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sábado, 30 de novembro de 2019

Ezequiel - Capítulo 24, 1 - 14

1No nono ano, no décimo dia do décimo mês, a palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos:2filho do homem, anota por escrito a data de hoje, pois neste dia o rei de Babilônia ataca Jerusalém.3Expõe contra essa raça rebelde esta parábola: eis o que diz o Senhor Javé:4Prepara a panela, põe-na no fogo, põe água dentro dela; coloca pedaços dentro, todos pedaços escolhidos, coxa e espádua, enche-a com os melhores ossos;5toma as mais belas cabeças do rebanho; amontoa lenha debaixo da panela e faze-a ferver aos borbotões, até que fiquem cozidos os ossos que estão dentro dela.6Eis o que diz o Senhor Javé: ai da cidade sanguinária! Panela enferrujada, de onde a ferrugem não pode ser tirada. Despeja-a, bocado por bocado, sem tirar à sorte.7O sangue que derramou está ainda no meio dela; ela o derramou sobre a rocha nua, e não na terra, para cobri-lo de poeira.8Foi para excitar o meu furor e para que a vingança seja cumprida, que espalhei seu sangue sobre a rocha nua, para que ele não ficasse escondido.9Por isso, eis o que diz o Senhor Javé: ai da cidade sanguinária! Também eu vou fazer grande fogueira;10amontoa a lenha, atiça o fogo, cozinha bem a carne, prepara o tempero, que os ossos sejam torrados!11Em seguida, põe a panela vazia nas brasas, para que ela fique bem quente, e vermelho o seu metal; que seja fundida a sua imundície e tirada a sua ferrugem.12Baldados, porém, são os esforços. A massa da ferrugem não sai. (Lance-se) ao fogo essa ferrugem!13Devido à imundície de teu proceder, eu quis purificar-te; todavia, como não estás purificada, não recobrarás a tua pureza até que eu tenha fartado sobre ti o meu furor.14Sou eu, o Senhor, que o digo: isso sucederá, eu farei isso sem hesitação, sem piedade, sem remorso. Serás julgada de acordo com teu comportamento e teus atos - oráculo do Senhor Javé.
 

Ezequiel - Capítulo 25

1A palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos:2filho do homem, volta a tua face para os amonitas e profetiza contra eles.3Dize-lhes: escutai a palavra do Senhor Javé: Eis o que diz o Senhor Javé: Porque disseste: Ah! Ah! quando da profanação do meu santuário, quando da devastação da terra de Israel,e da deportação da casa de Judá,4por isso, vou entregar-te aos filhos do Oriente, que estabelecerão em tua morada os seus acampamentos e plantarão aí as suas tendas. Eles comerão teus frutos, beberão teu leite.5Farei de Rabat um parque de camelos, e da terra dos amonitas um aprisco de ovelhas; assim sabereis que sou eu o Senhor.6Eis o que diz o Senhor Javé: Porque bateste palmas e bateste com o pé, e porque manifestaste riso e desdém pela terra de Israel,7por isso, vou estender minha mão contra ti, entregar-te à pilhagem das nações, suprimir-te dentre os povos, expulsar-te de tua casa e aniquilar-te. Assim saberás que eu sou o Senhor.8Eis o que diz o Senhor Javé: Visto que Moab e Seir dizem: A casa de Judá é igual a todas as demais nações,9eu vou, eu mesmo, abrir o flanco de Moab, arrebatando suas cidades, todas as cidades do seu território, o ornamento da terra: Bet-Jechimot, Baal-Meon e Quiriat-Aim.10Eu o dou, assim como a terra dos amonitas, em possessão aos filhos do Oriente, a fim de que Amon não mais seja mencionado entre as nações.11Assim exercerei meu juízo sobre Moab, e ficarão sabendo que eu sou o Senhor.12Eis o que diz o Senhor Javé: Já que Edom exerceu sua vingança contra a casa de Judá, e se tornou culpado, tomando vingança,13por isso - oráculo do Senhor Javé - vou estender a mão contra Edom, exterminar dele animais e homens, e transformá-lo num deserto; em seguida, desde Temã até Dedã, tombarão sob o gládio.14Exercerei minha vingança contra Edom pela mão de Israel, meu povo, que os tratará segundo o meu furor, e eles saberão o que vale minha vingança - oráculo do Senhor Javé.15Eis o que diz o Senhor Javé: Já que os filisteus exerceram vingança, usaram de cruéis represálias, com o coração cheio de desprezo, e em seu ódio inveterado procuraram destruir tudo,16por isso - oráculo do Senhor Javé - estenderei a mão sobre eles, exterminarei os cretenses, e farei perecer o que resta do litoral; exercerei sobre eles uma vingança terrível, furiosos castigos; e, quando eu executar sobre eles a minha vingança, saberão que eu sou o Senhor.
 

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

33ª Semana do Tempo Comum Apresentação de Nossa Senhora

Jeremias - Capítulo 18

1Foi dirigida a Jeremias a palavra do Senhor nestes termos:2Vai e desce à casa do oleiro, e ali te farei ouvir minha palavra.3Desci, então, à casa do oleiro, e o encontrei ocupado a trabalhar no torno.4Quando o vaso que estava a modelar não lhe saía bem, como sói acontecer nos trabalhos de cerâmica, punha-se a trabalhar em outro à sua maneira.5Foi esta, então, a linguagem do Senhor: casa de Israel, não poderei fazer de vós o que faz esse oleiro? - oráculo do Senhor.6O que é a argila em suas mãos, assim sois vós nas minhas, Casa de Israel.7Ora anuncio a uma nação ou a um reino que vou arrancá-lo e destruí-lo.8Mas se essa nação, contra a qual me pronunciei, se afastar do mal que cometeu, arrependo-me da punição com que resolvera castigá-la.9Outras vezes, em relação a um povo ou reino, resolvo edificá-lo e plantá-lo.10Se, porém, tal nação proceder mal diante de meus olhos e não escutar minha palavra, recuarei do bem que lhe decidira fazer.11Assim, portanto, dirige-te agora nestes termos à gente de Judá e aos habitantes de Jerusalém: Es o que diz o Senhor: nutro o desígnio de lançar-vos uma desgraça, tenciono um projeto contra vós. Voltai todos, portanto, do mau caminho, emendai vosso proceder e vossos atos.12É inútil, responderão eles, seguiremos nossas idéias e cada um de nós agirá de acordo com as más inclinações de seu coração obstinado.13Eis por que assim fala o Senhor: Interrogai as nações pagãs: quem jamais ouviu semelhante coisa? Foi perversidade sem nome a cometida pela virgem de Israel.14Acaso será abandonado o rochedo que domina a planície pela neve do Líbano? E esgotar-se-ão as águas fluentes, que, frescas, correm das montanhas?15No entanto, o meu povo me esqueceu! Incensa ídolos quiméricos, que o fazem tropeçar pelo caminho, o caminho de outrora, conduzindo-o por veredas (tortuosas) de caminhos não trilhados.16A um deserto será reduzida a terra, objeto de perpétuo assobio; e o que por ele passar, estupefato, meneará a cabeça.17À semelhança do vento de leste, eu o dispersarei ante seus inimigos. E lhe voltarei as costas e não a face no dia da desgraça.18Vinde, disseram então, e tramemos uma conspiração contra Jeremias! Por falta de um sacerdote não perecerá a lei, nem pela falta de um sábio, o conselho, ou pela falta de um profeta, a palavra divina. Vinde e firamo-lo com a língua, não lhe demos ouvidos às palavras!19Senhor, ouvi-me! Escutai o que dizem meus inimigos.20É assim que pagam o bem com o mal? Abrem uma cova para atentar-me contra a vida. Lembrai-vos de que ante vós me apresentei a fim de por eles interceder e deles afastar a vossa cólera.21Assim, entregai-lhes os filhos à fome e a eles próprios ao fio da espada. Percam suas mulheres os filhos e maridos, morram os homens pela peste, e os jovens caiam sob a espada nos combates.22Quando, de súbito, sobre eles lançardes hordas armadas, ouçam-se os clamores partidos de suas casas, já que cavaram uma fossa para prender-me, e armaram laços a meus pés.23Vós, porém, Senhor, que bem conheceis suas conspirações de morte contra mim, não lhes perdoeis tal iniqüidade. Que a vossos olhos o seu pecado permaneça indelével e caiam diante de vós. Agi contra eles no dia de vossa cólera.
 
 Salmos - Capítulo 122
1Cântico das peregrinações. Levanto os olhos para vós, que habitais nos céus.2Como os olhos dos servos estão fixos nas mãos de seus senhores, como os olhos das servas estão fixos nas mãos de suas senhoras, assim nossos olhos estão voltados para o Senhor, nosso Deus, esperando que ele tenha piedade de nós.3Tende misericórdia de nós, Senhor, tende misericórdia de nós, porque estamos saturados de desprezo.4Nossa alma está em excesso repleta da irrisão dos opulentos e do desprezo dos soberbos.
 
 

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Salmodia
Ant. 1 Clamo de todo o coração: Senhor, ouvi-me,
pois espero confiante em vossa lei!


Salmo 118(119),145-152

XIX (Coph)

Meditação sobre a Palavra de Deus na Lei
Naquele que guarda a sua palavra, o amor de Deus é plenamente realizado (1Jo 2,5).
145 Clamo de todo o coração: Senhor, ouvi-me! *
Quero cumprir vossa vontade fielmente!

146
Clamo a vós: Senhor, salvai-me, eu vos suplico, *
e então eu guardarei vossa Aliança!

147 Chego antes que a aurora e vos imploro, *
e espero confiante em vossa lei.

148
Os meus olhos antecipam as vigílias, *
para de noite meditar vossa palavra.

149 Por vosso amor ouvi atento a minha voz *
e dai-me a vida, como é vossa decisão!

150
Meus opressores se aproximam com maldade; *
como estão longe, ó Senhor, de vossa lei!

151 Vós estais perto, ó Senhor, perto de mim; *
todos os vossos mandamentos são verdade!

152
Desde criança aprendi vossa Aliança *
que firmastes para sempre, eternamente.

Ant. Clamo de todo o coração: Senhor, ouvi-me,
pois espero confiante em vossa lei!

Ant. 2 Deus sabe o que pensam os homens:
pois um nada é o seu pensamento.


Salmo 93(94)

O Senhor faz justiça
O Senhor se vinga de tudo:... pois Deus não nos chamou à impureza, mas à santidade (cf. 1Ts 4,6-7).

I
1 Senhor Deus justiceiro, brilhai, *
revelai-vos, ó Deus vingador!

2
Levantai-vos, Juiz das nações, *
e pagai seu salário aos soberbos!

3 Até quando os injustos, Senhor, *
até quando haverão de vencer?

4
Arrogantes derramam insultos *
e se gabam do mal que fizeram.

5 Eis que oprimem, Senhor, vosso povo *
e humilham a vossa herança;

6
estrangeiro e viúva trucidam, *
e assassinam o pobre e o órfão!

7 Eles dizem: “O Senhor não nos vê *
e o Deus de Jacó não percebe!”

8
Entendei, ó estultos do povo; *
insensatos, quando é que vereis?

9 O que fez o ouvido, não ouve? *
Quem os olhos formou, não verá?

10 Quem educa as nações, não castiga? *
Quem os homens ensina, não sabe?

11
Ele sabe o que pensam os homens: *
pois um nada é o seu pensamento!

Ant. Deus sabe o que pensam os homens:
pois um nada é o seu pensamento.

Ant. 3 Para mim o Senhor, com certeza,
é regio, é abrigo, é rochedo.


II
12 É feliz, ó Senhor, quem formais *
e educais nos caminhos da Lei,

13
para dar-lhe um alívio na angústia, *
quando ao ímpio se abre uma cova.

14 O Senhor não rejeita o seu povo *
e não pode esquecer sua herança:

15
voltarão a juízo as sentenças; *
quem é reto andará na justiça.

16 Quem por mim contra os maus se levanta *
e a meu lado estará contra eles?

17
Se o Senhor não me desse uma ajuda, *
no silêncio da morte estaria!

18 Quando eu penso: “Estou quase caindo!” *
Vosso amor me sustenta, Senhor!

19
Quando o meu coração se angustia, *
consolais e alegrais minha alma.

=20 Pode acaso juntar-se convosco †
o impostor tribunal da injustiça, *
que age mal, tendo a lei por pretexto?

21
Eles podem agir contra o justo, *
condenando o inocente a morrer:

22 Para mim o Senhor, com certeza, *
é regio, é abrigo, é rochedo!

=23
O Senhor, nosso Deus, os arrasa, †
faz voltar contra eles o mal, *

24 sua própria maldade os condena.
Ant. Para mim o Senhor, com certeza,
é regio, é abrigo, é rochedo.


Leitura breve Cl 3,23-24

Tudo o que fizerdes, fazei-o de coração, como para o Senhor e não para os homens. Pois vós bem sabeis que recebereis do Senhor a herança como recompensa. Servi a Cristo, o Senhor!

V. Ó Senhor, sois minha herança e minha taça,

R. Meu destino está seguro em vossas mãos.

Oração

Senhor Jesus Cristo, que para salvar o gênero humano estendestes vossos braços na cruz, concedei que nossas ações vos agradem e manifestem ao mundo vossa obra redentora. Vós que viveis e reinais para sempre.

Conclusão da Hora
V.Bendigamos ao Senhor.
R. Graças a Deus.
 http://liturgiadashoras.online/tempocomum/32quarta


Meditação Diária
13 nov
Qua, 13 – Semana XXXII do Tempo Comum
Sab 6, 1-11 / Slm 81 (82), 3-4.6-7 / Lc 17, 11-19
Ele examinará as vossas obras e sondará as vossas intenções. (1ª Leit.)
E ajudar-nos-á a andar bem, a pensar retamente. Daí ser bom as pessoas corrigirem-nos, porque nós temos facetas que só os outros notam (Menos boas e muito boas.) Há também a correção que vem de Deus quando Este atua através da nossa consciência. Peçamos a Deus uma consciência clara, porque nem sempre estamos muito certos do que é bem ou mal. Mas Deus pode ajudar-nos sondando as nossas intenções e dizendo-nos se a nossa intenção é boa ou não. (Às vezes, faz isto indiretamente, outras, diretamente.)

Oferecimento das Obras do Dia
Ofereço-Vos, ó meu Deus,
em união com o santíssimo Coração de Jesus
e por meio do Coração Imaculado de Maria,
as orações, os trabalhos, as alegrias e os sofrimentos deste dia,
em reparação de todas as ofensas e por todas as intenções
pelas quais o mesmo divino Coração está continuamente intercedendo
e sacrificando-se nos nossos altares.
Eu Vo-los ofereço, de modo particular,
pelas intenções do Apostolado da Oração neste mês e neste dia.
 https://redemundialdeoracaodopapa.pt/meditacao-diaria/734
[ DE  - EN  - ES  - FR  - IT  - LA  - PT ]


CARTA APOSTÓLICA
ORDINATIO SACERDOTALIS
DO SUMO PONTÍFICE
JOÃO PAULO II 
SOBRE A ORDENAÇÃO SACERDOTAL
RESERVADA SOMENTE AOS HOMENS


Veneráveis Irmãos no Episcopado!
1. A ordenação sacerdotal, pela qual se transmite a missão, que Cristo confiou aos seus Apóstolos, de ensinar, santificar e governar os fiéis, foi na Igreja Católica, desde o início e sempre, exclusivamente reservada aos homens. Esta tradição foi fielmente mantida também pelas Igrejas Orientais.
Quando surgiu a questão da ordenação das mulheres na Comunhão Anglicana, o Sumo Pontífice Paulo VI, em nome da sua fidelidade o encargo de salvaguardar a Tradição apostólica, e também com o objectivo de remover um novo obstáculo criado no caminho para a unidade dos cristãos, teve o cuidado de recordar aos irmãos anglicanos qual era a posição da Igreja Católica: "Ela defende que não é admissível ordenar mulheres para o sacerdócio, por razões verdadeiramente fundamentais. Estas razões compreendem: o exemplo registado na Sagrada Escritura de Cristo, que escolheu os seus Apóstolos só de entre os homens; a prática constante da Igreja, que imitou Cristo ao escolher só homens; e o seu magistério vivo, o qual coerentemente estabeleceu que a exclusão das mulheres do sacerdócio está em harmonia com o plano de Deus para a sua Igreja" [1].
Mas, dado que também entre teólogos e em certos ambientes católicos o problema fora posto em discussão, Paulo VI deu à Congregação para a Doutrina da Fé mandato de expor e ilustrar a este propósito a doutrina da Igreja. Isso mesmo foi realizado pela Declaração Inter insigniores, que o mesmo Sumo Pontífice aprovou e ordenou publicar [2].
2. A Declaração retoma e explica as razões fundamentais de tal doutrina, expostas por Paulo VI, concluindo que a Igreja «não se considera autorizada a admitir as mulheres à ordenação sacerdotal»[3]. A tais razões fundamentais, o mesmo documento junta outras razões teológicas que ilustram a conveniência daquela disposição divina, e mostra claramente como o modo de agir de Cristo não fora ditado por motivos sociológicos ou culturais próprios do seu tempo. Como sucessivamente precisou o Papa Paulo VI, «a verdadeira razão é que Cristo, ao dar à Igreja a Sua fundamental constituição, a sua antropologia teológica, depois sempre seguida pela Tradição da mesma Igreja, assim o estabeleceu»[4].
Na Carta Apostólica Mulieris dignitatem, eu mesmo escrevi a este respeito: «Chamando só homens como seus apóstolos, Cristo agiu de maneira totalmente livre e soberana. Fez isto com a mesma liberdade com que, em todo o seu comportamento, pôs em destaque a dignidade e a vocação da mulher, sem se conformar ao costume dominante e à tradição sancionada também pela legislação do tempo» [5].
De facto, os Evangelhos e os Actos dos Apóstolos atestam que este chamamento foi feito segundo o eterno desígnio de Deus: Cristo escolheu os que Ele quis (cfr Mc 3,13-14; Jo 15,16) e fê-lo em união com o Pai, «pelo Espírito Santo» (Act 1,2), depois de passar a noite em oração (cfr Lc 6,12). Portanto, na admissão ao sacerdócio ministerial [6], a Igreja sempre reconheceu como norma perene o modo de agir do seu Senhor na escolha dos doze homens que Ele colocou como fundamento da sua Igreja (cfr Ap 21,14). Eles, na verdade, não receberam apenas uma função, que poderia depois ser exercida por qualquer membro da Igreja, mas foram especial e intimamente associados à missão do próprio Verbo encarnado (cfr Mt 10,1.7-8; 28,16-20; Mc 3,13-16; 16,14-15). O mesmo fizeram os Apóstolos, quando escolheram os seus colaboradores [7] que lhes sucederiam no ministério [8]. Nessa escolha, estavam incluídos também aqueles que, ao longo da história da Igreja, haveriam de prosseguir a missão dos Apóstolos de representar Cristo Senhor e Redentor [9].
3. De resto, o facto de Maria Santíssima, Mãe de Deus e Mãe da Igreja, não ter recebido a missão própria dos Apóstolos nem o sacerdócio ministerial, mostra claramente que a não admissão das mulheres à ordenação sacerdotal não pode significar uma sua menor dignidade nem uma discriminação a seu respeito, mas a observância fiel de uma disposição que se deve atribuir à sabedoria do Senhor do universo.
A presença e o papel da mulher na vida e na missão da Igreja, mesmo não estando ligados ao sacerdócio ministerial, permanecem, no entanto, absolutamente necessários e insubstituíveis. Como foi sublinhado pela mesma Declaração Inter insigniores, "a Santa Madre Igreja auspicia que as mulheres cristãs tomem plena consciência da grandeza da sua missão: o seu papel será de capital importância nos dias de hoje, tanto para o renovamento e humanização da sociedade, quanto para a redescoberta, entre os fiéis, da verdadeira face da Igreja" [10]. Os Livros do Novo Testamento e toda a história da Igreja mostram amplamente a presença na Igreja de mulheres, verdadeiras discípulas e testemunhas de Cristo na família e na profissão civil, para além da total consagração ao serviço de Deus e do Evangelho. "A Igreja defendendo a dignidade da mulher e a sua vocação, expressou honra e gratidão por aquelas que - fiéis ao Evangelho - em todo o tempo participaram na missão apostólica de todo o Povo de Deus. Trata-se de santas mártires, de virgens, de mães de família, que corajosamente deram testemunho da sua fé e, educando os próprios filhos no espírito do Evangelho, transmitiram a mesma fé e a tradição da Igreja" [11]
Por outro lado, é à santidade dos fiéis que está totalmente ordenada a estrutura hierárquica da Igreja. Por isso, lembra a Declaração Inter insigniores, "o único carisma superior, a que se pode e deve aspirar, é a caridade (cfr 1 Cor 12-13). Os maiores no Reino dos céus não são os ministros, mas os santos" [12]
4. Embora a doutrina sobre a ordenação sacerdotal que deve reservar-se somente aos homens, se mantenha na Tradição constante e universal da Igreja e seja firmemente ensinada pelo Magistério nos documentos mais recentes, todavia actualmente em diversos lugares continua-se a retê-la como discutível, ou atribui-se um valor meramente disciplinar à decisão da Igreja de não admitir as mulheres à ordenação sacerdotal.
Portanto, para que seja excluída qualquer dúvida em assunto da máxima importância, que pertence à própria constituição divina da Igreja, em virtude do meu ministério de confirmar os irmãos (cfr Lc 22,32), declaro que a Igreja não tem absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, e que esta sentença deve ser considerada como definitiva por todos os fiéis da Igreja.
Invocando sobre vós, veneráveis Irmãos, e sobre todo o povo cristão, a constante ajuda divina, concedo a todos a Bênção Apostólica.
Vaticano, 22 de Maio, Solenidade de Pentecostes, do ano de 1994, décimo-sexto de Pontificado.

IOANNES PAULUS II 


Referências
[1] Cfr. Paulo VI, Rescrito à carta de Sua Graça o Rev.mo Dr. F.D. Coggan, Arcebispo de Cantuária, sobre o ministério sacerdotal das mulheres, 30 de Novembro de 1975: AAS 68 (1976), 599-600: «Your Grace is of course well aware of the Catholic Church's position on this question. She holds that it is not admissible to ordain women to the priesthood, for very fundamental reasons. These reasons include: the example recorded in the Sacred Scriptures of Christ choosing his Apostles only from among men; the constant practice of the Church, which has imitated Christ in choosing only men; and her living teaching authority which has consistently held that the esclusion of women from the priesthood is in accordance with the God's plan for his Church» (p. 599).
[2] Cfr. Congregação para a Doutrina da Fé, Declaração Inter insigniores sobre a questão da admissão das mulheres ao sacerdócio ministerial, 15 de Outubro de 1976: AAS 69 (1977), 98-116.
[3] Ibid. 100.
[4] Paulo VI, Alocução sobre O papel da mulher no desígnio da salvação, 30 de Janeiro de 1977: Insegnamenti, vol. XV (1977), 111. Cfr também João Paulo II, Exort. ap. Christifideles laici, 30 de Dezembro de 1988, 51: AAS 81 (1989), 393-521; Catecismo da Igreja Católica, n. 1577.
[5] João Paulo II, Carta ap. Mulieris dignitatem, 15 de Agosto de 1988, 26: AAS 80 (1988), 1715.
[6] Cfr. Const. dogm. Lumen gentium, 28; Decreto Presbyterorum Ordinis, 2b.
[7] Cfr. 1 Tm 3,1-13; 2 Tm 1,6; Tt 1, 5-9.
[8] Cfr. Catecismo da Igreja Católica, n. 1577.
[9] Cfr. Const. dogm. Lumen gentium, 20 e 21.
[10] Congregação para a Doutrina da Fé, Decl. Inter insigniores VI: AAS(1977), 115-116.
[11] João Paulo II, Carta Ap. Mulieris dignitatem 27: AAS 80(1988), 1719.
[12] Congregação para a Doutrina da Fé, Decl. Inter insigniores VI: AAS(1977), 115.


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