Exaltação da Santa Cruz 14/09/2022
Afternoon Prayer
With Jesus in the Afternoon
Stop for a few minutes and listen to the Lord who asks you: What worries you? What are you looking for? Pope Francis gives the answer to any evil: “The Cross of Jesus is the word with which God has responded to evil in the world. Sometimes it seems to us that God does not respond to evil and remains silent. Actually, God has spoken and answered; and his answer is the Cross of Christ. A word that is love, mercy, forgiveness." You can join the list of those who find all the answers in Love. Move forward!
"A cruz é o trono de Deus." Papa Francisco.
30 Março 2016
O Natal e a Páscoa são os
momentos mais importantes na vida da Igreja todos os anos, e geralmente
pode-se a Na Sexta-Feira Santa, o Papa Francisco desafiou os seus estereótiposprender muitas coisas sobre o que passa pela cabeça de um papa
apenas prestando-se atenção cuidadosa às observações que ele fez nessas
ocasiões.
Nessa semana de Páscoa, talvez os insights mais impressionantes vieram em uma oração que Francisco proferiu na Sexta-Feira Santa durante a procissão da Via Sacra em Roma.
A reportagem é de John L. Allen Jr., jornalista, publicado por Crux, 29-03-2016. A tradução é de Isaque Gomes Correa.
A oração foi essencialmente um hino de louvor à Cruz, a expressão de um amor disposto a sofrer e morrer para salvar o mundo.
Francisco identificou 14 situações contemporâneas nas quais acredita que a dor de Cristo ainda é palpável. Muitas delas corroboraram a imagem popular que se tem dele de um papa progressista, em busca de paz e justiça: as pessoas fugindo da guerra e da violência, os comerciantes de armas, a corrupção, a destruição do meio ambiente, os mares Mediterrâneo e Egeu tornando-se “cemitérios insaciáveis” aos refugiados, e assim por diante.
O pontífice igualmente listou situações onde se pode ver a Cruz em um sentido mais positivo, como manifestações do amor que se doa: as religiosas, os religiosos, os ministros “fiéis e humildes”, etc.
No entanto, há três pontos onde Francisco inovou, por assim dizer, apresentando ideias que fogem do estereótipo criado e torno de sua pessoa.
Em cada caso, irei citar a próprio pontífice e, em seguida, desenvolver o que aí se diz, ainda que brevemente.
Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje naqueles que querem tirar-te dos lugares públicos e excluir-te da vida pública, em nome de certo paganismo laicista ou mesmo em nome da igualdade que tu própria nos ensinaste.
Em geral, Francisco é visto como um papa que tem uma relação cordial com o mundo profano, dialogando amigavelmente com jornalistas ateus de esquerda, telefonando a políticos radicais quando eles estão adoecidos, aparecendo na capa de revistas pró-LGBTs...
A linguagem que empregou na Sexta-Feira Santa, no entanto, foi um lembrete de que ele não é nenhum ingênuo quanto ao mundo secular, entendendo rapidamente que existem situações nas quais a suposta neutralidade religiosa do laicismo transfigura-se em um preconceito declarado para com as religiões.
Os espanhóis, por exemplo, ouviram este trecho da oração como uma referência a uma contenda que ocorreu em Madri, onde um novo prefeito de esquerda reformulou um evento cívico que celebra a Epifania, evento conhecido como a “Cabalgata de los Reyes”, a cavalgada dos três reis magos. As mudanças feitas incluíram o acréscimo de uma homenagem à Mãe Terra, a um caminhão de música, dançarias, músicos africanos e árabes. Na encenação dos Reis Magos, houve uma mulher desempenhando um dos papéis.
Os críticos entenderam estas alterações como uma tentativa de descristianizar o festival.
Esta percepção se reforçou com uma decisão proposta feita em Sevilha, que acabou fracassando por sua incapacidade de ser posta em prática: a eliminação das referências religiosas dos nomes das ruas de uma cidade onde a metade de suas avenidas e bulevares possui nomes de santos.
Tendências parecidas se fazem evidentes em outros lugares, inclusive nos Estados Unidos, e os tipos de cristão que provavelmente se surpreendem aqui – aqueles que veem a laicidade como uma ameaça potencial e para os quais defender a religião destas invasões seculares é uma prioridade – não estão necessariamente acostumados a achar que Francisco é um aliado seu.
No entanto, na Sexta-Feira Santa Francisco demonstrou saber destas ameaças e, talvez, poderá passar a ser mais franco nesse sentido também.
Misericórdia, justiça e fé
Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nos misericordiosos que encontram na misericórdia a expressão mais alta da justiça e da fé.
Uma outra crítica frequente de Francisco é a de que a sua ênfase na misericórdia é aberta a interpretações equivocadas, na medida em que indica um abrandamento sobre a ideia de justiça – segundo a qual deve haver consequências para o pecado – e que ela sinaliza uma lassitude em torno das demandas tradicionais do magistério e da prática católica.
Com efeito, Francisco respondeu a essa crítica sugerindo que a misericórdia não é a negação da justiça e da fé, mas “a sua maior expressão”.
A misericórdia seria uma virtude que comunica o modo de agir da Igreja em responsabilizar e disciplinar, não como um meio de questionamento sobre se tais coisas são necessárias em primeiro lugar.
Fidelidade e fecundidade
Ó Cruz de Cristo, vemos-te ainda hoje nas famílias que vivem com fidelidade e fecundidade a sua vocação matrimonial.
Enquanto o mundo católicos aguarda a publicação da exortação apostólica de Francisco sobre a família, em que irá apresentar as conclusões dos dois últimos Sínodos dos Bispos, há no ar a preocupação de que ele, o papa, está tão focado nas situações matrimoniais desfeitas e “irregulares” que poderá acabar, assim, desencorajando os fiéis que tentam viver a verdade plena do que a Igreja ensina a respeito do matrimônio e da sexualidade.
Nesse sentido, é surpreendente que a referência clara que ele fez à família neste seu discurso acentua exatamente as qualidades que, por vezes, ele foi acusado de estar minimizando:
• A “fidelidade”, que significa, em parte, que o matrimônio é um compromisso indissolúvel para toda a vida.
• A “fecundidade”, que frequentemente é vista como uma espécie de código católico para a abertura à nova vida gerada e à adesão à proibição tradicional do emprego de métodos contraceptivos artificiais.
O uso destas duas palavras-chave foi uma forma de Francisco sinalizar que ele não está alijando a compreensão tradicional católica sobre a família, independentemente do que ele venha a escrever quanto a estes pontos específicos em seu documento por vir.
É claro que Francisco não concebeu a sua oração desta Sexta-Feira Santa para que fosse uma represália aos críticos ou um manifesto político. O seu texto foi uma oração espiritual orientada para a Cruz a ser feita durante o período mais sagrado do calendário cristão.
É também verdade que aqueles que se convenceram de que Francisco está sendo um brando demais nestes temas podem considerar a sua linguagem aqui como um mero exercício retórico, não necessariamente baseado em decisões políticas.
Mesmo assim, é sempre intrigante quando uma figura pública desafia a sua própria narrativa, independentemente do que isso possa vir a significar, e foi isso basicamente o que Francisco fez, num momento no qual é seguro supor que ele ponderou as suas palavras com um cuidado especial.
13 Setembro 2022
"Chegou a hora de dar um Basta! Pelo voto haveremos de manifestar nossa vez e nossa voz em prol de um Brasil sem medo de ser feliz", escreve Frei Betto, escritor, autor de “Tom vermelho do verde” (Rocco).
Livro "Tom vermelho do verde" | Foto: divulgação
Eis o artigo.
Nas campanhas políticas anteriores, desde a redemocratização em 1985, adesivos e cartazes de candidatos eram vistos afixados em veículos, lojas e domicílios. Havia bandeiras de partidos expostas do lado de fora de apartamentos e à frente de casas. Carreatas percorriam as principais vias das cidades exibindo propaganda dos candidatos.
Agora, quem ousa afixar em seu carro um adesivo eleitoral, exceto em atos com grandes concentrações? O que resta é a propaganda eleitoral no rádio e na TV e nos comícios de candidatos majoritários. Nem parece que o destino de 215 milhões de brasileiros será decidido em menos de um mês por 156 milhões de eleitores.
Os candidatos ao Legislativo ousam mostrar a cara, promover eventos de campanha, sair às ruas em busca de votos. Querem ser cada vez mais conhecidos. Mas o fazem cercados de cuidados. Sabem que correm o perigo de agressão física e, quase sempre, entre aplausos e apoios, escutam uma ofensa ou injúria. Mas não lhes resta alternativa senão enfrentar o risco.
Os candidatos a cargos majoritários são mais cautelosos. Contam com a proteção de forças policiais e adotam esquemas profissionalizados de segurança. Em concentrações públicas, o público é revistado e a segurança reforçada.
Fora momentos de campanhas e propaganda radiotelevisiva, há poucos indícios de que o Brasil irá às urnas dentro de poucas semanas. As pesquisas indicam que o eleitorado já sabe em quem votar, e o número de brancos e nulos tende a decrescer. Mas o eleitor parece retraído quando se trata de batalhar por seus candidatos.
Nas redes digitais, as campanhas correm soltas e o clima de guerra se acentua, agravadas pela avalanche de fake news e tentativas de ridicularizar adversários. O espaço virtual se aquece; o presencial arrefece.
Esse clima eleitoral inusitado se deve à cultura miliciana que paira sobre a população brasileira como uma nuvem densa e pesada a ameaçar dilúvio. O ar que respiramos está impregnado de belicismo. Teme-se, não uma palavra ofensiva do adversário, mas uma facada ou um tiro.
É a banalização do mal. Ou melhor, a bolsonarização da violência.
Esta é a campanha eleitoral do medo. O medo é uma reação involuntária em prol de nossa sobrevivência. Temos medo de assalto e, por isso, não caminhamos solitários por determinadas ruas à noite; o medo de atropelamento nos faz esperar o sinal fechar; o medo de um cão nos impede entrar em uma casa enquanto ele estiver solto.
Nosso medo é que o Inominável seja reeleito e, assim, acelere o desmonte do Estado brasileiro e fortaleça o comércio de armas, o garimpo ilegal, a impunidade a quem desmata nossas florestas. Medo de um arremedo de democracia militarizada, de forças de segurança agindo ao arrepio da lei, de mulheres, negros e indígenas prosseguirem vulneráveis à ação cruel da supremacia machista e racista. Medo de que a fome prospere e a desigualdade social se agrave.
O medo é uma sensação de insegurança, pavor ou repúdio diante de uma pessoa, um objeto ou uma situação. Quando temos medo, nosso cérebro produz substâncias que disparam o coração, tornam a respiração ofegante, contraem os músculos.
Como perder o medo? Só conheço um antídoto: quando aquele ou aquilo que se ama tem, a nossos olhos, um valor acima de nossas próprias vidas. Pode ser uma pessoa, uma causa, um ideal ou até mesmo uma utopia. É o que imprime coragem frente uma situação de ameaça. E o que está em jogo nesta eleição não é a minha vida, é a vida de um povo, a independência de um país, a soberania de uma nação, a conquista da democracia.
No 7 de setembro o bicentenário de Independência foi jogado para escanteio e o que se viu foi um escandaloso uso da máquina pública, com dinheiro do contribuinte, para tentar alavancar o candidato que ora ocupa o Planalto.
Ele, que tanto prometeu golpe na data, recuou. Faltaram-lhe apoios internacional e do grande capital nacional. Restringiu-se a aglomerar supostos apoiadores (sei de funcionários que votam Lula, mas embolsaram calados o dinheiro extra dado pelo patrão e compareceram) e suscitar em coro um refrão chulo digno de cervejada miliciana: “Imbrochável!”, enlameando a família brasileira que ele diz tanto defender e respeitar.
Chegou a hora de dar um Basta! Pelo voto haveremos de manifestar nossa vez e nossa voz em prol de um Brasil sem medo de ser feliz.
https://www.ihu.unisinos.br/categorias/622122-por-que-tanto-medo-artigo-de-frei-betto

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