Meditação Diária
Dom, 23 – Pentecostes (Solenidade) – Ano B

At 2, 1-11 / Slm 103 (104), 1ab.24ac.29bc-31.34 / 1 Cor 12, 3b-7.12-13 / Jo 20, 19-23
O Pentecostes era uma festa muito antiga dos judeus, que ocorria 50 dias depois da Páscoa. Nela se celebrava a chegada do povo judeu ao monte Sinai. Aí Moisés recebeu de Deus a Lei fundamental, que iria orientar toda a vida do povo eleito. No contexto desta celebração, o evangelista Lucas apresenta a descida do Espírito Santo como a nova lei, na continuação da missão de Jesus, que subiu ao Céu.
A vinda do Espírito Santo sobre os Apóstolos causa uma feliz revolução: o medo transforma-se em coragem; a multiplicidade de povos e de línguas deixa de ser um obstáculo à comunicação e passa a ser compreensão e entendimento entre todos. As nossas famílias, comunidades e grupos não precisarão de se deixar converter pelo Espírito de Deus, a fim de que haja mais coragem em tomar as decisões necessárias e para que se promova mais entendimento e união a partir das múltiplas diversidades?
São Paulo escreve aos cristãos de Corinto, onde se notavam discórdias e divisões: direitos que se transformavam em privilégios; qualidades que se usavam como um pódio de prestígio e honra. O que há de bom e excelente em cada um deve ser usado como instrumento de serviço e não como um pedestal de glória pessoal: «Em cada um se manifestam os dons do Espírito para o bem comum», recorda Paulo. A família ou a comunidade perfeita, aquela que é modelada pelo Espírito de Deus, é a que põe como prioridade o bem comum. Só servindo os outros, inspirados pelo Espírito, somos verdadeiramente amigos de nós mesmos.
O Evangelho de João sublinha que a presença de Jesus ressuscitado no meio dos crentes é fonte de alegria que afugenta o medo. Não é verdade que precisamos de vivenciar a presença de Jesus vencedor da morte no meio de nós, desfazendo-nos de pessimismos derrotistas e abrindo-nos ao dom do Espírito Santo que nos ressuscita da letargia do desânimo impaciente? Celebrar o Pentecostes não é uma recordação histórica de um acontecimento de há dois mil anos. É fazer festa porque Deus está connosco, é nosso fundamental aliado e atua em nós pelo Espírito Santo e santificador.

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