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26
III.
PROFECIAS DE ESPERANÇA
1.
O verdadeiro profeta
1*
No começo do reinado de Joaquim, filho de Josias, rei de
Judá, Javé dirigiu esta palavra a Jeremias: 2 Assim
diz Javé: Fique no átrio do Templo de Javé e diga a todos os cidadãos de Judá,
que entram no Templo para adorar Javé, tudo o que eu estou mandando dizer, sem
tirar nada. 3 Quem sabe, eles se convertam, cada um
de sua má conduta, e eu me arrependa do castigo que preparo contra eles por
causa de suas más ações. 4 Você dirá o seguinte:
Assim diz Javé: Se vocês não me obedecerem, seguindo a Lei que promulguei para
vocês, 5 e se não escutarem o que dizem os meus
servos, os profetas, que eu lhes envio sem cessar, embora vocês não os escutem,
6 então, eu vou fazer deste Templo o que fiz com o
santuário de Silo, e desta cidade farei uma coisa maldita para todos os povos
da terra.
7
Os sacerdotes, os profetas e todo o povo ouviram Jeremias
falando isso no Templo de Javé. 8 Depois que
Jeremias terminou de falar tudo o que Javé lhe havia ordenado que dissesse ao
povo, os sacerdotes e os profetas o prenderam, dizendo: «Você deve morrer. 9
Por que você profetizou em nome de Javé, dizendo que vai acontecer a este
Templo o que aconteceu com o santuário de Silo, e que esta cidade será destruída
e ficará sem moradores?» E o povo todo se aglomerou no Templo de Javé contra
Jeremias.
10
Ao ouvirem falar disso, os chefes de Judá foram do palácio
do rei para o Templo de Javé, e se assentaram no tribunal da Porta Nova do
Templo de Javé. 11 Então os sacerdotes e os
profetas disseram aos chefes e a todo o povo: «Este homem deve ser condenado à
morte, pois profetizou contra esta cidade, conforme vocês mesmos ouviram». 12
Jeremias respondeu aos chefes e a todo o povo: «Foi Javé quem me mandou
profetizar, contra este Templo e contra esta cidade, tudo o que vocês ouviram. 13
Agora, corrijam sua conduta e suas ações; obedeçam a Javé, o Deus de
vocês, e Javé desistirá das ameaças que proferiu contra vocês. 14
Quanto a mim, eu estou na mão de vocês. Façam de mim o que acharem
melhor. 15 Mas fiquem sabendo: se vocês me matarem,
estarão jogando a culpa da morte de um inocente sobre vocês mesmos, sobre esta
cidade e seus habitantes, pois foi de fato Javé quem me ordenou falar para
vocês escutarem tudo isso». 16 Os chefes e todo o
povo disseram aos sacerdotes e profetas: «Esse homem não deve ser condenado à
morte, pois foi em nome de Javé, o nosso Deus, que ele nos falou». 17
Alguns anciãos do país tomaram, então, a palavra e, dirigindo-se a todo o
povo reunido, disseram: 18 «Miquéias de Morasti foi
um profeta no tempo de Ezequias, rei de Judá. Ele disse a todo o povo de Judá:
‘Assim diz Javé dos exércitos: Sião será arada como um campo, Jerusalém se
tornará um montão de ruínas, e o monte do Templo uma colina cheia de mato’. 19
Por acaso, Ezequias, rei de Judá, ou o próprio povo de Judá mataram Miquéias?
Por acaso, não temeram a Javé e o acalmaram? E Javé não desistiu da ameaça que
havia lançado contra eles? Nós, porém, estamos para cometer um grande crime
contra nós mesmos».
20
Houve também outro profeta que profetizou em nome de Javé:
Urias, filho de Semeías, natural de Cariat-Iarim. Ele profetizou contra a
cidade e o país, da mesma forma que Jeremias. 21 O
rei Joaquim, os seus guardas e chefes o ouviram e o rei procurou matá-lo. Mas,
ao ouvir isso, Urias ficou com medo e fugiu para o Egito. 22
O rei Joaquim enviou ao Egito Elnatã, filho de Acobor, com alguns homens.
23 Eles trouxeram Urias do Egito e o levaram até o
rei Joaquim. O rei mandou matá-lo a fio de espada e jogar o seu corpo na vala
comum. 24 Jeremias, porém, foi protegido por Aicam,
filho de Safã, de modo que não foi entregue nas mãos do povo para ser morto.
* 26,1-24: Falando em nome de Deus, o profeta tem a coragem de criticar as instituições mais sagradas do seu tempo: falar contra o Templo e contra Jerusalém era uma blasfêmia. Jeremias deixa claro que as instituições não passam de máscara quando não se vive conforme o projeto de Deus. O caso de Urias (vv. 20-23) mostra o preço que um profeta paga por obedecer a Deus.
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