Atualidade
7 fev
“A eutanásia não acaba com o sofrimento, acaba com a vida”

A
Rede Mundial de Oração do Papa – Portugal manifesta-se veementemente
contra a legalização da eutanásia e quaisquer outros atentados à
dignidade da vida humana e apela a todos os cristãos que se mobilizem de
modo a mostrar aos deputados da Assembleia da República os efeitos
graves e irreversíveis da eventual aprovação de uma lei desta natureza
para a sociedade portuguesa.
A Rede Mundial de Oração do Papa -
Portugal revê-se totalmente na Carta Aberta de D. Nuno Almeida, Bispo
Auxiliar de Braga, aos deputados da Assembleia da República, que a
seguir se reproduz:

Ex.mos Senhores Deputados!
Sou
padre há 33 anos e bispo há quatro anos. Tive responsabilidades
diretas, como pároco e presidente da direção, na criação e funcionamento
de três IPSS. Desde há 33 anos e, sobretudo, desde há quatro anos que
permanentemente visito idosos e doentes nas suas casas, nos lares, nas
unidades de cuidados continuados e paliativos, centros de dia e de
convívio, Hospitais e outras instituições. Faz parte da minha agenda,
quase todas as semanas, a celebração festiva com largas dezenas de
idosos e doentes do Sacramento da Unção.
Se neste momento fosse
deputado pensaria conscientemente, livremente e responsavelmente nas
pessoas, especialmente nas mais frágeis. No momento de decidir o voto
não poderia dar prioridade a estratégias políticas, ideológicas ou a
orientações partidárias.
Não há dúvida de que há doentes que se
sentem mortos psicológica e socialmente (mergulharam numa vida sem
sentido e experimentam a mais profunda solidão) e parece-lhes que já só
lhes falta morrer biologicamente. Quererão realmente morrer ou quererão
sentir-se amados?
Com a eutanásia e o suicídio assistido
provoca-se deliberadamente a morte de outra pessoa (matar) ou presta-se
ajuda ao suicídio de alguém (ajudar a que outra pessoa “se mate”). A
eutanásia não acaba com o sofrimento, acaba com uma vida!
Quer a
eutanásia, quer a obstinação terapêutica desrespeitam o momento natural
da morte (deixar morrer): a primeira antecipa esse momento, a segunda
prolonga-o de forma artificialmente inútil e penosa.
Para nós,
crentes, a vida não é um objeto de que se possa dispor arbitrariamente, é
dom de Deus e uma missão a cumprir. E é no mistério da morte e
ressurreição de Jesus que, como cristãos, encontramos o sentido do
sofrimento.
Mesmo se nos cingirmos a uma reflexão filosófica, não é
lógico contrapor o valor da vida humana ao valor da liberdade e da
autonomia. É que a autonomia supõe a vida e sua dignidade. A vida é um
bem indisponível, o pressuposto de todos os outros bens terrenos e de
todos os direitos. Não pode invocar-se a autonomia contra a vida, pois
só é livre quem vive. Não se alcança a liberdade da pessoa com a
supressão da vida dessa pessoa. A eutanásia e o suicídio não representam
um exercício de liberdade, mas a supressão da própria raiz da
liberdade.
Temos também consciência de que nunca pode haver a
garantia absoluta de que o pedido de eutanásia é verdadeiramente livre,
inequívoco e irreversível. Em fases terminais sucedem-se momentos de
desespero, alternando com outros de apego à vida. Porquê respeitar a
vontade expressa num momento, e não noutro? Que certeza pode haver de
que o pedido da morte é bem interpretado, talvez mais expressão de uma
vontade de viver de outro modo, sem o sofrimento, a solidão ou a falta
de amor experimentados, do que de morrer? Ou de que esse pedido não é
mais do que um grito de desespero de quem se sente abandonado e quer
chamar a atenção dos outros? Ou de que não é consequência de estados
depressivos passíveis de tratamento? Estando em jogo a vida ou a morte, a
mínima dúvida a este respeito seria suficiente para optar pela vida (in dubio pro vita).
Como
cidadão e como crente, digo NÃO à Eutanásia e ao Suicídio Assistido,
pois trata-se da interrupção voluntária do amor e da vida! Se fosse
deputado o meu voto seria Não!
+Nuno Almeida, Bispo Auxiliar de Braga
*Carta publicada no site da Arquidiocese de Braga
Foto: Photo by Martha Dominguez de Gouveia on Unsplash
https://redemundialdeoracaodopapa.pt/atualidade/661
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