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terça-feira, 29 de agosto de 2023
domingo, 20 de agosto de 2023
MEDITAÇÃO DIÁRIA
DIA 20 | DOMINGO – DOMINGO XX DO TEMPO COMUM – ANO A

Is 56, 1.6-7 / Slm 66 (67), 2-3.5.6.8 / Rom 11, 13-15.29-32 / Mt 15, 21-28
Surge uma mulher, aos berros, a pedir a ajuda de Jesus. Jesus parece ignorá-la. Ela insiste, persiste e Jesus dá uma resposta que nos soa estranha, pouco fiel a quem Ele é: «não é justo que se tome o pão dos filhos para o lançar aos cachorrinhos». Jesus parece discriminar esta mulher por ser cananeia e não israelita.
A cananeia desarma Jesus, dizendo: «mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seus donos». Rude despertar este! Quantas vezes guardamos a graça para uso pessoal, deixando somente um ou outro conhecido usufruí-la? Esta mulher recorda-nos algo fundamental: a graça é para todos! A graça que Jesus nos dá, sendo um dom pessoal de Deus, é um dom para todo o mundo. É sempre um dom para os outros.
«Dinheiro gera dinheiro», costuma dizer-se; não é assim com a graça: a graça não gera graça. A graça tem uma física invertida: quanto mais acumulamos, mais se perde. Quando tentamos guardar a graça recebida, ela impede a fonte de continuar a jorrar. O nosso Deus não é nem gestor, nem administrador: o nosso Deus é amor. E não sabe fazer outra coisa senão amar. A graça não se gere: dá-se!
Desconheço o que motiva o coração de Jesus neste encontro com a cananeia. Gosto de pensar que foi uma forma de ajudar os discípulos a reconhecer a importância de ir a outros lugares, a outras margens. No domingo passado, eles queriam ficar entre conhecidos e Jesus teve de os obrigar a entrar no barco para acudir outras pessoas; neste domingo, são eles quem «obriga» Jesus a abrandar o passo para ajudar.
Que o Evangelho deste domingo nos abra o coração. Sejamos generosos com a graça que Deus nos dá. Não a tentemos proteger, nem preservar. Porque tudo o que se guarda, estraga-se. Tudo o que se acumula, perde-se. Tudo o que se dá, multiplica-se.
domingo, 6 de agosto de 2023
Meditação Diária
Dia 6 | Domingo – Transfiguração do Senhor (Festa) / Último Dia da Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023

Dan 7, 9-10.13-14 / Slm 96 (97), 1-2.5-6.9.12 / 2 Pe 1, 16-19 / Mt 17, 1-9
A luz é o invisível no qual tudo se torna visível. É o que não se vê e sem o qual não conseguimos ver. No episódio da Transfiguração, a luz é a graça do Espírito, que vem para recordar a gloriosa meta da nossa vida: o amor e comunhão plena, com todos, em Deus.
No Evangelho deste domingo, Jesus sobe ao monte Tabor com três discípulos. Pedro, Tiago e João devem imaginar que vão rezar com Ele, como era comum. Ocorre então algo que os surpreende: a Transfiguração de Jesus, uma fugaz aparição da luz da Ressurreição.
No cume do Tabor, as fronteiras do tempo colapsam: passado, presente e futuro encontram-se naquele instante. Elias e Moisés, profetas de outros tempos, aparecem e falam com Jesus. Elias, o maior dos profetas, dirige-se à Palavra de Deus, Jesus. Moisés, aquele que recebeu a Lei, fala com Jesus, a Lei feita carne.
Através destes profetas, o passado do povo escolhido faz-se presente; e o presente está lá, representado por Pedro, Tiago e João. É deste encontro que se abre a possibilidade de futuro, pois aqueles que anunciaram o amor de Deus e aqueles que testemunharão o amor feito carne encontram-se no Tabor, em torno de Jesus, o Filho do Pai.
Hoje, nas margens do Tejo, toda a Igreja está reunida no encontro de Pedro com a juventude do mundo. No centro deste encontro está a luz de Cristo, a luz do Senhor que vem, que se faz presente para transfigurar todos na luz do seu amor. E cada um de nós, participando na mesma Eucaristia de Jesus, está também com eles. Este é o Milagre de cada Eucaristia, que hoje ganha um sabor particular a luz.
Em todas as Eucaristias, na luz da graça, o passado faz-se presente e o agora ruma ao futuro, ao que está por vir. Deixemos que a luz da Transfiguração nos toque e nos levante do chão, tal como Jesus faz hoje com os discípulos. No meio dos nossos afazeres, das nossas dores, dos nossos lamentos, subamos ao Tabor, a Eucaristia, e aceitemos o convite a descer com o Senhor, banhados pela luz da graça, disponíveis para ser luz.