Odiar o próximo como a ti mesmo...
Ódio é uma palavra que vem do latim (odium, -ii), que se traduz por aversão, ressentimento, má vontade, animosidade, irritação, desagrado, insolência. É um substantivo masculino, um sentimento geralmente motivado por antipatia, ofensa ou raiva (in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa).
Este sentimento é tão antigo quanto o mundo. Sempre esteve presente na humanidade e serviu para direcionar grandes momentos da história. Contribuiu para guerras, invasões, colonizações, impôs violentamente a soberania nos povos e continua sendo alimentado em todos os departamentos públicos. Onde as pessoas estão, sempre haverá em maior ou menor grau a linha do ódio.
É notório que essa “cultura” vem se espalhando, graças ao poder dos meios de comunicação que trazem à tona as mais horríveis e escandalosas formas de aversão e antipatia. O chamado “discurso do ódio” se difunde rapidamente e é acolhido com naturalidade pelos simpatizantes dessa forma descabida de relacionamento social. Neste caso os iguais se atraem e formam seus núcleos de destruição, impulsionados pelo medo e pelo autoritarismo que não dialoga porque não possui argumentos palpáveis para iniciar uma mudança de mentalidade.
O ódio provém de uma baixa estima que tenta reforçar a superioridade manipulando o outro e agredindo sua integridade. É sábio o dito: “a boca fala daquilo que o coração está cheio” ou “cada um dá o que possui”. O que se vê nas mídias sociais e em qualquer espaço, é que as pessoas estão realmente desorientadas em seus sentimentos e pensam que podem destilar seu fel ao próximo. O veneno do ódio é mortal e uma vez lançado causa total estrago trazendo sofrimento e vingança.
A máxima cristã do amor ao próximo tem se transformado em ódio ao próximo. E neste chão pisam aqueles que deveriam ser os primeiros a se policiar sem deixar que seus ressentimentos comandassem essa onda de desequilíbrio fruto da total negação de si. Quem foge de seus sentimentos e alimenta seus monstros torna-se diabólico. O ódio tem poder de atração e alienação. Basta olhar para nossa sociedade atual e verificar o que ele tem edificado. Garanto que nada de bom pode vir de um coração amargurado, ressentido, raivoso. Neste meio não há vencedores, somente destruidores fanáticos que pensam que o discurso de ódio traz algum benefício. Na verdade, são seres errantes, desprezados por si mesmos que projetam sua podridão em vidas indefesas. São a comida dos porcos da qual fala a narrativa evangélica do Filho Pródigo.
Contra essa cultura vigente, nós cristãos e toda a sociedade que acredita na vida, devemos combater com aquele sentimento que nos exalta, o amor que gera autoestima e nos move para o bem. É incoerente defender e aplaudir pessoas movidas pelo ódio. E aqui, faço um apelo para que os cristãos católicos, tenham consciência crítica em relação ao que ouvem, veem e falam para não serem cumplices daqueles que se escondem atrás de ideologias macabras. Eu creio na lei do retorno, faça o bem e terá o bem, odeie e terá em dobro o ódio do mundo. É urgente lapidar os sentimentos.
Paz e bênçãos!
Pe. Nilton Cesar Boni cmf
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