Ant. 3 Na velhice, com os meus cabelos brancos,
eu vos suplico, ó Senhor, não me deixeis!
II
–14 Eu, porém, sempre em vós confiarei, *
sempre mais aumentarei vosso louvor!
–15 Minha boca anunciará todos os dias *
vossa justiça e vossas graças incontáveis.
–16 Cantarei vossos portentos, ó Senhor, *
lembrarei vossa justiça sem igual!
–17 Vós me ensinastes desde a minha juventude, *
e até hoje canto as vossas maravilhas.
–18 E na velhice, com os meus cabelos brancos, *
eu vos suplico, ó Senhor, não me deixeis!
–19 Ó meu Deus, vossa justiça e vossa força *
são tão grandes, vão além dos altos céus!
– Vós fizestes realmente maravilhas. *
Quem, Senhor, pode convosco comparar-se?
=20 Vós permitistes que eu sofresse grandes males, †
mas vireis restituir a minha vida *
e tirar-me dos abismos mais profundos.
–21 Confortareis a minha idade avançada, *
e de novo me havereis de consolar.
–22 Então, vos cantarei ao som da harpa, *
celebrando vosso amor sempre fiel;
– para louvar-vos tocarei a minha cítara, *
glorificando-vos, ó Santo de Israel!
–23 A alegria cantará sobre meus lábios, *
e a minha alma libertada exultará!
–24 Igualmente a minha língua todo o dia, *
cantando, exaltará vossa justiça!
– Pois ficaram confundidos e humilhados *
todos aqueles que tramavam contra mim.
Ant. Na velhice, com os meus cabelos brancos,
eu vos suplico, ó Senhor, não me deixeis!
Leitura breve Cl 1,21-22
Vós, que outrora éreis estrangeiros e inimigos pelas manifestas más obras, eis que agora Cristo vos reconciliou pela morte que sofreu no seu corpo mortal, para vos apresentar como santos, imaculados, irrepreensíveis diante de si.
V. Cantai salmos ao Senhor, povo fiel.
R. Dai-lhe graças e invocai seu santo nome!
Oração
Ó Deus, que nos convocais para o louvor, na mesma hora em que os Apóstolos subiam ao templo, concedei que esta prece, feita de coração sincero em nome de Jesus, alcance a salvação para quantos o invocam. Por Cristo, nosso Senhor.
Conclusão da Hora
V.Bendigamos ao Senhor.
R. Graças a Deus.
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HÁ DIAS EM QUE A NOSSA FÉ PRECISA DE MAIS

Há dias em que a nossa Fé precisa de mais. Foi num desses dias em que dei por mim a repetir as palavras de São Mateus, quando descreve o episódio da mulher que se aproxima de Jesus e lhe toca na orla do manto. Se ao menos eu pudesse tocar na fímbria das suas vestes… se pudesse ouvi-lo na distância de uma multidão, se pudesse servi-lo, beijar-lhe os pés… e todas estas imagens foram ganhando realidade enquanto guiava, perdida numa manhã de trânsito compacto, numa estrada junto ao mar.
Há dias em que a nossa Fé nos pede evidências humanas, porque somos frágeis, tantas vezes amarrotados pelos encontrões que vamos levando, uns sem importância nenhuma, outros capazes de nos atirar ao chão. Bem sei que nos disseram «felizes porque acreditamos sem termos visto» mas de pouco nos serve esta consolação quando sentimos o peso de tantos sofrimentos que não conseguimos explicar, de tantas angústias que não desaparecem, de injustiças, de misérias que nos falam de um mundo real.
Nessa manhã fui revendo acontecimentos de vidas que tocam a minha vida. Tentando encontrar sinais da presença real de Jesus nessas vidas, na minha vida. Fui mais rápida a perceber o mistério da cruz nos sofrimentos que testemunho, nas incertezas que angustiam, no pecado que se manifesta em tantas formas de traição. Pequenas e grandes desolações. Pressenti que, em todos estes acontecimentos, Jesus continua a morrer naquela cruz. Pressenti e emudeci. Olhei à minha volta, quase com falta de ar, à procura do azul do céu e do mar, suplicando ver sinais de Ressurreição. E, lentamente, fui-me lembrando de um casal que se reencontrou, passados muitos anos de distância e de sofrimento; da alegria daquela manhã em que esperámos horas pela notícia de um nascimento tão desejado e tão amado; da refeição partilhada em família, a contar histórias que mais ninguém entende, tão reveladora de um amor maior; do perdão que tinha demorado tanto tempo a chegar, tão rezado, tão intenso, tão valioso; da beleza silenciosa da pequena capela, onde as lágrimas tinham sido partilhadas e as palavras guardadas, em segredo de amigos; de tantos momentos de consolação, que todos os dias vão acontecendo, uns mais luminosos, outros tão discretos. Pressenti a ressurreição de Jesus na evidência do bem, do amor e do perdão.
Mas há sempre dias em que a nossa Fé precisa de mais. E como desejamos o encontro a caminho de Emaús, o beijo na orla do manto, as migalhas que caem da mesa; como desejamos ver a rede carregada de peixe ou matar a sede com o melhor vinho. Ver a pedra rolada do túmulo, ser tocado pelo seu olhar, ouvir a sua voz. Este desejo cresce dentro de nós e esbarra com o mistério da nossa Fé. Passados mais de dois mil anos, sinto ser esta a nossa condição, homens e mulheres que procuram e encontram a presença de Deus entre desolações e consolações. A desolação de não o poder tocar e a consolação de que está tão perto de nós, tão perto como de um sorriso, de uma palavra, de um toque de amor.
Isabel Figueiredo
(In Mensageiro do Coração de Jesus)
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