Ant. 1 A árvore da vida,
ó Senhor, é a vossa cruz.
Os dois caminhos do homem
Felizes aqueles
que, pondo toda a sua esperança na Cruz,
desceram até a água do batismo (Autor do séc. II).
–1 Feliz é todo aquele
que não anda *
conforme os conselhos dos perversos;
– que não entra no
caminho dos malvados, *
nem junto aos zombadores vai sentar-se;
–2 mas encontra seu prazer
na lei de Deus *
e a medita, dia e noite, sem cessar.
–3 Eis que ele é
semelhante a uma árvore *
que à beira da torrente está plantada;
= ela sempre dá
seus frutos a seu tempo, †
e jamais as suas folhas vão murchar. *
Eis que tudo o que ele faz vai prosperar,
=4 mas bem outra é a sorte
dos perversos. †
Ao contrário, são
iguais à palha seca *
espalhada e dispersada pelo vento.
–5 Por isso os ímpios não
resistem no juízo *
nem os perversos, na assembléia dos fiéis.
–6 Pois Deus vigia o
caminho dos eleitos, *
mas a estrada dos malvados leva à morte.
Ant.
A árvore da vida,
ó Senhor, é a vossa cruz.
Ant. 2 Fui eu mesmo que escolhi
este meu Rei,
e em Sião, meu monte santo, o consagrei.
Salmo 2
O Messias, rei e vencedor
Uniram-se contra
Jesus, teu santo servo, a quem ungiste (At 4,27).
–1 Por que os povos agitados
se revoltam? *
por que tramam as nações projetos vãos?
=2 Por que os reis de toda
a terra se reúnem, †
e conspiram os governos todos juntos *
contra o Deus onipotente e o seu Ungido?
–3 “Vamos quebrar suas
correntes”, dizem eles, *
“e lançar longe de nós o seu domínio!”
–4 Ri-se deles o que mora
lá nos céus; *
zomba deles o Senhor onipotente.
–5 Ele, então, em sua ira
os ameaça, *
e em seu furor os faz tremer, quando lhes diz:
–6 “Fui eu mesmo que
escolhi este meu Rei, *
e em Sião, meu monte santo, o consagrei!”
=7 O decreto do Senhor
promulgarei, †
foi assim que me falou o Senhor Deus: *
“Tu és meu Filho, e eu hoje te gerei!
=8 Podes pedir-me, e em
resposta eu te darei †
por tua herança os povos todos e as nações, *
e há de ser a terra inteira o teu domínio.
–9 Com cetro férreo
haverás de dominá-los, *
e quebrá-los como um vaso de argila!”
–10 E agora, poderosos,
entendei; *
soberanos, aprendei esta lição:
–11 Com temor servi a Deus,
rendei-lhe glória *
e prestai-lhe homenagem com respeito!
–12 Se o irritais,
perecereis pelo caminho, *
pois depressa se acende a sua ira!
– Felizes hão de
ser todos aqueles *
que põem sua esperança no Senhor!
Ant.
Fui eu mesmo que escolhi
este meu Rei,
e em Sião, meu monte santo, o consagrei.
Ant. 3 Sois vós o meu escudo
protetor,
a minha glória que levanta minha cabeça.
Salmo 3
O Senhor é o meu protetor
Jesus adormeceu e
ergueu-se do sono da morte, porque o Senhor era o seu protetor (Sto. Irineu).
–2 Quão numerosos, ó Senhor,
os que me atacam; *
quanta gente se levanta contra mim!
–3 Muitos dizem,
comentando a meu respeito: *
“Ele não acha a salvação junto de Deus!”
–4 Mas sois vós o meu
escudo protetor, *
a minha glória que levanta minha cabeça!
–5 Quando eu chamei em
alta voz pelo Senhor, *
do Monte santo ele me ouviu e respondeu.
–6 Eu me deito e adormeço
bem tranqüilo; *
acordo em paz, pois o Senhor é meu sustento.
–7 Não terei medo de
milhares que me cerquem *
e furiosos se levantem contra mim.
= Levantai-vos,
ó Senhor, vinde salvar-me! †
8 Vós que feristes em seu
rosto os que me atacam, *
e quebrastes aos
malvados os seus dentes.
–
9
Em vós, Senhor, nós
encontramos salvação; *
e repouse a vossa bênção sobre o povo!
Ant. Sois vós o meu escudo
protetor,
a minha glória que levanta minha cabeça.
V.
O homem não vive somente de pão,
R.
Mas de toda a palavra da boca de Deus.
Primeira leitura
Do Livro do Êxodo
Ex 5,1–6,1
Opressão do povo de Deus
Naqueles dias, 5,1Moisés e Aarão
apresentaram-se ao Faraó e lhe disseram: “Assim disse o Senhor Deus de
Israel: ‘Deixa o meu povo partir, para me oferecer sacrifícios no
deserto!’”. 2Ele, porém,
respondeu: “Quem é o Senhor, para que eu ouça a sua voz e deixe ir Israel?
Não conheço o Senhor e não deixarei Israel partir”.
3Eles disseram: “O Deus dos hebreus
veio ao nosso encontro. Deixa-nos ir a três dias de marcha no deserto, para
oferecermos sacrifícios ao Senhor nosso Deus. Do contrário, a peste e a
espada virão sobre vós”.4O rei do
Egito respondeu-lhes: “Moisés e Aarão, por que distraís o povo de seus
trabalhos? Ide para as vossas tarefas!” 5E
o Faraó acrescentou: “A população do país é muito numerosa; vós vedes que a
população aumentou, e quereis agora fazer com que interrompam suas tarefas?”
6Naquele
mesmo dia o Faraó ordenou aos inspetores do povo e aos capatazes, dizendo:
7“Não forneçais mais palha ao povo
para fazer tijolos, como fazíeis antes: que eles mesmos juntem a palha
necessária. 8Exigi, porém, a mesma
quantidade de tijolos que antes, sem diminuir nada. Pois são uns preguiçosos
e por isso gritam, dizendo: ‘Vamos oferecer sacrifícios ao nosso Deus’.
9Carregai esses homens com mais
trabalho, e que realizem suas tarefas; e não deis ouvidos a palavras
mentirosas”.
10Os
inspetores do povo e seus capatazes foram, pois, dizer ao povo: “Assim disse
o Faraó: Não vos dou mais palha; 11ide
e juntai-a vós mesmos onde a puderdes encontrar. E, nem por isso, se
diminuirá em nada o vosso trabalho”. 12O
povo, então, se dispersou por toda a terra do Egito em busca de palha.
13Mas os inspetores de obras os
pressionavam, dizendo: “Completai a tarefa marcada para cada dia, como
fazíeis quando vos davam palha”. 14E
os inspetores do Faraó açoitaram os capatazes dos filhos de Israel, que eles
haviam nomeado, alegando: “Por que não completastes nem ontem nem hoje a
mesma quantidade de tijolos que fazíeis antes?”
15Então
os capatazes dos filhos de Israel foram se queixar ao Faraó, e clamaram:
“Por que tratas assim os teus servos? 16Não
nos fornecem palha, e exigem a mesma quantidade de tijolos; nós, os teus
servos, somos açoitados, mas o culpado é o teu povo”.
17O Faraó respondeu: “Sois uns
preguiçosos e por isso dizeis: ‘Vamos oferecer sacrifícios ao Senhor’.
18E, agora, ide trabalhar! Não vos será
dada a palha, mas deveis produzir a mesma quantidade de tijolos”.
19Os
capatazes dos filhos de Israel viram-se em má situação, porque lhes diziam:
“Nada se diminuirá do número de tijolos que haveis de fornecer cada dia”.20Quando
saíram da presença do Faraó, encontraram Moisés e Aarão, que estavam à
espera deles, 21e lhes disseram:
“Que o Senhor vos examine e vos julgue, pois nos tornastes odiosos aos olhos
do Faraó e de seus servos, e lhes pusestes na mão a espada para nos matar”.
22Então Moisés voltou-se para o Senhor e disse: “Senhor, por
que afligiste este povo? Por que me enviaste?
23Pois, desde que me apresentei ao Faraó para lhe falar em teu
nome, ele tem atormentado o teu povo e tu de modo algum o libertaste”.
6,1E
o Senhor disse a Moisés: “Agora verás o que eu vou fazer ao Faraó. Por mão
forte deixará partir os filhos de Israel, e será mesmo coagido a expulsá-los
da sua terra”.
Responsório Cf. Ex 5,1.3
R. Moisés dirigiu-se ao Faraó e lhe disse:
* Deixa ir o meu povo para que, no deserto,
me faça uma festa.
V.
O Deus dos hebreus mandou-me dizer-te:
* Deixa ir.
Segunda leitura
Dos Comentários sobre os Salmos, de Santo Agostinho, bispo
(Ps 60, 2-3:CCL39,766) (Séc.V)
No Cristo fomos tentados e nele vencemos o demônio
Ouvi,
ó Deus, a minha súplica, atendei a minha oração
(Sl 60,2). Quem é que fala assim? Parece ser um só: Dos confins da terra
a vós eu clamo, e em mim o coração já desfalece (Sl 60,3). Então já não
é um só, e contudo é somente um, porque o Cristo, de quem todos somos
membros, é um só. Como pode um único homem clamar dos confins da terra? Quem
clama dos confins da terra é aquela herança a respeito da qual foi dito ao
próprio Filho: Pede-me e te darei as nações como herança e os confins da
terra por domínio (Sl 2,8).
Portanto, é esse domínio de Cristo, essa herança de Cristo, esse corpo de
Cristo, essa Igreja de Cristo, essa unidade que somos nós, que clama dos
confins da terra. E o que clama? O que eu disse acima: Ouvi, ó Deus, a
minha súplica, atendei a minha oração; dos confins da terra a vós eu clamo.
Sim, clamei a vós dos confins da terra, isto é, de toda parte.
Mas
por que clamei? Porque em mim o coração já desfalece. Revela com
estas palavras que ele está presente a todos os povos no mundo inteiro, não
rodeado de grande glória mas no meio de grandes tentações. Com efeito, nossa
vida,enquanto somos peregrinos neste mundo, não pode estar livre de
tentações, pois é através delas que se realiza nosso progresso e ninguém
pode conhecer-se a si mesmo sem ter sido tentado. Ninguém pode vencer sem
ter combatido, nem pode combater se não tiver inimigo e tentações.
Aquele que clama dos confins da terra está angustiado, mas não está
abandonado. Porque foi a nós mesmos, que somos o seu corpo, que o Senhor
quis prefigurar em seu próprio corpo, no qual já morreu, ressuscitou e subiu
ao céu, para que os membros tenham a certeza de chegar também aonde a cabeça
os precedeu.
Portanto, o Senhor nos representou em sua pessoa quando quis ser tentado por
Satanás. Líamos há pouco no Evangelho que nosso Senhor Jesus Cristo foi
tentado pelo demônio no deserto. De fato, Cristo foi tentado pelo demônio.
Mas em Cristo também tu eras tentado, porque ele assumiu a tua condição
humana, para te dar a sua salvação; assumiu a tua morte, para te dar a sua
vida; assumiu os teus ultrajes, para te dar a sua glória; por conseguinte,
assumiu as tuas tentações, para te dar a sua vitória.
Se
nele fomos tentados, nele também vencemos o demônio. Consideras que o Cristo
foi tentado e não consideras que ele venceu? Reconhece-te nele em sua
tentação, reconhece-te nele em sua vitória. O Senhor poderia impedir o
demônio de aproximar-se dele; mas, se não fosse tentado, não te daria o
exemplo de como vencer na tentação.
Responsório Cf. Jr 1,19; 39,18
R.
Farão guerra contra ti, mas não te vencerão.
*
Porque eu, diz o Senhor, contigo estarei
e eu hei de te livrar.
V. Da espada escaparás e tua vida salvarás.
*
Porque eu, diz o Senhor, contigo estarei
e eu hei de te livrar.
Oração
Concedei-nos, ó Deus onipotente, que, ao longo desta Quaresma, possamos progredir no
conhecimento de Jesus Cristo e corresponder ao seu amor por uma vida santa.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Conclusão da Hora
V.
Bendigamos ao Senhor.
R.
Graças a Deus.
http://liturgiadashoras.online/quaresma/1domingo
Meditação Diária
Dom, 1 – Domingo I da Quaresma – Ano A
Gn 2, 7-9; 3, 1-7 / Slm 50 (51), 3-6a.12-14.17 / Rom 5, 12-19 / Mt 4, 1-11
A
palavra de Deus apresenta-nos neste domingo o tema da tentação. Esta
consta sempre de uma atração por um bem aparente, que procura
enganar-nos, seduzindo-nos para o mal. No Pai-Nosso, a oração
que Jesus nos ensinou, pedimos esta graça: «não nos deixeis cair na
tentação». Isso significa que é algo comum sermos tentados e que
precisamos da força de Deus para não cairmos.
A leitura do livro
do Génesis não nos apresenta uma crónica histórica. Trata-se de uma
reflexão sapiencial sobre a nossa condição humana, frágil até ao ponto
de nos deixarmos enganar pelas artimanhas de uma tentação. Adão e Eva
representam a cada um de nós, que somos seduzidos para contradizermos a
lei de Deus e nos arvorarmos em senhores que decidem o que é bem e o que
é mal, segundo as próprias conveniências.
A serpente diabólica da
tentação seduz-nos para destronarmos a Deus, promovendo a nossa vontade
a lei suprema. É a rampa deslizante da idolatria do nosso «Eu», que
acaba por nos fazer sentir «nus» como Adão e Eva, envergonhados com a
nossa liberdade, que acabou por nos escravizar. Só no amor fiel a Deus
amor podemos experimentar a verdadeira liberdade.
S. Paulo faz-nos
cair na conta de que Adão, ao pretender ser senhor do bem e do mal,
acabou por ter como resultado a morte. Cristo, pelo contrário, foi
sempre obediente ao Pai e assim alcançou ser senhor da vida,
ressuscitando glorioso. A cada um de nós é dado escolher entre seguir
Adão ou Jesus Cristo, nosso salvador.
O Evangelho segundo S.
Mateus apresenta-nos Jesus a ser tentado pelo diabo, repetidamente,
pretendendo suplantar a Deus. As três tentações representam o modo
errado de uma pessoa se relacionar com as coisas, com Deus e com as
pessoas.
A primeira tentação refere-se à avidez da comida, à gula,
que é das tentações mais comuns do ser humano: «Diz a estas pedras que
se transformem em pão». Sem pão não se vive. Aliás, o «pão nosso de cada
dia» é um pedido que fazemos na oração fundamental do cristão. «Comer» é
dos verbos que aparece mais vezes na Bíblia, concretamente 910 vezes no
Antigo Testamento. Cristo, pedagogicamente, trava esta avidez de
acumular coisas para Si próprio, pois a felicidade está em dar com
generosidade, e responde com palavras da Escritura: «Nem só de pão vive o
homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus» (cf. Dt 8, 3).
A
segunda tentação é um pôr à prova a confiança de Jesus em Deus,
desafiando-O a lançar-Se abaixo do pináculo do templo, pois «Deus
mandará os seus anjos, que Te recebam nas suas mãos». Perante a tentação
de exigirmos provas a Deus do seu amor por nós, temos de responder como
Cristo: «Não tentarás o Senhor, teu Deus». Como Cristo, que foi provado
até à morte de cruz, também nós podemos ser provados, mas seremos
sempre acompanhados do amor eternamente fiel de Deus por cada um de nós.
Na
terceira tentação, o diabo desafia Jesus a ostentar o seu poder sobre
as pessoas: «Tudo isto Te darei se prostrado me adorares». Mas toda a
vida de Jesus confirmou que não veio ao mundo para dominar, mas para
servir: «Eu estou no meio de vós como quem serve». A verdadeira
autoridade serve. O poder é diabólico, serve-se daqueles sobre os quais
tem autoridade.
Iluminados pelo exemplo de Cristo, peçamos a Deus a graça de que «não nos deixe cair em tentação».
Oferecimento das Obras do Dia
Ofereço-Vos, ó meu Deus,
em união com o santíssimo Coração de Jesus
e por meio do Coração Imaculado de Maria,
as orações, os trabalhos, as alegrias e os sofrimentos deste dia,
em reparação de todas as ofensas e por todas as intenções
pelas quais o mesmo divino Coração está continuamente intercedendo
e sacrificando-se nos nossos altares.
Eu Vo-los ofereço, de modo particular,
pelas intenções do Apostolado da Oração neste mês e neste dia.
https://redemundialdeoracaodopapa.pt/meditacao-diaria/850
Postagens:01/03/2020 às 00:27 e às 00:33