A Sociedade Precisa de Medíocres | Texto de António Lobo Antunes com narração de Mundo Dos Poemas
https://youtu.be/oNwAx7MJDmU?si=o3Wg8C5hUkrTRhF5
Os Pobrezinhos | Texto de António Lobo Antunes com narração de Mundo Dos Poemas
With Jesus in the Afternoon
Building Trust and Respect
The Lord gives you another day.
Take a break to pray once again for peace and disarmament. Ask for help to build “the trust we need, in the Church and in society, in our interpersonal relationships, in international relations, and in our task of promoting the dignity of all people and respect for God's gift of creation.” (Pope Leo XIV)
Remember that only sincere trust moves you to treat others as brothers and sisters, not as competitors.
Pray the prayer of the month, asking for an end to war throughout the world and in every heart.
Santa Catarina da Suécia - A FILHA de Santa Brígida
Santo Óscar Romero, mártir
24 março
Uma escolha “segura”
Em El Salvador, país caracterizado pela instabilidade econômica e desordens políticas, onde uma oligarquia rica governava um povo de maioria pobre e sem-terra, Óscar Arnulfo Romero y Galdámez, nascido em 1917, trabalhou como carpinteiro. Aos 13 anos, o jovem – tranquilo e estudioso – manifestou o desejo de ser sacerdote: entrou para o seminário e, mais tarde, foi enviado a Roma, para concluir seus estudos, onde recebeu a ordenação sacerdotal, em 1942.
Ao voltar para seu país, Padre Romero foi pároco, reitor de seminário e, enfim, Bispo auxiliar, enquanto as nuvens se tornavam cada vez mais escuras, no horizonte político salvadorenho: forças governamentais, grupos paramilitares e guerrilhas eram sempre mais violentos. Vários grupos de pobres oprimidos começaram a se organizar para denunciar a miséria em que viviam. Neste clima, Romero foi nomeado Arcebispo de San Salvador, em 1977. A sua escolha era considerada "segura", pois como poderia um intelectual conservador, que falava de santidade, incomodar alguém?
Momento difícil
Após três semanas da sua tomada de posse, o amigo de Dom Romero, Padre Rutilio Grande, que prestava assistência aos agricultores empobrecidos, foi assassinado junto com um camponês idoso e um menino, cujos corpos foram expostos na catedral. Dias depois, Dom Romero disse: "Ao ver Rutilio, que ali jazia, pensei que eu também teria o mesmo fim". Uma centelha de luz iluminou o novo Arcebispo sobre como resolver a situação e começou a entender o verdadeiro significado de santidade, à qual aspirava na sua juventude.
Padre Rutilio não foi o único a ser assassinado, impunemente, naqueles anos em El Salvador: todos os dias, desapareciam pessoas; os camponeses estavam aterrorizados; os sacerdotes e agentes pastorais, que queriam ajudar os pobres, eram torturados ou mortos. Então, o tranquilo Arcebispo começou a levantar sua voz, denunciando o governo de direita e a guerrilha de esquerda, inclusive o governo dos Estados Unidos, que fornecia armas, que matavam seu povo. Em suas homilias, Dom Romero apresentava listas semanais de pessoas desaparecidas, torturadas ou assassinadas, que contavam com mais ouvintes do que em qualquer outro programa de rádio do país.
O momento era difícil, como dizia o Arcebispo: “A autenticidade de um cristão se constatava na hora das dificuldades… Bendito seja Deus por este momento difícil em nossa arquidiocese. Peçamos-lhe a graça de sermos dignos desta situação”!
A coragem
Dom Romero toma as suas palavras de modo literal e até Deus, talvez, as leva a sério. No Evangelho, o Arcebispo encontra uma coragem maior que a humana e as palavras mais eloquentes, que qualquer uma inspirada pelo homem. Em suas homilias, ele falava de uma "única Igreja, daquela que Jesus pregou aos ricos e pobres, sem distinção... à qual devemos dar todo o nosso coração"; ele pregava “uma reforma interior sobrenatural, que não se traduzia em luta armada e que, como o Evangelho, deveria ter repercussões concretas no homem”.
O Arcebispo de San Salvador estava ciente de que aqueles mesmos soldados, que torturavam e matavam seu povo, eram cristãos, na sua grande maioria. Por isso, como pastor deles, dirigia-se a todos com a autoridade que lhe vinha do Senhor. Em 23 de março de 1980, fez uma pregação, pelo rádio, dirigindo-se diretamente a eles: "Nenhum soldado é obrigado a obedecer a uma ordem contrária à lei de Deus... Chegou a hora de tomar consciência... Pois isso, em nome de Deus e deste povo, que sofre há muito tempo, cujo grito sobe cada vez mais alto aos céus, eu lhes imploro, lhes rogo, em nome de Deus, para cessar a repressão"! O Arcebispo sabia que não podia falar assim e continuar vivendo...
O grão de trigo
No dia 24 de março de 1980, Dom Romero participou de um retiro espiritual para sacerdotes. Na Missa vespertina, que celebrou, disse: “Aqueles que se dedicam ao serviço dos pobres, por amor de Cristo, vivem como o grão de trigo que morre…”. Ao término da sua homilia, ao voltar ao altar, um homem armado entrou na igreja e o baleou.
Desta forma, Dom Óscar Romero tornou-se aquele grão de trigo, oferecendo seu sangue pela "redenção e ressurreição" do seu povo. Em 14 de outubro de 2018, usando o cíngulo manchado de sangue, que Romero usou na sua última Missa, o Papa Francisco declarou este Arcebispo mártir, Santo da Igreja.
Os Relatórios Finais do Sínodo sobre a poligamia e o clamor dos pobres e da terra
Vatican News
A Secretaria Geral do Sínodo publicou nesta terça-feira (24/03) o Relatório Final do Grupo de Estudo n.º 2 sobre Escutar o clamor dos pobres e da terra e o da Comissão SCEAM (Simpósio das Conferências Episcopais de África e Madagascar) sobre O desafio pastoral da poligamia.
O Relatório sobre o clamor dos pobres e da terra
O Relatório Final do Grupo de Estudo n.º 2 desenvolve-se em várias seções. Precedido por uma reflexão do cardeal Michael Czerny, prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, o Relatório pretende responder às cinco perguntas fundamentais confiadas ao Grupo sobre como a Igreja pode ouvir melhor o clamor dos pobres e da terra. O documento parte da convicção teológica de que escutar os pobres e a terra não é uma opção pastoral, mas um ato de fé constitutivo da missão eclesial, enraizado no duplo mandamento do amor e no exemplo do Bom Samaritano.
Como recorda o cardeal Czerny no prefácio, o termo «escuta» designa um processo integral que compreende o encontro, a compreensão do problema, a ação, a avaliação e o apoio espiritual, e que diz respeito a todos os cristãos, mesmo aqueles que se sentem pobres. A questão orientadora de todo o trabalho do Grupo torna-se, portanto: como pode a Igreja escutar melhor estes dois gritos interligados, consciente de que responder ao grito dos pobres significa também responder ao grito da terra, e vice-versa?
Posteriormente, após delinear as modalidades de trabalho, os limites encontrados e as lições aprendidas, o Relatório identifica os instrumentos já disponíveis na Igreja — paróquias, comunidades de base, movimentos, organismos da Caritas, redes ecumênicas e internacionais — e valoriza a sua riqueza, convidando ao mesmo tempo a superar a tentação de uma delegação ilegítima a estruturas especializadas, apelando à corresponsabilidade de cada batizado. Entre as propostas concretas figura a criação de um Observatório Eclesial sobre a Deficiência, sugerido por um subgrupo composto maioritariamente por pessoas com deficiência, como modelo replicável à escala local e regional para dar voz a todos os grupos marginalizados.
No plano teológico, o Relatório recorda a necessidade de uma teologia que nasça da escuta dos pobres e da terra como lugares teológicos autênticos (loci theologici), e pede que teólogos provenientes das comunidades mais frágeis sejam ativamente envolvidos na elaboração dos documentos magisteriais. É dada grande atenção à formação: os programas de formação para leigos, religiosos e seminaristas devem integrar o encontro direto com as periferias existenciais, a competência na escuta como disciplina espiritual — e não apenas como técnica — e a análise social. O documento conclui com uma visão de uma Igreja sinodal capaz de se tornar ela própria um instrumento de escuta, não se limitando a ter estruturas para escutar, mas transformando cada um dos seus membros numa presença missionária ao lado dos mais vulneráveis.
O Relatório do SCEAM sobre a poligamia
O Simpósio das Conferências Episcopais da África e de Madagascar (SCEAM) elaborou uma reflexão orgânica sobre o desafio pastoral da poligamia, enraizada no contexto cultural, antropológico e teológico do continente africano. O Relatório parte do reconhecimento do valor sagrado da família africana, fundada na aliança entre os grupos humanos, com os antepassados e com Deus, na qual o filho é considerado uma bênção divina e o desejo de uma descendência numerosa parte integrante da identidade comunitária. É neste horizonte que se insere historicamente a existência da poligamia, fenômeno não exclusivo da África, mas aí particularmente enraizado e pastoralmente urgente.
A análise bíblica revela a sua ambivalência: tolerada no Antigo Testamento, é progressivamente superada pela revelação do Novo Testamento, na qual Jesus — remetendo para o desígnio originário do Criador — afirma com clareza a unidade e a indissolubilidade do matrimônio. O documento reafirma com firmeza a doutrina da Igreja: o matrimônio cristão é monogâmico por natureza teológica e não por imposição cultural.
No plano pastoral, o SCEAM exclui qualquer forma de reconhecimento da poligamia e recomenda que os catecumenos polígamos não sejam admitidos ao batismo antes de terem abraçado livremente o compromisso com o matrimônio monogâmico. Não se trata de exclusão ou estigmatização, mas sim de um acompanhamento paciente e respeitoso, inspirado na misericórdia de Cristo. A dignidade da mulher é colocada no centro desta pastoral, com Maria — mãe de Jesus — apresentada como modelo de uma evangelização encarnada na cultura. A conclusão abre caminho para uma «pastoral de proximidade» capaz de abrir as portas da Igreja a todos aqueles que vivem nas periferias espirituais e existenciais, reconhecendo em cada pessoa um filho de Deus chamado ao amor fiel e à Aliança.
Ambos os Relatórios, na sua diversidade temática, testemunham o caminho sinodal da Igreja: uma Igreja que escuta, que discerne, que acompanha e que, enraizada no Evangelho, não cessa de se aproximar de cada homem e mulher, respondendo aos desafios do nosso tempo. Os Relatórios Finais e uma breve síntese em cinco línguas estão disponíveis no site da Secretaria Geral do Sínodo: www.synod.va
Nenhum comentário:
Postar um comentário