MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O LII DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS Tema: « "A verdade vos tornará livres” ( Jo 8, 32)....
sábado, 21 de março de 2020
São Miguel Arcanjo e o fim da peste em Roma
Com o
poder da oração, o Papa São Gregório Magno conseguiu deter a peste que
atingira Roma. O arcanjo Miguel desceu sobre o Castel Sant’Angelo
renunciando ao uso da espada. Por isso, hoje pode-se ver a grande
estátua de bronze do arcanjo sobre o Mausoléu de Adriano e explica-se o
novo nome do monumento
Maria Milvia Morciano – Cidade do Vaticano
A vista panorâmica de Roma se caracteriza por figuras aladas: pode-se ver em vários monumentos clássicos da cidade, são Nikai,
Vitórias Aladas, símbolo da República, semelhantes às da antiga Roma.
Mas também por figuras angélicas, como as que estão ao longo da ponte
que leva ao Castel Sant’Angelo.
Ouça a reportagem
A estátua de São Miguel sobre o Castel Sant’Angelo
Porém com um particular: uma grande estátua de São Miguel Arcanjo. A
iconografia é profundamente diferente da canônica. A colocação do corpo é
estática, não exprime a energia dinâmica que estamos acostumados, como
por exemplo nas pinturas de Rafael ou Guido Reni. O anjo não está
agindo, mas está parado antes de agir. Chegou há pouco e aos seus pés
não há o maligno contraído e vencido. São Miguel tem o braço levantado,
instantes antes de voltar a colocar a espada na cintura. Um gesto de paz
e de misericórdia.
A peste de 590 em Roma e São Gregório Magno
Gregório Magno sucedeu Pelágio II em setembro do ano 590, que morrera
devido à terrível pestilência vinda do Egito no ano anterior. A chamada
lues inguinaria que causou inúmeras mortes e parecia não cessar.
Então o Papa decidiu organizar uma ladainha septiforme, isto é, uma
procissão dividida em sete cortejos aos quais participaram todas as
ordens do clero e toda a população de Roma. Eles atravessaram as ruas da
cidade, para levar até a Basílica de São Pedro a imagem de Maria Salus Populi Romani, conservada na Basílica de Santa Maria Maior e pintada pelo evangelista Lucas.
Sim, exatamente o ícone tão amado pelo Papa Francisco, que ele visita
todas as vezes que deve viajar. Recordemos que também a visitou no
domingo passado (15), durante a sua primeira etapa de peregrinação para
invocar o fim da pandemia.
Gregorio de Tours no Historiae Francorum (liber X, 1) e Iacopo de Varazze, na Legenda Aurea,
narram o memorável prodígio de modo premente e fervoroso. Durante a
procissão, em apenas uma hora morreram oitenta pessoas, mas Papa
Gregório não deixava de encorajar e ir adiante com fé. À medida que o
cortejo se aproximava da Basílica de São Pedro, o ar tornava-se mais
leve e salubre. Ao chegarem na ponte que ligava a cidade ao Mausoléu de
Adriano, na época chamado Castellum Crescentii, de improviso desceram do céu fileiras de anjos que cantavam orações que depois se tornariam o Regina Caeli,
a antífona que no tempo pascal substitui o Angelus: “Regina Coeli,
laetare, Alleluja – Quia quemmeruisti portare, Alleluja – Resurrexit
sicut dixit, Alleluja!”.
São Gregório respondeu: “Ora pro nobis rogamus, Alleluja!”. Os anjos
pairavam mais baixo quase sobre a cabeça dos presentes e por fim
circundaram a pintura de Maria. Gregório olhou para cima e viu sobre o
cume do castelo a grande figura armada do arcanjo enquanto enxugava o
sangue da espada e a recolocava na cintura. A peste tinha acabado.
Para recordar o milagre uma grande estátua do Arcanjo Miguel
A estátua que hoje podemos admirar no alto do mausoléu é obra do
escultor flamingo Peter Anton Verschaffelt, que venceu o concurso
convocado pelo Papa Bento XIV Lambertini por ocasião do Jubileu de 1750.
Inaugurada em 1752, a grande estátua (4,70m x 5,40 m) tem uma planta
mais convencional, formada por 35 peças de bronze sustentadas por uma
armação interna, substituída em 1986 por uma de aço e titânio.
Uma profunda diferença entre as figuras aladas e o Arcanjo Miguel
As vitórias aladas parecem tomar impulso para se lançar em voo, para
sair da terra, para atravessar o céu com seus símbolos terrenos. São
Miguel, ao contrário, chega e põe seus pés no chão, a ponto de deixar
pegadas, marcadas em uma pedra conservada no museu do Castelo,
ensinando-nos que ele está presente, aqui conosco, e pronto a interceder
se lhe pedirmos com fé.
S. Nicolau de Flüe, 'Bruder Klaus' Museum “Meu Senhor e meu Deus, afastai de mim tudo o que me
distancia de vós! Meu Senhor e meu Deus, concedei-me tudo o que possa me
aproximar de vós! Meu Senhor e meu Deus, livrai-me de mim mesmo e
permiti-me de viver sempre na vossa presença!”.
Nicolau nasceu em uma família de camponeses, na cidadezinha de Flüe,
na região de Obwalden, então Confederação dos oito Cantões da Suíça
central. Apesar de permanecer analfabeto por toda a vida, foi
considerado um dos maiores místicos da Igreja católica. Sua vocação
brotou logo em seu coração, mas, entre 1440 e 1444, teve que partir como
soldado, e depois como oficial, nas guerras que os confederados
declararam aos Habsburgos; por fim, voltou para casa e se casou com
Doroteia, com quem teve dez filhos.
No deserto, em meio ao seu povo
Passaram-se 20 anos, mas, em Nicolau, a voz de Deus jamais se apagou,
muito pelo contrário. Ele a chamava "lima que aperfeiçoa e aguilhão que
estimula". Enfim, o Senhor lhe concedeu as três graças que ele
queria: o consentimento de sua esposa e filhos para partir; a ausência
de tentação de voltar e a possibilidade de viver sem beber e sem comer.
Embora seu último filho fosse recém-nascido, Nicolau partiu, finalmente,
com o objetivo de se retirar e entrar para a vida monacal das
comunidades da Alsácia, com as quais estava em contato. Transcorria o
ano de 1467, um período delicado para a Confederação Helvética,
encruzilhada para o comércio Europeu; aquele ano marcou o fim do Cisma
Ocidental. No entanto, Nicolau não foi muito além de Liestal, no
Cantão da Basileia, para não ficar muito longe de casa. Assim,
estabeleceu-se em um lugar íngreme, chamado Ranft, onde construiu uma
cela de tábuas, que, depois, se tornou capela pelos habitantes da
localidade. Ali, viveu por 20 anos, vestido com roupas rudes, descalço,
com o terço na mão, alimentando-se apenas de Jesus na Eucaristia. Mas
não viveu sempre sozinho.
"Se eu tiver humildade e fé, não posso errar a estrada"
Esta sua escolha despertou a curiosidade dos habitantes da região.
Muitos o procuravam para conversar com ele, pedir conselhos, explicações
sobre coisas religiosas e até espiá-lo. Eles o chamavam Bruder Klaus,
Irmão Klaus, que falava com simplicidade, sem comparações eruditas,
porque seu conhecimento sobre Deus vinha do coração. Não obstante
sua sede de solidão, ele recebia todos e transmitia sua mensagem de paz,
que provinha do Evangelho: "Em todas as coisas, a misericórdia é maior
que a justiça", dizia. Nicolau não deixava sempre seu refúgio e, se o
fazia, era por uma boa causa. Por exemplo, em 1481, pediram para ele
impedir uma guerra fratricida no país. Devido à sua intervenção junto à
Assembleia de Stans, hoje o santo é recordado como "Pai da Pátria".
Em 1482, ele foi novamente requisitado para resolver uma questão entre
Constança e a Confederação sobre o exercício do direito em Thurgau. Na
ocasião, ele também foi capaz de restabelecer a paz. Nicolau de Flüe faleceu em sua cela, em 1487, no dia em que completava 70 anos de idade. Foi canonizado por Pio XII, em 1947. https://www.vaticannews.va/pt/santo-do-dia/03/21/s--nicolau-de-fluee--padroeiro-da-suica.html
Nenhum comentário:
Postar um comentário