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domingo, 31 de janeiro de 2021

Papa institui o Dia Mundial dos Avós e dos Idosos

São João Bosco e os Papas

Dom João Bosco: “Testemunho infinito sobre as obras e a vida do santo nos documentos dos papas desde Pio IX” Há mais de 150 anos o jornal “L’Osservatore Romano” mostra a coragem do santo, modelo de fraternidade para os jovens.

Cidade do Vaticano

Desde o primeiro artigo em 1869 o jornal “L’Osservatore Romano  – período que o santo está no auge de sua atividade apostólica – apresenta-o como o santo incansável e zeloso sacerdote. Os artigos sobre dom Bosco constituem os primeiros traçados de um testemunho infinito sobre as obras e a vida do santo nos documentos dos papas.

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Dom Bosco e Papa Francisco

“São João Bosco não foi procurar os jovens em qualquer lugar distante ou especial; simplesmente aprendeu a olhar, a ver tudo o que acontecia em redor na cidade e a vê-lo com os olhos de Deus, ficando impressionado com as centenas de crianças e de jovens abandonados, sem escola, sem trabalho e sem a mão amiga duma comunidade. Havia muita gente que vivia naquela mesma cidade, e muitos criticavam aqueles jovens, mas não sabiam vê-los com os olhos de Deus. Os jovens, é preciso vê-los com os olhos de Deus”. Com estas palavras papa Francisco recordou a obra de São João Bosco para os jovens durante a vigília de oração na Jornada Mundial da Juventude que se concluiu a pouco no Panamá.

“João Bosco – continuou o Papa -  fez isso e animou-se a dar o primeiro passo: abraçar a vida como ela se apresenta; e, a partir disto, não teve medo de dar o segundo passo: criar com eles uma comunidade, uma família onde se sentissem amados com trabalho e estudo, ou seja, dar-lhes raízes a que agarrar-se para poderem chegar ao céu, para poderem ser alguém na sociedade. Dar-lhes raízes onde se agarrar para não ser derrubados pelo primeiro vento que vem. Isto fez São João Bosco, isto fizeram os santos, isto fazem as comunidades que sabem ver os jovens com os olhos de Deus. Vocês, adultos, aceitam ver os jovens com os olhos de Deus?”

Pio IX, encontros desde 1869

De um artigo de 23 de janeiro de 1969 “Cem anos atrás Dom Bosco estava em Roma” o jornal destaca a chegada do santo em 1869 vindo de Florença para ser recebido pelo Papa Pio IX. Foi um encontro no qual “sublinhou a importância, para a sua obra, que a sociedade salesiana tivesse a aprovação pontifícia”. Sobre a amizade do santo com Pio IX foi publicado em setembro de 2000: “O santo foi vinte vezes a Roma e fez 15 viagens para ser recebido por Pio IX. O primeiro encontro foi na primavera de 1858”.

Paulo VI e o primeiro capítulo geral dos Salesianos

Com o pontificado de Paulo VI Dom Bosco tem uma forte ligação: no breve discurso publicado em 23 de maio de 1965 Paulo VI dirigiu-se aos participantes no Capítulo Geral da Sociedade Salesiana que pela primeira vez foi realizado em Roma: “Uma bela tradição é a premissa a ser feita para esta generosa Instituição Salesiana ao Sucessor de Pedro. De Pio IX a Leão XIII que encorajaram o fundador, até Pio XI – que muitas vezes amava recordar o seu encontro quando jovem com o Santo e que mais tarde o elevou às honras dos altares – até Pio XII e João XXIII, e hoje ao Santo Padre Paulo VI continua a tradição: a devota escuta por um lado à singular predileção por outro. Trata-se da confiança da Igreja pela Família religiosa de Dom Bosco (…) este amor do sucessor de Pedro por um sodalício que, desde o seu nascimento, quer se honrar na distintiva absoluta unidade com o Vigário de Jesus Cristo, que hoje teve uma confirmação esplêndida”.

João Paulo II: "Pai e mestre da juventude"

Mas foi João Paulo II, o Papa que criou as Jornadas Mundiais da Juventude, na carta Iuvenum patris, no centenário da morte do santo em 31 de janeiro de 1988, que fez um retrato conciso de São João Bosco, proclamando-o “Pai e Mestre da Juventude”. Um dos trechos do documento cita: “A sua grandeza de santo coloca-o, com originalidade, entre os grandes Fundadores dos Institutos religiosos da Igreja. Ele brilha em muitos aspectos: é o iniciador de uma verdadeira escola de nova e atraente espiritualidade apostólica; é o promotor de uma especial devoção a Maria, Auxiliadora dos cristãos e Mãe da Igreja, é testemunha de um leal e corajoso sentido eclesial, manifestado através de mediações delicadas nas então difíceis relações entre a Igreja e o Estado; é o apóstolo realista e prático, aberto ás novas descobertas, é o organizador zeloso das missões com sensibilidade verdadeiramente católica; é, de modo brilhante, o exemplo de um amor preferencial pelos jovens, especialmente pelos mais necessitados, pelo bem da Igreja e da Sociedade; é o mestre de uma eficaz e genial praxe pedagógico, deixada como um dom preciso a ser custodiado e desenvolvido”.

Bento XVI: "Preocupação pelas almas"

Bento XVI, em 2008, por ocasião do Capítulo Geral dos Salesianos, expressa-se nos seguintes termos sobre a obra de Dom Bosco: “’Salvar as almas, segundo a palavra de São Pedro, foi portanto a única razão de vida de Dom Bosco. O Beato Michele Rua, seu primeiro sucessor, sintetizou assim toda a vida do vosso amado Pai e Fundador: "Não moveu passo algum, não pronunciou palavras, não empreendeu obras que não tivessem por finalidade a salvação da juventude... Realmente a sua única preocupação eram as almas".

31 janeiro 2019, 10:12

 https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2019-01/sao-joao-bosco-papas-osservatore.html

 

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

 

Hora Nona de Sexta-feira da 3ª Semana do Tempo Comum

V. Vinde, ó Deus, em meu aulio.
R. Socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai e ao Filho e ao Esrito Santo. *
Como era no prinpio, agora e sempre. Amém. Aleluia.

Hino

Vós que sois o Imutável,
Deus fiel, Senhor da História,
nasce e morre a luz do dia,
revelando a vossa glória.

Seja a tarde luminosa
numa vida permanente.
E da santa morte o prêmio
nos dê glória eternamente.

Escutai-nos, ó Pai Santo,
pelo Cristo, nosso irmão,
que convosco e o Espírito
vive em plena comunhão.

Ou:

Cumprindo o ciclo tríplice das horas,
louvemos ao Senhor de coração,
cantando em nossos salmos a grandeza
de Deus, que é Uno e Trino em perfeição.

A exemplo de São Pedro, nosso mestre,
guardando do Deus vivo e verdadeiro,
em almas redimidas, o mistério,
sinal de salvação ao mundo inteiro,

também salmodiamos no espírito,
unidos aos apóstolos do Senhor,
e assim serão firmados nossos passos
na força de Jesus, o Salvador.

Louvor ao Pai, autor de toda a vida,
e ao Filho, Verbo Eterno, Sumo Bem,
unidos pelo amor do Santo Espírito,
Deus vivo pelos séculos. Amém.

Salmodia

Ant. 1 Nós o vimos desprezado e sem beleza,
homem das dores, habituado ao sofrimento.

Salmo 21(22)

Aflição do justo e sua libertação

Jesus deu um forte grito:  Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste? (Mt 27,46).

I

2 Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes? *
E ficais longe de meu grito e minha prece?
3 Ó meu Deus, clamo de dia e não me ouvis, *
clamo de noite e para mim não há resposta!

4 Vós, no entanto, sois o santo em vosso Templo, *
que habitais entre os louvores de Israel.
5 Foi em vós que esperaram nossos pais; *
esperaram e vós mesmo os libertastes.
6 Seu clamor subiu a vós e foram salvos; *
em vós confiaram e não foram enganados.

7 Quanto a mim, eu sou um verme e não um homem; *
sou o opróbrio e o desprezo das nações.
8 Riem de mim todos aqueles que me vêem, *
torcem os bios e sacodem a cabeça:
9 “Ao Senhor se confiou, ele o liberte *
e agora o salve, se é verdade que ele o ama!”

10 Desde a minha concepção me conduzistes, *
e no seio maternal me agasalhastes.
11 Desde quando vim à luz vos fui entregue; *
desde o ventre de minha mãe sois o meu Deus!
12 Não fiqueis longe de mim, porque padeço; *
ficai perto, pois não há quem me socorra!

Ant. Nós o vimos desprezado e sem beleza,
homem das dores, habituado ao sofrimento.

Ant. 2 Eles repartem entre si as minhas vestes,
e sorteiam entre si a minha nica.

II

13 Por touros numerosos fui cercado, *
e as feras de Basã me rodearam;
14 escancararam contra mim as suas bocas, *
como leões devoradores a rugir.

15 Eu me sinto como a água derramada, *
e meus ossos estão todos deslocados;
– como a cera se tornou meu coração, *
dentro do meu peito se derrete. –

=16 Minha garganta está igual ao barro seco, †
minha língua está colada ao céu da boca, *
e por vós fui conduzido ao pó da morte!
17 Cães numerosos me rodeiam furiosos, *
e por um bando de malvados fui cercado.

– Transpassaram minhas mãos e os meus pés *
18 e eu posso contar todos os meus ossos.
= Eis que me olham e, ao ver-me, se deleitam! †
19 Eles repartem entre si as minhas vestes *
e sorteiam entre si a minha túnica.

20 Vós, porém, ó meu Senhor, não fiqueis longe, *
ó minha força, vinde logo em meu socorro!
21 Da espada libertai a minha alma, *
e das garras desses cães, a minha vida!

22 Arrancai-me da goela do leão, *
e a mim tão pobre, desses touros que me atacam!
23 Anunciarei o vosso nome a meus irmãos *
e no meio da assembléia hei de louvar-vos!

Ant. Eles repartem entre si as minhas vestes,
e sorteiam entre si a minha nica.

Ant. 3 Que se prostrem e adorem o Senhor,

todos os povos e as falias das nações!

III

=24 Vós que temeis ao Senhor Deus, dai-lhe louvores; †
glorificai-o, descendentes de Jacó, *
e respeitai-o toda a raça de Israel!

25 Porque Deus não desprezou nem rejeitou *
a miria do que sofre sem amparo;
– não desviou do humilhado a sua face, *
mas o ouviu quando gritava por socorro.

26 Sois meu louvor em meio à grande assembléia; *
cumpro meus votos ante aqueles que vos temem!
=27 Vossos pobres vão comer e saciar-se, †
e os que procuram o Senhor o louvarão; *
“Seus corações tenham a vida para sempre!”

28 Lembrem-se disso os confins de toda a terra, *
para que voltem ao Senhor e se convertam,
– e se prostrem, adorando, diante dele, *
todos os povos e as famílias das nações.

29 Pois ao Senhor é que pertence a realeza; *
ele domina sobre todas as nações.
30 Somente a ele adorarão os poderosos, *
e os que voltam para o pó o louvarão.
– Para ele há de viver a minha alma, *
31 toda a minha descendência há de servi-lo;

– às futuras gerações anunciará *
32 o poder e a justiça do Senhor;
– ao povo novo que há de vir, ela dirá: *
“Eis a obra que o Senhor realizou!”

Ant. Que se prostrem e adorem o Senhor,
todos os povos e as falias das nações!

Leitura breve Ef 2,8-9

É pela graça que sois salvos, mediante a fé. E isso não vem de vós; é dom de Deus! Não vem das obras, para que ninguém se orgulhe.

V. Que na terra se conheça o seu caminho.

R. E a sua salvação por entre os povos.

Oração

Senhor Jesus Cristo, que fizestes o ladrão arrependido passar da cruz ao vosso Reino, aceitai a humilde confissão de nossas culpas e fazei que, no instante da morte, entremos com alegria no paraíso. Vós, que viveis e reinais para sempre.

Conclusão da Hora

V.Bendigamos ao Senhor.
R. Graças a Deus.

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Con Jesús por la mañana

Confiar en que el Señor conduce.

Inicia el día con espíritu confiado. La gracia del Señor actúa, aunque no veamos inmediatamente los frutos. «En las cosas necesarias, la unidad; en las dudosas, la libertad; y en todas, la caridad» (San Agustín). “La semilla germina y va creciendo, sin que él sepa cómo” (Mc 4, 26,34). Trabaja por la paz y la justicia sin esperar nada a cambio, dando lo mejor de ti. Agradece por los hermanos de la Red de Oración de Argentina que este mes nos ayudaron a rezar. Ofrece tu día por las intenciones del Papa. Padrenuestro…

 

 Com Jesus à Tarde

“Quando rezamos, falamos com Deus. Quando lemos a Sagrada Escritura, Deus fala connosco” (São Jerônimo). O hábito de ler a Palavra de Deus todos os dias muda a minha maneira de pensar sobre mim, as pessoas, as situações. Isso transforma o meu sentir, pois busco os mesmos sentimentos de Cristo. Em virtude disso modifico o meu modo de falar e agir. Quando busco a Deus devo lembrar-me que Ele mesmo é quem suscita esse desejo em meu coração. Ao meditar a sua Palavra, abro espaço para que Ele fale ao meu coração. Este é um exercício diário a ser aprendido. E, aos poucos, sem que me dê conta, vou assumindo a sua identidade.

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quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Artigo de Dom Walmor

Sábios e loucos

A sabedoria proverbial popular traz referência muito adequada para reflexões sobre o momento atual quando diz que “de sábio e de louco todo mundo tem um pouco”. De fato, a humanidade parece estar diante da bifurcação de um caminho que pode levá-la à loucura ou à sabedoria. A civilização está, pois, em momento decisivo de sua história. Vive esgotamentos sacrificantes que acentuam processos de loucura e, ao mesmo tempo, constituem interpelação para uma virada civilizatória. Para a mudança esperada, há necessidade de uma conquista sapiencial capaz de reerguer sociedades em queda e ajudar o ser humano a se recompor. A realidade exigente e pesada, vivida desde o ano passado, faz sombras à esperança do ano novo recentemente iniciado. Indica que é preciso recuperar, promover e defender a vida, em todas as suas etapas e circunstâncias. Diante dos muitos problemas vividos em todo o planeta, precisamos de respostas que requerem o tempero da sabedoria.

Na bifurcação entre a loucura e a sabedoria, a humanidade carece de sábios para conduzi-la nos processos de mudança, a partir de narrativas que possam desencadear ciclos diferentes na história. Levar a humanidade a novos caminhos é tarefa especialmente difícil quando se considera que tantas pessoas não conseguem desempenhar minimamente o próprio papel e corresponder às suas responsabilidades. Certamente, entre os veios da loucura contemporânea está a ambição por assumir um ofício, um papel, ocupar uma cadeira confiada a autoridades, julgando-se capaz, mas sem reunir as mínimas condições exigidas para a posição social almejada.  Também é sinal de insanidade querer defender princípios inegociáveis, mas cair em contradições comprometedoras, provando não ter qualificação para cumprir o que se propõe a fazer. Essas loucuras acabam por afetar as instituições, enfraquecendo-as, desgastando-as. Atrasam processos de reconstrução na sociedade, geram desgastes e desperdício de energia.

Falas desconexas dos que integram ou representam instituições não raramente são apreciadas por muitos, vistas por milhares, sinalizando o atual estado de loucura. Essas falas contribuem para acirrar posturas que são fruto de polarizações, alimentam extremismos, prejudicando a abertura de novos ciclos civilizatórios. Há, pois, lições a se aprender, para que cada vez mais cidadãos conquistem sabedoria e a humanidade seja curada, preservada dos horrores da loucura. Esse aprendizado é urgente, pois a insanidade chegou a tal nível que negacionismos, interpretações equivocadas ou tendenciosas, levam a humanidade a um percurso sem saída. Na história, não é novidade a coexistência de desvarios em contraponto com incontestáveis possibilidades para constituir uma realidade melhor. Trata-se da situação enfrentada pela sociedade brasileira, com seus cenários graves que precisam ser vencidos a partir de reconfigurações culturais e sociopolíticas.

Há de se buscar os diagnósticos das muitas loucuras que ameaçam o tecido social para que seja escolhida a estrada da sabedoria. Esse investimento é indispensável, semelhante a uma vacina, em um processo de imunização para garantir rumos novos a este tempo, com o aproveitamento inteligente de oportunidades e conquistas já garantidas pela civilização contemporânea. Para isso, são necessários os sábios, e não os loucos.

Sinaliza sabedoria a capacidade de gerar a união, articulando diferenças, delas fazendo riquezas. A sociedade precisa de cidadãos habilidosos na gestão de perspectivas divergentes, humanisticamente preparados para promover, continuamente, diálogos construtivos.  Cidadãos comprovadamente preparados para amar seu semelhante, sustentados por uma referência espiritual que ilumine suas visões e fecundem a capacidade para poder ouvir cada pessoa, particularmente os clamores dos deserdados e injustiçados deste mundo.  Muitos campos existenciais, a exemplo da política do bem, da economia solidária – na contramão daquela que mata -, podem contribuir para cultivar a sabedoria no ser humano. De modo especial, a espiritualidade tem importante papel para gestar a condição de sábio, e não de louco.

A genuína espiritualidade cristã tem propriedades para garantir equilíbrios e saúde mental, sentido social alicerçado em solidariedades, reverência e respeito à história, compromisso de se promover a vida de todos. Oportuno é retomar o que a espiritualidade cristã indica como experiência sapiencial: adotar estilo de vida profético e contemplativo que é fonte de duradoura alegria – livre de sensações efêmeras motivadas pelo consumismo; suplicar ao Criador – fonte única e inesgotável da sabedoria – que derrame bênçãos, copiosamente, em cada coração, tornando-o sábio, jamais louco.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte
Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)

Ilustração: Jornal Estado de Minas

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Janeiro 27 Tarde
1046 rezaram

Com Jesus à Tarde

“O contínuo descuido das imperfeições destrói e desfaz a perfeição” (São Francisco Xavier). O vigiar as minhas ações é justamente entender que não sou uma obra acabada, mas estou em contínuo aprendizado e melhoria. A oração me torna uma pessoa mais vigilante, atenta aos meus sentidos e aos impactos de minhas ações. É ela que me fortalece para vencer as tentações, caminhar com Cristo e buscar fazer tudo da melhor maneira possível. Peço ao Senhor que eu mantenha o zelo pelas suas coisas e assim coloque amor e cuidado em tudo o que realizo, sendo um ser humano melhor a cada dia.

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With Jesus during the day

Pause the day to calibrate your heart. With what spirit have you faced your responsibilities today? How have you lived the encounters with others? The Pope urges us to avoid a mechanical repetition of prayer, empty of concrete attitudes of love for others. “Service is never ideological, since ideas are not served, but people are served.” It is not about talking a lot, but about loving a lot and making love concrete in dedication and service to those who need it.

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40

SEGUNDO ISAÍAS

 

O novo Êxodo

O novo êxodo -* 1 Consolem, consolem o meu povo, diz o Deus de vocês. 2 Falem ao coração de Jerusalém, gritem para ela que se completou o tempo da sua escravidão, que o seu crime foi perdoado, que ela recebeu da mão de Javé o castigo em dobro por todos os seus pecados.

3 Uma voz grita: «Abram no deserto um caminho para Javé; na região da terra seca, aplainem uma estrada para o nosso Deus. 4 Que todo vale seja aterrado, e todo monte e colina sejam nivelados; que o terreno acidentado se transforme em planície, e as elevações em lugar plano. 5 Então se revelará a glória de Javé, e todo o mundo junto a verá, pois assim falou a boca de Javé».

6 Uma voz me diz: «Grite!» Eu respondo: «O que devo gritar?» E a voz me diz: «Todo ser humano é erva e toda a sua beleza é como a flor do campo: 7 a erva seca, a flor murcha, quando sobre elas sopra o vento de Javé; 8 a erva seca, a flor murcha, mas a palavra do nosso Deus se realiza sempre. 9 Suba a um monte alto, mensageira de Sião; levante bem alto a sua voz, mensageira de Jerusalém. Levante-a, não tenha medo. Diga às cidades de Judá: ‘Aqui está o Deus de vocês!’ 10 Vejam: o Senhor Javé chega com poder, e com seu braço ele detém o governo. Ele traz consigo o prêmio, e seus troféus o precedem. 11 Como um pastor, ele cuida do rebanho, e com seu braço o reúne; leva os cordeirinhos no colo e guia mansamente as ovelhas que amamentam».

Quem é como Javé? -* 12 Quem mediu toda a água do mar na concha da mão? Quem mediu a palmos o tamanho do céu? Quem mediu numa vasilha o da terra? Quem pesou as montanhas na balança e as colinas nos seus pratos? 13 Quem dirigiu o espírito de Javé, quem lhe sugeriu o seu projeto? 14 A quem pediu conselho para se instruir, para lhe ensinar o caminho do direito, para lhe ensinar a ciência e lhe indicar o caminho da inteligência? 15 Vejam: as nações são gotas num balde, e não valem mais que poeira num prato da balança. Vejam: as ilhas pesam como um grão de areia. 16 O Líbano não bastaria para acender o fogo, e suas feras não bastariam para um só holocausto. 17 Diante de Javé as nações são como se não existissem; para ele, não contam mais que o nada e o vazio. 18 Com quem vocês poderão comparar Deus? Que figura podem arrumar para representá-lo?

19 O escultor faz uma estátua; vem o ourives e a cobre de ouro e lhe solda correntes de prata. 20 Quem faz uma oferta pobre, escolhe madeira que não apodreça e procura um escultor hábil para fazer uma estátua que não se mova.

21 Vocês não sabem? Nunca ouviram falar? Não lhes foi avisado desde o começo? Vocês não entendem os fundamentos da terra? 22 Javé se assenta sobre o círculo da terra, e seus habitantes parecem bando de gafanhotos. Ele desdobra o céu como toldo, e o estende como tenda que sirva para morar. 23 Ele reduz a nada os poderosos e aniquila os governantes da terra. 24 Apenas são plantados, logo que são semeados ou a sua muda ainda nem está com raízes no chão, e Deus sopra por cima deles e eles secam, e a primeira ventania os carrega como palha. 25 Vocês, por acaso, podem me comparar com alguém que se pareça de verdade comigo? - pergunta o Santo. 26 Ergam os olhos para o céu e observem: quem criou tudo isso? Aquele que organiza e põe em marcha o exército das estrelas, chamando cada uma pelo nome. Tão grande é o seu poder e tão firme é a sua força, que ninguém deixa de se apresentar.

Javé sustenta os fracos e cansados -* 27 Jacó, por que você anda falando, e você, Israel, por que anda dizendo: «Javé desconhece o meu caminho e o meu Deus ignora a minha causa»? 28 Pois você não sabe? Acaso não ouviu falar? Javé é o Deus eterno; foi ele quem criou os confins do mundo. Ele não se cansa, nem se fatiga, e sua inteligência é insondável. 29 Ele ânimo ao cansado e recupera as forças do enfraquecido. 30 Até os jovens se fatigam e cansam, e os moços também tropeçam e caem, 31 mas os que esperam em Javé renovam suas forças, criam asas, como águias, correm e não se fatigam, podem andar que não se cansam.


* 40,1-11: Em pleno exílio, o profeta entrevê a alegria de Jerusalém ao saber que os exilados estão voltando. Terminou o tempo da escravidão e começa um novo êxodo. Javé caminha junto com o seu povo na ternura de um pastor que cuida do rebanho. É do fundo triste de uma escravidão sofrida que brota a esperança alegre e libertadora (cf. Ex 3,7-9). Os evangelhos sinóticos citam o texto para falar da libertação definitiva trazida por Jesus Cristo (cf. Mt 3,3; Mc 1,3; Lc 3,4).

* 12-26: Os exilados levantam uma objeção: «Frente aos outros deuses, quem é Javé para realizar um novo êxodo?» O profeta responde que Javé é o Senhor supremo do universo e da história; acima dele não há ninguém, e em suas mãos estão todas as coisas e acontecimentos; ele é o Deus vivo e o único autor da vida. Os outros deuses não passam de objetos impotentes, fabricados pela imaginação e técnica do homem. Javé faz e dirige tudo, enquanto que os ídolos são feitos e carregados.

* 27-31: Os exilados caíram no desânimo e pensam que Javé os abandonou: isso é outro empecilho para que o novo êxodo se realize. O profeta mostra que o mesmo Deus eterno que criou o mundo é quem dá forças ao cansado e firmeza aos fracos: ele sustenta todos aqueles que nele confiam.


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Papa: recordar o Holocausto para que não aconteça outra vez

domingo, 24 de janeiro de 2021

 

HORA SEXTA

Ant. 3 Que o Senhor e nosso Deus nos ilumine, aleluia!

III

19 Abri-me vós, abri-me as portas da justiça; *
quero entrar para dar graças ao Senhor!
20 “Sim, esta é a porta do Senhor, *
por ela só os justos entrarão!”
21 Dou-vos graças, ó Senhor, porque me ouvistes *
e vos tornastes para mim o Salvador!

22 “A pedra que os pedreiros rejeitaram, *
tornou-se agora a pedra angular.
23 Pelo Senhor é que foi feito tudo isso: *
Que maravilhas ele fez a nossos olhos!
24 Este é o dia que o Senhor fez para nós, *
alegremo-nos e nele exultemos!

25 Ó Senhor, dai-nos a vossa salvação, *
ó Senhor, dai-nos também prosperidade!”
26 Bendito seja, em nome do Senhor, *
aquele que em seus átrios vai entrando!
– Desta casa do Senhor vos bendizemos. *
27 Que o Senhor e nosso Deus nos ilumine!

– Empunhai ramos nas mãos, formai cortejo, *
aproximai-vos do altar, até bem perto!
28 Vós sois meu Deus, eu vos bendigo e agradeço! *
Vós sois meu Deus, eu vos exalto com louvores!
29 Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! *
“Eterna é a sua misericórdia!”

Ant. Que o Senhor e nosso Deus nos ilumine, aleluia!

Leitura breve Rm 8,22-23

Sabemos que toda a criação, até ao tempo presente, está gemendo como que em dores de parto. E não somente ela, mas nós também, que temos os primeiros frutos do Espírito, estamos interiormente gemendo, aguardando a adoção filial e a libertação para o nosso corpo.

V. Bendize, ó minha alma, ao Senhor!
R. Do sepulcro ele salva tua vida!

Oração

Deus eterno e todo-poderoso, dirigi a nossa vida segundo o vosso amor, para que possamos, em nome do vosso Filho, frutificar em boas obras. Por Cristo, nosso Senhor.

Conclusão da Hora

V.Bendigamos ao Senhor.
R. Graças a Deus.

 https://liturgiadashoras.online/comunidade/hora-sexta-do-3o-domingo-do-tempo-comum/

3º Domingo Do Tempo Comum

24 de Janeiro de 2021

Cor: Verde

1ª Leitura - Jn 3,1-5.10

Os ninivitas afastavam-se do mau caminho

Leitura da Profecia de Jonas 3,1-5.10


1A palavra do Senhor foi dirigida a Jonas,
pela segunda vez:
2'Levanta-te
e põe-te a caminho da grande cidade de Nínive
e anuncia-lhe a mensagem que eu te vou confiar'.
3Jonas pôs-se a caminho de Nínive,
conforme a ordem do Senhor.
Ora, Nínive era uma cidade muito grande;
eram necessários três dias para ser atravessada.
4Jonas entrou na cidade,
percorrendo o caminho de um dia;
pregava ao povo, dizendo:
'Ainda quarenta dias, e Nínive será destruída'.
5Os ninivitas acreditaram em Deus;
aceitaram fazer jejum, e vestiram sacos,
desde o superior ao inferior.
10Vendo Deus as suas obras de conversão
e que os ninivitas se afastavam do mau caminho,
compadeceu-se e suspendeu o mal
que tinha ameaçado fazer-lhes, e não o fez.
Palavra do Senhor.

Salmo - Sl 24,4ab-5ab.6-7bc.8-9 (R. 4a.5a)

R. Mostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos,
vossa verdade me oriente e me conduza!

4aMostrai-me, ó Senhor, vossos caminhos,*
4be fazei-me conhecer a vossa estrada!
5aVossa verdade me oriente e me conduza,*
5bporque sois o Deus da minha salvação.R.

6Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura *
e a vossa compaixão que são eternas!
7bDe mim lembrai-vos, porque sois misericórdia*
7ce sois bondade sem limites, ó Senhor!R.

8O Senhor é piedade e retidão,*
e reconduz ao bom caminho os pecadores.
9Ele dirige os humildes na justiça,*
e aos pobres ele ensina o seu caminho.R.

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 Meditação Diária

24 jan
Dom, 24 – Domingo III do Tempo Comum – Ano B / Domingo da Palavra de Deus / 7º Dia da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos

Jon 3, 1-5.10 / Slm 24 (25), 4bc-5ab.6-7bc.8-9 / 1 Cor 7, 29-31 / Mc 1, 14-20

O profeta Jonas é enviado por Deus a Nínive, uma cidade hostil a Israel, para comunicar que a ira divina se iria desencadear contra ela: «Daqui a quarenta dias, Nínive será destruída». Os habitantes tomaram a sério o aviso profético, fizeram penitência e converteram-se. Assim, Deus desistiu do seu castigo e poupou os ninivitas de uma desgraça coletiva. Israel, que Jonas representa, teve ocasião de aprender que Deus não é vingativo, mas generoso no perdão e que transborda misericórdia. Além disso, os outros povos não são inimigos a derrotar, mas irmãos a ajudar e amar. Todos precisamos de aprender de Deus o modo como tratar os nossos próximos, mesmo que sejam muito diferentes de nós.

O apóstolo Paulo adverte-nos sobre a brevidade do tempo presente. Há que saber aproveitá-lo o melhor possível, mas recordando sempre que é transitório e que somos peregrinos em direção à eternidade. Viver com paixão o tempo que nos é dado, mas libertos da prisão de quem fica escravo das coisas e do presente. A nossa vida é como uma peça de teatro que não admite ensaios. Há que levar a sério cada cena, vivendo-a como se fosse a última.

O Evangelho apresenta-nos a cena em que Cristo chama os primeiros apóstolos. É uma ocasião apropriada para examinarmos a nossa vida cristã como resposta ao chamamento que Cristo nos faz hoje. Não nos fixarmos apenas a momentos especiais da nossa vida em que sentimos o chamamento do Senhor e tomámos decisões que estruturam a nossa vida. Cada dia deve ser encarado como uma atualização da nossa vocação cristã.

O Papa Francisco convocou a Igreja para, em cada 3.º Domingo do Tempo Comum, celebrar o «Domingo da Palavra de Deus». Deus tem mensagens de amor para nos comunicar. Aproveitamos o tesouro da Palavra de Deus? No nosso dia a dia, que importância damos à Sagrada Escritura, à Bíblia? Lemos e rezamos alguma passagem do que Deus nos comunica na sua Palavra, por exemplo, as leituras que a liturgia nos apresenta? Recordemos o que nos diz o Concílio Vaticano II: «Nos Livros Sagrados, o Pai que está nos céus vem amorosamente ao encontro dos seus filhos, a conversar com eles; e é tão grande a força e a virtude da Palavra de Deus que se torna apoio vigoroso da Igreja, solidez da fé para os filhos da Igreja, fonte pura e perene de vida espiritual» (Dei Verbum, 21).

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Papa recorda sem-teto morto de frio


Mensagem do Papa para a Assembleia Eclesial da América Latina e Caribe

domingo, 17 de janeiro de 2021

Papa: o verdadeiro encontro com Jesus nunca se esquece

 

Meditação Diária
17 jan
Dom, 17 – Domingo II do Tempo Comum – Ano B

1 Sam 3, 3b-10.19 / Slm 39 (40), 2.4ab.7-11 / 1 Cor 6, 13c-15a.17-20 / Jo 1, 35-42

Como a Samuel, o Senhor chama-nos pelo nosso nome, pois somos únicos para Deus. Como sublinha um autor, para Deus não há ninguém anónimo ou de rosto desconhecido, porque «Deus só sabe contar até um» (André Frossard).

Trata-se de um chamamento interior, na intimidade do nosso coração. Importa estar atentos e discernir que não é uma voz qualquer, mas a do próprio Senhor. São apelos interiores para evitar o mal e fazer o bem; são moções na nossa consciência para seguirmos o que Deus quer de nós, com exigências sempre a nosso favor e ao serviço dos que precisam de nós. «Falai, Senhor, que o vosso servo escuta» – deve ser a nossa resposta, imitando a disponibilidade de Samuel.

São Paulo escreve aos cristãos de Corinto, cidade que tinha a fama de ser libertina e imoral. Adverte que seguir a Jesus tem exigências concretas de um estilo de vida guiado pelo amor e não pelo egoísmo desgovernado por baixos instintos. Sendo o nosso corpo «templo do Espírito Santo», há que evitar os pecados que são como sacrilégio e profanação. Importa, pois, «glorificar a Deus no nosso corpo». Assim, os cuidados com a nossa higiene, alimentação e saúde têm a alta dignidade de obras de restauro e embelezamento do templo de Deus que somos nós.

No Evangelho encontramos o chamamento dos primeiros discípulos, que o evangelista João situa junto ao rio Jordão, onde João Batista exercia a sua missão de precursor. Foi ele que indicou a André e a seu irmão Pedro a presença do Messias: «Eis o Cordeiro de Deus». E seguiram Jesus, que é sempre uma aventura, sem mapa nem agenda. «Onde moras?», perguntaram os discípulos. «Vinde ver», respondeu Jesus. O mesmo Senhor nos desafia hoje a segui-lo, cada um segundo o seu estado e modo concreto. A nossa vida cristã não pode ser vivida em autogestão, por conta própria, mas deve ser sempre uma resposta ao chamamento quotidiano de Jesus.

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Com Jesus pela Manhã

Agradeço este momento de encontro com Jesus na oração. Escuto o eco da pergunta que Jesus fez aos discípulos que o seguiam: “Que buscais?” (Jo 1, 42). E eu? Que procuro em Jesus? O que espero d’Ele? Que angústias e esperanças me movem? Quem é Jesus para mim? Renovo o meu desejo de seguir o caminho de Jesus ao longo deste dia, procurando construir pontes com pessoas que não pensam e rezam como eu. Ofereço o meu dia pela intenção do Santo Padre para este mês. Glória…

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quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE PAPA FRANCISCO
PARA O XXIX DIA MUNDIAL DO DOENTE

 

«Um só é o vosso Mestre e vós sois todos irmãos» (Mt 23, 8). A relação de confiança, na base do cuidado dos doentes

 

Queridos irmãos e irmãs!

A celebração do XXIX Dia Mundial do Doente que tem lugar a 11 de fevereiro de 2021, memória de Nossa Senhora de Lurdes, é momento propício para prestar uma atenção especial às pessoas doentes e a quantos as assistem quer nos centros sanitários quer no seio das famílias e comunidades. Penso de modo particular nas pessoas que sofrem em todo o mundo os efeitos da pandemia do coronavírus. A todos, especialmente aos mais pobres e marginalizados, expresso a minha proximidade espiritual, assegurando a solicitude e o afeto da Igreja.

1. O tema deste Dia inspira-se no trecho evangélico em que Jesus critica a hipocrisia de quantos dizem mas não fazem (cf. Mt 23, 1-12). Quando a fé fica reduzida a exercícios verbais estéreis, sem se envolver na história e nas necessidades do outro, então falha a coerência entre o credo professado e a vida real. O risco é grave; Jesus, para acautelar do perigo de derrapagem na idolatria de si mesmo, usa expressões fortes e afirma: «Um só é o vosso Mestre e vós sois todos irmãos» (23, 8).

Esta crítica feita por Jesus àqueles que «dizem e não fazem» (23, 3) é sempre salutar para todos, pois ninguém está imune do mal da hipocrisia, um mal muito grave, cujo efeito é impedir-nos de desabrochar como filhos do único Pai, chamados a viver uma fraternidade universal.

Como reação à necessidade em que versa o irmão e a irmã, Jesus apresenta um modelo de comportamento totalmente oposto à hipocrisia: propõe deter-se, escutar, estabelecer uma relação direta e pessoal, sentir empatia e enternecimento, deixar-se comover pelo seu sofrimento até lhe valer e servir (cf. Lc 10, 30-35).

2. A experiência da doença faz-nos sentir a nossa vulnerabilidade e, ao mesmo tempo, a necessidade natural do outro. Torna ainda mais nítida a nossa condição de criaturas, experimentando de maneira evidente a nossa dependência de Deus. De facto, quando estamos doentes, a incerteza, o temor e, por vezes, o pavor impregnam a mente e o coração; encontramo-nos numa situação de impotência, porque a saúde não depende das nossas capacidades nem do nosso afã (cf. Mt 6, 27).

A doença obriga a questionar-se sobre o sentido da vida; uma pergunta que, na fé, se dirige a Deus. Nela, procura-se um significado novo e uma direção nova para a existência e, por vezes, pode não encontrar imediatamente uma resposta. Os próprios amigos e familiares nem sempre são capazes de nos ajudar nesta busca afanosa.

Emblemática a este respeito é a figura bíblica de Job. A esposa e os amigos não conseguem acompanhá-lo na sua desventura; antes, acusam-no aumentando nele solidão e desorientamento. Job cai num estado de abandono e confusão. Mas é precisamente através desta fragilidade extrema, rejeitando toda a hipocrisia e escolhendo o caminho da sinceridade para com Deus e os outros, que faz chegar o seu grito instante a Deus, que acaba por responder abrindo-lhe um novo horizonte: confirma que o seu sofrimento não é uma punição nem um castigo, tal como não é distanciamento de Deus nem sinal de indiferença d’Ele. E assim, do coração ferido e recuperado de Job, brota aquela vibrante e comovente declaração ao Senhor: «Os meus ouvidos tinham ouvido falar de Ti, mas agora veem-Te os meus próprios olhos» (Job 42, 5).

3. A doença tem sempre um rosto, e até mais do que um: o rosto de todas as pessoas doentes, mesmo daquelas que se sentem ignoradas, excluídas, vítimas de injustiças sociais que lhes negam direitos essenciais (cf. Enc. Fratelli tutti, 22). A atual pandemia colocou em evidência tantas insuficiências dos sistemas sanitários e carências na assistência às pessoas doentes. Viu-se que, aos idosos, aos mais frágeis e vulneráveis, nem sempre é garantido o acesso aos cuidados médicos, ou não o é sempre de forma equitativa. Isto depende das opções políticas, do modo de administrar os recursos e do empenho de quantos revestem funções de responsabilidade. O investimento de recursos nos cuidados e assistência das pessoas doentes é uma prioridade ditada pelo princípio de que a saúde é um bem comum primário. Ao mesmo tempo, a pandemia destacou também a dedicação e generosidade de profissionais de saúde, voluntários, trabalhadores e trabalhadoras, sacerdotes, religiosos e religiosas: com profissionalismo, abnegação, sentido de responsabilidade e amor ao próximo, ajudaram, trataram, confortaram e serviram tantos doentes e os seus familiares. Uma série silenciosa de homens e mulheres que optaram por fixar aqueles rostos, ocupando-se das feridas de pacientes que sentiam como próximo em virtude da pertença comum à família humana.

Com efeito, a proximidade é um bálsamo precioso, que dá apoio e consolação a quem sofre na doença. Enquanto cristãos, vivemos uma tal proximidade como expressão do amor de Jesus Cristo, o bom Samaritano, que, compadecido, Se fez próximo de todo o ser humano, ferido pelo pecado. Unidos a Ele pela ação do Espírito Santo, somos chamados a ser misericordiosos como o Pai e a amar, de modo especial, os irmãos doentes, frágeis e atribulados (cf. Jo 13, 34-35). E vivemos esta proximidade pessoalmente, mas também de forma comunitária: na realidade, o amor fraterno em Cristo gera uma comunidade capaz de curar, que não abandona ninguém, que inclui e acolhe sobretudo os mais frágeis.

A propósito, quero recordar a importância da solidariedade fraterna, que se manifesta concretamente no serviço, podendo assumir formas muito diferentes mas todas elas tendentes a apoiar o próximo. «Servir significa cuidar dos frágeis das nossas famílias, da nossa sociedade, do nosso povo». Neste compromisso, cada um é capaz de, «à vista concreta dos mais frágeis (...), pôr de lado as suas exigências e expectativas, os seus desejos de omnipotência (...): o serviço fixa sempre o rosto do irmão, toca a sua carne, sente a sua proximidade e, em alguns casos, até “padece” com ela e procura a promoção do irmão. Por isso, o serviço nunca é ideológico, dado que não servimos ideias, mas pessoas» (Francisco, Homilia em Havana, 20/IX/2015).

4. Para haver uma boa terapia é decisivo o aspeto relacional, através do qual se pode conseguir uma abordagem holística da pessoa doente. A valorização deste aspeto ajuda também os médicos, enfermeiros, profissionais e voluntários a ocuparem-se daqueles que sofrem para os acompanhar ao longo do itinerário de cura, graças a uma relação interpessoal de confiança (cf. Nova Carta dos Agentes da Saúde, 2016, 4). Trata-se, pois, de estabelecer um pacto entre as pessoas carecidas de cuidados e aqueles que as tratam; um pacto baseado na confiança e respeito mútuos, na sinceridade, na disponibilidade, de modo a superar toda e qualquer barreira defensiva, colocar no centro a dignidade da pessoa doente, tutelar o profissionalismo dos agentes de saúde e manter um bom relacionamento com as famílias dos doentes.

Tal relação com a pessoa doente encontra uma fonte inesgotável de motivações e energias precisamente na caridade de Cristo, como demonstra o testemunho milenar de homens e mulheres que se santificaram servindo os enfermos. Efetivamente, do mistério da morte e ressurreição de Cristo, brota aquele amor que é capaz de dar sentido pleno tanto à condição do doente como à da pessoa que cuida dele. Assim o atesta muitas vezes o Evangelho quando mostra que as curas realizadas por Jesus nunca são gestos mágicos, mas fruto de um encontro, uma relação interpessoal, em que ao dom de Deus, oferecido por Jesus, corresponde a fé de quem o acolhe, como se resume nesta frase que Jesus repete com frequência: «A tua fé te salvou».

5. Queridos irmãos e irmãs, o mandamento do amor, que Jesus deixou aos seus discípulos, encontra uma realização concreta também no relacionamento com os doentes. Uma sociedade é tanto mais humana quanto melhor souber cuidar dos seus membros frágeis e atribulados e o fizer com uma eficiência animada por amor fraterno. Tendamos para esta meta, procurando que ninguém fique sozinho, nem se sinta excluído e abandonado.

Todas as pessoas doentes, os agentes da saúde e quantos se prodigalizam junto dos que sofrem, confio-os a Maria, Mãe de Misericórdia e Saúde dos Enfermos. Que Ela, da Gruta de Lurdes e dos seus inumeráveis santuários espalhados por todo o mundo, sustente a nossa fé e a nossa esperança e nos ajude a cuidar uns dos outros com amor fraterno. A todos e cada um concedo, de coração, a minha bênção.

Roma, em São João de Latrão, no IV Domingo de Advento, 20 de dezembro de 2020.

 

Francisco

 



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