
| Lupa Eleitoral | |
|
| por Dom Walmor Oliveira de Azevedo |
As
eleições deste ano têm sido precedidas de um processo de campanha que
aponta direções diferentes e mais abrangentes do que apenas o horizonte
traçado pelos tradicionais discursos eleitorais e pelos personagens
idealizados pelos marqueteiros no horário eleitoral das tevês. Sem
dúvida, é mais um passo, ainda que não seja aquele ideal, fruto da tão
esperada e retardada reforma política. É um progresso no amadurecimento
da consciência social e política da sociedade brasileira. Os programas
de televisão não permitem um contato direto com a verdade de cada
candidato. Tudo é muito bem articulado para convencer, muitas vezes, até
de uma verdade que não existe. Sonha-se com uma propaganda eleitoral
capaz de revelar as verdadeiras feições dos candidatos.
Voltando ao tempo dos eleitores de cabresto e amarrados por favores e benesses distribuídas, situações já derrubadas pela Lei 9840,
percebemos um avanço, mas que exige coragem e inteligência dos
responsáveis por sua aplicação, a chamada Lei da Ficha Limpa. Nesse
âmbito está também a novidade crescente da posição assumida por
eleitores que já não escutam passivamente e nem se deixam influenciar
por imagens produzidas, tantas vezes distanciadas da verdade. Os
eleitores estão se posicionando mais. Este movimento precisa crescer. O
uso da internet passa a ser uma ferramenta importante para que a
campanha eleitoral não tenha apenas o tom dos interesses dos candidatos,
ou somente pelos partidos no limite próprio de sua ideologia e
propostas.
Os
partidos e os candidatos produzem suas campanhas articulando os dados e
as estatísticas dos resultados relativos à infraestrutura e aos
projetos sociais. São conquistas que contam muito e têm força para
produzir credibilidade e aprovação. Particularmente, quando estes
benefícios chegam aos mais necessitados da forma correta: sem provocar
dependência e respeitando a autonomia do indivíduo. As eleições deste
ano estão levantando, como lupa eleitoral, não apenas os feitos do
candidato, mas, sobretudo, sua envergadura moral sustentada por valores
irrenunciáveis quando se trata de escolher alguém para representar o
povo e governar o Estado. Não basta prometer que vai fazer ou dizer que
já fez. Os eleitores, particularmente aqueles que iluminam a sua
cidadania com a vivência e a confissão de sua fé cristã, estão
convocando, com uma força considerável, toda a sociedade para que use a
lupa eleitoral que mostra se o candidato tem cacife moral para a
representação a que se propõe. Isto é, se sua conduta moral é pautada no
espírito de serviço, pelas virtudes da caridade, da modéstia, da
moderação. Mas, em especial, se o candidato norteia sua vida e suas
decisões no respeito à vida, em todas as suas etapas, desde a fecundação
até o declínio natural - se é, portanto, clara e comprovadamente contra
o aborto e se não tem propensão para autoritarismos ideológicos que
levarão à produção de mordaças à imprensa, ou ainda, tenha um modus interpretandi da
realidade que influencie em escolhas de prioridades que não considere
os excluídos da sociedade. Que esteja atento também aos candidatos que
estão mais na linha do populismo e do uso de mecanismos para produzir
índices altos de aprovação.
A
envergadura moral, e não apenas a competência administrativa, está se
tornando cada vez mais decisiva para quem usa a lupa eleitoral. Os
responsáveis por este movimento são os eleitores que estão se deixando
mover por sua fé cristã, emoldurada e alavancada por valores que não
podem ser negociados e que têm força para decidir rumos outros nestas
eleições. Este fenômeno precisa ser considerado e está na contramão do
entendimento tacanho que considera que o Estado é laico e, portanto, a
religião não conta e a fé não pode ser tomada como elemento decisivo na
organização, no funcionamento do Estado, e na escolha daqueles que
ocuparão cargos no Executivo ou no Legislativo.
A
lupa eleitoral deve ser usada por toda a sociedade, especialmente por
aqueles que professam a fé cristã, com uma força diferente e qualificada
- fora do contexto puramente partidário. Os cristãos estão instituindo e
mostrando o quanto é decisiva a envergadura moral do candidato,
avaliando os valores que definem seus juízos, critérios e suas opções
políticas. É hora de mudar os rumos com a lupa eleitoral tecida pelos
valores cristãos.
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