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domingo, 29 de maio de 2022

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO
PARA O LVI DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS

Escutar com o ouvido do coração

 

Queridos irmãos e irmãs!

No ano passado, refletimos sobre a necessidade de «ir e ver» para descobrir a realidade e poder narrá-la a partir da experiência dos acontecimentos e do encontro com as pessoas. Continuando nesta linha, quero agora fixar a atenção noutro verbo, «escutar», que é decisivo na gramática da comunicação e condição para um autêntico diálogo.

Com efeito, estamos a perder a capacidade de ouvir a pessoa que temos à nossa frente, tanto na teia normal das relações quotidianas como nos debates sobre os assuntos mais importantes da convivência civil. Ao mesmo tempo, a escuta está a experimentar um novo e importante desenvolvimento em campo comunicativo e informativo, através das várias ofertas de podcast e chat audio, confirmando que a escuta continua essencial para a comunicação humana.

A um médico ilustre, habituado a cuidar das feridas da alma, foi-lhe perguntada qual era a maior necessidade dos seres humanos. Respondeu: «O desejo ilimitado de ser ouvidos». Apesar de frequentemente oculto, é um desejo que interpela toda a pessoa chamada a ser educadora, formadora, ou que desempenhe de algum modo o papel de comunicador: os pais e os professores, os pastores e os agentes pastorais, os operadores da informação e quantos prestam um serviço social ou político.

Escutar com o ouvido do coração

A partir das páginas bíblicas aprendemos que a escuta não significa apenas uma perceção acústica, mas está essencialmente ligada à relação dialogal entre Deus e a humanidade. O «shema’ Israel – escuta, Israel» (Dt 6, 4) – as palavras iniciais do primeiro mandamento do Decálogo – é continuamente lembrado na Bíblia, a ponto de São Paulo afirmar que «a fé vem da escuta» (Rm 10, 17). De facto, a iniciativa é de Deus, que nos fala, e a ela correspondemos escutando-O; e mesmo este escutar fundamentalmente provém da sua graça, como acontece com o recém-nascido que responde ao olhar e à voz da mãe e do pai. Entre os cinco sentidos, parece que Deus privilegie precisamente o ouvido, talvez por ser menos invasivo, mais discreto do que a vista, deixando consequentemente mais livre o ser humano.

A escuta corresponde ao estilo humilde de Deus. Ela permite a Deus revelar-Se como Aquele que, falando, cria o homem à sua imagem e, ouvindo-o, reconhece-o como seu interlocutor. Deus ama o homem: por isso lhe dirige a Palavra, por isso «inclina o ouvido» para o escutar.

O homem, ao contrário, tende a fugir da relação, a virar as costas e «fechar os ouvidos» para não ter de escutar. Esta recusa de ouvir acaba muitas vezes por se transformar em agressividade sobre o outro, como aconteceu com os ouvintes do diácono Estêvão que, tapando os ouvidos, atiraram-se todos juntos contra ele (cf. At 7, 57).

Assim temos, por um lado, Deus que sempre Se revela comunicando-Se livremente, e, por outro, o homem, a quem é pedido para sintonizar-se, colocar-se à escuta. O Senhor chama explicitamente o homem a uma aliança de amor, para que possa tornar-se plenamente aquilo que é: imagem e semelhança de Deus na sua capacidade de ouvir, acolher, dar espaço ao outro. No fundo, a escuta é uma dimensão do amor.

Por isso Jesus convida os seus discípulos a verificar a qualidade da sua escuta. «Vede, pois, como ouvis» (Lc 8, 18): faz-lhes esta exortação depois de ter contado a parábola do semeador, sugerindo assim que não basta ouvir, é preciso fazê-lo bem. Só quem acolhe a Palavra com o coração «bom e virtuoso» e A guarda fielmente é que produz frutos de vida e salvação (cf. Lc 8, 15). Só prestando atenção a quem ouvimos, àquilo que ouvimos e ao modo como ouvimos é que podemos crescer na arte de comunicar, cujo cerne não é uma teoria nem uma técnica, mas a «capacidade do coração que torna possível a proximidade» (Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 171).

Ouvidos, temo-los todos; mas muitas vezes mesmo quem possui um ouvido perfeito, não consegue escutar o outro. Pois existe uma surdez interior, pior do que a física. De facto, a escuta não tem a ver apenas com o sentido do ouvido, mas com a pessoa toda. A verdadeira sede da escuta é o coração. O rei Salomão, apesar de ainda muito jovem, demonstrou-se sábio ao pedir ao Senhor que lhe concedesse «um coração que escuta» ( 1 Rs 3, 9). E Santo Agostinho convidava a escutar com o coração ( corde audire), a acolher as palavras, não exteriormente nos ouvidos, mas espiritualmente nos corações: «Não tenhais o coração nos ouvidos, mas os ouvidos no coração» [1]. E São Francisco de Assis exortava os seus irmãos a «inclinar o ouvido do coração» [2].

Por isso, a primeira escuta a reaver quando se procura uma comunicação verdadeira é a escuta de si mesmo, das próprias exigências mais autênticas, inscritas no íntimo de cada pessoa. E não se pode recomeçar senão escutando aquilo que nos torna únicos na criação: o desejo de estar em relação com os outros e com o Outro. Não fomos feitos para viver como átomos, mas juntos.

A escuta como condição da boa comunicação

Há um uso do ouvido que não é verdadeira escuta, mas o contrário: o espionar. De facto, uma tentação sempre presente, mas que neste tempo da social web parece mais assanhada, é a de procurar saber e espiar, instrumentalizando os outros para os nossos interesses. Ao contrário, aquilo que torna boa e plenamente humana a comunicação é precisamente a escuta de quem está à nossa frente, face a face, a escuta do outro abeirando-nos dele com abertura leal, confiante e honesta.

Esta falta de escuta, que tantas vezes experimentamos na vida quotidiana, é real também, infelizmente, na vida pública, onde com frequência, em vez de escutar, «se fala pelos cotovelos». Isto é sintoma de que se procura mais o consenso do que a verdade e o bem; presta-se mais atenção à audience do que à escuta. Ao invés, a boa comunicação não procura prender a atenção do público com a piada foleira visando ridicularizar o interlocutor, mas presta atenção às razões do outro e procura fazer compreender a complexidade da realidade. É triste quando surgem, mesmo na Igreja, partidos ideológicos, desaparecendo a escuta para dar lugar a estéreis contraposições.

Na realidade, em muitos diálogos, efetivamente não comunicamos; estamos simplesmente à espera que o outro acabe de falar para impor o nosso ponto de vista. Nestas situações, como observa o filósofo Abraham Kaplan [3], o diálogo não passa de duólogo, ou seja um monólogo a duas vozes. Ao contrário, na verdadeira comunicação, o eu e o tu encontram-se ambos «em saída», tendendo um para o outro.

Portanto, a escuta é o primeiro e indispensável ingrediente do diálogo e da boa comunicação. Não se comunica se primeiro não se escutou, nem se faz bom jornalismo sem a capacidade de escutar. Para fornecer uma informação sólida, equilibrada e completa, é necessário ter escutado prolongadamente. Para narrar um acontecimento ou descrever uma realidade numa reportagem, é essencial ter sabido escutar, prontos mesmo a mudar de ideia, a modificar as próprias hipóteses iniciais.

Com efeito, só se sairmos do monólogo é que se pode chegar àquela concordância de vozes que é garantia duma verdadeira comunicação. Ouvir várias fontes, «não parar na primeira locanda» – como ensinam os especialistas do oficio – garante credibilidade e seriedade à informação que transmitimos. Escutar várias vozes, ouvir-se – inclusive na Igreja – entre irmãos e irmãs, permite-nos exercitar a arte do discernimento, que se apresenta sempre como a capacidade de se orientar numa sinfonia de vozes.

Entretanto para quê enfrentar este esforço da escuta? Um grande diplomata da Santa Sé, o cardeal Agostinho Casaroli, falava de «martírio da paciência», necessário para escutar e fazer-se escutar nas negociações com os interlocutores mais difíceis a fim de se obter o maior bem possível em condições de liberdade limitada. Mas, mesmo em situações menos difíceis, a escuta requer sempre a virtude da paciência, juntamente com a capacidade de se deixar surpreender pela verdade – mesmo que fosse apenas um fragmento de verdade – na pessoa que estamos a escutar. Só o espanto permite o conhecimento. Penso na curiosidade infinita da criança que olha para o mundo em redor com os olhos arregalados. Escutar com este estado de espírito – o espanto da criança na consciência dum adulto – é sempre um enriquecimento, pois haverá sempre qualquer coisa, por mínima que seja, que poderei aprender do outro e fazer frutificar na minha vida.

A capacidade de escutar a sociedade é ainda mais preciosa neste tempo ferido pela longa pandemia. A grande desconfiança que anteriormente se foi acumulando relativamente à «informação oficial», causou também uma espécie de «info-demia» dentro da qual é cada vez mais difícil tornar credível e transparente o mundo da informação. É preciso inclinar o ouvido e escutar em profundidade, sobretudo o mal-estar social agravado pelo abrandamento ou cessação de muitas atividades económicas.

A própria realidade das migrações forçadas é uma problemática complexa, e ninguém tem pronta a receita para a resolver. Repito que, para superar os preconceitos acerca dos migrantes e amolecer a dureza dos nossos corações, seria preciso tentar ouvir as suas histórias. Dar um nome e uma história a cada um deles. Há muitos bons jornalistas que já o fazem; e muitos outros gostariam de o fazer, se pudessem. Encorajemo-los! Escutemos estas histórias! Depois cada qual será livre para sustentar as políticas de migração que considerar mais apropriadas para o próprio país. Mas então teremos diante dos olhos, não números nem invasores perigosos, mas rostos e histórias de pessoas concretas, olhares, expetativas, sofrimentos de homens e mulheres para ouvir.

Escutar-se na Igreja

Também na Igreja há grande necessidade de escutar e de nos escutarmos. É o dom mais precioso e profícuo que podemos oferecer uns aos outros. Nós, cristãos, esquecemo-nos de que o serviço da escuta nos foi confiado por Aquele que é o ouvinte por excelência e em cuja obra somos chamados a participar. «Devemos escutar através do ouvido de Deus, se queremos poder falar através da sua Palavra» [4]. Assim nos lembra o teólogo protestante Dietrich Bonhöffer que o primeiro serviço na comunhão que devemos aos outros é prestar-lhes ouvidos. Quem não sabe escutar o irmão, bem depressa deixará de ser capaz de escutar o próprio Deus [5].

Na ação pastoral, a obra mais importante é o «apostolado do ouvido». Devemos escutar, antes de falar, como exorta o apóstolo Tiago: «cada um seja pronto para ouvir, lento para falar» (1, 19). Oferecer gratuitamente um pouco do próprio tempo para escutar as pessoas é o primeiro gesto de caridade.

Recentemente deu-se início a um processo sinodal. Rezemos para que seja uma grande ocasião de escuta recíproca. Com efeito, a comunhão não é o resultado de estratégias e programas, mas edifica-se na escuta mútua entre irmãos e irmãs. Como num coro, a unidade requer, não a uniformidade, a monotonia, mas a pluralidade e variedade das vozes, a polifonia. Ao mesmo tempo, cada voz do coro canta escutando as outras vozes na sua relação com a harmonia do conjunto. Esta harmonia é concebida pelo compositor, mas a sua realização depende da sinfonia de todas e cada uma das vozes.

Cientes de participar numa comunhão que nos precede e inclui, possamos descobrir uma Igreja sinfónica, na qual cada um é capaz de cantar com a própria voz, acolhendo como dom as dos outros, para manifestar a harmonia do conjunto que o Espírito Santo compõe.

Roma, São João de Latrão, na Memória de São Francisco de Sales, 24 de janeiro de 2022.

 

Francisco

 


[1] «Nolite habere cor in auribus, sed aures in corde» ( Sermo 380, 1: Nova Biblioteca Agostiniana 34, 568).

[2] Carta à Ordem inteira: Fontes Franciscanas, 216.

[3] Cf. «The life of dialogue» , in J. D. Roslansky (ed.), Communication. A discussion at the Nobel Conference (North-Holland Publishing Company – Amesterdão 1969), 89-108.

[4] D. Bonhöfffer, La vita comune (Queriniana – Bréscia 2017), 76.

[5] Cf. ibid., 75.



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 Meditação Diária

Dom, 29 – Ascensão do Senhor (Solenidade) – Ano C

At 1, 1-11 / Slm 46 (47), 2-3.6-9 / Ef 1, 17-23 (ou Hebr 9, 24-28; 10, 19-23) / Lc 24, 46-53

Antes de partir para junto do Pai, Jesus ergue as mãos e abençoa-nos. É este gesto, central na solenidade de hoje, que marca o envio no final de cada Eucaristia. Todos os domingos nós somos enviados, como povo, a anunciar o perdão de Deus.

Tantas vezes insistimos em querer fazer coisas por Deus sem que o nosso coração esteja centrado nas maiores dádivas que Ele nos concede: a sua graça e a sua misericórdia. Queremos ser perfeitos à maneira do mundo, ignorando que o grande apelo de Deus é à conversão, própria e dos irmãos.

Naturalmente, nós queremos consertar o mundo. Mas para entrar no «Concerto da Criação», há que evitar a tentação de recriar o mundo à nossa maneira e à nossa medida. O reino de Deus não se faz assim. Há que aceitar o convite a fazer parte da sua orquestra e arriscar a harmonia sinfónica.

Não nos cabe saber o tempo e os momentos em que o Senhor instaurará o Reino, como ouvimos hoje na passagem dos Atos dos Apóstolos. Nós colaboramos na sua construção, confiadamente, escutando o Espírito, aquele que Jesus prometeu enviar-nos.

Como São Paulo nos diz na segunda leitura, não nos agitemos em busca da captura de Deus. Peçamos a graça da sua presença e deixemos que o Senhor se ofereça, a cada um de nós, nos sacramentos, na nossa vida de oração e nas nossas relações com os demais. É isto que nos cabe como discípulos.

Se assim fizermos, voltaremos para casa cada dia como os discípulos depois da Ascensão do Senhor: com grande alegria e dando graças a Deus. É esta a vida abençoada que o Senhor nos promete.

https://redemundialdeoracaodopapa.pt/meditacao-diaria/1714

sexta-feira, 27 de maio de 2022

type

Pope Francis

Laudato Si'

Let us pray together for educational institutions, schools and universities in particular, that they might be transparent, active, welcoming, responsible communities, in a fruitful climate of cooperation, exchange and dialogue, valuing each and every person. 

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 Oração da noite

Com Jesus à noite

Nesta tarde, tomo um tempo para entrar dentro de mim e agradecer os dons deste dia. Contemplo a luz do Espírito nas pessoas que atravessaram o meu dia. Houve alguém que tenha sido particularmente antipático? Procuro reconhecer o bem que, apesar de tudo, essas pessoas trazem à minha vida? Rezo por elas ou simplesmente critico? Peço perdão se não tive os olhos misericordiosos do Pai e recomeço o meu amanhã rezando: Pai ajuda-me a perdoar como tu perdoas. Avé-Maria

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quinta-feira, 26 de maio de 2022

Morning Prayer

With Jesus in the morning

Be thankful for the new day. Get ready to live it with generosity, joy, and a heart affirmed in Christ. “I assure you that you will cry and mourn while the world has fun; they will be sad, but that sadness will turn into joy” (Jn 16:20). Confidently welcome the difficulties you are experiencing today; do not whine and complain or simply give up. Put your trust in Jesus Christ who does not fail, the rest will pass. Ask Mary our mother to accompany young people to live a lifestyle trusting in the Father just as she did. Our Father...

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Oração da tarde

Com Jesus à tarde

“Jovens, não renuncieis ao melhor da vossa juventude, não observeis a vida de uma varanda. Não confundais a felicidade com um sofá nem passeis toda a vossa vida diante de um ecrã. Tampouco vos deveis converter no triste espetáculo de um veículo abandonado. Não sejais automóveis estacionados, pelo contrário, deixai brotar os sonhos e tomai decisões. Arriscai, mesmo que vos equivoqueis.” (Papa Francisco, Christus Vivit §143)

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  • ANTIGO TESTAMENTO
    • LIVROS PROFÉTICOS
      • ISAÍAS
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40

SEGUNDO ISAÍAS

 

O novo Êxodo

O novo êxodo -* 1 Consolem, consolem o meu povo, diz o Deus de vocês. 2 Falem ao coração de Jerusalém, gritem para ela que se completou o tempo da sua escravidão, que o seu crime foi perdoado, que ela recebeu da mão de Javé o castigo em dobro por todos os seus pecados.

3 Uma voz grita: «Abram no deserto um caminho para Javé; na região da terra seca, aplainem uma estrada para o nosso Deus. 4 Que todo vale seja aterrado, e todo monte e colina sejam nivelados; que o terreno acidentado se transforme em planície, e as elevações em lugar plano. 5 Então se revelará a glória de Javé, e todo o mundo junto a verá, pois assim falou a boca de Javé».

6 Uma voz me diz: «Grite!» Eu respondo: «O que devo gritar?» E a voz me diz: «Todo ser humano é erva e toda a sua beleza é como a flor do campo: 7 a erva seca, a flor murcha, quando sobre elas sopra o vento de Javé; 8 a erva seca, a flor murcha, mas a palavra do nosso Deus se realiza sempre. 9 Suba a um monte alto, mensageira de Sião; levante bem alto a sua voz, mensageira de Jerusalém. Levante-a, não tenha medo. Diga às cidades de Judá: ‘Aqui está o Deus de vocês!’ 10 Vejam: o Senhor Javé chega com poder, e com seu braço ele detém o governo. Ele traz consigo o prêmio, e seus troféus o precedem. 11 Como um pastor, ele cuida do rebanho, e com seu braço o reúne; leva os cordeirinhos no colo e guia mansamente as ovelhas que amamentam».

Quem é como Javé? -* 12 Quem mediu toda a água do mar na concha da mão? Quem mediu a palmos o tamanho do céu? Quem mediu numa vasilha o da terra? Quem pesou as montanhas na balança e as colinas nos seus pratos? 13 Quem dirigiu o espírito de Javé, quem lhe sugeriu o seu projeto? 14 A quem pediu conselho para se instruir, para lhe ensinar o caminho do direito, para lhe ensinar a ciência e lhe indicar o caminho da inteligência? 15 Vejam: as nações são gotas num balde, e não valem mais que poeira num prato da balança. Vejam: as ilhas pesam como um grão de areia. 16 O Líbano não bastaria para acender o fogo, e suas feras não bastariam para um só holocausto. 17 Diante de Javé as nações são como se não existissem; para ele, não contam mais que o nada e o vazio. 18 Com quem vocês poderão comparar Deus? Que figura podem arrumar para representá-lo?

19 O escultor faz uma estátua; vem o ourives e a cobre de ouro e lhe solda correntes de prata. 20 Quem faz uma oferta pobre, escolhe madeira que não apodreça e procura um escultor hábil para fazer uma estátua que não se mova.

21 Vocês não sabem? Nunca ouviram falar? Não lhes foi avisado desde o começo? Vocês não entendem os fundamentos da terra? 22 Javé se assenta sobre o círculo da terra, e seus habitantes parecem bando de gafanhotos. Ele desdobra o céu como toldo, e o estende como tenda que sirva para morar. 23 Ele reduz a nada os poderosos e aniquila os governantes da terra. 24 Apenas são plantados, logo que são semeados ou a sua muda ainda nem está com raízes no chão, e Deus sopra por cima deles e eles secam, e a primeira ventania os carrega como palha. 25 Vocês, por acaso, podem me comparar com alguém que se pareça de verdade comigo? - pergunta o Santo. 26 Ergam os olhos para o céu e observem: quem criou tudo isso? Aquele que organiza e põe em marcha o exército das estrelas, chamando cada uma pelo nome. Tão grande é o seu poder e tão firme é a sua força, que ninguém deixa de se apresentar.

Javé sustenta os fracos e cansados -* 27 Jacó, por que você anda falando, e você, Israel, por que anda dizendo: «Javé desconhece o meu caminho e o meu Deus ignora a minha causa»? 28 Pois você não sabe? Acaso não ouviu falar? Javé é o Deus eterno; foi ele quem criou os confins do mundo. Ele não se cansa, nem se fatiga, e sua inteligência é insondável. 29 Ele ânimo ao cansado e recupera as forças do enfraquecido. 30 Até os jovens se fatigam e cansam, e os moços também tropeçam e caem, 31 mas os que esperam em Javé renovam suas forças, criam asas, como águias, correm e não se fatigam, podem andar que não se cansam.




* 40,1-11: Em pleno exílio, o profeta entrevê a alegria de Jerusalém ao saber que os exilados estão voltando. Terminou o tempo da escravidão e começa um novo êxodo. Javé caminha junto com o seu povo na ternura de um pastor que cuida do rebanho. É do fundo triste de uma escravidão sofrida que brota a esperança alegre e libertadora (cf. Ex 3,7-9). Os evangelhos sinóticos citam o texto para falar da libertação definitiva trazida por Jesus Cristo (cf. Mt 3,3; Mc 1,3; Lc 3,4).

* 12-26: Os exilados levantam uma objeção: «Frente aos outros deuses, quem é Javé para realizar um novo êxodo?» O profeta responde que Javé é o Senhor supremo do universo e da história; acima dele não há ninguém, e em suas mãos estão todas as coisas e acontecimentos; ele é o Deus vivo e o único autor da vida. Os outros deuses não passam de objetos impotentes, fabricados pela imaginação e técnica do homem. Javé faz e dirige tudo, enquanto que os ídolos são feitos e carregados.

* 27-31: Os exilados caíram no desânimo e pensam que Javé os abandonou: isso é outro empecilho para que o novo êxodo se realize. O profeta mostra que o mesmo Deus eterno que criou o mundo é quem dá forças ao cansado e firmeza aos fracos: ele sustenta todos aqueles que nele confiam.


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 41

Instrumento de Javé -* 1 Ilhas, calem-se diante de mim, e que os povos se reanimem. Depois, então, venham falar, compareçamos juntos para o julgamento. 2 Quem despertou no oriente aquele que a vitória segue a cada passo? Quem lhe entrega as nações e quem lhe põe os reis debaixo dos pés? Quem faz com que os outros reis sejam para a sua espada como poeira e, para o seu arco, como cisco que voa? 3 Ele os persegue e passa adiante tranqüilamente, por uma vereda que seus pés mal tocam. 4 Quem fez e executou tudo isso? Aquele que anuncia o futuro de antemão: eu, Javé, que sou o primeiro e estou com os últimos. 5 Ilhas, vejam isso e tremam, e os confins da terra estremeçam.

6 Cada um anima o seu companheiro, dizendo-lhe: «Coragem7 O escultor anima o ourives, aquele que forja com martelo anima a quem bate na bigorna, falando da solda: «Ela está boa». Depois firma a estátua com pregos para que não se mova.

Javé defende o oprimido -* 8 Mas você, Israel, é o meu servo. Eu escolhi você, Jacó, descendente do meu amigo Abraão. 9 Desde os confins do mundo eu tomei você e o chamei dos extremos da terra. Eu lhe disse: «Você é o meu servo; eu o escolhi e jamais o rejeitei». 10 Não tenha medo, pois eu estou com você. Não precisa olhar com desconfiança, pois eu sou o seu Deus. Eu fortaleço você, eu o ajudo e o sustento com minha direita vitoriosa. 11 Ficarão envergonhados e confundidos todos os que se enfurecem contra você; serão reduzidos a nada e perecerão os que lutam contra você. 12 Você vai procurar, mas não encontrará aqueles que o combatem. Serão reduzidos a nada e deixarão de existir os que guerreiam contra você, 13 porque eu sou Javé, o seu Deus, que o sustento pela mão direita e lhe digo: «Não tenha medo; eu mesmo o ajudarei». 14 Não tenha medo, vermezinho Jacó, bichinho Israel. Eu mesmo o ajudarei - oráculo de Javé. O seu redentor é o Santo de Israel. 15 Eu vou fazer de você uma debulhadora de trigo, bem afiada, nova e de muitas pontas. Você vai debulhar as montanhas até reduzi-las a , e converterá as colinas em palha. 16 Você as abanará e o vento levará tudo embora, o vendaval as dispersará. E você se alegrará com Javé e se orgulhará do Santo de Israel.

Água para os sedentos -* 17 Os pobres e os indigentes buscam água, mas não a encontram; estão com a língua seca de sede. Eu mesmo, Javé, responderei a eles; eu, o Deus de Israel, não os abandonarei. 18 Pois eu vou rasgar córregos em colinas secas, abrir fontes pelos vales; transformarei o deserto num lago e a terra seca em minas de água. 19 No lugar do deserto colocarei cedro, acácia, mirto e oliveira; na terra seca plantarei ciprestes, olmeiros e pinheiros, 20 para que todos vejam e saibam, reflitam e aprendam que a mão de Javé fez isso, e quem o criou foi o Santo de Israel.

Javé, o Senhor do futuro -* 21 Apresentem seus argumentos - diz Javé. Tragam suas razões - diz o Rei de Jacó. 22 Adiantem-se e nos anunciem o que vai acontecer; contem-nos as suas profecias passadas, e nós prestaremos atenção; e nos anunciem o futuro, para que comprovemos sua realização. 23 Contem o que vai acontecer no futuro, e saberemos que vocês são mesmo deuses. Façam alguma coisa, boa ou , para que a vejamos e os respeitemos. 24 Vocês são menos do que um nada. E quem escolhe vocês é abominável.

25 Eu o despertei no norte e ele veio; do lado do nascer do sol eu o chamei pelo nome. Ele pisará os governantes como se fossem lama, como o oleiro que está amassando barro. 26 Quem anunciou isso desde o começo, para que ficássemos sabendo? Quem falou isso antes de acontecer, para que disséssemos: «É isso mesmo»? Ninguém o anunciou, ninguém o proclamou, ninguém ouviu as palavras de vocês. 27 Eu o anunciei primeiro em Sião, e enviei a Jerusalém um mensageiro com boas notícias. 28 Procurei, mas não encontrei ninguém; entre eles, ninguém era capaz de dar um conselho, ninguém a quem eu pudesse perguntar e que me desse uma resposta. 29 Todos eles não valem coisa alguma; o que eles fazem é um nada, e seus ídolos são sopro e ilusão.




* 41,1-7: Ciro, rei dos persas, domina a Ásia Menor. Ao conquistar a Babilônia, ele permite que os exilados voltem a suas terras e readquiram sua identidade cultural e religiosa. Para o profeta, Ciro torna-se o instrumento do Deus Javé, que é o primeiro e está com os últimos, é o aliado dos pobres e oprimidos. Quando realizam atos que dão lugar à libertação dos oprimidos, os chefes das nações se tornam instrumentos do projeto de Javé na história.

* 8-16: O povo oprimido tem sempre um defensor (redentor; cf. Lv 25,23-25; Nm 35,19 e respectivas notas): é o próprio Javé, aquele que fez aliança com Abraão e Jacó. Por isso, o povo não deve perder a esperança, pois Javé, o Deus protetor e libertador dos oprimidos e escravizados, estará sempre a seu lado para o arrancar de qualquer tipo de escravidão.

* 17-20: No primeiro êxodo, o povo bebeu água da rocha em pleno deserto (cf. Ex 17,1-7). Ora, água é o elemento imprescindível para a vida. Ela falta para os pobres e indigentes, e Javé em pessoa responderá à necessidade deles, transformando agora a terra seca em rios e o deserto em jardins, um novo paraíso terrestre.

* 21-29: Continua aqui a polêmica contra os deuses babilônicos, que eram empecilho ideológico para que os judeus exilados tivessem esperança de voltar à própria terra. Em continuação a 40,12-26, o profeta agora mostra também que Javé é o único Senhor do futuro: só ele soube anunciar que Ciro dominaria a Babilônia.




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