riquezas. 8 Heliodoro partiu
imediatamente. Dava a entender que estava apenas percorrendo as cidades da
Celessíria e da Fenícia, mas o que ia mesmo executar era a tarefa que o rei lhe
tinha confiado. 9 Chegando a Jerusalém, foi
recebido amigavelmente pelo sumo sacerdote da cidade. Falou a este da
informação recebida, explicou o motivo de sua presença, e perguntou-lhe se as
coisas eram realmente assim. 10 O sumo sacerdote,
de sua parte, explicou que as coisas aí depositadas eram de viúvas e órfãos, 11
e que algumas coisas pertenciam a Hircano, filho de Tobias, homem
poderoso e de alta posição. Diversamente do que estava sendo espalhado pelo
irreverente Simão, disse também que havia um total de catorze toneladas de
prata e sete de ouro. 12 Disse ainda ser
inconcebível que se cometesse tal injustiça contra os que confiaram no lugar
santo, na sagrada inviolabilidade do Templo, venerado no mundo inteiro.
13
Heliodoro, porém, seguindo as ordens recebidas do rei,
afirmou resolutamente que tudo isso devia ser transferido para o tesouro real. 14
Marcou uma data e se apresentou para fazer um inventário das riquezas.
Isso provocou enorme agitação em toda a cidade. 15 Os
sacerdotes, com suas vestes sagradas e prostrados no chão diante do altar,
invocavam o Céu, cuja lei tinha determinado esses donativos e segundo a qual se
deviam conservar intatos os bens em favor daqueles que os tinham depositado. 16
Quem olhasse para o sumo sacerdote ficava de coração partido, pois o
olhar e a palidez do seu rosto mostravam a agonia que lhe ia na alma. 17
Ele estava tomado de pavor, e o tremor do seu corpo mostrava a todos os
que o viam o sofrimento que levava no coração.
18
Aos bandos, vinham as pessoas correndo de suas casas para
as rogações públicas, por causa do ultraje que ameaçava o lugar santo. 19
Com saias de pano grosseiro, as mulheres se amontoavam pelas ruas. As
moças, que costumavam ficar fechadas em casa, saíam para as portas de casa, ou
subiam ao muro, ou se debruçavam na janela. 20 Todas,
porém, erguiam as mãos para o céu e faziam suas preces. 21
Era comovente a apreensão do povo em geral e a ansiedade do sumo
sacerdote, tomado de profunda angústia. 22 Pediam
ao Senhor Todo-poderoso para guardar intatos e em segurança os depósitos em favor
daqueles que os tinham depositado. 23 Heliodoro,
porém, procurava executar o que havia decidido.
24
Acompanhado de seus guardas, Heliodoro já estava junto à
sala do tesouro, quando o Senhor dos Espíritos e do Poder manifestou-se com tal
esplendor, que todos os que se arriscaram a entrar aí, ficaram desfalecidos e
em pânico, atingidos pela força de Deus. 25 Apareceu-lhes
um cavalo ensilhado com belíssimo arreio e montado por terrível cavaleiro. Ele
avançou bruscamente, e o cavalo começou a dar patadas em Heliodoro. O cavaleiro
parecia ter armadura de ouro. 26 Apareceram também
para Heliodoro outros dois jovens extraordinariamente fortes, muito belos e com
roupas magníficas. Puseram-se aos lados de Heliodoro e começaram a chicoteá-lo,
dando-lhe muitos golpes. 27 Heliodoro caiu logo no
chão. Envolto em densa escuridão, tiveram de levantá-lo e colocá-lo na maca. 28
Foi assim que retiraram daí, inteiramente sem ação, aquele mesmo que
tinha entrado até a sala do tesouro com todo o acompanhamento e toda a sua
guarda pessoal. Foram obrigados a reconhecer que o poder de Deus se havia
manifestado com toda a clareza. 29 Heliodoro,
prostrado pelo poder de Deus, estava sem fala e sem qualquer esperança de
salvação. 30 Enquanto isso os judeus davam louvores
a Deus, que tinha glorificado o seu lugar santo. Até há pouco o Templo estava
cheio de pavor e preocupação. Agora, por causa da manifestação do Senhor
Todo-poderoso, estava repleto de alegria e ações de graças. 31
Alguns da comitiva de Heliodoro pediram que Onias invocasse o Altíssimo,
suplicando pela vida de quem já estava, sem dúvida, agonizando. 32
Preocupado e com medo de que o rei fosse imaginar que os judeus tinham
armado algum ato criminoso contra Heliodoro, o sumo sacerdote ofereceu um
sacrifício pela saúde do homem. 33 No momento em
que o sacerdote oferecia o sacrifício de expiação, os mesmos jovens apareceram
de novo a Heliodoro, vestidos com o mesmo traje. De pé, eles lhe disseram:
«Você deve agradecer muito ao sumo sacerdote Onias, porque é em consideração a
ele que o Senhor lhe concede a vida. 34 Você foi chicoteado
pelo Céu. Agora anuncie a todos o grandioso poder de Deus». E ao dizerem isso,
desapareceram.
35
Heliodoro ofereceu um sacrifício ao Senhor, fez grandes
promessas ao Deus que lhe devolvera a vida, despediu-se de Onias, e voltou com
seu exército para junto do rei. 36 A todos ia dando
testemunho das obras do Deus supremo, que ele tinha visto com os próprios
olhos. 37 Quando o rei lhe perguntou quem seria a
pessoa mais indicada para ser mandada outra vez a Jerusalém, ele respondeu: 38
«Se Vossa Majestade tem algum inimigo, alguém que se opõe aos seus atos
de governo, mande-o para lá, e vai recebê-lo de volta devidamente castigado,
caso consiga escapar. Naquele lugar existe realmente uma força divina. 39
Aquele que mora no céu é o guarda e protetor daquele lugar. Ele fere e
mata quem se aproxima do Templo com más intenções».
40
Foi o que aconteceu com Heliodoro e com a conservação do
tesouro do Templo.
*
3,1-40:
O episódio é relatado para mostrar a proteção divina sobre o Templo de
Jerusalém. A atitude de Simão é exemplo de como o dominador estrangeiro
encontra, no próprio ambiente judaico, o apoio de pessoas e grupos interessados
em multiplicar seus privilégios, mesmo sabotando a economia do próprio país.
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