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quinta-feira, 15 de agosto de 2019


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O fim do opressor -* 1 Por essa mesma ocasião, Antíoco foi forçado a voltar desordenadamente das regiões da Pérsia. 2 Entrou em Persépolis, tentou despojar o templo e tomar a cidade. Diante disso, o povo se revoltou e recorreu às armas. Foi quando Antíoco, derrotado e perseguido pelos habitantes, teve que bater em vergonhosa retirada. 3 Quando estava perto de Ecbátana, chegou-lhe a notícia do que tinha acontecido a Nicanor e ao pessoal de Timóteo. 4 Então, furioso, pensava em cobrar dos judeus a injúria sofrida diante daqueles que o tinham posto em fuga. Por isso, mandou seu cocheiro tocar a carruagem, seguindo em frente sem parar. Entretanto, o julgamento do céu o estava alcançando. De fato, na sua arrogância, ele tinha dito: «Vou transformar Jerusalém num cemitério de judeus. Basta eu chegar lá!» 5 O Senhor Deus de Israel, porém, que tudo , mandou-lhe uma doença incurável e invisível. Pois logo que acabou de dizer essas palavras, lhe veio uma forte dor de barriga, uma terrível cólica de intestinos. 6 Era uma coisa justa, porque ele havia torturado as entranhas de outros com muitas e refinadas torturas. 7 Nem assim diminuiu a sua arrogância. Ao contrário, ficou ainda mais exaltado e, furioso de raiva contra os judeus, mandou tocar mais depressa. Aconteceu então cair da carruagem que corria precipitadamente e, por causa da queda violenta, todos os seus membros se quebraram. 8 Aquele que, pouco antes, com insolência até desumana, se achava com poderes de dar ordens para as ondas do mar, e que se imaginava pesando em balança as altas montanhas, ficou estendido no chão, e teve de ser carregado numa padiola. Assim, para todos ele dava mostras evidentes do poder de Deus. 9 A coisa foi tal, que do corpo desse renegado brotavam vermes. Ainda vivo, em meio a sofrimentos e dores, suas carnes se soltavam do corpo. Por todo o acampamento não se agüentava o mau cheiro da sua podridão. 10 Aquele que pouco antes parecia capaz de tocar as estrelas do céu, agora ninguém era capaz de o carregar, por causa do mau cheiro insuportável. 11 Em tal situação, prostrado por sua doença, Antíoco começou a ceder em sua arrogância. Atormentado cada vez mais pelas dores, chegou a reconhecer o castigo divino, 12 e não podendo suportar seu próprio cheiro, disse: «É justo que o mortal se submeta a Deus e não queira igualar-se à divindade». 13 Mas esse criminoso rezava ao Soberano, que não se compadecia dele. Então jurou 14 que proclamaria livre a cidade santa, contra a qual antes caminhava apressadamente, a fim de arrasá-la e transformá-la em cemitério. 15 Jurou que daria os mesmos direitos dos atenienses a todos os judeus, sobre quem havia decretado que não mereciam sepultura, mas que fossem jogados com seus filhos para servir de comida às feras e aves de rapina. 16 Jurou que enfeitaria, com os mais belos donativos, o Templo santo, que ele mesmo tinha despojado. Jurou que devolveria, em número maior, todos os objetos sagrados. Jurou que manteria, com suas rendas pessoais, todas as despesas necessárias para os sacrifícios. 17 Além de tudo isso, jurou que se tornaria judeu e percorreria todos os lugares habitados do mundo, anunciando o poder de Deus.


* 9,1-29: Sobre a morte de Antíoco, cf. nota em 1Mc 6,1-17. O autor de 2Mc procura mostrar a dimensão religiosa do acontecimento, transformando o fato em narrativa lendária. Antíoco personifica a ambição que leva o homem a se considerar igual ao próprio Deus, atraindo uma punição terrível. Seu arrependimento chega tarde demais e, agora, é inútil querer se converter: o orgulho humano produz a destruição da própria pessoa. O texto garante que todo o mal feito a outros acaba se voltando contra a própria pessoa que o planejou.

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VI. AMPLIANDO AS FRONTEIRAS
O perigo da corrupção -* 14 Nesse meio tempo, Górgias tornou-se comandante dessas regiões. Ele mantinha um exército mercenário e estava continuamente provocando guerras contra os judeus. 15 Da mesma forma os idumeus, que ocupavam fortalezas bem situadas, viviam provocando os judeus, e atiçavam o clima de guerra, acolhendo refugiados de Jerusalém. 16 Os companheiros do Macabeu, depois de fazer preces públicas e suplicar a Deus que se aliasse a eles, atacaram as fortalezas dos idumeus. 17 Assaltaram vigorosamente as fortalezas e conseguiram tomar essas posições, vencendo os inimigos que lutavam de cima da muralha. Mataram a quantos estavam sob seu alcance e eliminaram pelo menos vinte mil. 18 Entretanto, pelo menos nove mil conseguiram escapar para duas torres solidamente fortificadas e que tinham tudo para agüentar cerco prolongado. 19 O Macabeu deixouSimão e José, e também Zaqueu com seus companheiros, o suficiente para manter o cerco, enquanto ele foi para outros lugares, onde sua presença era mais necessária. 20 Os companheiros de Simão, porém, cheios de ganância por dinheiro, foram subornados por alguns que estavam nas torres: receberam setenta mil dracmas e os deixaram fugir. 21 Denunciaram ao Macabeu o que tinha acontecido. Então ele reuniu os chefes do exército e os acusou de ter vendido seus irmãos por dinheiro, deixando sair livres os inimigos que combatiam contra eles. 22 Mandou matar os traidores e, sem mais, ocupou as duas torres. 23 O Macabeu tinha sucesso em todas as lutas armadas, e só nessas duas fortalezas eliminou mais de vinte mil homens.
27 Terminada a oração, pegaram em armas e se afastaram bastante da cidade. Entretanto, ao chegarem perto dos que vinham combater contra eles, pararam. 28 Mal raiou a madrugada, uns e outros se lançaram à luta. Uns, além da boa disposição, tinham como garantia de êxito e de vitória a proteção do Senhor. Os outros lutaram guiados pelo seu próprio furor. 29 No auge do combate, os inimigos viram no céu cinco homens resplandecentes, montados em cavalos com rédeas de ouro e que se puseram como comandantes dos judeus. 30 Colocaram o Macabeu no meio deles e o protegeram com seus escudos, tornando-o invulnerável, enquanto atiravam setas e raios contra os adversários. Desorientados por não poderem enxergar, os inimigos dos judeus se dispersaram totalmente confusos. 31 Dessa forma, foram eliminados vinte mil e quinhentos homens, além de seiscentos cavaleiros. 32 Timóteo, porém, conseguiu refugiar-se na fortaleza chamada Gazara, que era muito bem fortificada e cujo comandante era Quéreas. 33 Os companheiros do Macabeu, cheios de entusiasmo, cercaram a fortaleza durante quatro dias. 34 Os que estavam dentro, confiando na segurança que o lugar oferecia, multiplicavam as blasfêmias, dizendo palavras ímpias. 35 Ao amanhecer do quinto dia, porém, vinte jovens dos companheiros do Macabeu, inflamados por causa dessas blasfêmias e cheios de coragem, atacaram a muralha e, com furor selvagem, matavam quem chegasse ao seu alcance. 36 Os demais subiram por outro lado, e, surpreendendo os de dentro, incendiaram as torres, provocando fogueiras e queimando vivos os que blasfemavam. Enquanto isso, os primeiros arrebentaram as portas, abrindo caminho para o restante do exército. E conquistaram então a fortaleza. 37 Mataram a Timóteo, que se havia escondido numa cisterna, e também seu irmão Quéreas e Apolófanes. 38 Depois de tudo isso, com hinos e ação de graças louvaram ao Senhor, que tinha feito tão grande benefício em favor de Israel, concedendo a eles essa vitória.


* 10,1-8: Cf. nota em 1Mc 4,36-61.

* 9-13: Embora vitoriosos sobre Antíoco Epífanes, os judeus continuam expostos a novos ataques. Não basta conquistar uma vez a liberdade; é preciso conquistá-la sempre.

* 10,14-23: Judas procura consolidar a nova situação, tomando as fortalezas do sul e protegendo o país contra o perigo de incursões iduméias. Ao lado da luta contra os inimigos externos, o líder também deve estar atento ao perigo da corrupção interna que esvaziaria completamente o projeto revolucionário.

* 24-38: Comparando com 1Mc, podemos notar que o autor não respeita a ordem dos acontecimentos. Interessa-lhe apenas mostrar que a luta de Judas Macabeu e seus companheiros conta com o auxílio divino, que os torna invencíveis.
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