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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

I. CORRUPÇÃO DE UM POVO
Quase tudo perdido! -* 2 Escutem, céus; ouça, ó terra! Javé é quem fala: Eu criei e eduquei filhos, mas eles se revoltaram contra mim. 3 O boi conhece o seu proprietário, e o burro a cocheira do seu dono, mas Israel não conhece nada, o meu povo não entende.
O retorno da justiça -* 21 Como se transformou em prostituta a cidade fiel! Antes era cheia de direito, e nela morava a justiça; agora, está cheia de criminosos! 22 A sua prata se tornou lixo, o seu vinho ficou aguado. 23 Os seus chefes são bandidos, cúmplices de ladrões: todos eles gostam de suborno, correm atrás de presentes; não fazem justiça ao órfão, e a causa da viúva nem chega até eles.
24 Pois bem! Ai de vocês! - oráculo do Senhor Javé dos exércitos, o Poderoso de Israel. Eu me vingarei dos meus inimigos e pedirei satisfação aos meus adversários. 25 Voltarei a minha mão contra você, para limpá-la da sujeira com soda e tirar a impureza. 26 Darei a você juízes como os de antes e conselheiros como os de antigamente. Então você se chamará cidade da justiça, cidade fiel.


* 1-5: Para compreender estes cinco capítulos, é importante ter presente o contexto histórico (cf., na Introdução ao Primeiro Isaías, a parte referente ao primeiro período da atividade do profeta). Isaías reage de forma enérgica à disparidade social que ele constata dentro do seu país, e critica violentamente a falsa piedade e as práticas religiosas que escondem opressão. Mostra como a prosperidade não baseada na fraternidade é falsa e provoca um orgulho idólatra, que leva ao esquecimento de Javé, o único Absoluto, o único Santo.
1,1: Estas referências valem apenas para Is 1-39. O nome Isaías significa Javé salva.


* 2-9: É, provavelmente, um dos últimos oráculos de Isaías. Foi colocado aqui pelo redator do livro como uma espécie de texto programático de toda a mensagem do profeta: a corrupção do país provocou a invasão do inimigo; salva-se apenas um resto.

* 10-20: Isaías condena a hipocrisia de uma sociedade que se contenta com exterioridades cultuais, sem conseqüência para a vida prática. Deus detesta o culto realizado por uma sociedade que se estrutura sobre a injustiça. O que Deus quer, em primeiro lugar, é uma vida social que defenda os fracos (órfão e viúva) e liberte os oprimidos. E Deus não obriga; ele convida o homem a se decidir: a conversão e a vida ou a teimosia e a morte.

* 21-31: Na cidade de Jerusalém impera a injustiça porque os chefes se corromperam, tornando-se inimigos dos oprimidos e, portanto, do próprio Deus. O profeta vê que a justiça voltará à cidade somente quando os chefes corruptos forem substituídos por governantes e juízes como os de antigamente. Os vv. 27-31 provavelmente são um acréscimo que não se enquadra bem no estilo e pensamento global da primeira parte do livro.
 
ANTIGO TESTAMENTO
LIVROS PROFÉTICOS
 
EZEQUIEL 
I. A VOCAÇÃO PROFÉTICA
Javé presente no exílio -* 1 No dia cinco do quarto mês do ano trinta, estando eu junto com os exilados à beira do rio Cobar, de repente se abriram os céus e eu tive visões divinas. 2 No dia cinco do mês, no ano cinco do exílio do rei Jeconias, 3 a palavra de Javé foi dirigida ao sacerdote Ezequiel, filho de Buzi, no país dos caldeus, às margens do rio Cobar. Aí Javé colocou a mão sobre ele.
A experiência do Deus vivo -* 4 Eu vi o seguinte: Do lado norte soprava um forte vento. Foi então que eu vi uma grande nuvem e um turbilhão de fogo. Havia claridade em torno da nuvem e, no centro, um brilho faiscante, bem no meio do fogo. 5 Do meio da nuvem surgiu algo parecido com quatro animais, e cada um lembrava também uma forma humana. 6 Cada um tinha quatro rostos e quatro asas. 7 Suas pernas eram retas e seus cascos pareciam cascos de boi, só que eram brilhantes como bronze polido. 8 Debaixo das asas saíam mãos humanas pelos quatro lados. Seus rostos e asas também estavam voltados para as quatro direções. 9 A asa de cada um encostava na asa do outro. Ao se movimentarem, eles não se viravam, mas cada um ia para a frente. 10 O rosto deles era parecido com o rosto de um homem. Do lado direito tinham aparência de leão, e do lado esquerdo tinham aparência de touro. Os quatro tinham também aparência de águia. 11 As asas abriam-se para cima. Duas chegavam a encostar na asa do outro, e duas cobriam o corpo. 12 Todos se moviam para a frente, seguindo a direção para a qual o vento os conduzia. Enquanto se moviam, nunca se voltavam para os lados.
15 Observando, vi uma roda no chão, ao lado de cada um dos quatro animais. 16 No aspecto e estrutura, as rodas tinham o brilho do topázio. O formato de uma era o formato das quatro; o aspecto e estrutura delas eram como se uma roda estivesse no meio da outra. 17 Rodavam para os quatro lados sem precisar virar. 18 O aro delas era muito grande e estava cheio de olhos por toda a volta. E isso, nas quatro rodas. 19 Quando os animais se moviam, as rodas se moviam junto com eles; quando os animais se levantavam, as rodas também se levantavam. 20 Na direção para onde ia o vento, iam as rodas. Elas subiam junto com os animais, porque o espírito dos animais estava nas rodas. 21 Quando os animais andavam, as rodas andavam também; quando os animais paravam, as rodas também paravam; quando eles se levantavam do chão, as rodas também se levantavam, porque o espírito dos animais estava nas rodas.
22 Por cima da cabeça dos animais havia uma coisa parecida com uma cúpula de cristal brilhante, estendida por cima da cabeça dos animais. 23 Sob a cúpula, suas asas ficavam voltadas uma para a outra, e cada animal tinha suas asas cobrindo-lhe o corpo. 24 O barulho de suas asas, que eu escutei, parecia o estrondo de águas torrenciais, como a voz do Todo-poderoso. Quando se moviam, ouvia-se um barulho como que de tempestade, como de acampamento. E quando paravam, abaixavam as asas.



* 1,1-3: A atividade de Ezequiel como profeta inicia, provavelmente, no ano 593 a.C., em pleno exílio da Babilônia, depois da primeira deportação (597 a.C.). O rio Cobar é um dos afluentes do Eufrates. Nessa região, grupos de israelitas se fixaram como colonos. Note-se que a profecia não se prende a uma região determinada: ela se manifesta onde haja pessoas voltadas para o projeto de Deus. * 4-28: A vocação profética sempre inicia com alguma experiência de Deus, profunda e inexprimível. Para exprimir a experiência que o levou à missão, Ezequiel usa o gênero literário da teofania (descrição da manifestação de Deus através de furacão, nuvens, tempestade, relâmpagos). É difícil, até mesmo impossível, reconstruir, ou sequer imaginar, o que ele descreve. O importante é perceber que Ezequiel, no exílio, tem a experiência do Deus vivo presente e pronto para agir. Todo o aparato da teofania é um modo de sugerir o mistério da presença e ação divina. O trono mostra que Deus é rei e juiz: ele é o Senhor que governa a história e realiza o julgamento de todos os povos. A reação humana é de total impotência (v. 28).
Não podemos ficar impressionados com o modo pelo qual um profeta descreve sua experiência de Deus. Todos somos chamados a exercer o profetismo, mas ninguém fique esperando aparições grandiosas para se sentir impelido. A ação de Deus se manifesta através de acontecimentos e situações: é no discernimento da realidade e no compromisso com o projeto de Deus que descobrimos sua presença, palavra e ação.
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SALMO 19 (18) *
A ordem que Deus quer
1         Do mestre de canto. Salmo. De Davi.
2*       O céu manifesta a glória de Deus, e o firmamento proclama a obra de suas mãos.
3         O dia passa a mensagem para outro dia, a noite a sussurra para a outra noite.
4         Sem fala e sem palavras, sem que a sua voz seja ouvida,
5         a toda a terra chega o seu eco, aos confins do mundo a sua linguagem.
Aí ele pôs uma tenda para o sol,
6                     e este sai, qual esposo de seu quarto,
7                     Ele sai de um extremo do céu,
e o seu percurso vai até o outro lado; nada escapa ao seu calor.
8*       A lei de Javé é perfeita, um descanso para a alma.
9         Os preceitos de Javé são retos, alegria para o coração.
O mandamento de Javé é transparente, é luz para os olhos.
10        O temor de Javé é puro e estável para sempre.
11        São mais desejáveis do que ouro, mais do que ouro refinado.
12*     Com elas, também teu servo se esclarece, e observá-las traz grande proveito.
13        Quem pode discernir os próprios erros? Purifica-me das faltas escondidas!
14        Preserva do orgulho o teu servo, para que ele nunca me domine: deste modo eu serei íntegro, inocente de uma grande transgressão.
15        Que te agradem as palavras da minha boca, e o meditar do meu coração chegue à tua presença, Javé, minha rocha e redentor!



* Sl 19: Hino de louvor, em estilo sapiencial, enaltecendo a glória de Deus, que criou a ordem da natureza e do mundo humano. * 2-7: A ordem e beleza do universo são como silencioso e contínuo louvor ao Criador. O homem humaniza a natureza, articulando esse louvor com suas próprias palavras. * 8-11: A harmonia do mundo humano é criada pela palavra de Deus. Esta, como lei ou instrução, ensina a humanidade a viver na fraternidade e na justiça. * 12-15: A harmonia criada por Deus pode ser perturbada ou destruída pelo orgulho, que gera todo tipo de erros e crimes. Essa harmonia da criação é convite para que o homem se converta e se torne íntegro.



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Postado às 18he32min - 13/02/2020


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