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domingo, 7 de junho de 2020


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2
O reino de Deus e o império dos homens
Prepotência do opressor -* 1 No segundo ano do seu reinado, Nabucodonosor teve um sonho e ficou tão assustado que chegou a perder o sono. 2 Mandou chamar os magos, astrólogos, agoureiros e adivinhos para interpretarem o sonho. Chegaram e foram colocados na sua presença. 3 Então o rei lhes disse: «Tive um sonho que me assustou e quero saber o que ele significa». 4 Os adivinhos disseram ao rei: «Viva o rei para sempre! Conte o sonho para nós, e lhe daremos a explicação». 5 O rei respondeu aos adivinhos: «Esta é a minha decisão: se não me contarem o sonho que eu tive, nem me derem a interpretação dele, vocês serão feitos em pedaços e suas casas serão transformadas em ruínas. 6 Porém, se me contarem qual foi o meu sonho e qual é a sua interpretação, vocês receberão de mim donativos, presentes e muitas homenagens. Digam qual foi o meu sonho e qual é a sua interpretação». 7 Os adivinhos disseram: «Majestade, conte o sonho para nós, e daremos a interpretação». 8 O rei respondeu: «Estou percebendo claramente que vocês querem ganhar tempo. Vocês sabem que dei uma ordem, 9 e se não me contarem o meu sonho, terão todos a mesma sentença. Vocês combinaram falar mentira e tapear, esperando que a situação mude. Basta dizerem qual foi o meu sonho, e eu terei certeza de que serão capazes de interpretá-lo». 10 Os adivinhos disseram ao rei: «Não ninguém no mundo que possa fazer o que o rei está pedindo. Nenhum rei, governador ou chefe jamais pediu uma coisa dessas a qualquer mago, astrólogo ou adivinho. 11 O que o rei exige é sobre-humano; somente os deuses, que não habitam com os mortais, podem dizer isso ao rei». 12 Por causa disso, o rei ficou furioso e mandou matar todos os sábios da Babilônia.
20        «Que o nome do Senhor seja louvado, desde agora e para sempre,
21        Ele modifica os tempos e estações, depõe e entroniza os reis,
22        Ele revela os segredos mais profundos e sabe o que as trevas escondem,
pois a luz mora com ele.
23        A ti, ó Deus de pais, eu louvo e celebro,
Tu me revelaste o que eu te pedi
e me revelaste o caso do rei».
Deus vence os impérios -* 24 Depois disso Daniel procurou Arioc, a quem o rei tinha encarregado de matar os sábios da Babilônia. Chegando a ele, disse-lhe: «Não precisa matar os sábios. Leve-me até o rei, e eu interpretarei o sonho que ele teve».
37 Vossa Majestade é o rei dos reis, a quem o Deus do céu concedeu o reino e o poder, o domínio e a glória. 38 Em todo o mundo habitado ele lhe entregou os seres humanos, as feras e as aves do céu, para que Vossa Majestade domine sobre tudo isso. Assim, Vossa Majestade é a cabeça de ouro. 39 Depois de Vossa Majestade, vai aparecer outro reino, menor que o seu; depois, um terceiro reino, o de bronze, que dominará sobre toda a terra. 40 O quarto reino será duro como o ferro, pois assim como o ferro esmaga e esmigalha tudo, assim também ele quebrará e esmigalhará todos os outros. 41 Os pés e os dedos que Vossa Majestade viu, parte de ferro e parte de barro, significam um reino dividido. Ele tem a dureza do ferro, pois Vossa Majestade viu ferro misturado com uma parte feita de barro. 42 Os dedos dos pés, metade de ferro e metade de barro, significam um reino firme por um lado, mas fraco por outro. 43 O ferro que Vossa Majestade viu misturado com barro significa que as pessoas se juntarão por casamentos, mas não se ligarão umas com as outras, assim como o ferro não faz liga com o barro. 44 Durante este último reinado, o Deus do céu fará aparecer um reino que nunca será destruído. Será um reino que não passará para as mãos de outro povo, mas, ao contrário, humilhará e liquidará todos os outros reinos, enquanto ele mesmo continuará firme para sempre. 45 Esse reino é a pedra que rolou do monte sem ninguém tocá-la e esmigalhou o que era de barro, ferro, bronze, prata e ouro. O grande Deus mostrou ao rei o que acontecerá daqui para frente. O sonho tem sentido e a sua interpretação é digna de ».


* 2,1-49: No século II a.C., os judeus vivem sob a opressão de Antíoco IV. Como fazer uma crítica ao rei, sem dizer o seu nome? Sob os regimes que impedem a crítica e a livre expressão, floresce uma literatura alegórica que, de forma irônica, se apresenta como crítica subversiva ao regime.
1-16: Nabucodonosor é o rei prepotente que exige coisas que estão além da capacidade dos homens e até dos ídolos que ele adora. Com fina ironia, o texto critica a religião e sabedoria da nação opressora. Será que Daniel e seu Deus serão capazes de responder ao desafio do opressor?


* 17-23: A sabedoria e a religião dos opressores não conseguem decifrar os acontecimentos que os atingem. Javé, porém, é o Senhor da história e da vida, a luz que penetra todos os segredos e dirige o vaivém da história e da sociedade. Só ele pode comunicar a verdadeira sabedoria, que consiste em discernir a realização do seu misterioso projeto dentro dos acontecimentos. A oração de Daniel é todo um programa desenvolvido no resto do livro: a derrota do opressor e a libertação dos oprimidos.

* 24-49: O texto é muito rico. A estátua simboliza a grandiosidade, a riqueza e a fascinante imagem dos impérios que se estabelecem no mundo através da exploração e opressão. Isso, porém, é apenas aparência, pois os pés da estátua são de barro: basta uma pedra para deixá-la em pedaços. Essa pedra, não movida por mão humana, é o Reino de Deus, Reino que desmascara e destrói as pretensões dos impérios humanos, a fim de instaurar uma sociedade e uma história fundadas na partilha da liberdade e da vida. O texto salienta ainda que a história é uma sucessão de impérios (Babilônia, Pérsia, Grécia, Egito, Síria, cujo rei é Antíoco IV), impérios que vão perdendo seu valor e sentido, até chegar à sua completa extinção (palha que o vento carrega). Somente o Reino de Deus está firme para sempre. Trata-se, portanto, de uma crítica dirigida à política opressora de Antíoco IV: o seu reinado é a parte de barro do pé da estátua.

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