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domingo, 25 de agosto de 2019


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CARTA AOS GÁLATAS

DA ESCRAVIDÃO PARA A LIBERDADE
Introdução
A Galácia não era uma cidade, mas uma região da Ásia Menor. Na segunda viagem missionária, Paulo atravessou «a Frígia e a região da Galácia» (At 16,6), e aí fundou comunidades, depois visitadas (At 18,23) durante a terceira viagem (53-57 d.C.). O livro dos Atos mostra que Paulo permaneceu longo tempo em Éfeso (At 19,1-21,1). Foi aí, provavelmente, que o Apóstolo teve notícias de um ataque contra ele e sua doutrina em meio às comunidades da Galácia. Alguns judeu-cristãos, ligados a certos círculos de Jerusalém, queriam impor aos pagãos convertidos a circuncisão e a observância da Lei mosaica. Além disso, ridicularizavam Paulo, negando a sua autoridade de apóstolo, porque ele não pertencia ao grupo dos Doze. Diziam também que a doutrina sobre a caducidade da Lei era invenção de Paulo, e não correspondia ao pensamento da igreja de Jerusalém.
A carta aos Gálatas foi escrita no fim da estada de Paulo em Éfeso, provavelmente no inverno de 56-57. É a única carta de Paulo que não começa com ação de graças e não termina com bênção, fato que testemunha a sua indignação. De fato, em tom agressivo, ele defende o seu apostolado e doutrina, reafirmando que o Evangelho nada tem a ver com a Lei mosaica nem com qualquer outro tipo de espiritualidade legalista.
A carta aos Gálatas foi definida como o manifesto da liberdade cristã e universalidade da Igreja. Daí a sua importância. Contudo, libertação de quê e para quê? Libertação de uma vida programada externamente por um minucioso código de regras e leis, que conservam o homem numa atitude infantil diante da vida. Libertação para uma vida adulta e consciente, graças ao uso responsável da liberdade. A vida do homem não deve ser determinada por um código de leis, mas por compromisso pessoal e íntimo com Cristo, que está presente no profundo do ser humano (2,20). A liberdade é conduzida pelo amor a si mesmo e aos outros, amor que é compromisso ativo com o crescimento do outro (5,6.13-14).
Ao ler a carta aos Gálatas, nós, cristãos de hoje, somos convidados a uma séria revisão: onde está a motivação fundamental que dirige a nossa vida cristã: numa série de observâncias mecânicas de leis e ritos? Ou no compromisso com Jesus Cristo, que se realiza através de amor responsável e criativo?
A Igreja também é convidada a essa revisão de vida: ela realmente educa os filhos de Deus para a liberdade e a fé? ou estabelece leis que escravizam e esterilizam a vida cristã? As instituições eclesiais visam a colocar fronteiras de salvação? ou procuram formar comunidades comprometidas com Jesus Cristo e abertas para servir a todos?

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Endereço e saudação -* 1 Paulo, apóstolo não da parte dos homens, nem por meio de um homem, mas da parte de Jesus Cristo e de Deus Pai, que o ressuscitou dos mortos. 2 Eu e todos os irmãos que estão comigo, às igrejas da Galácia. 3 Que a graça e a paz de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo estejam com vocês. 4 Cristo entregou-se pelos nossos pecados para nos arrancar deste mundo mau, segundo a vontade de nosso Deus e Pai. 5 A Deus seja dada a glória para sempre. Amém.
Paulo ensina o que recebeu de Deus -* 11 Irmãos, eu declaro a vocês: o Evangelho por mim anunciado não é invenção humana. 12 E, além disso, não o recebi nem aprendi através de um homem, mas por revelação de Jesus Cristo. 13 Certamente vocês ouviram falar do que eu fazia quando estava no judaísmo. Sabem como eu perseguia com violência a Igreja de Deus e fazia de tudo para arrasá-la. 14 Eu superava no judaísmo a maior parte dos compatriotas da minha idade, e procurava seguir com todo o zelo as tradições dos meus antepassados.
15 Deus, porém, me escolheu antes de eu nascer e me chamou por sua graça. Quando ele resolveu 16 revelar em mim o seu Filho, para que eu o anunciasse entre os pagãos, não consultei a ninguém, 17 nem subi a Jerusalém para me encontrar com aqueles que eram apóstolos antes de mim. Pelo contrário, fui para a Arábia, e depois voltei para Damasco. 18 Três anos mais tarde, fui a Jerusalém para conhecer Pedro, e fiquei com ele quinze dias. 19 Entretanto, não vi nenhum outro apóstolo, a não ser Tiago, o irmão do Senhor. 20 Deus é testemunha: o que estou escrevendo a vocês não é mentira. 21 Depois fui para as regiões da Síria e da Cilícia, 22 de modo que as igrejas de Cristo na Judéia não me conheciam pessoalmente. 23 Elas apenas ouviam dizer: «Aquele que nos perseguia, agora está anunciando a que antes procurava destruir24 E louvavam a Deus por minha causa.


* 1,1-5: Dizendo-se apóstolo, Paulo reivindica para si a mesma autoridade que os Doze. O Evangelho que ele prega é o Evangelho da salvação, obtida pela fé em Jesus Cristo, e não pela observância da Lei.

* 6-10: Os gálatas convertidos à fé cristã eram de origem pagã e nunca haviam praticado a religião judaica. Paulo anunciara a eles que o Evangelho é, antes de tudo, a própria pessoa de Jesus Cristo, que morreu e ressuscitou para nos libertar do pecado e nos trazer a salvação através da fé. Todavia, alguns judeus convertidos anunciavam «outro evangelho». Segundo eles, para a salvação era também necessário ser cincuncidado e observar a Lei judaica.

* 11-24: Os judeu-cristãos criticam a autoridade de Paulo, dizendo que ele não é apóstolo como aqueles que Jesus tinha escolhido. E Paulo se defende, contando a história da sua vocação (cf. At 9), nascida de uma experiência direta de Jesus Cristo morto e ressuscitado. Tal experiência o transformou profundamente: de perseguidor, ele se tornou apóstolo. Na origem da sua missão, portanto, não há nenhuma interferência humana. Quando Paulo vai a Jerusalém, é simplesmente para conhecer Pedro e Tiago (cf. At 9,23-30).

2
Jesus Cristo é o centro da vida -* 15 Nós somos judeus de nascimento, e não pagãos pecadores. 16 Sabemos, entretanto, que o homem não se torna justo pelas obras da Lei, mas somente pela em Jesus Cristo. Nós também acreditamos em Jesus Cristo, a fim de nos tornarmos justos pela em Cristo e não pela observância da Lei, pois com a observância da Lei ninguém se tornará justo. 17 Nós procuramos tornar-nos justos em Cristo; mas também somos pecadores como os outros. Então, será que Cristo estaria a serviço do pecado? Claro que não! 18 De fato, se eu reconstruo o que destruí, eu próprio me torno culpável.
19 Quanto a mim, foi através da Lei que eu morri para a Lei, a fim de viver para Deus. Fui morto na cruz com Cristo. 20 Eu vivo, mas não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim. E esta vida que agora vivo, eu a vivo pela no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim. 21 Portanto, não torno inútil a graça de Deus, porque, se a justiça vem através da Lei, então Cristo morreu em vão.


* 2,1-10: Na segunda vez que vai a Jerusalém (cf. At 15), Paulo tem duas preocupações: fazer um acordo com Pedro, Tiago e João, para manter a unidade das igrejas; e ao mesmo tempo, assegurar que os pagãos convertidos não precisem observar a religião judaica. A viagem tem dois resultados importantes: as autoridades da igreja de Jerusalém reconhecem o Evangelho, tal como Paulo e Barnabé o pregam aos pagãos; é feito um acordo prático, delimitando os campos de apostolado de Pedro e de Paulo. O sinal visível desse acordo é a preocupação e o auxílio aos pobres (cf. 2Cor 8-9).

* 11-14: Um judeu não podia comer ao lado de um pagão, pois ficaria impuro, violando a Lei. Contudo, no encontro em Jerusalém, ficara resolvido que os pagãos convertidos ao cristianismo não precisavam observar a Lei judaica. A atitude de Pedro é hipócrita: por medo de ser criticado pelos judeu-cristãos, ele evita comer com os pagãos convertidos. O fato é grave, pois o comportamento hipócrita de um chefe da Igreja causa divisões, esvazia o trabalho da evangelização, chegando até mesmo a desviar a comunidade do verdadeiro Evangelho.

* 15-21: Para Paulo, nenhuma força humana, nem mesmo a Lei dos judeus, tem o poder de arrancar o homem da situação de pecado em que vive. Só um ato de Deus pode realizar isso, concedendo gratuitamente anistia. E Deus a concedeu através de Jesus Cristo, que morreu por nossos pecados. Essa anistia proclamada na cruz chega até mim no momento em que eu acredito que, em Jesus Cristo, Deus realizou esse dom. Acreditar em Jesus Cristo é colocá-lo no centro da vida, a ponto de poder dizer: «Já não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim.»

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O papel da Lei -* 19 Então, por que é que foi dada a Lei? Ela foi acrescentada para mostrar as transgressões, até a chegada do descendente, em vista do qual foi feita a promessa. A Lei foi promulgada pelos anjos, e um homem serviu de intermediário. 20 Ora, esse intermediário não representa uma pessoa só, e Deus é um só.
23 Antes que chegasse a , a Lei tomava conta de nós, à espera da que devia ser revelada. 24 A Lei, portanto, é para nós como um pedagogo que nos conduziu a Cristo, para que nos tornássemos justos mediante a .



* 3,1-5: Os gálatas ouviram a pregação do Evangelho, converteram-se a Jesus Cristo e foram batizados. A partir da fé, puderam experimentar na sua vida o dom do Espírito, que reúne os homens e os faz colaborar entre si para o crescimento de todos. Até esse momento, os gálatas não conheciam a Lei judaica. Para que serve agora circuncidar-se e observar tal Lei? O que poderiam dela receber a mais? A atitude deles mostra apenas que estão voltando para trás. * 6-14: Os pregadores judeu-cristãos certamente diziam aos gálatas que Jesus era judeu e filho de Abraão; por isso os gálatas deviam ser circuncidados e observar a Lei judaica, para serem filhos de Abraão e fiéis a Jesus. Contudo, Paulo salienta que, desde Abraão, a fé nas promessas é que dá a vida. Quem tem fé se torna filho e herdeiro de Abraão. Quanto à Lei, ao invés de tornar justo o homem, ela traz a maldição para os que não a cumprem. A Cristo se dirigia à promessa (v. 16): submetendo-se à maldição da Lei pela morte na cruz, ele resgatou-nos pela fé e estendeu a todos os povos a bênção prometida a Abraão. * 15-18: O testamento ou aliança de Deus, no qual estão contidas as promessas feitas a Abraão e ao seu descendente, não pode ser anulado pela Lei, pois esta veio depois das promessas. O «descendente» de que fala a Escritura é uma só pessoa e, para Paulo, essa pessoa só pode ser Cristo. Em Cristo, portanto, nós somos herdeiros de uma promessa que foi feita diretamente a Abraão, e não através da Lei. * 19-24: No mundo greco-romano, o pedagogo era um escravo severo, que tinha como tarefa vigiar, admoestar e castigar o comportamento das crianças de uma família. Esse foi o papel da Lei: mostrar a incapacidade do homem de salvar-se, dar-lhe consciência de seus pecados e mantê-lo na expectativa da realização da promessa, a fim de ser liberto da própria Lei. * 25-29: O papel da Lei terminou com a chegada de Cristo. Pela fé nele e pelo batismo, os homens se revestem de Cristo, isto é, são transformados para se tornarem imagem dele (cf. Cl 3,11). Em Cristo, portanto, os homens ficam libertos de qualquer lei e de qualquer diferença que possa privilegiar uns e marginalizar outros.
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Apelo pessoal de Paulo -* 12 Irmãos, peço que sejam como eu, porque eu também me tornei como vocês. Vocês não me ofenderam em nada. 13 E sabem que foi por causa de uma doença física que eu os evangelizei na primeira vez. 14 E vocês não me desprezaram nem me rejeitaram, apesar do meu físico ser para vocês uma provação. Pelo contrário, me acolheram como a um anjo de Deus ou até como a Jesus Cristo.



* 4,1-11: Paulo coloca no mesmo plano os ritos religiosos pagãos e os ritos judaicos. Se os gálatas se submeterem aos costumes judaicos, estarão vivendo a mesma vida pagã de outrora, submissos e escravos de outras criaturas. O homem de fé deve depender unicamente do seu Criador, de quem se tornou filho, graças a Cristo. Cf. nota em Rm 8,14-17. * 12-20: Paulo interrompe o raciocínio e, emocionado, relembra o entusiasmo inicial dos gálatas, que o trataram com carinho e como enviado de Deus, apesar de sua enfermidade. Fala com ironia dos intrusos que querem escravizá-los com suas concepções. Por fim, mostra que está gerando os gálatas em novo parto. O primeiro foi quando os gerou para a fé; agora, sofre até que Cristo esteja de tal forma presente na vida deles, a ponto de não precisarem recorrer a qualquer outra coisa. * 21-31: Paulo se serve das histórias de Agar e Sara (cf. Gn 16,1-16; 21,8-21) para fazer a comparação entre a antiga e a nova Aliança. O filho que Abraão teve com Agar, «de modo natural», é escravo e simboliza os que estão sob a Lei. O filho que Abraão teve com Sara, «por causa da promessa», é livre como aqueles que nasceram do Espírito através da fé em Jesus.
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A liberdade cristã -* 1 Cristo nos libertou para que sejamos verdadeiramente livres. Portanto, sejam firmes e não se submetam de novo ao jugo da escravidão.



* 5,1-12: Cristo nos libertou, mas podemos nos tornar escravos outra vez. Precisamos permanecer vigilantes, a fim de mantermos a liberdade e nela crescer. Os vv. 5-6 apresentam a estrutura da vida cristã: o cristão é aquele que, pela fé, acolhe a ação do Espírito e a comunica através do amor; e é do Espírito que ele espera a ressurreição, a vida no Reino de Deus. A fé, o amor e a esperança são, portanto, as atitudes características do cristão, a estrutura da vida nova. * 13-15: A vida cristã é um chamado para a liberdade. Esta, porém, não deve ser confundida com libertinagem, que é buscar e colocar tudo a serviço de si mesmo. A verdadeira liberdade leva o homem a crescer no amor e no dom de si, para colocar-se a serviço dos outros. Como os sinóticos (cf. Mc 12,31), Paulo resume a Lei no mandamento de Lv 19,18: quem ama o próximo, realiza a vontade de Deus. * 16-18: As expressões «segundo o Espírito» e «segundo os instintos egoístas» (lit.: carne) não designam duas partes do homem, e sim duas orientações diferentes de comportamento: «segundo o Espírito» é a orientação do amor, que leva o homem a servir o outro; «segundo os instintos egoístas» é a orientação do egoísmo, que leva o homem a servir a si mesmo. * 19-21: Paulo certamente não pretende fazer uma lista completa dos vícios do homem egoísta. Os que são enumerados aqui podem ser divididos em quatro categorias: a impureza, que perverte o amor humano; a idolatria e a feitiçaria, que pervertem a relação com Deus, único absoluto; as divisões, que pervertem as relações sociais; os excessos da mesa, que revelam a perda da dignidade humana. * 22-26: Os cristãos são chamados a viver de acordo com Jesus Cristo, isto é, deixando-se guiar pelo Espírito de Cristo, vivendo o amor. Como no caso dos vícios, aqui também não há pretensão de fazer uma lista completa das virtudes. O que Paulo enumera são as condições em que nasce e se desenvolve o amor (fé, mansidão, domínio de si), os sinais da presença do amor (alegria e paz) e as manifestações ativas do amor (paciência, bondade, benevolência).


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Leitura breve Gl 6,7b-8

O que o homem tiver semeado, é isso que vai colher. Quem semeia na sua própria carne, da carne colherá corrupção. Quem semeia no espírito, do espírito colherá a vida eterna.
V. É eterna, Senhor, vossa palavra.
R. De geração em geração, vossa verdade.

Oração
Ó Deus, sois o amparo dos que em vós esperam e, sem vosso auxílio, ninguém é forte, ninguém é santo; redobrai de amor para conosco, para que, conduzidos por vós, usemos de tal modo os bens que passam, que possamos abraçar os que não passam. Por Cristo, nosso Senhor.

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