PAPA FRANCISCO ABRE UMA PORTA SANTA EM UMA PRISÃO
O EVANGELHO É FORÇA DE DEUS QUE SALVA
Tema geral -* 16 Não me envergonho do Evangelho, pois ele é força de Deus para a salvação de todo aquele que acredita, do judeu em primeiro lugar, mas também do grego. 17 De fato, no Evangelho a justiça se revela única e exclusivamente através da fé, conforme diz a Escritura: «o justo vive pela fé.»
A condição dos pagãos -* 18 A ira de Deus se manifesta do céu contra toda impiedade e injustiça dos homens, que com a injustiça sufocam a verdade. 19 Pois aquilo que é possível conhecer de Deus foi manifestado aos homens; e foi o próprio Deus quem o manifestou. 20 De fato, desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, tais como o seu poder eterno e sua divindade, podem ser contempladas, através da inteligência, nas obras que ele realizou. Os homens, portanto, não têm desculpa, 21 porque, embora conhecendo a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças. Pelo contrário, perderam-se em raciocínios vazios, e sua mente ficou obscurecida. 22 Pretendendo ser sábios, tornaram-se tolos, 23 trocando a glória do Deus imortal por estátuas de homem mortal, de pássaros, animais e répteis.
24 Foi por isso que Deus os entregou, conforme os desejos do coração deles, à impureza com que desonram seus próprios corpos. 25 Eles trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura em lugar do Criador, que é bendito para sempre. Amém. 26 Por isso, Deus entregou os homens a paixões vergonhosas: suas mulheres mudaram a relação natural em relação contra a natureza. 27 Os homens fizeram o mesmo: deixaram a relação natural com a mulher e arderam de paixão uns com os outros, cometendo atos torpes entre si, recebendo dessa maneira em si próprios a paga pela sua aberração.
28 Os homens desprezaram o conhecimento de Deus; por isso, Deus os abandonou ao sabor de uma mente incapaz de julgar. Desse modo, eles fazem o que não deveriam fazer: 29 estão cheios de todo tipo de injustiça, perversidade, avidez e malícia; cheios de inveja, homicídio, rixas, fraudes e malvadezas; são difamadores, 30 caluniadores, inimigos de Deus, insolentes, soberbos, fanfarrões, engenhosos no mal, rebeldes para com os pais, 31 insensatos, desleais, gente sem coração e sem misericórdia.
32 E apesar de conhecerem o julgamento de Deus, que considera digno de morte quem pratica tais coisas, eles não só as cometem, mas também aprovam quem se comporta assim.
* 1,1-7: Paulo ainda não conhece os cristãos de Roma. Por isso, apresenta-se com todos os seus títulos: servo, apóstolo e escolhido. Sua missão é anunciar o Evangelho, isto é, a Boa Notícia que Deus revela ao mundo, enviando Jesus Cristo para libertar os homens e instaurar o seu Reino. O centro desse Evangelho é, portanto, a pessoa de Jesus na sua vida terrena, morte e ressurreição, que o constituem Senhor do mundo e da história. A originalidade da missão de Paulo é conduzir os pagãos à obediência da fé, ou seja, a uma submissão livre, que os faz viver de acordo com a vontade de Deus, manifestada em Jesus Cristo.
* 8-15: A intenção de Paulo é ir a Roma para trocar idéias e experiências sobre o Evangelho, compartilhando assim a fé comum. Deseja também «recolher algum fruto», isto é, talvez fazer uma coleta em favor dos cristãos necessitados de Jerusalém (15,26-27).
* 16-17: Paulo enuncia o tema central da carta, que será desenvolvido até 8,39, e que constitui o resumo de toda a sua pregação: o Evangelho é a força de Deus que salva. Condição única para isso é o homem entregar-se a Deus mediante a fé. Pois o homem não tem outro meio para se libertar da condição de pecador: nem a Lei de Moisés, nem ritos, nem sistemas filosóficos, nem poderes cósmicos ou humanos. A fé, porém, não é atitude passiva; é a certeza firme e contínua de que o projeto de Deus se realizou em Jesus Cristo e continua realizando-se no meio dos homens. A fé leva o fiel a viver uma nova dinâmica de vida; o homem deixa de ser receptor passivo e se torna, junto com Deus, agente ativo de salvação dentro da história.
* 18-32: Paulo analisa o sistema de vida dos pagãos. Deus se manifesta a todos os homens; estes, porém, se tornam cegos e surdos, para viverem de acordo com seus próprios instintos egoístas: «sufocam a verdade com a injustiça» (vv. 18-20). O alicerce de uma sociedade pagã é a idolatria: a absolutização de coisas, pessoas e valores (dinheiro, poder, idéias), colocando-os no lugar do Deus verdadeiro (vv. 21-23.25). A idolatria gera a perversão das relações pessoais (vv. 24.26-27) e sociais (vv. 28-31). Numa sociedade idólatra, a injustiça se transforma em bem, a mentira ocupa o lugar da verdade, e o erro é louvado como virtude (v. 32).
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