Revelações
de Deus Pai à Santa Catarina de Senna
Todos os
sofrimentos que o homem suporta ou pode nesta vida são insuficientes para
satisfazer pela menor culpa.
Sendo Eu
um bem infinito, a ofensa cometida contra Mim pede satisfação infinita.
Desejo
que o compreendas os males desta existência não são punições, mas correção a
filho que ofende.
Assim, a
satisfação se dá pelo amor, pelo arrependimento e pelo desprezo do pecado.
Esse
arrependimento é aceito em lugar da culpa e do reato (Pena devida a culpa do pecado),
não pela virtude dos sofrimentos padecidos, mas pela infinitude do amor.
Foi
quando ensinou Paulo, ao afirmar: "Se eu falasse a língua dos anjos,
adivinhasse o futuro, partilhasse os meus bens com os pobres, e entregasse meu
corpo às chamas, mas não tivesse a caridade, tudo isso nada valeria".
O
glorioso apóstolo faz ver que os gestos finitos são insuficientes para punir ou
satisfazer, sem a força da caridade.
Como
percebes, as mortificações são coisas finitas e como tais hão de ser
praticadas.
São meios,
não finalidades.
Filha,
fiz-te ver que a culpa não é reparada neste mundo pelo sofrimento, suportados
unicamente como sofrimento, mas sim pelos sofrimentos aceitos com amor, com
desejo, com interna contrição.
Não basta
a força da mortificação; ocorre o anseio da alma.
O mesmo
acontece aliás com a caridade e qualquer outra virtude, que somente possuem
valor e produzem a vida em Meu Filho Jesus Cristo crucificado, isto é, na
medida em que a pessoa, d'Ele recebe o amor e virtuosamente segue as suas pegadas.
Somente
assim adquirem valor.
As
mortificações satisfazem pela culpa na feliz comunhão do amor, adquirindo na
contemplação da Minha bondade.
Satisfazem
graças à dor e à contrição quando praticadas no auto-conhecimento e na
consciência das culpas pessoais.
Este
conhecimento de si gera desprezo pelo mal, pela sensualidade, induz o homem a
julgar-se merecedor de castigos e indigno de recompensa.
Assim, é
pela contrição interior, pelo amor paciente e pela humildade, considerando-se
merecedora de castigos e não de prêmios, que a pessoa oferece reparação.
O caminho
para atingir o conhecimento verdadeiro e a experiência do Meu Ser - Vida eterna
que Sou - é este: nunca abandone o auto-conhecimento!
Ao
desceres para o vale da humildade, reconhecer-Me-ás em ti, e de tal
conhecimento receberás tudo aquilo de que necessitas.
Nenhuma
virtude tem valor sem a caridade, no entanto é a humildade que forma e nutre a
caridade.
Conhecendo-te,
tu te humilharás ao perceber que, por ti mesma, nada és.
Verás que
o teu ser procede de Mim, que vos amei, a ti e aos outros, antes de virdes à
existência.
Além
disso, quando quis recriar-vos na graça, com inefável amor, Eu vos lavei e vos
concedi uma vida nova no Sangue do Meu Filho Unigênito; n'Aquele Sangue
derramado num grande incêndio de amor.
Para quem
destrói em si o egoísmo, é no auto-conhecimento que tal Sangue manifesta a
Verdade.
Não
existe outro meio.
Por meio
dele, o homem em inexprimível amor conhece-Me e sofre.
Não com
um sofrimento angustiante, aflitivo e árido, mas com uma dor que alimenta
interiormente.
Ao
conhecer a verdade, a alma sofrerá terrivelmente, pois toma consciência dos
próprios pecados e vê a cega ingratidão humana.
Nenhuma
dor sofreria, se não amasse.
Logo que
tu e Meus servidores conhecerdes a Minha verdade, através daquele caminho,
tereis que sofrer tribulações, ofensas e desprezos por palavras e ações, até a
morte.
Tudo
isto, para glória e louvor do Meu nome.
Sim,
padecerás, sofrerás, tu e Meus servidores; portanto, armai-vos de muita
paciência, arrependimento de vossos pecados e de amor à virtude, para glória e
louvor de Meu nome.
Agindo
assim, aceitarei a reparação das culpas tuas e dos demais servidores.
Pela
força do amor e caridade, vossos sofrimentos serão suficientes para satisfação
e reparação por vós mesmos e pelos demais.
Pessoalmente,
recebereis o fruto da vida; serão canceladas as manchas dos vossos pecados; já
não Me recordarei de que Me ofendestes.
Quando
aos outros, graças ao vosso amor, concederei o perdão em conformidade com as
suas disposições.
Por
consideração aos pedidos dos Meus servidores, terei paciência com eles,
iluminá-los-ei, suscitarei o remorso, farei que sintam o gosto pela virtude,
que provem prazer na amizade de Meus servidores.
Algumas
vezes, permitirei que o mundo lhes mostre a sua face e experimentarão numerosas
e diferentes impressões.
Quero que
percebam a instabilidade do mundo e elevem os seus desejos em direção à pátria
eterna.
Assim e
com outros expedientes invisíveis aos olhos, inenarráveis para a língua e
imperceptíveis ao coração - pois são inúmeros os caminhos e recursos que Me
sirvo, unicamente por amor, Eu os convido à graça, desejoso que Minha verdade
se realize neles.
A tais
pessoas, porém, não é dada a remissão do reato*.
Elas não
se encontram pessoalmente dispostas a acolher, mediante uma caridade perfeita,
o Meu amor e o amor dos Meus servidores.
Eles não
sentem dor nem contrição perfeita dos pecados cometidos; sua caridade e
contrição são imperfeitas.
Eis o
motivo porque não alcançam a remissão da pena, como daqueles que falei antes,
mas somente o perdão da culpa.
Todos os
pecados são cometidos através do próximo, no sentido de que eles são a ausência
da caridade, que é a forma de todas as virtudes.
No mesmo
sentido, o egoísmo, que é a negação do amor pelo próximo, constitui-se razão e
fundamento do todo mal.
Ele é a
raiz dos escândalos, do ódio, da maldade, dos prejuízos causados aos outros.
Diante
disto, o cristão luta e se opõe a sensualidade, com empenho a submete à razão e
procura descobrir em si mesmo a grandeza de Minha bondade.
Inúmeros
são os favores que lhe faço.
Ao
reconhecer que gratuitamente o retirei das trevas e o transferi para a
verdadeira sabedoria, no auto-conhecimento ele se humilha.
Assim
consciente da Minha benevolência, o homem Me ama direta e indiretamente.
Diretamente,
não pensando em si mesmo ou em interesses pessoais; indiretamente através da
prática da virtude.
Toda
virtude é concebida no íntimo do homem por amor a Mim; fora do ódio ao pecado e
do amor à virtude, não existe maneira de Me agradar e de se chegar até Mim.
Depois de
ter concebido interiormente a virtude, a pessoa a pratica no próximo.
Aliás,
tal modo de agir é a única prova de que alguém possui realmente uma virtude.
Quem Me
ama, procura ser útil ao próximo.
Nem poderia
ser de outra maneira, dado que o amor por Mim, e pelo próximo são uma só coisa.
Tanto
alguém ama o próximo, quanto Me ama, pois de Mim se origina o amor do outro.
O
próximo, eis o meio que vos dei, para praticardes e manifestardes a virtude que
existe em vós.
Como nada
podeis fazer de útil para Mim, deveis ser de utilidade ao homem.
Muitos
são os dons, graças, virtudes e favores espirituais ou corporais, que concedi
aos homens.
Dei-os
diversificadamente, isto é, não os coloquei todos em cada pessoa, para que
fôsseis obrigados a vos auxiliar mutuamente.
Poderia
ter criado os indivíduos, dotanto-os de todo o necessário, seja na alma como no
corpo; mas preferi que um necessitasse do outro, que fôsseis administradores
Meus no uso das graças e benefícios recebidos.
Desta
forma, querendo ou não, o homem haveria de praticar a caridade, muito embora
não seja meritória a benevolência não realizada por Meu amor.
Como vês,
a fim de que os homens exercitassem o amor, fi-los Meus administradores e os
coloquei em diferentes estados de vida, em diferentes posições.
Isto vos
mostra como existem muitas mansões em Minha casa, e como nada mais desejo que o
amor.
O amor
por Mim se consuma no amor pelo próximo; quem ama o próximo já observou a Lei.
Quem Me
ama, pratica todo o bem possível, em seu estado de vida para o benefício dos
outros.
Qual
árvore de muitos galhos, a caridade possui numerosos filhos.
Como as
árvores recebem a vida de suas raízes enterradas no solo, assim a caridade se
nutre da humildade, e o discernimento é um dos filhos ou rebentos da caridade.
Não
existindo esse solo da humildade, o discernimento não seria verdadeiramente uma
virtude nem produziria frutos de vida.
A
humildade brota do auto-conhecimento e o discernimento, consiste num real
conhecimento de si e de Mim, que faz o homem dar a cada um o que lhe pertence.
O
discernimento é uma luz que dissolve a escuridão, afasta a ignorância e
alimenta as virtudes, bem como as ações externas que conduzem à virtude.
O
discernimento enfim, ao fundamentar-se no humilde auto-conhecimento, conduz à
luta contra os pecados pessoais.
A alma é
uma árvore nascida para o amor; sem ele não vive.
Privada
do amor divino da caridade, não produz fruto de vida, mas de morte.
O cerne
dessa árvore é a paciência.
Esta
virtude constituí o sinal externo de que Eu estou numa alma e ela em Mim.
O que
desejo do homem, como frutos de ação, é que prove suas virtudes na hora
oportuna.
"Sou
Aquele que gosta de poucas palavras e de muitas ações".
Só o amor
produz e revela a virtude!
Do pecado
original, que contraís através do pai e da mãe na concepção, restou-vos somente
uma cicatriz.
Ela é
apagada, embora não completamente, pelo batismo, ao qual o Sangue de Cristo
concedeu a virtude de infundir a vida da graça.
Quando
alguém é batizado, imediatamente cancela-se o pecado original e infundi-se a
graça; a inclinação para o pecado, descrita antes como uma cicatriz, fica
enfraquecida e submetida ao controle da pessoa.
É assim,
que pelo batismo o homem dispõe-se a receber e aumentar a graça de si mesmo.
O
resultado, para mais ou para menos, depende do seu esforço em servir-Me com
amor e anseio.
Embora
possuindo a graça batismal, a pessoa pode encaminhar-se livremente para o bem
ou para o mal.
É ao
atingir o uso da razão que praticará o bem ou o mal, conforme ao livre arbítrio
de sua vontade.
Aliás,
tão grande é a liberdade humana, e de tal modo ficou fortalecida pelo precioso
Sangue de Cristo, que demônio ou criatura alguma, pode obrigar alguém à menor
culpa, contra o seu parecer.
Acabou-se
a escravidão; o homem ficou livre.
Agora,
ele pode dominar a sensualidade, e chegar à meta para qual foi criado.
Muito já
Me devia a humanidade.
Dera-lhe
o ser, ao criar o homem a Minha imagem e semelhança.
Então ele
possuía a obrigação de dar-Me glória.
Recusou-se
a fazê-lo, glorificou-se a si mesmo, não aceitou a obediência por Mim imposta,
tornou-se Meu inimigo.
Então,
com humilhação destruí sua soberba.
Humilhei-Me
(em Cristo), assumi vossa natureza, libertei-vos da escravidão do demônio,
tornei-vos livre.
O tesouro
do Sangue, pelo qual a humanidade foi recriada, ficou sendo uma dívida.
Entendes
pois, como depois da Redenção, o homem tem maior obrigação para Comigo.
Devem-Me
glória e louvor.
Uma
dívida de amor para Comigo e o próximo, que é paga quando as pessoas seguem as
pegadas do Meu Filho Unigênito, Palavra Encarnada, mediante as práticas das
virtudes interiores.
Ninguém
escapará de Minhas Mãos.
"Sou
aquele que Sou" (Ex 3,14) e vós, vós não possuís a razão do próprio ser.
Sois
aquele que Eu fiz.
Criei tudo
o que participa do ser; somente o pecado não procede de Mim, porque é negação.
Por não
estar em Mim, o pecado não merece amor.
Quem o
faz, ofende toda criação e odeia-Me.
O homem
tem obrigações de Me querer bem.
Sou
imensamente bom, dei-lhe o ser, numa chama de caridade.
Todavia,
os maus fogem de Mim.
Mas, por
justiça ou misericórdia, ninguém escapa das Minhas Mãos.
Eis Meu
plano: criar o homem à Minha imagem e semelhança para que alcançasse a vida
eterna, participasse do Meu Ser, experimentasse Minha suma, eterna e doce
bondade.
O pecado
veio impedir-lhe de atingir essa meta.
O homem
deixava de realizar o Meu plano, pois a culpa lhe fechara o Céu e a porta da
Minha misericórdia.
O pecado
fez germinar na humanidade espinhos e sofrimentos, tribulações numerosas,
rebelião interna.
Ao
revoltar-se contra Mim o homem criava a rebelião dentro de si.
Em
conseqüência da perda do estado de inocência, a carne se revoltou contra o
espírito.
Imediatamente
brotou um rio tempestuoso, cujas ondas continuam a açoitar a humanidade.
São as
misérias e males provenientes do próprio homem, do demônio e do mundo.
Nele
todos se afogavam; ninguém mais, graças a virtudes pessoais, atingia a vida
eterna.
Para
remediar tantos males, construí a Ponte no Meu Filho, que permitiria a travessia
do rio sem perigo de afogar-se.
O rio é o
proceloso mar desta tenebrosa vida.
Quero que
contemples a Ponte de Meu Filho, que vejas sua grandiosidade.
Ela se
estende do céu à terra, pois nela a "terra" da vossa natureza humana
está unida à divindade sublime, graças à encarnação que realizei no homem.
Todos vós
deveis passar por esta Ponte, louvando-Me através do trabalho pela salvação dos
homens e tolerando muitas dificuldades, a exemplo do Meu doce e amoroso Verbo
Encarnado.
Não há
outro modo de chegar até Mim.
Cada
pessoa tem uma vinha, a vinha da própria alma.
Nela
trabalha com a vontade pessoal, livre, durante o tempo desta vida.
Acabado
este tempo nenhum outro trabalho será realizado, seja para o bem, seja para o
mal.
Começareis
por purificar-vos com a contrição interior, desapegando-vos e desejando a
virtude.
Sem esta
predisposição, exigida na medida de vossas possibilidades como ramos unidos à
Videira, que é Meu Filho (Jo 15,1).
Nada
recebereis.
Dizia Meu
Filho: "Eu sou a videira verdadeira e vós os ramos; Meu Pai é o
agricultor" (Jo 15,5).
Sim, Eu
Sou o agricultor, de Mim se originam todos os seres.
Tenho um
poder incalculável, pelo qual governo o universo; nada Me escapa.
Fui Eu o
agricultor que plantou a verdadeira vinha, Cristo, no chão da humanidade, para
que vós, unidos a Ele, possais frutificar.
Quem não
produzir ações santas e boas, será cortado da videira; e secará.
Separado,
perderá a vida da graça e irá para o fogo eterno.
Sabes que
os mandamentos da Lei se reduzem a dois sem eles, nenhum outro é observado.
São:
amar-Me sobre todas as coisas e amar o próximo como a ti mesmo.
Eis o
começo, o meio e o fim dos mandamentos da lei.
Todavia
esses "dois" não se "reúnem" em Mim sem os
"três", isto é, sem a unificação das três faculdades da alma: A
memória a inteligência e a vontade.
A memória
há de recordar-se dos Meus beneficies e da Minha bondade; a inteligência
pensará no amor inefável revelado em Cristo, pois Ele se oferece como objeto de
reflexão, para manifestar a chama do Meu amor; a vontade unindo-se às
faculdades anteriores, Me amará e desejará como seu fim.
O coração
humano, ao ser atraído pelo amor, leva consigo todas as faculdades da alma:
Quando
são harmonizadas e reunidas tais faculdades, todas as ações humanas - corporais
ou espirituais - ficam-Me agradáveis, pois unem-se a Mim na caridade.
Foi
exatamente para isso que Meu Filho se elevou na cruz, trilhando o caminho do
amor cruciante.
Ao dizer,
"Quando Eu for elevado, atrairei a Mim todas as coisas", ele queria
significar: quando o coração humano e as faculdades forem atraídas, todas as
demais faculdades e suas ações o serão.
É muita
estreita a união dessas três faculdades.
Quando
uma delas Me ofende, as outras também o fazem.
Como
disse, uma apresenta à outra o bem ou o mal, conforme agrada ao livre arbítrio.
O livre
arbítrio, se acha na vontade e a move como quer, em conformidade ou não com a
razão.
Possuis a
razão, sempre unida a Mim, a menos que o livre arbítrio a afaste mediante o
amor desordenado, e tende em vós uma lei perversa, que luta contra o espírito.
Ensinou o
apostolo Paulo em sua carta, C1 3,5, a mortificar o corpo e a destruir a
vontade própria, ou seja, refrear o corpo mortificando a carne, quando ela se
opõe ao espírito.
Tendes,
então, duas partes em vós mesmos: a sensualidade e a razão.
A
sensualidade foi dada como servidora, a fim de que as virtudes sejam exercidas
e provadas através do corpo.
O homem é
livre, já que Meu Filho o libertou com Seu Sangue.
Ninguém
pode dominar a pessoa humana quanto a vontade, pois ela possui o livre
arbítrio.
Este se
identifica com a vontade, concorda com ela.
Fica,
pois, o livre arbítrio entre a sensualidade, e a razão, e inclina-se ora de um
lado ora de outro, conforme preferir.
Quando a
pessoa tenta livremente reunir as três faculdades, memória, inteligência e
vontade, em Mim, na maneira explicada, todas as atividades espirituais e
corporais humanas ficam unificadas.
O livre
arbítrio se afasta da sensualidade, tende para o lado da razão.
Ninguém
pode vir a Mim, senão por meio de Cristo.
Esta a
razão pela qual fiz d'Ele uma Ponte de três degraus.
Esses
três degraus representam os três estados espirituais do homem.
O
pavimento desta ponte é feito de pedras, a fim de que a chuva (da justiça
divina) não retenha o caminhante.
"Pedras"
são as virtudes verdadeiras e reais.
Antes da
Paixão do Meu Filho, elas ainda não tinham sido assentadas, motivo pelo qual os
antigos não atingiam o céu, mesmo que vivessem piedosamente.
O Paraíso
ainda não fora aberto com a chave do Sangue, e a chuva da justiça divina
impedia a caminhada.
Quando
aquelas pedras foram assentadas no Corpo do Meu Filho - por Mim comparado a uma
ponte - foram embebidas, amalgamadas, e assentadas com sangue.
Em outras
palavras: o sangue (humano) foi misturado com a cal da divindade e fortemente
queimado no calor da caridade.
Tais
pedras foram postas em Cristo por Mim, mas é n'Ele que toda virtude é
comprovada e vivificada.
Fora de
Jesus ninguém possui a vida da graça.
Ocorre
estar n'Ele, trilhar suas estradas, viver Sua mensagem.
Somente
Ele faz crescer as virtudes, somente Ele as constrói como pedras vivas,
cimentando-as com o próprio Sangue.
Nele,
todos os fiéis caminham na liberdade, sem o medo da justiça divina, pois vão
cobertos pela misericórdia, descida do céu no dia da encarnação.
Foi a
chave do Sangue de Cristo que abriu o céu.
Portanto,
esta ponte é ladrilhada; e seu telhado é a misericórdia.
Possui
também uma despensa, constituída pela hierarquia da Santa Igreja, que conserva
e distribui o Pão da Vida e o Sangue.
Assim,
Minhas criaturas, viandantes e peregrinas, não fraquejam de cansaço na viagem.
Para isto
ordenei que vos fosse dado o Corpo e o Sangue do Meu Filho, Homem Deus.
Disse
Jesus: "Eu sou o caminho, a verdade, e a vida; quem vai por Mim não
caminha nas trevas, mas na luz" (Jo, 8,12).
Quem vai
por tal caminho é filho da verdade, atravessa a ponte e chega até Mim, verdade
eterna, oceano de paz.
Quem não
trilha esse caminho, vai pela estrada inferior, no rio do pecado.
É uma
estrada sem pedras, feita somente de água, inconsistente; por sobre ela ninguém
vai sem afundar.
É o
caminho dos prazeres e das altas posições, daqueles cujo amor não repousa em
Mim e nas virtudes, mas no apego desordenado ao que é humano e passageiro.
Tais
pessoas são como a água sempre a escorrer.
À
semelhança daquelas realidades, vão passando.
Eles
acham que são as coisas criadas, objeto de seu amor, que se vão; na realidade,
também eles caminham continuamente em direção à morte.
Bem que
gostariam de deter-se, reter na vida as coisas que amam.
Seriam
felizes se as coisas não passassem.
Perdem-nas
todavia, seja por causa da morte, seja pelos acontecimentos com que faço,
escapar-lhes das mão, os bens deste mundo.
Com o
retorno de Meu Filho ao céu, enviei o Mestre, o Espírito Santo.
Ele veio
no Meu poder, na sabedoria do Filho, e na própria clemência.
É uma só
coisa Comigo e o Filho.
Por sua
vinda fortaleceu o Caminho - Mensagem deixado no mundo por Jesus.
O
Espírito Santo é qual mãe a nutrir no Divino Amor.
Ele
liberta o homem, torna-o dono de si, isento da escravidão e do egoísmo.
A chama
da Minha caridade (o Espírito Santo) não sobrevive junto ao egoísmo.
Assim,
todos os homens, recebem luzes para conhecer a verdade.
Basta que
cada um o queira, que não destrua a luz da razão, pelo egoísmo desordenado.
A
mensagem de Jesus é verdadeira e ficou no mundo qual pequena barca para retirar
os pecadores do rio do pecado e conduzi-los ao porto da salvação.
Primeiro,
coloquei Meu Filho como Ponte - Pessoa, a conviver com os homens; após Sua
morte, ficou a Ponte - Mensagem possuindo ela Meu poder, a sabedoria do Filho e
o amor do Espírito.
O poder
fortifica os caminhantes, a sabedoria ilumina e ajuda a reconhecer a Verdade, o
Espírito Santo infunde o amor que aperfeiçoa, que destrói o egoísmo e conserva
no homem o apego ao bem.
O Verbo
encarnado, Meu Filho único e ponte de glória, deu aos homens vida e grandeza.
Eram
escravos do demônio e Ele os libertou.
Para que
cumprisse tal missão, tornei-O servo; para cobrir a desobediência de Adão exigi
que obedecesse; para confundir o orgulho, humilhou-se até a morte na cruz.
Por Sua
morte, destruiu o pecado.
No
intuito de livrar a humanidade da morte eterna, fez do Seu Corpo uma bigorna.
No
entanto os pecadores desprezam Seu Sangue, pisoteiam-No com um amor
desordenado.
Esta é a
injustiça, este o julgamento falso a respeito do qual o mundo é e será
repreendido até o dia do juízo final.
Tal
repreensão começou quando enviei o Espírito Santo sobre os apóstolos.
São três
as repreensões: a voz da Igreja, o Juízo Particular e o Juízo Final.
Deus Pai
No Juízo
Particular, no instante final, quando a pessoa compreende que não pode fugir
das Minhas Mãos recupera a visão que a atormenta interiormente fazendo-a ver
que por própria culpa chegou a tão triste situação.
Se o
pecador se deixar iluminar e se arrepender, não por medo dos castigos
infernais, mas por ter ofendido a Suma e Eterna Bondade, ainda será perdoado.
Mas, se
ultrapassar o momento da morte nas trevas, no remorso, sem esperança no Sangue,
ou então, lamentando-se apenas pela infelicidade em que se acha - e não por ter
Me ofendido - irá para a perdição.
Sobrevirá
pois, a repreensão pela injustiça e falso julgamento.
Em
primeiro lugar a repreensão da injustiça e do julgamento falso em geral,
praticados no conjunto de suas ações, durante a vida; depois, em particular, do
último instante quando o pecador considera seu pecado maior que a Minha
misericórdia.
Este é o
pecado que não será perdoado, nem aqui nem no além.
O
desprezo voluntário da Minha misericórdia constitui pecado mais grave que todos
os anteriores.
Filha,
tua linguagem é incapaz de descrever os sofrimentos desses infelizes
condenados.
Sendo
três os seus vícios principais - egoísmo, medo de perder a boa fama e orgulho -
aos quais se acrescentam a injustiça, a maldade e impureza, no inferno os
pecadores padecem de quatro tormentos principais.
O
primeiro é a ausência da Minha visão.
Um
sofrimento tão grande que os condenados, se fosse possível, prefeririam sofrer
o fogo vendo-Me, que ficar de fora dele sem Me ver.
O
segundo, como conseqüência, é o remorso que corrói o pecador privado de Mim,
longe da conversação dos anjos, a conviver com os demônios.
Aliás, a
visão do diabo constitui o terceiro tormento.
Ao vê-lo
duplica-se o sofrer.
Nestes
(demônios), eles se conhecem melhor, entendendo que por própria culpa mereceram
o castigo.
Assim o
remorso os martiriza e jamais cessará o ardor da consciência.
Muito
grande é este tormento, porque o diabo é visto do próprio ser; tão horrível é a
sua fealdade, que a mente humana não consegue imaginar.
Se ainda
o recordas, já te mostrei o demônio assim como ele é; foi por um átimo de
tempo.
Quando
retornastes ao sentido, preferias caminhar por uma estrada de fogo até o juízo
final que tornar a vê-lo.
No
entanto, apesar do que viste ignoras a sua fealdade, especialmente porque,
segundo a justiça divina, ele é visto mais ou menos horrível pelos condenados,
segundo a gravidade das culpas.
O quarto
é o fogo.
Um fogo
que arde sem consumir, sem destruir o ser humano.
É algo de
imaterial, que não destrói a alma incorpórea.
Na Minha
justiça permito que tal fogo queime, faça padecer, aflija; mas não destrua.
É ardente
e fere de modo crudelíssimo em muitas maneiras, conforme a diversidade das
culpas.
A uns
mais, a outros menos, segundo a gravidade dos pecados.
Destes
quatro tormentos derivam os demais: o frio, o calor, o ranger de dentes (Mt,
22,13).
Grande é
o ódio dos condenados, pois já não amam o bem.
Blasfemam
continuamente contra Mim!
Queres
saber por que já não podem desejar o bem? É porque, no fim desta vida,
vincula-se o livre arbítrio.
Com o
cessar do tempo, já não se merece mais.
Quem
termina esta existência em pecado mortal, por direito divino fica para sempre
apegado ao ódio, obstinado no mal, a roer-se interiormente.
Seus sofrimentos
irão aumentando sempre, especialmente por causa das demais pessoas que por sua
causa irão para a condenação.
O homem
justo (no mesmo Juízo) ao encerrar sua vida terrena no amor, já não poderá
progredir na virtude.
Para
sempre continuará a amar no grau de caridade que atingiu até Mim.
Também
será julgado na proporção do amor.
Continuamente
Me deseja, continuamente Me possuí; suas aspirações não caem no vazio.
Ao
desejar, será saciado; ao saciar-se, sentirá ainda fome; distanciando-se assim,
do fastio da saciedade e do sofrimento da fome.
Os
bem-aventurados gozam da Minha eterna visão.
Cada um
no seu grau, de acordo com a caridade em que vieram participar de tudo o que
possuo.
Desfrutam
na alegria e gozo - dos bens pessoais e comuns que mereceram.
Colocados
entre os anjos e santos com eles se rejubilam na proporção do bem praticado na
terra.
Entre si
congraçados na caridade os bem-aventurados de modo especial comunicam-se com
aqueles que amaram no mundo.
Não
penses que a felicidade celeste seja apenas individual.
Não! Ela
é participada por todos os cidadãos da pátria, homens e anjos.
Quando
chega alguém à vida eterna, todos sentem sua felicidade da mesma forma como ele
participa do prazer de todos.
Em seus
anseios os eleitos clamam continuamente diante de Mim em favor do mundo
inteiro.
Suas
vidas haviam terminado no amor fraterno; continuam no mesmo amor.
Aliás,
foi exatamente por tal caridade que passaram pela porta que é Meu Filho.
Por
ocasião do Juízo Final, o Verbo encarnado virá com divina majestade para
repreender o mundo.
Não mais
se apresentará pobrezinho na forma como nasceu da Virgem, na estrebaria, entre
animais, para morrer depois no meio de ladrões.
Naquela
ocasião, ocultei n'Ele o Meu poder e permiti que suportasse penas e dores como
homem.
A
natureza divina se unira a humana e foi enquanto homem que sofreu para reparar
as vossas culpas.
No juízo
final, não será assim, pois virá com poder a fim de julgar.
As
criaturas humanas estremecerão e Ele a cada um dará sentença conforme
merecimento.
Tua
língua não conseguirá exprimir o que se sucederá aos condenados.
Para os
bons, Jesus será motivo de temor santo e alegria imensa.
Os
bem-aventurados continuam no céu, eternamente, aquele mesmo amor com que
encerraram a vida terrena.
Eles em
nada se distanciam de Mim.
Seus
desejos estão saciados.
Anseiam
em ver-Me glorificado por vós viandantes e peregrinos que sois em direção à
morte.
Aspirando
por Minha honra, querem vossa salvação e sempre rogam por vós; de Minha parte,
escuto os seus pedidos naquilo em que vós, por maldade, não opondes resistência
à Minha bondade.
Os
bem-aventurados desejam recuperar os seus corpos; todavia não sofrem por sua
ausência.
Até se
alegram, na certeza de que tal aspiração será realizada.
A
ausência do corpo não lhes diminui o prazer, não é angustiante, não faz sofrer.
Nem
julgues que a satisfação de ter o corpo após a ressurreição lhes traga maior
bem-aventurança.
Se isso
fosse verdade, seria sinal que a felicidade anterior era imperfeita, enquanto
não o reouvessem, e isso não pode ser.
De fato,
nenhuma perfeição lhes falta.
Não é o
corpo que faz feliz a alma, mas o contrário.
Quando
esta recupera o corpo no dia do juízo, participará ele da plenitude e da
perfeição da alma.
Naquele
dia, esta se fixará para sempre em Mim, e o corpo em tal união, ficará imortal,
sutil, leve.
Deves
saber que o corpo ressuscitado pode atravessar uma parede, que o fogo e a água
não o ofendem.
Tal
propriedade lhe advém, não de uma virtude própria, mas por uma força que
gratuitamente concedo à alma, que foi criada à Minha imagem e semelhança num
inefável ato de amor.
Tua
inteligência não dispõe da capacidade necessária para entender, nem teus
ouvidos para escutar, a língua para narrar e o coração para sentir qual é a
felicidade dos santos.
Ocupei-Me
da felicidade dos santos para que entendesses melhor a infelicidade dos
condenados ao inferno.
Aliás,
outro tormento destes últimos, é ver quanto os bem-aventurados são felizes.
Tal
conhecimento acresce-lhes a pena, da mesma forma como a condenação dos maus
leva os justos a glorificar Minha bondade.
A luz é
mais evidente na escuridão, e a escuridão na luz.
Conhecer
a alegria dos santos é dor para os réus do inferno.
Os
condenados aguardam com temor o dia do juízo final.
Sabem que
então seus sofrimentos aumentarão.
As
escutar o terrível convite: " mortui, venite ad judicium", a alma
retornará ao corpo.
Para os
bem-aventurados será um corpo de glória; para os réus um corpo para sempre
obscurecido.
Diante do
Meu Filho, sentirão grande vergonha.
Também
diante dos santos.
O remorso
martirizará a profundidade do seu ser, quero dizer, a alma; mas também o corpo.
Acusá-los-ão:
o Sangue de Cristo, por eles derramado; as obras de misericórdia, espirituais e
corporais, do Meu Filho, o bem que eles mesmos deveriam ter praticado em
benefício dos outros, segundo o evangelho.
Terá seu
castigo a maldade com que trataram os irmãos, pois Eu mesmo, compassivo,
perdoara-lhes (Mt 18,33).
Serão
repreendidos pelo orgulho, egoísmo, impureza, ganância; e tudo isso reavivará
seus padecimentos.
No
instante da morte, somente a alma é repreendida; no juízo final também o corpo,
por ter sido instrumento da alma na prática do bem e do mal conforme a
orientação da vontade.
Todo bem
e todo mal é feito através do corpo por este motivo, Minha filha, os justos
terão no corpo glorificado uma luz e um amor infinitos; já os réus do inferno
sofrerão pena eterna em, seus corpos, usados para o pecado.
Ao
recuperar o corpo diante de Jesus ressuscitado, os réus sentirão tormento
renovado e acrescido: a sensualidade sofrerá na sua impureza, vendo a natureza
humana unida à divindade, contemplando este barro adâmico - vossa natureza -
colocada acima de todos os coros angélicos, enquanto eles, os maus, estarão no
mais profundo abismo.
Os
condenados verão brilhar sobre os eleitos a liberalidade e a misericórdia,
quais frutos do Sangue de Cristo; saberão das dificuldades suportadas pelos
bons e que agora se mostram em seus corpos como frisos de adornos para as
vestes.
O valor
de tais sofrimentos físicos não provém do corpo mas da riqueza da alma; é ela
que dá o corpo o merecimento da luta como companheira da prática das virtudes.
Tal
exteriorização se verifica porque o corpo manifesta o resultado das batalhas
das alma, como o espelho reflete a face do homem.
Ao se
verem privados de tamanha beleza, os habitantes das trevas verão surgir nos
próprios corpos os sinais dos pecados e terão maiores tormentos e confusão.
E ao soar
aquela terrível sentença: "Ide, malditos, para o fogo eterno".
Suas
almas e corpos encaminhar-se-ão para a companhia de demônios, sem mais remédios
nem esperança.
Cada um a
seu modo, se envolverá na podridão que viveu na terra, de acordo com as ações
que praticou: o avarento arderá na sua ganância dos bens que desordenadamente
amou; o maldoso, na sua ruindade; o impuro na imunda e infeliz concupiscência;
o injusto nas suas iniqüidades; o rancoroso no seu ódio pelos outros.
Quanto ao
egoísmo fonte de todos os males arderá como princípio causador de tudo em
sofrimentos insuportáveis.
O orgulho
terá igual sorte.
Assim,
corpo e alma serão punidos em todos os vícios.
Sirvo-Me
do demônio qual instrumento da Minha justiça para atormentar os que Me ofendem.
Nesta
vida o coloquei qual tentador, molestando os homens.
Não para
que estes sejam vencidos, mas para que conquistem a vitória e o prêmio pela
comprovação das virtudes.
Ninguém
deve temer as possíveis lutas e tentações do demônio.
Fortaleci
os homens, dei-lhes energia para vontade, no Sangue de Cristo.
Demônio
ou criatura alguma conseguem dobrar a vontade.
Ela vos
pertence, é livre.
Vós é que
escolheis o querer ou não querer alguma coisa.
Eu disse
que o demônio convida os homens para a água-morta, a única que lhe pertence,
cegando-os com prazeres e satisfações do mundo.
Usa o
anzol do prazer e fisga-os mediante a aparência de bem.
Sabe ele
que por outros caminhos nada conseguiria; sem o vislumbre de um bem ou
satisfação, os homens não se deixam aprisionar; por sua própria natureza, a
alma humana tende ao bem.
Infelizmente,
devido à cegueira do egoísmo, o homem não consegue discernir qual é o bem
verdadeiro, realmente útil ao corpo e à alma.
Percebendo
isto, o demônio, maldoso, apresenta-lhe numerosos atrativos maus, disfarçados
porém sob alguma utilidade ou prazer.
A certeza
da Minha presença em suas vidas, é o conhecimento da Minha verdade.
Tal
conhecimento se realiza na inteligência que é, o olho da alma; pupila de tal
olho é a fé.
Pela
iluminação da fé, eles distinguem, conhecem e seguem a estrada mensagem do
Verbo Encarnado.
Sem a fé
ninguém reconhece tal estrada, à semelhança daquele que possuísse o olho, mas
coberto por um pano.
Sim, a
pupila desse olhar é a fé; nada verá quem cobrir sua inteligência com o pano da
infelicidade, por causa do egoísmo.
Tal
pessoa terá a inteligência, mas não a luz para conhecer.
Como
afirmei antes, ninguém consegue seguir o caminho da verdade sem a luz da razão
- recebida de Mim com a inteligência - e sem a luz da fé, infundida na hora do
santo batismo, supondo que não destruais esta última com vossos pecados.
Deus Pai:
No
batismo a luz da fé vos é dada na força do Sangue do Meu Filho.
Associada
à luz da razão ela vos alcança a vida para a verdade.
Esta
iluminação revela ao homem a transitoriedade das realidades terrenas, que
passam como o vento.
Tal
atitude supõe todavia, que tenhais consciência da própria fraqueza, tão
inclinada a rebelar-se, já que existe nos vossos membros uma lei perversa (Rm
7,23), que vos leva a revoltar-vos contra Mim, vosso Criador.
Tal
"lei" não obriga ninguém a pecar contra sua vontade, todavia combate
contra o espírito.
Permiti
semelhante lei, não para serdes vencidos, mas a fim de provar vossas virtudes.
É nas
situações adversas que às virtudes são experimentadas.
A
sensualidade opõe-se ao espírito; é através dela que o homem comprova seu amor por
Mim, o Criador, opondo-se às suas tendências derrotando-as.
Quis Eu
ainda essa perversa lei para que o homem fosse humilde.
De si
mesma, a sensualidade não conduz ninguém ao pecado, mas induz ao reconhecimento
do próprio nada; revela a fragilidade do que é terreno.
É preciso
que a inteligência humana, sob a luz da fé, reconheça tal coisa; trata-se
justamente daquela "iluminação geral" de que falei, indispensável
para todos os que desejam participar da vida da graça aproveitando os efeitos
da morte do Cordeiro Imolado.
Ela é
necessária para todos, qualquer que seja o estado de vida; é a iluminação da
"caridade comum", universal.
Todos (os
cristãos) devem possuí-Ia sob pena de serem condenados; quem não a tem não está
na graça divina; desconhece o pecado e suas causas.
Toda obra
boa será remunerada, como todo mal terá seu prêmio.
Quando
praticada no estado de graça, a boa obra merece o céu; quando feita em pecado,
embora sem merecimento, terá sua paga de várias maneiras: umas vezes, concedo
vida mais longa ou inspiro a Meus servidores contínuas orações em favor, com as
quais tais pessoas se convertem.
Outras
vezes, em lugar de vida mais longa e das orações, concedo bens materiais.
O cristão
que possui bens, deve fazê-lo na humildade, sem orgulho, como coisa emprestada,
não própria.
Dou-vos
os bens para o uso.
Tanto
possuis, quanto concedo; tanto conservais, quanto permito; e tanto permito,
quanto julgo útil à vossa salvação.
Tal há de
ser a vossa atitude quanto ao uso dos bens materiais.
Assim
fazendo, o cristão obedece aos mandamentos - amando-Me sobre todas as coisas e
ao próximo como a si mesmo - e conserva o coração desapegado das riquezas,
afetivamente, como nada possuindo.
Não se
apega aos bens, não os possui em oposição aos Meus desígnios.
Possui
externamente, ao passo que seu íntimo é pobre.
Tais
pessoas, como disse, eliminam o veneno do egoísmo.
São os
cristãos da "caridade comum".
Os bens
materiais são bons em si mesmo; foram criados por Mim, bondade infinita.
Os homens
hão de usa-los como lhes aprouver, mas no temor e no amor autênticos.
Os
cristãos não devem virar escravos dos prazeres sensíveis.
Se querem
ter posses façam-no; mas como dominadores dela, não como dominados.
O afeto
do coração deve estar em Mim, não nas coisas externas; elas não pertencem aos
homens, são dadas em empréstimo.
Não tenho
preferência por pessoas ou posição social, somente pelos desejos do coração.
Quem
afastar de si o apego desregrado e se orientar para Mim na caridade e no santo
temor, tal pessoa poderá escolher o estado de vida que quiser.
Em
qualquer um deles alcançará a vida eterna.
Suponhamos
que seja mais perfeito e mais agradável a Mim que o homem viva interior e
exteriormente despojado dos bens materiais.
Se uma
pessoa não sentir a coragem de abraçar tal perfeição devido a alguma fraqueza
pessoal, que permaneça "na caridade comum"(Caridade comum - os que
seguem a Cristo obedecendo os mandamentos).
Qualquer
que seja seu estado de vida.
Em Minha
bondade dispus que assim fosse para que nenhuma pessoa viesse a desculpar-se
por pecados cometidos em determinadas situações.
Ninguém
poderá dar desculpa, Sou condescendente com as tendências e fraquezas humanas.
Se as
pessoas desejam viver no mundo, possuir bens, ocupar altas posições sociais,
casar-se, ter filhos, trabalhar por eles, façam-no.
É lícito
viver em qualquer posição social; contanto que se evite o veneno da
sensualidade, o qual pode conduzir à morte perpétua.
Se
prestares atenção verás que quase todos os males procedem do desordenado apego
e ganância da riqueza.
Disto
nasce o orgulho de quem pretende ser maior que os outros, a injustiça para
consigo mesmo e o próximo.
A riqueza
empobrece e destrói a vida da alma, torna o homem cruel consigo mesmo,
prejudica sua dignidade espiritual infinita, faz amar as coisas transitórias.
Todos têm
obrigação de amar-Me, Bem infinito.
Com a
riqueza o homem perde o gosto pela virtude, o amor da pobreza, o domínio sobre
si, torna-se escravo dos bens materiais.
Ao amar
realidades inferiores a si, torna-se insaciável.
Só a Mim
deve o homem servir; Sou seu fim último.
Quantos
perigos enfrenta o homem, por terra e por mar, a fim de adquirir riqueza e
poder voltar a sua cidade natal entre satisfações e honras; já para,conseguir a
virtude, é incapaz do menor esforço, não aceita dificuldade alguma!.
E dizer
que as virtudes são a riqueza da alma.
Diz Meu
Filho no Evangelho que "é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma
agulha que o rico entrar na vida eterna".
Referia-se
àqueles que possuem ou desejam possuir riquezas com desordenado e pecaminoso
apego à elas.
Afirmei
também existirem pobres, que se pudessem possuíam com desordenado apego o mundo
inteiro.
Também
eles não passarão pela porta estreita e baixa (agulha).
Se não se
abaixarem até o chão, se não dominarem o próprio apego, se não dobrarem
humildemente a cabeça, como poderão atravessá-la?.
Outra
porta não existe que conduza à vida eterna.
Pelo
contrário, é larga aquela que conduz à eterna condenação.
As
realidades terrenas são menores que o homem, para ele foram criadas, não
vice-versa.
Por tal
motivo os bens materiais não o satisfazem; somente Eu sou capaz de saciar o
homem.
Já os
infelizes pecadores, como cegos, afadigam-se continuamente, à procura de uma
felicidade fora de Mim, e sofrem.
Querem
saber como sofrem? Quando alguém perde algo com que se identificara seu apego
faz sofrer.
É o que
acontece com os pecadores, identificados por vários modos, com os bens
materiais.
Eles se
materializam.
Uns se
identificam com a riqueza, outros com a posição social, outros com os filhos;
uns se afastam de Mim por apego a uma pessoa; outros transformam o próprio
corpo em animal imundo e impuro.
Todos
eles assim se nutrem de bens terrenos.
Gostariam
que tais realidades fossem duradouras, mas não o são.
Passam
como o vento.
São
perdidas por ocasião da morte e de outros acontecimentos por Mim dispostos.
Diante de
tais perdas, os pecadores entram em sofrimento atroz, pois a dor da separação
se compara a desordenada afeição à posse.
Todos
estes se carregam com a cruz do diabo e experimentam nesta vida a certeza da
condenação.
Vivem
diversificamente doentes e se não se corrigirem vão para a morte eterna.
São
homens feridos pelos espinhos das contradições a torturarem-se interna e
externamente.
E por
cima, sem merecimento algum!
Sofrem na
alma e no corpo, nada merecem; é sem paciência que padecem estes males.
Vivem
revoltados, apegando-se aos bens materiais com desordenado amor.
É preciso
encher a alma de virtudes, sob o alicerce da caridade.
Em
matéria de virtudes necessita-se da perseverança.
Quem não
persevera, jamais realiza seus desejos, levando a termo o que começou.
O Meu
Filho como Ponte possui três degraus.
No
primeiro degrau o cristão se afasta da afeição terrena, despoja-se dos vícios,
no segundo, adquire as virtudes; no terceiro, goza a paz.
No
primeiro o (homem) se comporta como servo assalariado, no segundo como servo
fiel, no terceiro como filho, ou seja como pessoa que Me ama sem interesses
pessoais.
São três
estados que podem acontecer em diversas pessoas ou sucessivamente numa única
pessoa.
Acontecem
ou podem acontecer numa mesma pessoa quando ela progride esforçadamente,
aproveitando o tempo, e passa do estado servil ao liberal e do liberal ao
filial.
Temos
assim o amor servil, o amor Interesseiro e o amor amizade.
Relativamente
ao modo como se chega ao amor amizade e filial dá-se da seguinte maneira:
inicialmente imperfeito, o homem vive no temor servil; com perseverança e
esforço, chega ao amor interesseiro das consolações (espirituais) no qual se
compráz olhando-Me como algo útil para si mesmo.
Tal é o
roteiro de quem deseja chegar ao amor amizade e filial.
Este
último é o amor perfeito com ele alcança-se a herança do reino.
O amor
filial inclui o amor amizade; nesse sentido se passa do amor amizade ao amor
filial.
Mas qual
é a estrada? Vou dizê-lo.
Toda
perfeição e virtude procede da caridade; a caridade alimenta-se da humildade; a
humildade nasce do auto-conhecimento e da vitória sobre o egoísmo da
sensualidade.
Para se
atingir o amor filial é necessário, pois perseverar na cela do
auto-conhecimento.
Nesta
ceia o homem conhecerá o Meu perdão através do Sangue de Cristo, atrairá sobre
si pelo amor, a Minha caridade, procurará destruir em si toda má vontade
espiritual e temporal.
A fé viva
consiste na prática perseverante das virtudes, em não voltar atrás por motivo
algum, em não deixar a oração jamais - exceto por obediência ou caridade - pois
nenhuma outra razão existe.
É na
oração contínua, fiel e perseverante que todas as virtudes são adquiridas.
Mas é
preciso perseverar, nunca a deixar: nem por ilusão do diabo, nem por fraqueza
pessoal, qual sejam os pensamentos e impulsos íntimos, nem por conselhos
"alheios".
Como é
agradável ao orante e a Mim a prece feita na cela do auto-conhecimento.
Ali o
homem crê e ama na abundância do Meu amor, que em Meu Filho tornou-se visível e
provado no Sangue.
Sangue
que inebria a alma, reveste-a com as chamas do Amor Divino, Eucaristicamente a
alimenta.
Foi na
despensa da hierarquia eclesiástica que Eu guardei o Corpo e Sangue do Meu
Filho, perfeito homem e perfeito Deus, pois ENTREGUEI AOS SACERDOTES, A CHAVE
DO SANGUE, A FIM DE QUE O DISTRIBUÍSSEM.
Tal
Alimento fortifica de acordo com o amor de quem o recebe, seja
sacramentalmente, seja espiritualmente.
Sacramentalmente,
na comunhão Eucarística; espiritualmente, ao se comungar pelo desejo da
Eucaristia ou meditando-se a Paixão de Cristo crucificado.
Em
qualquer oração a pessoa deve começar pela vocal, passando depois à mental.
Faça-o
logo que sentir o espírito bem disposto.
Tal maneira
de agir conduzirá o orante à perfeição do amor.
Quanto
mais o homem desvencilhar sua afeição e prendê-la a Mim, mais Me conhecerá,
mais Me amará, mais Me experimentará.
Como vês,
não é pela quantidade de palavras que se chega à oração perfeita, mas pelo amor
e conhecimento de Mim e de si mesmo, cada um desses conhecimentos completando o
outro.
Nas
orações concedo consolações de diversas maneiras: uma vez será contentamento;
outra vez arrependimento que agita interiormente; vezes há que Me torno
presente na alma sem que ela o perceba, pois faço estar no espírito a pessoa de
Meu Filho em vários modos: ora sentirá na profundidade da alma grandíssimo
prazer, ora nem O perceberá, como se poderia esperar.
Sabes o
que faço para tirar o homem da imperfeição?.
Costumo
permitir-lhe pensamentos molestos e aridez espiritual, deixando-o como que
abandonado por Mim, sem nenhuma consolação.
A pessoa
já não se sente do mundo, que de fato abandonou, nem lhe parece que está
vivendo em Mim.
Uma única
fonte de paz lhe resta: a certeza de não querer ofender-Me.
Quanto à
vontade que constitui como que a porta de entrada da alma, não permito que se
abra ante os inimigos; seja os demônios como os demais adversários poderão
penetrar por outros setores, mas não pela vontade, que é a porta principal da
cidade da alma.
Como
defensor está o livre-arbítrio.
Só ele
pode deixar ou não que alguém passe.
As portas
que dão ingresso ao interior do homem são muitas.
As
principais são três: a memória, a inteligência e a vontade.
Delas,
somente uma abre quando quer e serve de defesa para as outras, é a vontade.
Com sua
permissão o primeiro inimigo a entrar é o egoísmo.
Os outros
vêm depois: a inteligência se obscurece; a memória dá acolhida ao ódio, e faz
lembrar as ofensas recebidas e se opõe a caridade pelo próximo; a memória
recorda, também, os prazeres ilícitos.
Depois de
abertas essas portas, escancaram-se os portões dos sentidos, que refletem em si
o amor desordenado e as más ações.
O olho
ocupa-se em ver coisas que não devem; por sua volubilidade, vaidade,
desonestidade, capta a morte para a própria pessoa e para os demais.
Oh, olho
infeliz! Eu te fiz para ver o céu, as belezas da criação, Meus mistérios, e tu
te fixas na lama, na baixeza, à procura da morte!.
O ouvido
compraz-se em assuntos desonestos ou fica à espreita de notícias, a fim de se
emitir julgamento, no entanto, Eu o dei ao homem, para escutar Minha palavra e
tomar conhecimento das necessidades alheias.
Quanto à
língua, criei-a para anunciar Minha palavra, confessar as culpas e promover a
salvação dos homens; mas dela serve-se a pessoa para reclamar de Mim, seu
Criador, e para prejudicar o próximo.
Murmura
contra ele, diz que suas ações são más, blasfema, dá falso testemunho, põe em
perigo a si mesmo e os demais com palavras desonestas, diz frases ofensivas
que, como punhais, ferem os corações, provocando raiva.
Como são
numerosos os pecados - homicídios, desonestidades, rancores, ódios, perda de
tempo - provocados pela língua.
O olfato
também peca por desordenado prazer de sentir perfumes; se for cheiro de
alimento, dá origem a gula, e a insaciável procura de comida, seja pela
quantidade, seja pela qualidade, a fim de satisfazer o estômago.
Quem abre
este portão da alma, infelizmente não percebe que a gula incentiva a
sensualidade e conduz a corrupção.
As mãos
foram feitas para prestar serviço ao próximo e socorrê-lo com esmolas, mas são
usadas para furtar e praticar ações desonestas.
Os pés
têm a função de conduzir o homem a lugares santos e úteis, seja para si, como
para os outros, com vistas a Minha glória e louvor; no entanto são usados para
ir-se a lugares escusos, onde conversas e divagações corrompem as pessoas.
Recordei
tudo isto, filha querida, para que possas chorar ao ver a cidade da alma em tão
grave situação, a fim de que sintas o mal que entra no homem pela porta
principal da vontade.
Entretanto,
como disse antes, não permito que os males entrem livremente no homem pela
vontade, mas podem fazê-lo pelas outras faculdades.
Assim
consinto que a inteligência seja invadida por pensamentos ruins, que a memória
pareça esquecer de Mim, que todos os sentidos se vejam sacudidos por lutas
diversas.
Tudo
isto, porém, não produz morte à alma.
De Minha
parte não quero tal morte; só mesmo se a pessoa a quiser, livremente.
Todas
essas sensações ficam na periferia da cidade da alma, não penetram em seu
interior.
A menos,
repito, que a pessoa o queira.
Qual é o
motivo que deixo o homem cercado por tantos inimigos?.
Certamente,
não para que perca a graça; mas para que veja quanto Sou misericordioso.
Quero que
confie em Mim, não em si mesmo; que se refugie em Mim e não seja negligente.
Sou seu
defensor, o Pai bondoso que deseja a sua salvação.
Quero
recordar-lhe: de Mim recebeu o ser e os demais benefícios.
Sou a sua
vida.
Como
reconhece a pessoa tal situação e Minha providência nessas dificuldades?.
Aguardando
a grande libertação, pois não a deixo permanentemente em tal estado; as
dificuldades vão e voltam conforme julgo necessário.
As vezes
quando a alma pensa estar no inferno, repentinamente vê-se livre, como que no
paraíso, sem nada ter feito pessoalmente, sente-se na paz; tudo que vê fala-lhe
de Deus; inflama-se de amor ao tomar consciência do que realizei, retirando-a
da tempestade sem nenhum esforço seu.
A
iluminação foi repentina devendo-se unicamente ao Meu inestimável amor.
Providenciei
as suas necessidades no momento certo quando já não agüentava mais.
Mas por
que não interviera Eu antes, libertando a alma das dificuldades, nos momentos
em que se dedicava à oração e aos outros exercícios?.
Porque,
sendo imperfeita, iria atribuir aos seus esforços pessoais o que não lhe
pertencia.
Como
percebes, é através de muitos combates que o homem imperfeito tende à
perfeição.
Neles a
alma experimentará Minha providência, percebendo concretamente realidades em
que antes somente acreditava.
Dou-lhe a
certeza da experiência, graças a qual adquire o amor perfeito e supera o amor
imperfeito.
Costumo
também, dar a Meus servidores júbilo espiritual e visões.
Se alguém
unicamente se preocupar na obtenção de tais favores, acabará por cair na
amargura e no tédio no momento que notar sua ausência progressiva; cada vez que
Eu não os der, julgarão que perderam a graça.
Já
afirmei que costumo visitar e ausentar-Me do homem no tocante às consolações -
sem prejuízo do estado de graça - a fim de levar à pessoa a perfeição.
Em tais
circunstâncias, muitos mergulham na tristeza e sentem-se no inferno, porque não
mais experimentam os prazeres da mente, substituídos pelos tormentos das
tentações.
Nesta
situação pode o demônio se apresentar em forma de luz.
Costuma
ele tentar os homens de acordo com as disposições espirituais que neles
encontra.
Por tal
motivo, ninguém deve desejar satisfações e visões espirituais; aspire-se
somente pela virtude.
Na
humildade, cada um se julgue indigno de tais coisas; se as receber, comporte-se
segundo a caridade.
O diabo é
capaz de mostrar-se numa figura de luz, por vários modos, na alma de quem
gulosamente sonha com visões.
Dessa
maneira ele usa o anzol do prazer espiritual para atrair a alma, e prendê-la em
suas mãos.
Se Me
perguntares: "Qual o sinal que nos indica que "a visita" é do
diabo e não Minha?" .
Respondo:
"Se for o demônio em forma de luz, sua presença inicialmente produzirá
alegria, mas pouco esta irá desaparecendo, até transformar-se em tédio, trevas
e remorso de consciência.
Ao
contrário, se for uma "visita" Minha, no começo a pessoa sentirá
temor, um temor santo que depois lhe dará alegria, segurança e uma feliz
prudência que, refletindo, não duvida.
Realizo
todas essas coisas por amor; quero que o homem progrida na humildade, na
perseverança; quero ensinar-lhe a não ditar regras (ao Espírito Santo), a não
considerar as consolações com uma finalidade.
Quero que
alicerce em Mim a sua virtude; que aceite os acontecimentos e Meus dons com
humildade.
Quero que
acreditem no seguinte: que concedo as consolações espirituais de acordo com as
necessidades da sua santificação e aperfeiçoamento.
Quero que
além de ti, muitas outras pessoas, - como servidores Meus - ao ouvir tais coisas
sejam levados a orar obrigando-Me a usar de misericórdia para com o mundo e
para com a hierarquia da Santa Igreja pelo qual tanto suplicas.
Como
deves recordar, afirmei que escutaria vossos pedidos, confortar-vos-ia nas
lutas, faria frutificar vossos desejos, enviando pastores bons e santos para a
reforma da Santa Igreja.
Disse que
não é pela guerra, pela espada e pela crueldade que isto acontecerá, mas com a
paz, a tranqüilidade, as lágrimas e suores dos Meus servidores.
Eis a
razão por que vos coloquei a trabalhar por vós mesmos, pelos demais cristãos e
hierarquia da Santa Igreja.
Não
cesseis de oferecer-Me o incenso perfumado de vossas preces pela salvação da
humanidade!
Quero
perdoar o mundo, quero lavar a face da Santa Igreja com vossas orações, suores
e lágrimas.
Costuma o
homem cair em pecado mortal embora nenhuma força externa, graças à sua
liberdade, o possa obrigar, incluindo a própria fraqueza.
Pelo
pecado mortal a pessoa perde a graça batismal; como remédio, o Pai deixou a
penitência (confissão), que constitui um perene batismo no Sangue.
Ela é
recebida mediante a contrição e confissão dos pecados aos ministros; possuindo
a chave do Sangue, eles, pela absolvição O derramam na face da alma.
Sendo
impossível a confissão, basta a contrição interior, pois com ela o Meu Espírito
vos dá o Meu perdão.
Mas se a
confissão for possível quero que a façais; não recebe o perdão aquele que
podendo fazê-lo, não a procura.
Paciência,
fortaleza, perseverança - eis as três virtudes, alicerçadas na caridade, e iluminadas
pela fé, que fazem o homem andar na verdade, sem trevas.
O desejo
santo eleva os perfeitos; já ninguém os consegue destruir: nem os demônios com
suas tentações, nem os homens com seus ataques.
O mundo,
ao persegui-los na realidade os teme.
Os perfeitos
tornaram-se pequeninos pela humildade; costumo permitir dificuldades para
fortalecê-los e engrandecê-los diante de Mim e do mundo.
Podes
comprová-lo em Meus santos: como se fizeram pequeninos por Minha causa, Eu os
engrandeci em Mim e na Igreja, sendo seus nomes sempre lembrados; escrevi seus
nomes no Livro da Vida.
Uma coisa
é certa: ninguém entra na vida eterna se não for obediente (Mt. 19,17).
A
obediência foi a chave que abriu a porta do céu, da mesma forma como a
desobediência de Adão a fechara.
O sinal
indicador de que possuis a obediência é a virtude da paciência; se não a tens a
impaciência o dirá.
Impelido
pela Minha grande caridade, tomei nas Mãos a chave da obediência e a entreguei
a Meu Filho.
Desempenhando
a função de porteiro; Ele reabriu a porta do céu.
Sem tal
chave e tal Porteiro, ninguém ali conseguiria entrar.
Cada um
tem consigo a obediência de Cristo.
Embora
tenha Ele aberto a porta do céu ocorre que cada um, pela fé e pelo amor, use
tal chave para destrancar aquela porta.
Criei-vos
sem vossa colaboração; não pedistes para existir; mas sem vossa participação
não vos salvarei.
É de
vosso interesse caminhar pela obediência na mensagem do Meu Filho sem
interrupções, sem amar os bens passageiros.
"Param"
aqueles que seguem o homem velho, o primeiro Adão, que jogou na lama do pecado
a chave da obediência, que a quebrou pela soberba, que a arruinou com o
egoísmo.
Depois
veio Meu Filho, tomou-a nas mãos, retirou-a da lama, purificou-a na chama do
amor, lavou-a com Seu Sangue, endireitou-a e com ela destruiu os vossos pecados
no próprio Corpo.
Da mesma
forma como o homem destruíra a obediência pela sua liberdade, Cristo livremente
a reformou pela graça.
Oh homem
cego, estragaste a chave de obediência e não te preocupas em restaurá-la.
Achas que
a desobediência conseguirá abrir a porta do céu; bem ela que o fechou!.
Julgas
que o orgulho é capaz de conduzir-te ao céu, bem ele que de lá caiu!.
Imaginas
ir às núpcias ligado pelas correntes do pecado?.
Ou crês
possível abrir a porta celeste sem chave alguma?.
Não
creias; estaria enganada a tua imaginação!
É preciso
que te libertes; livra-te do pecado pela confissão, contrição, propósito de não
mais pecar.
Somente
assim atirarás num canto a roupa suja e com a fé e a obediência abrirás aquela
porta.
Amarra à
sua cintura tal chave com o cordão da humilhação e do desprezo por ti mesmo e
pelo mundo, a fim de que não a percas.
Dependura-a
no cinturão que é Minha vontade de que deves estar cingido.
Todos são
postos a trabalhar na vinha da obediência, cada um a seu modo; todos terão a
sua paga não pelo que fez ou pelo tempo de serviço, mas na proporção do quanto
amou.
Quem
começou primeiro não receberá mais que o companheiro que veio depois, assim
como mostra o Evangelho (Mt 20,1-16), na passagem em que Jesus narra a parábola
dos operários ociosos, enviados pelo Senhor ao trabalho de sua vinha.
O patrão
deu o mesmo salário aos que haviam começado na aurora e aos demais que se
apresentaram às seis, nove, doze, quinze horas e ao entardecer.
Meu Filho
quis revelar que não sereis premiados de acordo com a duração e o tempo de
trabalho, mas de acordo com o amor.
Desde o
início do mundo até agora Minha providência cuida e continuará a cuidar das
necessidades e salvação dos homens.
Realiza
tal obra por formas diversas, conforme parecer melhor a Mim, médico verdadeiro
e justo, ante vossas enfermidades.
Para quem
a acolhe, Minha providência jamais faltará.
Não
reconheço os que Me imploram sem a prática da virtude, sem a vivência da
justiça.
Ao
confiar em Mim e ao servir-Me, necessariamente o homem tem que renunciar a si e
ao mundo, tem de não apoiar-se na própria fraqueza.
A
esperança humana é mais ou menos perfeita conforme o amor da pessoa; será
igualmente nessa medida que cada um terá a experiência da Minha providência.
Aqueles
que Me servem e só em Mim confiam, experimentá-la-ão mais profundamente do que
as almas cuja esperança se fundamenta em interesses e compensações.
A pessoa
insensata não percebe que vivo em contínuos cuidados pelo mundo, em geral, e
por cada homem em particular, de acordo com as suas necessidades.
Aos
homens em particular, ajo conforme quero: acontecerá a vida ou a morte, a fome
ou a sede, mudanças de posição social, nudez e calor, injurias, caçoadas e
traições.
Permito
que as pessoas digam e façam tudo isso.
Não
procede de Mim a malícia da vontade, presente naqueles que praticam o mal e
injuriam; mas de Mim recebem o ser e a existência.
Sem
dúvida, não lhes dou o ser para que pequem contra Mim e o próximo; dou-o para o
serviço e o amor.
Permito o
mal a fim de que o ofendido prove a sua paciência ou a adquira.
Também
não deixo, de proteger bondosamente as pessoas.
Faço a
terra produzir frutos, tanto para o pecador como para o justo (Mt 5,45),
propiciando o sol e a chuva para as lavouras.
Algumas
vezes o pecador recebe até mais do que o justo.
Ajo
assim, para dar maiores riquezas espirituais ao justo, que por Meu amor se
despojou de bens materiais e mesmo da vontade própria.
Diretamente
para a alma, deixei na Santa Igreja os sacramentos.
Eles são
o alimento da alma; a alma é incorpórea e vive da Minha Palavra, ao passo que o
pão material destina-se ao sustento do corpo; neste sentido afirmou Meu Filho
no Evangelho, "não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai de
Mim" (Mt 4,4).
"Vive"
a alma, quando segue por intenção íntima a mensagem da Minha Palavra encarnada.
É essa
palavra que dá a vida no Sangue através do sacramentos; enquanto espirituais,
eles se destinam à alma.
Quando
são recebidos apenas materialmente, não produzem a vida da graça.
Os
sacramentos supõem que o homem os receba com disposições espirituais de desejo
santo.
Ora, este
não provém do corpo mas da alma.
Em tal
sentido afirmei que os sacramentos são "espirituais" e destinam-se à
alma, que é incorpórea.
Embora
ministrados através do corpo, quem os recebe é o desejo da alma.
Enquanto
estás no mundo, sempre vos é possível progredir e merecer.
Para isso
Eu vos purifico quanto ao egoísmo espiritual e sensível, podando-vos com
sofrimentos para que produzais frutos.
O
sofrimento é ainda um sinal, serve de prova, nele o homem revela o grau de
perfeição ou imperfeição em que está.
Filha
querida, tal é Minha providência em favor dos homens, atuada em situações
infinitas e por admiráveis modos.
Os maus
não a percebem, por que as trevas não Me compreendem (Jo 1,5); mas é percebida
por quem tem a fé, perfeita ou imperfeita que seja, de acordo com a iluminação
que recebeu.
Após ter
recebido a precedente iluminação geral, o cristão não deve-se dar por
satisfeito.
Enquanto
viveis neste mundo, podeis, e deveis progredir.
Se alguém
estaciona, por isto mesmo retrocede.
É
necessário crescer naquela iluminação recebida com a graça, ou superar o que é
imperfeito para atingir a perfeição.
De fato,
existe uma segunda iluminação para quem aspira à perfeita.
Ela é
dupla para aqueles que se elevaram do comum comportamento do mundo.
Cada
pessoa recebe tal luz conforme suas aptidões e disposições.
Como
acréscimo à luz da razão, a inteligência é iluminada por uma luz infusa
proveniente da graça.
Foi com
esta segunda luz infusa e sobrenatural que os Doutores da Igreja e demais
Santos conheceram a verdade, transformando a escuridão em claridade.
Elas não
pertencem, contudo ao depósito da fé.
A função
delas não é melhorar ou completar a revelação definitiva de Cristo, mas ajudar
a viver dela com mais plenitude em uma determinada época da história.
Guiado
pelo Magistério da Igreja o senso dos fiéis sabe discernir e acolher o que
nessas revelações constitui um apelo autêntico de Cristo ou de seus santos, à
Igreja.
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