Meditação Diária

Num 11, 25-29 / Slm 18 (19), 8.10.12-14 / Tg 5, 1-6 / Mc 9, 38-43.45.47-48
Tanto no livro dos Números como no Evangelho, aparece a pretensão de alguns quererem que outros não sejam considerados, não tenham qualidades especiais, porque isso os incomoda, fazendo-lhes sombra. Trata-se do ciúme e da inveja, que são vícios que podem corromper o nosso coração. O bem a fazer não tem patrões nem donos. Todos somos chamados a estimar as qualidades e virtudes que existem nos nossos próximos, que nos completam, e assim todos ficamos mais enriquecidos. Cultivo na minha família, comunidade e grupo de trabalho ou convívio, a estima recíproca, a mútua consideração, o apreço pelo que há de bom nas outras pessoas, naquilo que são e no que fazem?
Na carta de São Tiago encontramos um veemente apelo aos ricos que, em vez de acumularem histórias de solidariedade e ajuda, multiplicam casos de injustiça e corrupção que bradam aos céus. É uma página de gritante doutrina social, de há vinte séculos, mas cheia de atualidade. São Tiago, evidentemente, não se manifesta contra os ricos, mas sim contra o mau uso das riquezas, de quem explora os trabalhadores e faz da injustiça o meio de se tornar ainda mais rico. Uso aquilo que tenho, que sei e posso, para ajudar e servir aqueles que são os meus próximos?
Cristo arrisca fazer esta promessa: «Quem vos der a beber um copo de água, por serdes de Cristo, em verdade vos digo que não perderá a sua recompensa». Dar um copo de água é um gesto muito simples e comum. Mas o Senhor garante que o recompensará. Vai na linha da solene afirmação do juízo final: «o que fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos a mim o fizestes». Cristo identifica-se connosco. Somos muito mais do que nós mesmos. Somos Cristo em nós.
O Senhor Jesus exorta-nos, com imagens de estrutural radicalidade, a dar bom exemplo e a evitar tudo o que possa ser motivo de escândalo. É que ser ocasião de escândalo é algo tão grave como cortar um pé ou uma mão a alguém. Temos a obrigação de edificar, de sermos positivamente construtivos, renunciando a dar rédea solta ao egoísmo com que usamos o que somos e podemos: a nossa inteligência e vontade, a nossa força física e desejos de domínio. É preciso arrancar dos nossos olhos a soberba e o desprezo. Importa cortar dos nossos pés tudo o que nos leva por maus caminhos e ensinar as nossas mãos a amar e a servir.
O mundo dos migrantes e refugiados é um mundo imenso, que necessita de uma imensa solidariedade. Este é o tema que o Papa Francisco nos propõe para o Dia Mundial deste ano: «Rumo a um “nós” cada vez maior», mais inclusivo, sem fronteiras, ao jeito do Bom Samaritano, que aceita fazer tudo o que pode por quem sofre.
https://redemundialdeoracaodopapa.pt/meditacao-diaria/1450
SONETO DE SAÚDE (I)
Doença é um momento de balanço.
É pausa essencial, não-programada.
O corpo diz: “existo, logo canso”
e pede um intervalo na jornada.
Saúde é um conceito relativo,
mas, neste mundo, o que é absoluto ?
Tudo é mudança. Isso é estar vivo:
ver como é único cada minuto.
Tumor atinge o corpo: está restrito.
Amor é absoluto: atinge a alma.
Assim, o Amor revela o infinito.
Apreender da Vida sua essência
demanda tempo, exige muita calma.
Doença é o acordar da existência.
Paulo Roxo Barja
Soneto de Saúde (II) – P.Barja
SONETO DE SAÚDE (II)
Viver é perceber em cada instante
a vida que o instante em si contém.
Saúde tem aquele que mantém,
no leito do hospital, o olhar brilhante.
Saudável é saudar com alegria
o movimento, ontem impossível,
que agora é um exercício bem plausível
na leve evolução de cada dia.
Passeio de cadeira é uma viagem;
olhar estrelas brilhantes no teto,
uma possível e bela paisagem.
E é bom ganhar de amigos todo o afeto.
Sorrisos, da equipe de enfermagem.
Da amada, um beijo e o doce predileto.
Paulo Roxo Barja
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