- NOVO TESTAMENTO
- CARTA AOS GÁLATAS
CARTA AOS GÁLATAS
DA ESCRAVIDÃO PARA A LIBERDADE
Introdução
A Galácia não era uma cidade, mas
uma região da Ásia Menor. Na segunda viagem missionária, Paulo atravessou «a
Frígia e a região da Galácia» (At 16,6), e aí fundou comunidades, depois
visitadas (At 18,23) durante a terceira viagem (53-57 d.C.). O livro dos Atos
mostra que Paulo permaneceu longo tempo em Éfeso (At 19,1-21,1). Foi aí, provavelmente,
que o Apóstolo teve notícias de um ataque contra ele e sua doutrina em meio às
comunidades da Galácia. Alguns judeu-cristãos, ligados a certos círculos de
Jerusalém, queriam impor aos pagãos convertidos a circuncisão e a observância
da Lei mosaica. Além disso, ridicularizavam Paulo, negando a sua autoridade de
apóstolo, porque ele não pertencia ao grupo dos Doze. Diziam também que a
doutrina sobre a caducidade da Lei era invenção de Paulo, e não correspondia ao
pensamento da igreja de Jerusalém.
A carta aos Gálatas foi escrita no
fim da estada de Paulo em Éfeso, provavelmente no inverno de 56-57. É a única
carta de Paulo que não começa com ação de graças e não termina com bênção, fato
que testemunha a sua indignação. De fato, em tom agressivo, ele defende o seu
apostolado e doutrina, reafirmando que o Evangelho nada tem a ver com a Lei
mosaica nem com qualquer outro tipo de espiritualidade legalista.
A carta aos Gálatas foi definida
como o manifesto da liberdade cristã e universalidade da Igreja. Daí a sua
importância. Contudo, libertação de quê e para quê? Libertação de uma vida programada externamente por
um minucioso código de regras e leis, que conservam o homem numa atitude
infantil diante da vida. Libertação para uma vida adulta e consciente, graças
ao uso responsável da liberdade. A vida do homem não deve ser determinada por
um código de leis, mas por compromisso pessoal e íntimo com Cristo, que está
presente no profundo do ser humano (2,20). A liberdade é conduzida pelo amor a
si mesmo e aos outros, amor que é compromisso ativo com o crescimento do outro
(5,6.13-14).
Ao ler a carta aos Gálatas, nós,
cristãos de hoje, somos convidados a uma séria revisão: onde está a motivação
fundamental que dirige a nossa vida cristã: numa série de observâncias
mecânicas de leis e ritos? Ou no compromisso com Jesus Cristo, que se realiza
através de amor responsável e criativo?
A Igreja também é convidada a essa
revisão de vida: ela realmente educa os filhos de Deus para a liberdade e a fé?
ou estabelece leis que escravizam e esterilizam a vida cristã? As instituições
eclesiais visam a colocar fronteiras de salvação? ou procuram formar
comunidades comprometidas com Jesus Cristo e abertas para servir a
todos?
1
Endereço
e saudação -* 1
Paulo, apóstolo não da parte dos homens, nem por meio de
um homem, mas da parte de Jesus Cristo e de Deus Pai, que o ressuscitou dos
mortos. 2 Eu e todos os irmãos que estão comigo, às
igrejas da Galácia. 3 Que a graça e a paz de Deus
nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo estejam com vocês. 4 Cristo
entregou-se pelos nossos pecados para nos arrancar deste mundo mau, segundo a
vontade de nosso Deus e Pai. 5 A Deus seja dada a
glória para sempre. Amém.
Não
existe outro evangelho -* 6
Estou admirado de vocês estarem abandonando tão depressa
aquele que os chamou por meio da graça de Cristo, para aceitarem outro
evangelho. 7 Na realidade, porém, não existe outro
evangelho. Há somente pessoas que estão semeando confusão entre vocês, e querem
deturpar o Evangelho de Cristo. 8 Maldito aquele
que anunciar a vocês um evangelho diferente daquele que anunciamos, ainda que
sejamos nós mesmos ou algum anjo do céu. 9 Já
dissemos antes e agora repetimos: Maldito seja quem anunciar um evangelho
diferente daquele que vocês receberam. 10 Por acaso
é aprovação dos homens que estou procurando, ou é aprovação de Deus? Ou estou
procurando agradar aos homens? Se estivesse procurando agradar aos homens, eu
já não seria servo de Cristo.
Paulo
ensina o que recebeu de Deus -* 11
Irmãos, eu declaro a vocês: o Evangelho por mim anunciado
não é invenção humana. 12 E, além disso, não o
recebi nem aprendi através de um homem, mas por revelação de Jesus Cristo. 13
Certamente vocês ouviram falar do que eu fazia quando estava no judaísmo.
Sabem como eu perseguia com violência a Igreja de Deus e fazia de tudo para
arrasá-la. 14 Eu superava no judaísmo a maior parte
dos compatriotas da minha idade, e procurava seguir com todo o zelo as
tradições dos meus antepassados.
15
Deus, porém, me escolheu antes de eu nascer e me chamou
por sua graça. Quando ele resolveu 16 revelar em
mim o seu Filho, para que eu o anunciasse entre os pagãos, não consultei a ninguém,
17 nem subi a Jerusalém para me encontrar com
aqueles que eram apóstolos antes de mim. Pelo contrário, fui para a Arábia, e
depois voltei para Damasco. 18 Três anos mais
tarde, fui a Jerusalém para conhecer Pedro, e fiquei com ele quinze dias. 19
Entretanto, não vi nenhum outro apóstolo, a não ser Tiago, o irmão do
Senhor. 20 Deus é testemunha: o que estou
escrevendo a vocês não é mentira. 21 Depois fui
para as regiões da Síria e da Cilícia, 22 de modo
que as igrejas de Cristo na Judéia não me conheciam pessoalmente. 23
Elas apenas ouviam dizer: «Aquele que nos perseguia, agora está
anunciando a fé que antes procurava destruir.» 24 E
louvavam a Deus por minha causa.
* 1,1-5:
Dizendo-se apóstolo, Paulo reivindica
para si a mesma autoridade que os Doze. O Evangelho que ele prega é o Evangelho
da salvação, obtida pela fé em Jesus Cristo, e não pela observância da Lei.
* 6-10: Os gálatas convertidos à fé cristã eram de origem pagã e nunca haviam praticado a religião judaica. Paulo anunciara a eles que o Evangelho é, antes de tudo, a própria pessoa de Jesus Cristo, que morreu e ressuscitou para nos libertar do pecado e nos trazer a salvação através da fé. Todavia, alguns judeus convertidos anunciavam «outro evangelho». Segundo eles, para a salvação era também necessário ser cincuncidado e observar a Lei judaica.
* 11-24: Os judeu-cristãos criticam a autoridade de Paulo, dizendo que ele não é apóstolo como aqueles que Jesus tinha escolhido. E Paulo se defende, contando a história da sua vocação (cf. At 9), nascida de uma experiência direta de Jesus Cristo morto e ressuscitado. Tal experiência o transformou profundamente: de perseguidor, ele se tornou apóstolo. Na origem da sua missão, portanto, não há nenhuma interferência humana. Quando Paulo vai a Jerusalém, é simplesmente para conhecer Pedro e Tiago (cf. At 9,23-30).
* 6-10: Os gálatas convertidos à fé cristã eram de origem pagã e nunca haviam praticado a religião judaica. Paulo anunciara a eles que o Evangelho é, antes de tudo, a própria pessoa de Jesus Cristo, que morreu e ressuscitou para nos libertar do pecado e nos trazer a salvação através da fé. Todavia, alguns judeus convertidos anunciavam «outro evangelho». Segundo eles, para a salvação era também necessário ser cincuncidado e observar a Lei judaica.
* 11-24: Os judeu-cristãos criticam a autoridade de Paulo, dizendo que ele não é apóstolo como aqueles que Jesus tinha escolhido. E Paulo se defende, contando a história da sua vocação (cf. At 9), nascida de uma experiência direta de Jesus Cristo morto e ressuscitado. Tal experiência o transformou profundamente: de perseguidor, ele se tornou apóstolo. Na origem da sua missão, portanto, não há nenhuma interferência humana. Quando Paulo vai a Jerusalém, é simplesmente para conhecer Pedro e Tiago (cf. At 9,23-30).
2
Unidade
da Igreja e liberdade cristã -* 1
Catorze anos depois, voltei a Jerusalém com Barnabé e
levei também Tito comigo. 2 Fui lá seguindo uma
revelação. Expus a eles o Evangelho que anuncio aos pagãos, mas o expus
reservadamente às pessoas mais notáveis, para não me arriscar a correr ou ter
corrido em vão. 3 Nem Tito, meu companheiro, que é
grego, foi obrigado a circuncidar-se. 4 Nem mesmo
por causa dos falsos irmãos, os intrusos que se infiltraram para espionar a
liberdade que temos em Jesus Cristo, a fim de nos tornar escravos. 5
Mas para que a verdade do Evangelho continuasse firme entre vocês, em
nenhum momento nos submetemos a essas pessoas.
6
No que se refere àqueles mais notáveis - pouco me importa
o que eles eram então, porque Deus não faz diferença entre as pessoas - esses
mesmos notáveis nada mais me impuseram. 7 Pelo
contrário, viram que a mim fora confiada a evangelização dos não circuncidados,
assim como a Pedro fora confiada a evangelização dos circuncidados. 8
De fato, aquele que tinha agido em Pedro para o apostolado entre os
circuncidados, também tinha agido em mim a favor dos pagãos. 9
Por isso, Tiago, Pedro e João, considerados como colunas, reconheceram a
graça que me fora concedida, estenderam a mão a mim e a Barnabé em sinal de
comunhão: nós trabalharíamos com os pagãos, e eles com os circuncidados. 10
Eles pediram apenas que nos lembrássemos dos pobres, e isso eu tenho
procurado fazer com muito cuidado.
O
perigo da hipocrisia
-* 11 Quando Pedro foi a Antioquia, eu o
enfrentei em público, porque ele estava claramente errado. 12
De fato, antes de chegarem algumas pessoas da parte de Tiago, ele comia
com os pagãos; mas, depois que chegaram, Pedro começou a evitar os pagãos e já
não se misturava com eles, pois tinha medo dos circuncidados. 13
Os outros judeus também começaram a fingir com ele, de modo que até
Barnabé se deixou levar pela hipocrisia dele. 14 Quando
vi que eles não estavam agindo direito, conforme a verdade do Evangelho, eu
disse a Pedro, na frente de todos: «Você é judeu, mas está vivendo como os
pagãos e não como os judeus. Como pode, então, obrigar os pagãos a viverem como
judeus?»
Jesus
Cristo é o centro da vida -* 15
Nós somos judeus de nascimento, e não pagãos pecadores. 16
Sabemos, entretanto, que o homem não se torna justo pelas obras da Lei,
mas somente pela fé em Jesus Cristo. Nós também acreditamos em Jesus Cristo, a
fim de nos tornarmos justos pela fé em Cristo e não pela observância da Lei,
pois com a observância da Lei ninguém se tornará justo. 17
Nós procuramos tornar-nos justos em Cristo; mas também somos pecadores
como os outros. Então, será que Cristo estaria a serviço do pecado? Claro que
não! 18 De fato, se eu reconstruo o que destruí, eu
próprio me torno culpável.
19
Quanto a mim, foi através da Lei que eu morri para a Lei,
a fim de viver para Deus. Fui morto na cruz com Cristo. 20
Eu vivo, mas já não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim. E
esta vida que agora vivo, eu a vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se
entregou por mim. 21 Portanto, não torno inútil a
graça de Deus, porque, se a justiça vem através da Lei, então Cristo morreu em
vão.
*
2,1-10:
Na segunda vez que vai a Jerusalém (cf. At 15), Paulo tem duas preocupações:
fazer um acordo com Pedro, Tiago e João, para manter a unidade das igrejas; e
ao mesmo tempo, assegurar que os pagãos convertidos não precisem observar a
religião judaica. A viagem tem dois resultados importantes: as autoridades da
igreja de Jerusalém reconhecem o Evangelho, tal como Paulo e Barnabé o pregam
aos pagãos; é feito um acordo prático, delimitando os campos de apostolado de
Pedro e de Paulo. O sinal visível desse acordo é a preocupação e o auxílio aos
pobres (cf. 2Cor 8-9).
* 11-14: Um judeu não podia comer ao lado de um pagão, pois ficaria impuro, violando a Lei. Contudo, no encontro em Jerusalém, ficara resolvido que os pagãos convertidos ao cristianismo não precisavam observar a Lei judaica. A atitude de Pedro é hipócrita: por medo de ser criticado pelos judeu-cristãos, ele evita comer com os pagãos convertidos. O fato é grave, pois o comportamento hipócrita de um chefe da Igreja causa divisões, esvazia o trabalho da evangelização, chegando até mesmo a desviar a comunidade do verdadeiro Evangelho.
* 15-21: Para Paulo, nenhuma força humana, nem mesmo a Lei dos judeus, tem o poder de arrancar o homem da situação de pecado em que vive. Só um ato de Deus pode realizar isso, concedendo gratuitamente anistia. E Deus a concedeu através de Jesus Cristo, que morreu por nossos pecados. Essa anistia proclamada na cruz chega até mim no momento em que eu acredito que, em Jesus Cristo, Deus realizou esse dom. Acreditar em Jesus Cristo é colocá-lo no centro da vida, a ponto de poder dizer: «Já não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim.»
* 11-14: Um judeu não podia comer ao lado de um pagão, pois ficaria impuro, violando a Lei. Contudo, no encontro em Jerusalém, ficara resolvido que os pagãos convertidos ao cristianismo não precisavam observar a Lei judaica. A atitude de Pedro é hipócrita: por medo de ser criticado pelos judeu-cristãos, ele evita comer com os pagãos convertidos. O fato é grave, pois o comportamento hipócrita de um chefe da Igreja causa divisões, esvazia o trabalho da evangelização, chegando até mesmo a desviar a comunidade do verdadeiro Evangelho.
* 15-21: Para Paulo, nenhuma força humana, nem mesmo a Lei dos judeus, tem o poder de arrancar o homem da situação de pecado em que vive. Só um ato de Deus pode realizar isso, concedendo gratuitamente anistia. E Deus a concedeu através de Jesus Cristo, que morreu por nossos pecados. Essa anistia proclamada na cruz chega até mim no momento em que eu acredito que, em Jesus Cristo, Deus realizou esse dom. Acreditar em Jesus Cristo é colocá-lo no centro da vida, a ponto de poder dizer: «Já não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim.»
3
A
experiência dos gálatas -* 1
Gálatas insensatos! Quem foi que os enfeitiçou? Vocês que
tiveram diante dos próprios olhos uma descrição clara de Jesus Cristo
crucificado! 2 Respondam-me somente uma coisa: foi
por causa da observância da Lei que vocês receberam o Espírito, ou foi porque
vocês ouviram a mensagem da fé? 3 Vocês são tão
insensatos a ponto de ter começado com o Espírito e agora terminar na carne? 4
Foi em vão que fizeram tantas experiências? Se é que foi em vão! 5
Aquele que dá a vocês o Espírito e realiza milagres entre vocês, será que
ele o faz por causa da observância da Lei, ou é porque vocês ouviram a mensagem
da fé?
Os
verdadeiros filhos de Abraão -* 6
Foi assim que Abraão teve fé em Deus, e isso lhe foi
creditado como justiça. 7 Saibam, portanto, que
somente aqueles que têm fé são filhos de Abraão. 8 É
por isso que a Escritura, prevendo que Deus tornaria justos os pagãos através
da fé, predisse a Abraão esta boa notícia: «Todas as nações serão abençoadas em
você.» 9 Portanto, aqueles que têm fé são os
abençoados junto com Abraão, que acreditou.
10
Os que observam a Lei, porém, estão todos debaixo do peso
da maldição, pois a Escritura diz: «Maldito seja todo aquele que não é fiel a
todas as coisas que estão escritas no livro da Lei para serem praticadas.» 11
Além disso, é evidente que ninguém pode tornar-se justo diante de Deus
através da Lei, pois o justo viverá pela fé. 12 Ora,
a Lei não se baseia sobre a fé, pois diz: «Quem praticar os preceitos da Lei,
viverá por meio deles.» 13 Cristo nos resgatou da
maldição da Lei, tornando-se ele próprio maldição por nós, como diz a
Escritura: «Maldito seja todo aquele que for suspenso no madeiro.» 14
Isso aconteceu para que, em Jesus Cristo, a bênção de Abraão se
estendesse aos pagãos e para que nós recebêssemos, pela fé, o Espírito
prometido.
A
promessa e a Lei -* 15
Irmãos, vou fazer uma comparação: ninguém pode invalidar
ou modificar um testamento legitimamente feito. 16 Ora,
as promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente. A Escritura não diz no
plural: «e aos descendentes»; mas no singular: «e ao seu descendente», isto é,
a Cristo. 17 O que eu quero dizer é o seguinte:
Deus firmou um testamento de modo legítimo. A Lei, que veio quatrocentos e
trinta anos mais tarde, não pode invalidar esse testamento, anulando assim a
promessa. 18 De fato, se é através da Lei que se
recebe a herança, já não é mediante a promessa. Ora, foi por meio de uma
promessa que Deus concedeu sua graça a Abraão.
O
papel da Lei
-* 19 Então, por que é que foi dada a Lei?
Ela foi acrescentada para mostrar as transgressões, até a chegada do
descendente, em vista do qual foi feita a promessa. A Lei foi promulgada pelos
anjos, e um homem serviu de intermediário. 20 Ora,
esse intermediário não representa uma pessoa só, e Deus é um só.
21
Então, a Lei estará contra as promessas de Deus? Claro que
não! Se tivesse sido dada uma lei capaz de comunicar a vida, então sim,
realmente a justiça viria da Lei. 22 A Escritura,
porém, colocou tudo sob o domínio do pecado, a fim de que a promessa fosse
concedida aos que acreditam, mediante a fé em Jesus Cristo.
23
Antes que chegasse a fé, a Lei tomava conta de nós, à
espera da fé que devia ser revelada. 24 A Lei,
portanto, é para nós como um pedagogo que nos conduziu a Cristo, para que nos
tornássemos justos mediante a fé.
A
chegada da fé -* 25
Chegada a fé, já não estamos sob os cuidados de um
pedagogo. 26 De fato, vocês todos são filhos de
Deus pela fé em Jesus Cristo, 27 pois todos vocês,
que foram batizados em Cristo, se revestiram de Cristo. 28
Não há mais diferença entre judeu e grego, entre escravo e homem livre,
entre homem e mulher, pois todos vocês são um só em Jesus Cristo. 29
E se vocês pertencem a Cristo, então vocês são de fato a descendência de
Abraão e herdeiros conforme a promessa.
* 3,1-5: Os gálatas ouviram a pregação do Evangelho, converteram-se a Jesus Cristo e foram batizados. A partir da fé, puderam experimentar na sua vida o dom do Espírito, que reúne os homens e os faz colaborar entre si para o crescimento de todos. Até esse momento, os gálatas não conheciam a Lei judaica. Para que serve agora circuncidar-se e observar tal Lei? O que poderiam dela receber a mais? A atitude deles mostra apenas que estão voltando para trás. * 6-14: Os pregadores judeu-cristãos certamente diziam aos gálatas que Jesus era judeu e filho de Abraão; por isso os gálatas deviam ser circuncidados e observar a Lei judaica, para serem filhos de Abraão e fiéis a Jesus. Contudo, Paulo salienta que, desde Abraão, a fé nas promessas é que dá a vida. Quem tem fé se torna filho e herdeiro de Abraão. Quanto à Lei, ao invés de tornar justo o homem, ela traz a maldição para os que não a cumprem. A Cristo se dirigia à promessa (v. 16): submetendo-se à maldição da Lei pela morte na cruz, ele resgatou-nos pela fé e estendeu a todos os povos a bênção prometida a Abraão. * 15-18: O testamento ou aliança de Deus, no qual estão contidas as promessas feitas a Abraão e ao seu descendente, não pode ser anulado pela Lei, pois esta veio depois das promessas. O «descendente» de que fala a Escritura é uma só pessoa e, para Paulo, essa pessoa só pode ser Cristo. Em Cristo, portanto, nós somos herdeiros de uma promessa que foi feita diretamente a Abraão, e não através da Lei. * 19-24: No mundo greco-romano, o pedagogo era um escravo severo, que tinha como tarefa vigiar, admoestar e castigar o comportamento das crianças de uma família. Esse foi o papel da Lei: mostrar a incapacidade do homem de salvar-se, dar-lhe consciência de seus pecados e mantê-lo na expectativa da realização da promessa, a fim de ser liberto da própria Lei. * 25-29: O papel da Lei terminou com a chegada de Cristo. Pela fé nele e pelo batismo, os homens se revestem de Cristo, isto é, são transformados para se tornarem imagem dele (cf. Cl 3,11). Em Cristo, portanto, os homens ficam libertos de qualquer lei e de qualquer diferença que possa privilegiar uns e marginalizar outros.
4
Adultos
em Cristo -* 1
Vou dar outro exemplo: durante todo o tempo em que o
herdeiro é criança, embora seja dono de tudo, é como se fosse um escravo. 2
Até chegar a data fixada por seu pai, ele fica sob tutores e pessoas que
administram seus negócios. 3 O mesmo aconteceu
conosco: éramos como crianças e andávamos como escravos, submetidos aos
elementos do mundo.
4
Quando, porém, chegou a plenitude do tempo, Deus enviou o
seu Filho. Ele nasceu de uma mulher, submetido à Lei 5 para
resgatar aqueles que estavam submetidos à Lei, a fim de que fôssemos adotados
como filhos. 6 A prova de que vocês são filhos é o
fato de que Deus enviou aos nossos corações o Espírito do seu Filho que clama:
Abba, Pai! 7 Portanto, você já não é escravo, mas
filho; e se é filho, é também herdeiro por vontade de Deus.
8
No passado, quando vocês não conheciam a Deus, eram
escravos de deuses, que na realidade não são deuses. 9 Agora,
porém, vocês conhecem a Deus, ou melhor, agora Deus conhece vocês. Então, como
é que vocês querem voltar de novo àqueles elementos fracos e sem valor? Por que
vocês querem novamente ficar escravos deles? 10 Vocês
observam cuidadosamente dias, meses, estações e anos! 11 Receio
que me cansei inutilmente por vocês.
Apelo
pessoal de Paulo -* 12
Irmãos, peço que sejam como eu, porque eu também me tornei
como vocês. Vocês não me ofenderam em nada. 13 E
sabem que foi por causa de uma doença física que eu os evangelizei na primeira
vez. 14 E vocês não me desprezaram nem me
rejeitaram, apesar do meu físico ser para vocês uma provação. Pelo contrário,
me acolheram como a um anjo de Deus ou até como a Jesus Cristo.
15
Onde está a alegria que vocês experimentaram então? Pois
eu dou testemunho de que, se fosse possível, vocês teriam arrancado os próprios
olhos para me dar. 16 E agora, será que me tornei
inimigo, só porque lhes disse a verdade?
17
Esses homens mostram grande interesse por vocês, mas a
intenção deles não é boa; o que eles querem é separar vocês de mim, para que se
interessem por eles. 18 Seria bom que vocês se
interessassem sempre pelo bem, e não só quando estou presente entre vocês. 19
Meus filhos, sofro novamente como dores de parto, até que Cristo esteja
formado em vocês. 20 Gostaria de estar junto de
vocês neste momento, e de mudar o tom da minha voz, porque não sei mais que
atitude tomar com vocês.
Escravidão
e liberdade -* 21
Vocês que querem ficar submetidos à Lei, me digam uma
coisa: será que não ouvem o que diz a Lei? 22 De
fato, aí está escrito que Abraão teve dois filhos, um da escrava e outro da
mulher livre. 23 O filho da escrava nasceu de modo
natural, enquanto o filho da mulher livre nasceu por causa da promessa. 24
Simbolicamente isso quer dizer o seguinte: as duas mulheres representam
as duas alianças. Uma, a do monte Sinai, gera para a escravidão e é representada
por Agar 25 (pois o monte Sinai está na Arábia, que
é o país de Agar). E Agar corresponde à Jerusalém atual, que é escrava junto
com seus filhos. 26 Mas a Jerusalém do alto é
livre, e ela é a nossa mãe. 27 Porque está na
Escritura: «Alegre-se, estéril, você que não dava à luz! Grite de alegria, você
que não conheceu as dores do parto, porque os filhos da abandonada são mais
numerosos do que os filhos daquela que tem marido».
28
Vocês, irmãos, são filhos da promessa, como Isaac. 29
Acontece agora como acontecia naquele tempo: o que nasceu de modo natural
persegue aquele que nasceu segundo o Espírito. 30 Mas
o que é que diz a Escritura? «Expulse as escrava e o filho dela, porque o filho
da escrava não receberá a herança junto com o filho da mulher livre». 31
Portanto, irmãos, nós não somos filhos da escrava, mas da mulher livre.
* 4,1-11: Paulo coloca no mesmo plano os ritos religiosos pagãos e os ritos judaicos. Se os gálatas se submeterem aos costumes judaicos, estarão vivendo a mesma vida pagã de outrora, submissos e escravos de outras criaturas. O homem de fé deve depender unicamente do seu Criador, de quem se tornou filho, graças a Cristo. Cf. nota em Rm 8,14-17. * 12-20: Paulo interrompe o raciocínio e, emocionado, relembra o entusiasmo inicial dos gálatas, que o trataram com carinho e como enviado de Deus, apesar de sua enfermidade. Fala com ironia dos intrusos que querem escravizá-los com suas concepções. Por fim, mostra que está gerando os gálatas em novo parto. O primeiro foi quando os gerou para a fé; agora, sofre até que Cristo esteja de tal forma presente na vida deles, a ponto de não precisarem recorrer a qualquer outra coisa. * 21-31: Paulo se serve das histórias de Agar e Sara (cf. Gn 16,1-16; 21,8-21) para fazer a comparação entre a antiga e a nova Aliança. O filho que Abraão teve com Agar, «de modo natural», é escravo e simboliza os que estão sob a Lei. O filho que Abraão teve com Sara, «por causa da promessa», é livre como aqueles que nasceram do Espírito através da fé em Jesus.
5
A
liberdade cristã -* 1
Cristo nos libertou para que sejamos verdadeiramente
livres. Portanto, sejam firmes e não se submetam de novo ao jugo da escravidão.
2
Eu, Paulo, declaro: se vocês se fazem circuncidar, Cristo
de nada adiantará para vocês. 3 E a todo homem que
se faz circuncidar, eu declaro: agora está obrigado a observar toda a Lei. 4
Vocês que buscam a justiça na Lei se desligaram de Cristo e se separaram
da graça. 5 Nós, de fato, aguardamos no Espírito a
esperança de nos tornarmos justos mediante a fé, 6 porque,
em Jesus Cristo, o que conta não é a circuncisão ou a não-circuncisão, mas a fé
que age por meio do amor.
7
Vocês estavam correndo bem. Quem foi que colocou obstáculo
para que vocês não obedeçam mais à verdade? 8 Tal
influência não vem daquele que chama vocês. 9 Um
pouco de fermento basta para levedar toda a massa! 10 Confio
no Senhor que vocês estão de acordo com isso. Aquele, porém, que os perturba
sofrerá condenação, seja quem for. 11 Quanto a mim,
irmãos, se é verdade que ainda prego a circuncisão, por que sou perseguido?
Nesse caso, o escândalo da cruz estaria anulado! 12 Tomara
que aqueles que estão perturbando vocês se mutilem de uma vez por todas!
A
vida segundo o Espírito -* 13
Irmãos, vocês foram chamados para serem livres. Que essa
liberdade, porém, não se torne desculpa para vocês viverem satisfazendo os
instintos egoístas. Pelo contrário, disponham-se a serviço uns dos outros
através do amor. 14 Pois toda a Lei encontra a sua
plenitude num só mandamento: «Ame o seu próximo como a si mesmo». 15*
Mas, se vocês se mordem e se devoram uns aos outros, tomem cuidado! Vocês
vão acabar destruindo-se mutuamente.
16
Por isso é que lhes digo: vivam segundo o Espírito, e
assim não farão mais o que os instintos egoístas desejam. 17
Porque os instintos egoístas têm desejos que estão contra o Espírito, e o
Espírito contra os instintos egoístas; os dois estão em conflito, de modo que
vocês não fazem o que querem. 18* Mas, se
forem conduzidos pelo Espírito, vocês não estarão mais submetidos à Lei. 19
Além disso, as obras dos instintos egoístas são bem conhecidas:
fornicação, impureza, libertinagem, 20 idolatria,
feitiçaria, ódio, discórdia, ciúme, ira, rivalidade, divisão, sectarismo, 21*
inveja, bebedeira, orgias e outras coisas semelhantes. Repito o que já
disse: os que fazem tais coisas não herdarão o Reino de Deus. 22
Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, bondade,
benevolência, fé, 23 mansidão e domínio de si.
Contra essas coisas não existe lei. 24 Os que
pertencem a Cristo crucificaram os instintos egoístas junto com suas paixões e
desejos. 25 Se vivemos pelo Espírito, caminhemos
também sob o impulso do Espírito. 26 Não sejamos
ambiciosos de glória, provocando-nos mutuamente e tendo inveja uns dos outros.
* 5,1-12: Cristo nos libertou, mas podemos nos tornar escravos outra vez. Precisamos permanecer vigilantes, a fim de mantermos a liberdade e nela crescer. Os vv. 5-6 apresentam a estrutura da vida cristã: o cristão é aquele que, pela fé, acolhe a ação do Espírito e a comunica através do amor; e é do Espírito que ele espera a ressurreição, a vida no Reino de Deus. A fé, o amor e a esperança são, portanto, as atitudes características do cristão, a estrutura da vida nova. * 13-15: A vida cristã é um chamado para a liberdade. Esta, porém, não deve ser confundida com libertinagem, que é buscar e colocar tudo a serviço de si mesmo. A verdadeira liberdade leva o homem a crescer no amor e no dom de si, para colocar-se a serviço dos outros. Como os sinóticos (cf. Mc 12,31), Paulo resume a Lei no mandamento de Lv 19,18: quem ama o próximo, realiza a vontade de Deus. * 16-18: As expressões «segundo o Espírito» e «segundo os instintos egoístas» (lit.: carne) não designam duas partes do homem, e sim duas orientações diferentes de comportamento: «segundo o Espírito» é a orientação do amor, que leva o homem a servir o outro; «segundo os instintos egoístas» é a orientação do egoísmo, que leva o homem a servir a si mesmo. * 19-21: Paulo certamente não pretende fazer uma lista completa dos vícios do homem egoísta. Os que são enumerados aqui podem ser divididos em quatro categorias: a impureza, que perverte o amor humano; a idolatria e a feitiçaria, que pervertem a relação com Deus, único absoluto; as divisões, que pervertem as relações sociais; os excessos da mesa, que revelam a perda da dignidade humana. * 22-26: Os cristãos são chamados a viver de acordo com Jesus Cristo, isto é, deixando-se guiar pelo Espírito de Cristo, vivendo o amor. Como no caso dos vícios, aqui também não há pretensão de fazer uma lista completa das virtudes. O que Paulo enumera são as condições em que nasce e se desenvolve o amor (fé, mansidão, domínio de si), os sinais da presença do amor (alegria e paz) e as manifestações ativas do amor (paciência, bondade, benevolência).
http://www.paulus.com.br/biblia-pastoral/_P102.HTM
Leitura breve Gl
6,7b-8
O que o homem tiver
semeado, é isso que vai colher. Quem semeia na sua própria carne, da carne
colherá corrupção. Quem semeia no espírito, do espírito colherá a vida eterna.
V.
É eterna, Senhor,
vossa palavra. R. De geração em geração, vossa verdade.
Oração
Ó Deus, sois o amparo dos que em vós esperam e, sem vosso auxílio, ninguém é forte, ninguém é santo; redobrai
de amor para conosco, para que, conduzidos por vós, usemos de tal modo os bens
que passam, que possamos abraçar os que não passam.
Por Cristo, nosso Senhor.
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