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domingo, 22 de novembro de 2020


Viva, Cristo Rei!!!

Cristo Rei do Universo,

Imenso, Grandiosíssimo Pai de Amor,

De toda a humanidade, Redentor e Salvador,

Doador de toda vida, por amor.

 

Dependentes e suplicantes do vosso amor,

 Todos a vos clamar,

Tenha piedade do mundo inteiro,

Ó, Rei de amor!

 

Guia todos os passos, ilumina todos os corações, mentes.

Livra todas as criaturas das pestes, dos sofrimentos presentes.

Instale vossa paz,

Implante vosso reino de amor!

 

Plante em cada um de seus filhos, em cada coração,

em todas as vossas criaturas o vosso pleno amor,

O reino que para todos,

 A entrega despojada e gratuita de vossa vida, plenificou!

 

Pedi a Santa Mãe, a toda pura Virgem Maria,

Que interceda a Deus, misericórdia, por toda a humanidade,

Que em seu imenso amor quis a todos salvar,

E, em vós, toda vida renovar!

 

Cristo Rei, humilde, manso,

Todo cheio de amor e paz,

Tocai e iluminai todos os pensamentos, corações,

e dê a toda humanidade, vossa verdadeira paz!

 

Sirlene Silva dos Santos.

22/11/2020

16he26min.

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

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55

Javé oferece a vida -* 1 Atenção! Todos os que estão com sede, venham buscar água. Venham também os que não têm dinheiro: comprem e comam sem dinheiro e bebam vinho e leite sem pagar. 2 Por que gastar dinheiro com coisa que não alimenta, e o salário com aquilo que não traz fartura? Ouçam-me com atenção, e comerão bem e saborearão pratos suculentos, 3 Dêem ouvidos a mim, venham para mim, me escutem, que vocês viverão. Farei com vocês uma aliança definitiva, serei fiel à minha amizade com Davi. 4 Fiz dele uma testemunha para os povos, um chefe que ordem aos povos. 5 Agora você vai convocar um povo desconhecido; um povo que não conhecia você virá correndo para procurá-lo: tudo por causa de Javé seu Deus, por causa do Santo de Israel, porque ele glorificou você.

Procurem Javé -* 6 Procurem Javé enquanto ele se deixa encontrar; chamem por ele enquanto está perto. 7 Que o ímpio deixe o seu caminho e o homem maldoso mude os seus projetos. Cada um volte para Javé e ele terá compaixão; volte para o nosso Deus, pois ele perdoa com generosidade.

8 Os meus projetos não são os projetos de vocês, e os caminhos de vocês não são os meus caminhos - oráculo de Javé. 9 Tanto quanto o céu está acima da terra, assim os meus caminhos estão acima dos caminhos de vocês, e os meus projetos estão acima dos seus projetos. 10 Da mesma forma como a chuva e a neve, que caem do céu e para lá não voltam sem antes molhar a terra, tornando-a fecunda e fazendo-a germinar, a fim de produzir semente para o semeador e alimento para quem precisa comer, 11 assim acontece com a minha palavra que sai de minha boca: ela não volta para mim sem efeito, sem ter realizado o que eu quero e sem ter cumprido com sucesso a missão para a qual eu a mandei.

A certeza da libertação -* 12 Vocês sairão com alegria e serão conduzidos em paz. Na presença de vocês, colinas e montes explodirão de alegria, todas as árvores baterão palmas. 13 Em vez de espinhos, crescerão ciprestes; no lugar de urtiga, crescerão murtas. Isso trará fama a Javé, será um monumento eterno, que nunca se apagará.

 


* 55,1-5: Numa sociedade dominada pelo ídolo dinheiro, o povo gasta tudo o que tem e acaba na sede e fome. O profeta o convida a uma nova aliança com Deus que coloca a vida humana como supremo valor, transformando todas as relações sociais e assegurando a todos alimento e dignidade. A realização desse projeto atrairá os povos, porque verão que esse é o verdadeiro projeto para a vida.

* 6-11: Javé tem um projeto de verdadeira realização para a história: liberdade e vida para todos. Esse projeto é revelado aos homens através da Palavra que, gerando acontecimentos, concretiza o projeto de Deus. A sabedoria do homem consiste em procurar Javé, isto é, converter-se para ele, ouvir a sua palavra e tornar-se aliado seu na luta em prol de liberdade e vida para todos.

* 12-13: O livro começou com uma consolação para os exilados e termina afirmando a certeza da libertação. A natureza toda participará da vida nova de um povo livre (cf. Rm 8,18-23).


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domingo, 15 de novembro de 2020

Meditação Diária
Dom, 15 – Domingo XXXIII do Tempo Comum – Ano A / Dia Mundial dos Pobres

Prov 31, 10-13.19-20.30-31 / Slm 127, 1-5 / 1 Tes 5, 1-6 / Mt 25, 14-30

O livro dos Provérbios faz o elogio da mulher virtuosa. É uma justa ocasião para agradecermos a Deus o tesouro que têm sido incontáveis mulheres ao longo da nossa vida, começando pela nossa mãe, irmãs, catequistas, professoras, colegas, amigas. As suas virtudes e testemunho de vida são uma riqueza que nos enche de esperança e alegria.

O apóstolo Paulo exorta-nos a fugir das trevas, que são imagem do mal e do pecado. Convida-nos a ser «filhos da luz», com uma vida digna de irmãos de Jesus Cristo, pelo amor e o serviço. Vivendo assim, vigilantes na caridade, aguardamos confiantes a chegada do Senhor.

Na parábola dos talentos, Jesus dá-nos uma lição sobre o modo como fazermos render as capacidades e qualidades que temos. Não são condecorações pessoais, mas instrumentos de serviço. Temos de dar contas a Deus do seu uso. O servo que, com preguiça e medo, enterra o talento, é condenado severamente. O Senhor das nossas vidas desafia-nos a arriscar tudo o que somos e temos ao serviço dos nossos próximos.

Celebrando-se neste domingo o Dia Mundial dos Pobres, destaco um parágrafo da Mensagem do Papa Francisco para o presente ano: «Nestes meses, em que o mundo inteiro foi dominado por um vírus que trouxe dor e morte, desconforto e perplexidade, pudemos ver tantas mãos estendidas! A mão estendida do médico que se preocupa de cada paciente, procurando encontrar o remédio certo. A mão estendida da enfermeira e do enfermeiro que permanece, muito para além dos seus horários de trabalho, a cuidar dos doentes. A mão estendida de quem trabalha na administração e providencia os meios para salvar o maior número possível de vidas. A mão estendida do farmacêutico exposto a inúmeros pedidos num arriscado contacto com as pessoas. A mão estendida do sacerdote que, com o coração partido, continua a abençoar. A mão estendida do voluntário que socorre quem mora na rua e a quantos, embora possuindo um teto, não têm nada para comer. A mão estendida de homens e mulheres que trabalham para prestar serviços essenciais e segurança. E poderíamos enumerar ainda outras mãos estendidas, até compor uma ladainha de obras de bem. Todas estas mãos desafiaram o contágio e o medo, a fim de dar apoio e consolação».

Sendo este o dia conclusivo da Semana dos Seminários, tendo em conta que é o Dia Mundial dos Pobres, rezemos pelos seminaristas, presentes e futuros, e pelos seus formadores, para que na Igreja não faltem bons pastores que privilegiem o serviço aos mais frágeis e necessitados.


Oferecimento das Obras do Dia

Ofereço-Vos, ó meu Deus,
em união com o santíssimo Coração de Jesus
e por meio do Coração Imaculado de Maria,
as orações, os trabalhos, as alegrias e os sofrimentos deste dia,
em reparação de todas as ofensas e por todas as intenções
pelas quais o mesmo divino Coração está continuamente intercedendo
e sacrificando-se nos nossos altares.
Eu Vo-los ofereço, de modo particular,
pelas intenções do Apostolado da Oração neste mês e neste dia.

 https://redemundialdeoracaodopapa.pt/meditacao-diaria/1120

domingo, 8 de novembro de 2020

 Meditação Diária

Dom, 8 – Domingo XXXII do Tempo Comum – Ano A / 1º Dia da Semana dos Seminários

Sab 6, 12-16 / Slm 62 (63), 2-8 / 1 Tes 4, 13-18 / Mt 25, 1-13

O livro da Sabedoria exorta-nos a viver com qualidade, a orientar bem a própria vida, com bons critérios e cultivando as virtudes. Sabedoria que não é propriamente a acumulação de conhecimentos, mas a arte de viver bem, na fidelidade ao Deus da aliança.

São Paulo, escrevendo aos cristãos de Tessalónica, esclarece alguns pontos sobre a nova fase da vida depois da morte. Põe em relevo que nós, os cristãos, encaramos a vida futura com a certeza da esperança, pois acreditamos que Jesus ressuscitou, como primícias de todos nós que o seguimos, e que nos há de ressuscitar. O apóstolo oferece-nos estas palavras sumamente consoladoras, introduzindo-nos no mistério glorioso da nossa ressurreição futura. Para quem crê em Cristo, a vida não acaba, apenas se transforma em vida eterna, na alegria da casa do Pai.

A parábola das dez virgens, que Cristo nos apresenta, é uma exortação à vigilância. Todos somos convidados para a festa nupcial do noivo, que é o próprio Jesus. Há que ter as candeias acesas, bem fornecidas de azeite, ou seja, uma vida digna da amizade do noivo, pois queremos entrar na sua festa. Não podemos arrastar a nossa vida na ociosidade e no desleixo, como se a vida presente nada tivesse a ver com o nosso futuro. A entrada no festim eterno do noivo, Jesus Cristo, prepara-se agora. Deus quer oferecer-nos um futuro eterno de jubilosa glória. Vivamos em confiante vigilância cada dia, sempre preparados para entrar na festa da casa de Deus.

Estamos a iniciar a Semana dos Seminários. É um convite que a Igreja nos faz para rezarmos e mostrarmos a nossa solicitude pelas vocações ao sacerdócio, pelos seminaristas e seus formadores. A Igreja precisa de pastores segundo o coração de Deus, que sejam imagem de Jesus Cristo, o ótimo Bom Pastor de todos os pastores. Abramo-nos a esta graça.

https://redemundialdeoracaodopapa.pt/meditacao-diaria/1113

 

REFLEXÃO PARA O 32º DOMINGO DO TEMPO COMUM - MATEUS 25,1-13 (ANO A)

 


Com a proximidade do final do ano litúrgico, o tema da vigilância passa a ocupar o centro da liturgia. Por isso, nos três últimos domingos do ano litúrgico corrente, o evangelho é retirado do chamado “discurso escatológico”, que é o último dos cinco grandes discursos atribuídos a Jesus no Evangelho segundo Mateus (Mt 24–25). É importante, de antemão, ressaltar que a ênfase dada à vigilância não visa provocar medo, mas reavivar e aumentar nos cristãos a esperança na realização plena do Reino de Deus. No discurso escatológico, prevalece o gênero literário apocalíptico, o que o torna tão enigmático e provocativo. Por isso, é necessário compreender bem o texto, para que sua mensagem de encorajamento e esperança não se torne causa de medo e terror. Embora o discurso compreenda os capítulos 24 e 25, a liturgia dominical utiliza apenas o capítulo 25, o qual é composto de três grandes parábolas, sendo que o evangelho de hoje corresponde à primeira: a parábola das dez virgens (ou jovens) – Mt 25,1-13. As outras duas serão lidas próximos dois domingos.

Além da posição privilegiada que ocupa no Evangelho, a parábola das dez virgens se destaca pela peculiaridade das personagens. Ora, em todos os evangelhos, somente quatro parábolas têm mulheres como protagonistas, sendo a maioria exclusividade de Lucas: a parábola do fermento na massa (Mt 13,33; Lc 13,20-21), a parábola da moeda perdida (Lc 15,8-10) a parábola do juiz injusto e a viúva persistente (Lc 10,1-8), e esta das dez virgens (Mt 25,1-13), sendo das quatro a única exclusiva de Mateus. Logo, estamos diante de uma obra prima de Mateus, que evidencia uma grande valorização da mulher justamente quando o seu Evangelho se aproxima do ponto culminante. Ainda a nível de contexto, é importante recordar a situação da comunidade do evangelista, destinatária primeira do Evangelho. Quase cinquenta anos separam os eventos da paixão, morte e ressurreição de Jesus da redação do Evangelho. Muitas coisas aconteceram nesse intervalo de tempo, gerando consequências para a vida da comunidade, chegando a abalar a fé, a esperança e a unidade dos cristãos e cristãs. Por isso, a comunidade mateana vivia uma situação de crise, tanto por causas externas quanto internas. As causas externas eram as perseguições da parte do judaísmo ortodoxo e do império romano; as causas internas eram os conflitos entre os membros da própria comunidade, divididos entre os de origem judaica e aqueles de origem pagã. O Evangelho segundo Mateus é, portanto, um conjunto de respostas a tudo isso.

No caso específico da parábola que hoje lemos na liturgia, essa é a resposta à crise de fé e de identidade pela qual passava a comunidade, devido à diminuição no fervor de seus membros. Ora, tendo se passado já quase cinquenta anos da ressurreição, os cristãos não viam suas vidas melhorarem, pelo contrário, até pioravam devido às perseguições. O resultado disso era uma fé cada vez menos viva e sem esperança. Era preciso, portanto, reanimar, encorajar e despertar na comunidade a esperança e o ardor da fé inicial. Ao desânimo, o evangelista pede uma atitude de vigilância. A comunidade deve estar sempre pronta para encontrar-se com o Senhor a qualquer momento. Na verdade, segundo o evangelista, o ideal é viver na certeza de que o Senhor nunca se ausentou, mas está sempre presente na comunidade, exatamente por ser o “Deus conosco” (Mt 1,23; 18,20 28,20). Isso exige solicitude para reconhecê-lo, e é exatamente o que a parábola das dez virgens quer suscitar. Devido à extensão e ao gênero do texto, não comentaremos versículo por versículo, mas procuraremos colher a sua mensagem central, embora seja necessário, mesmo assim, observar cuidadosamente algumas expressões particulares.

Assim diz o texto em seu início: “O Reino dos Céus é como a história das dez virgens que pegaram suas lâmpadas e foram ao encontro do noivo” (v. 1). Essa é a última parábola do Evangelho de Mateus em que o Reino dos Céus é explicitamente comparado a uma realidade concreta e conhecida do auditório de Jesus e da comunidade do evangelista. É uma parábola de alcance e interesses universais. A expressão “dez virgens” (em grego: δέκα παρθένοις – déka parténois) evoca o universalismo da comunidade. Dez é um número que expressa totalidade e univerasalismo, ao contrário do número doze que possui um valor simbólico restrito a Israel. Com esse pequeno detalhe, Jesus e o evangelista dão um salto de qualidade considerável à mensagem: o Reino dos Céus já extrapolou os limites de Israel, é destinado a toda a humanidade. A imagem do matrimônio não era novidade na linguagem de Jesus e nem no judaísmo. Desde o profeta Oséias, a relação entre Deus e seu povo é apresentada em linguagem matrimonial. A novidade de Jesus consiste em ampliar o alcance da imagem, cuja noiva-esposa deixa de ser Israel e passa a ser a humanidade inteira. Por sinal, a parábola não fala da noiva; por ela, subentende-se toda a humanidade, uma vez que é o próprio Jesus o noivo-esposo.

Para compreender melhor a parábola e sua mensagem, é necessário entender como era celebrada uma festa de casamento na época e, especialmente, qual era o papel das jovens virgens. Sem essa compreensão, pode-se imaginar, à primeira vista, que as dez virgens estivissem disputando um único noivo, ou até mesmo que o texto retrate um matrimônio poligâmico. Por isso, é importante a explicação do episódio. Em Israel e em muitas sociedades antigas orientais, o casamento era realizado por etapas ou fases. A primeira fase, chamada de fase da promessa, durava um ano. Os noivos consideravam-se já casados, embora continuassem a viver cada um com seus pais. Era o período para as famílias acertarem os acordos econômicos, pois o casamento era um negócio, e prepararem a festa. Completado o ano, o casamento era finalmente festejado e consumado. No dia marcado, o noivo ia com seus amigos até a casa da noiva. Em sua casa, a noiva reunia suas melhores amigas para esperar o noivo. Após a chegada do noivo, a noiva se despedia dos seus pais, deixava sua casa e ia para a casa do noivo, ao seu lado, onde acontecia a festa, que durava em média uma semana. Formava-se assim, o cortejo nupcial da casa da noiva para a casa do noivo. Isso deveria acontecer no início da noite, de modo que o cortejo era iluminado pelas lâmpadas que as moças amigas da noiva levavam. Para causar suspense, os noivos costumavam atrasar. Seria, portanto, uma grande imprudência as moças deixarem faltar óleo para suas lâmpadas no cortejo, uma vez que uma festa de casamento começava a ser preparada com muita antecedência, cerca de um ano.

É a partir dessa realidade descrita que Jesus faz a sua denúncia e alerta os seus discípulos com a parábola, a partir dos distintos comportamentos das virgens: cinco eram imprevidentes e outras cinco eram previdentes. Essa distinção é típica da literatura sapiencial, bastante difusa no tempo de Jesus. Os termos mais adequados, conforme o texto na língua original, seriam imprudentes e prudentes, ou ainda insensatas e sensatas. A insensatez das cinco primeiras consiste em ter deixado o óleo acabar. A sensatez das outras cinco consiste em ter óleo suficiente. O óleo (em grego: ἔλαιον – elaion), literalmente óleo de oliva ou azeite, é o elemento decisivo da parábola, e o que tem gerado muitas discussões e debates nos estudos bíblicos. Alguns já definiram o óleo como as boas obras, os carismas pessoais, os dons do Espírito Santo, interpretações que não são totalmente satisfatórias. O mais provável, considerando o conunto do Evangelho, é que o óleo representa às bem-aventuranças (Mt 5,1-12), compreendendo-as como o compromisso e a responsabilidade pessoal de cada um na construção do Reino. As bem-aventuranças, enquanto auto-retrato de Jesus, são também a identidade cristã, e o que autoriza alguém a fazer parte do Reino.

No conjunto das bem-aventuranças, estão o amor, a justiça, a construção da paz, a mansidão, a solidariedade, a tolerância e o respeito. E tudo isso é intransferível. Por isso, as jovens prudentes não podiam emprestar o óleo às imprudentes (vv. 8-9), pois o amor é pessoal, ninguém pode amar no lugar do outro, ninguém pode ser justo no lugar do outro. As jovens prudentes não foram egoístas, como pode parecer. A imagem quer recordar que ninguém está isento de viver o amor e a justiça, enquanto síntese das bem-aventuranças. A vigilância exigida na parábola, portanto, não significa privar-se do sono, afinal as prudentes e imprudentes dormiram todas (v. 5), mas consiste em manter-se abastecidos de amor e justiça. Para quem assimilou o sentido das bem-aventuranças em sua vida, não importa o dia e nem a hora em que o Senhor retornará. Na verdade, a vivência das bem-aventuranças é o sinal mais concreto da presença constante do Senhor na comunidade e no mundo. Quem vive assim faz da própria vida uma manifestação concreta do Senhor.

A porta fechada para quem não teve óleo suficiente não é sinal de castigo ou exclusão (vv. 11-12). É também uma advertência de Jesus e do evangelista. É uma situação parecida com a da parábola do banquete (Mt 22,1-14), lida há alguns domingos (28º domingo), quando um convidado foi retirado da sala por não vestir o traje apropriado para a festa, o que também era uma imagem das bem-aventuranças. Significa a afirmação das exigências para fazer parte do Reino. Essas exigências, especialmente o amor e a justiça, são indispensáveis porque sem elas o mundo não é transformado, as coisas não mudam. Por isso, a conclusão também retoma elementos do discurso da montanha. As palavras do noivo às virgens imprudentes recordam uma das sentenças de Jesus, pouco tempo depois de ter proclamado as bem-aventuranças: “Não é aquele que diz ‘Senhor, Senhor!’ que entrará no Reino dos Céus, mas aquele que faz a vontade do Pai que está nos céus” (Mt 7,21). E a vontade do Pai não se faz em um momento apenas, mas em toda a vida.

As cinco moças imprudentes que não alimentaram suficientemente suas lâmpadas com óleo representam aquelas pessoas que ao longo da vida não vivem as bem-aventuranças, imaginando que basta, de última hora, dizer “Senhor, Senhor!” para entrar no Reino. Tudo indica que na comunidade de Mateus havia muitas pessoas assim. Por isso, ele relembrou com muito cuidado as palavras de Jesus que pediam paciência, vigilância e perseverança: “Portanto, ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia nem a hora” (v. 13). Essa vigilância não significa longas vigílias de oração, mas uma vida cristã sadia, responsável e comprometida com o Reino. Enfim, é a vida segundo as bem-aventuranças o que caracteriza a pessoa como vigilante e prudente.

Pe. Francisco Cornelio F. Rodrigues – Diocese de Mossoró-RN

 

terça-feira, 3 de novembro de 2020

  • ANTIGO TESTAMENTO
    • A HISTÓRIA DESDE ADÃO ATÉ A FUNDAÇÃO DO JUDAÍSMO
      • SEGUNDO LIVRO DAS CRÔNICAS
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26

A política não está acima da religião -* 1 Todo o povo de Judá escolheu Ozias, que tinha dezesseis anos, e o proclamou rei no lugar de seu pai Amasias. 2 Foi ele quem reconstruiu Elat, que a reconquistou para Judá, depois que Amasias morreu. 3 Ozias tinha dezesseis anos quando subiu ao trono. E reinou cinqüenta e dois anos em Jerusalém. Sua mãe se chamava Jequelias e era natural de Jerusalém. 4 Fez o que Javé aprova, como seu pai Amasias tinha feito. 5 Ele buscou a Deus enquanto viveu Zacarias, que o instruía no temor de Deus. E enquanto buscava a Javé, Deus fez que ele prosperasse.

6 Ozias partiu para guerrear contra os filisteus e derrubou as muralhas de Gat, de Jabne e de Azoto. E reconstruiu cidades na região de Azoto e dos filisteus. 7 Deus o ajudou contra os filisteus, contra os árabes que moravam em Gur-Baal e contra os meunitas. 8 Os amonitas pagaram tributo a Ozias. E a fama dele se espalhou até à Entrada do Egito, pois ele se tornou muito poderoso.

9 Ozias construiu torres em Jerusalém, junto à porta do Ângulo, junto à porta do Vale e na Esquina, e as fortificou. 10 Construiu torres no deserto. Cavou muitos poços para seus numerosos rebanhos, que tinha na Planície e no Planalto. Possuía lavradores e vinhateiros na região montanhosa e nas terras de cultivo, porque gostava da agricultura.

11 Ozias tinha um exército treinado e pronto para a guerra, agrupado em batalhões, conforme o recenseamento feito pelo secretário Jeiel e pelo comissário Maasias. O exército estava sob as ordens de Hananias, um dos oficiais do rei. 12 Era de dois mil e seiscentos o número total dos chefes de família desses valentes guerreiros. 13 Sob o comando deles havia um exército bem treinado, composto de trezentos e sete mil e quinhentos homens aptos para a guerra, com força e coragem para defender o rei contra os inimigos. 14 E para todo o exército, Ozias providenciou escudos, lanças, capacetes, couraças, arcos, pedras e atiradeiras de pedras. 15 Em Jerusalém, mandou fazer máquinas especialmente inventadas para se colocar nas torres e ângulos, a fim de atirar flechas e pedras grandes. Assim, a fama de Ozias se espalhou até bem longe, pois a ajuda maravilhosa de Deus o fez poderoso.

16 Tornando-se ele poderoso, seu coração ficou cheio de orgulho, até se perder. Ele foi infiel a Javé seu Deus, e entrou no Santo de Javé para queimar incenso no altar dos perfumes. 17 O sacerdote Azarias e oitenta corajosos sacerdotes de Javé foram ao encontro dele, 18 colocaram-se frente a frente com o rei Ozias e lhe disseram: «Ozias, não é sua função queimar incenso para Javé. Somente os sacerdotes, descendentes de Aarão, foram consagrados para essa função. Saia do santuário, porque você pecou e não tem direito à glória de Javé Deus19 Ozias, que estava com o incensório na mão, ficou indignado. Na mesma hora em que ele se indignava diante dos sacerdotes, no Templo de Javé, junto ao altar dos perfumes, a lepra surgiu em sua testa. 20 O sumo sacerdote Azarias e os outros sacerdotes olharam e viram que a testa dele estava coberta de lepra. Imediatamente o expulsaram daí. O próprio Ozias se apressou em sair, porque Javé o tinha castigado. 21 O rei Ozias ficou leproso até o fim da vida. Por isso, permaneceu fechado num quarto, e foi proibido de entrar no Templo de Javé. Seu filho Joatão era chefe do palácio e governava o povo.

22 O resto da história de Ozias, do começo ao fim, está escrito no Livro do profeta Isaías, filho de Amós. 23 Ozias morreu e foi enterrado com seus antepassados no campo do cemitério real, pois diziam: «Ele é leproso». E seu filho Joatão lhe sucedeu no trono.




* 26,1-23: O governo do rei Ozias é promissor: desenvolvimento agrícola, progresso tecnológico e defesa militar bem aparelhada. Em outras palavras, o rei proporciona ao povo condições básicas de subsistência e segurança, o que, aliás, é função própria do governo. Os problemas surgem quando o poder político se embriaga e começa a tomar atitudes absolutistas, pretendendo assumir papel religioso dentro da sociedade. Quando o poder político se apossa do controle da religião, o povo perde toda possibilidade de criticar e impedir os abusos do poder.




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