III
–20 Como é grande, ó Senhor,
vossa bondade, *que reservastes para aqueles que vos temem!
– Para aqueles que em vós se refugiam, *
mostrando, assim, o vosso amor perante os homens.
–21 Na proteção de vossa face os defendeis *
bem longe das intrigas dos mortais.
– No interior de vossa tenda os escondeis, *
protegendo-os contra as línguas maldizentes.
–22 Seja bendito o Senhor Deus, que me mostrou *
seu grande amor numa cidade protegida!
–23 Eu que dizia quando estava perturbado: *
“Fui expulso da presença do Senhor!”
– Vejo agora que ouvistes minha súplica, *
quando a vós eu elevei o meu clamor.
=24 Amai o Senhor Deus, seus santos todos, †
ele guarda com carinho seus fiéis, *
mas pune os orgulhosos com rigor.
–25 Fortalecei os corações, tende coragem, *
todos vós que ao Senhor vos confiais!
Ant. Seja bendito o Senhor Deus
por seu amor maravilhoso!
V. Quando eu for elevado da terra,
R. Atrairei para mim todo ser.
Primeira leitura
Da Carta aos Hebreus
10,19-39
Perseverança na fé. Expectativa do dia do julgamento
19Irmãos,
temos plena liberdade para entrar no Santuário, pelo sangue de Jesus.
20Ele nos abriu um caminho novo e vivo,
através da cortina,quer dizer, através da sua humanidade.
21Temos um grande sacerdote constituído
sobre a casa de Deus. 22Aproximemo-nos,
portanto, de coração sincero e cheio de fé, com coração purificado de toda a
má consciência e o corpo lavado com água pura.
23Sem desânimo, continuemos a afirmar a nossa esperança, porque
é fiel quem fez a promessa. 24Sejamos
atentos uns aos outros, para nos incentivar à caridade e às boas obras.
25Não abandonemos as nossas
assembleias, como alguns costumam fazer. Antes, procuremos animar-nos
mutuamente, e tanto mais quanto vedes o dia aproximar-se.
26De
fato, se preferirmos continuar pecando, depois de termos recebido o
conhecimento da verdade, já não há sacrifícios que possam tirar os nossos
pecados. 27Fica apenas a terrível
expectativa do julgamento e o ardor de um fogo para devorar os rebeldes.
28Quem desobedece à Lei de Moisés,
é condenado à morte, sem piedade, tendo como base o testemunho de duas ou
três pessoas. 29Podeis então
imaginar o castigo bem mais severo, que merecerá aquele que pisou o Filho de
Deus, que profanou o sangue da Aliança, pelo qual foi santificado, e que
insultou o Espírito da graça! 30Conhecemos
aquele que disse: “A mim pertence a vingança, eu é que retribuirei”. E
ainda: “O Senhor julgará o seu povo”. 31É
terrível cair nas mãos do Deus vivo!
32Lembrai-vos
dos primeiros dias, quando, apenas iluminados, suportastes longas e
dolorosas lutas. 33Às vezes, éreis
apresentados como espetáculo, debaixo de injúrias e tribulações; outras
vezes vos tornáveis solidários dos que assim eram tratados.
34Com efeito, participastes dos
sofrimentos dos prisioneiros e aceitastes com alegria o confisco dos vossos
bens, na certeza de possuir uma riqueza melhor e mais durável.
35Não abandoneis, pois, a vossa
coragem, que merece grande recompensa. 36De
fato, precisais de perseverança para cumprir a vontade de Deus e alcançar o
que ele prometeu.
37Porque
ainda bem pouco tempo,
e
aquele que deve vir, virá e não tardará.
38O
meu justo viverá por causa de sua fidelidade,
mas,
se esmorecer,
não
encontrarei mais satisfação nele.
39Nós
não somos desertores, para a perdição. Somos homens da fé, para a salvação
da alma.
Responsório Hb 10,35a.36; Lc 21,19
R. Não percais a confiança na palavra do Senhor;
é preciso ter constância
* Em fazer sua vontade e alcançar suas promessas.
V. Pela vossa persistência, salvareis as vossas vidas.
* Em fazer.
Segunda leitura
Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo
(Sermo Guelferbytanus 3:PLS 2,545-546)
(Séc.V)
Gloriemo-nos também nós na Cruz do Senhor!
A Paixão de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo é para nós penhor de glória e exemplo de paciência.
Haverá alguma
coisa que não possam esperar da graça divina os corações dos fiéis,
pelos quais o Filho unigênito de Deus, eterno como o Pai, não apenas
quis nascer como homem entre os homens, mas quis também morrer pelas
mãos dos homens que tinha criado?
Grandes coisas
o Senhor nos promete no futuro! Mas o que ele já fez por nós e agora
celebramos é ainda muito maior. Onde estávamos ou quem éramos, quando
Cristo morreu por nós pecadores? Quem pode duvidar que ele dará a vida
aos seus fiéis, quando já lhes deu até a sua morte? Por que a fraqueza
humana ainda hesita em acreditar que um dia os homens viverão em Deus?
Muito mais incrível é o que já aconteceu: Deus morreu pelos homens.
Quem é Cristo senão aquele que
no princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus: e a
Palavra era Deus? (Jo 1,1). Essa Palavra de Deus
se fez carne e habitou entre nós (Jo 1,14). Se não tivesse
tomado da nossa natureza a carne mortal, Cristo não teria possibilidade
de morrer por nós. Mas deste modo o imortal pôde morrer e dar sua vida
aos mortais. Fez-se participante de nossa morte para nos tornar
participantes da sua vida. De fato, assim como os homens, pela sua
natureza, não tinham possibilidade alguma de alcançar a vida, também
ele, pela sua natureza, não tinha possibilidade alguma de sofrer a
morte.
Por isso
entrou, de modo admirável, em comunhão conosco: de nós assumiu a
mortalidade, o que lhe possibilitou morrer; e dele recebemos a vida.
Portanto, de
modo algum devemos envergonhar-nos da morte de nosso Deus e Senhor;
pelo contrário, nela devemos confiar e gloriar-nos acima de tudo. Pois
tomando sobre si a morte que em nós encontrou, garantiu com total
fidelidade dar-nos a vida que não podíamos obter por nós mesmos.
Se ele tanto
nos amou, a ponto de, sem pecado, sofrer por nós pecadores, como não
dará o que merecemos por justiça, fruto da sua justificação? Como não
dará a recompensa aos justos, ele que é fiel em suas promessas e, sem
pecado, suportou o castigo dos pecadores?
Reconheçamos
corajosamente, irmãos, e proclamemos bem alto que Cristo foi
crucificado por amor de nós; digamos não com temor, mas com alegria,
não com vergonha, mas com santo orgulho.
O apóstolo
Paulo compreendeu bem esse mistério e o proclamou como um título de
glória. Ele, que teria muitas coisas grandiosas e divinas para recordar
a respeito de Cristo, não disse que se gloriava dessas grandezas
admiráveis – por exemplo, que sendo Cristo Deus como o Pai, criou o
mundo; e, sendo homem como nós, manifestou o seu domínio sobre o mundo –
mas afirmou:
Quanto a mim, que eu me glorie somente na cruz do Senhor nosso, Jesus Cristo (Gl 6,14).
Responsório
R. Adoramos, Senhor, a vossa cruz,
vossa paixão gloriosa recordamos.
* Vós que sofrestes por nós, tende piedade!
V. Suplicantes, Senhor, vos imploramos:
vinde logo ajudar os vossos servos,
que remistes pelo sangue precioso.
* Vós que sofrestes.
Oração
Concedei, ó Deus, ao vosso povo, que desfalece por sua fraqueza, recobrar novo alento pela
Paixão do vosso Filho. Que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo.
Conclusão da Hora
V.
Bendigamos ao Senhor.
R.
Graças a Deus.
Postagem: 00:30 - 06/04/2020
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