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terça-feira, 30 de janeiro de 2024

FEBRERO: POR LOS ENFERMOS TERMINALES


O Papa Francisco alerta que há duas palavras que algumas pessoas confundem quando se fala de doenças terminais: “incurável e in-cuidável”. E não são a mesma coisa. “Curar se é possível, cuidar sempre”, afirma o Santo Padre, na edição de fevereiro de O Vídeo do Papa, recorrendo a uma expressão de São João Paulo II.

No vídeo, o Papa pede oração e compromisso para com os doentes em fase terminal e as suas famílias. Esta intenção de oração surge no mês em que a Igreja celebra o Dia Mundial do Doente, instituído em 1992 por São João Paulo II, a 11 de fevereiro, memória litúrgica de Nossa Senhora de Lourdes.

Um casal, sentado na areia, contempla o mar; um menino abraça uma menina que ficou sem cabelo por causa da quimioterapia. Uma menina está ao lado da cama do avô, no hospital, abraçando-o. Um homem junto ao leito do pai, com uma Bíblia no colo e um Rosário nas mãos. Uma enfermeira leva ao jardim um paciente que já não pode caminhar. Um médico explica a uma família o difícil caminho que vai ter de percorrer com seu parente a partir de agora. Estas são as imagens que compõem O Vídeo do Papa deste mês e nos transmitem uma série de fracassos ou de êxitos: fracassos, se o único resultado aceitável é a cura; êxitos, se o objetivo é o cuidado.

Curar e cuidar parecem sinónimos, mas não são. O Papa Francisco explica claramente: "todos os doentes têm direito ao acompanhamento médico, ao acompanhamento psicológico, ao acompanhamento espiritual, ao acompanhamento humano", inclusive quando há poucas possibilidades de cura.

Doentes, famílias e cuidados paliativos

O Santo Padre nota que, na atual cultura do descarte, não há lugar para os doentes terminais. Não é por acaso que, nas últimas décadas, a tentação da eutanásia tenha ganhado terreno em muitos países. Perante isto, Francisco convida-nos “a olhar o doente com amor e a acompanhá-lo do melhor modo possível, durante todo o tempo que necessite”.

Não se trata de prolongar desnecessariamente o sofrimento, refere o pontífice, insistindo na importância dos cuidados paliativos e da proximidade da família.

Francisco defende que as famílias “não devem permanecer sozinhas nesses momentos difíceis”, o seu papel é decisivo e devem ter ao dispor “os meios adequados para prestar apoio físico, espiritual e social”.

Como o Bom Samaritano

O padre Frédéric Fornos, sj, diretor internacional da Rede Mundial de Oração do Papa, presente em 89 países, com mais de 22 milhões de católicos, pergunta: “Para que serve rezar por esta intenção? Não bastaria que o Papa fizesse uma declaração sobre este tema? Rezar, muda realmente alguma coisa?”

O sacerdote jesuíta diz que “quando a doença bate à porta de nossa vida, desperta em nós a necessidade de ter alguém próximo que nos olhe nos olhos, que segure as nossas mãos, que manifeste a sua ternura e cuide de nós, como o Bom Samaritano da parábola evangélica”.

“Esta proximidade e carinho com as pessoas em fase terminal pode parecer acessório e/ou secundário comparado com a importância do acompanhamento médico, assim como a oração, mas este apoio é essencial”, sustenta o P. Frédéric Fornos, sj, concluindo que “o amor expressa-se através de gestos e da oração”. Rezemos, pois, “para que os doentes terminais e suas famílias recebam sempre os cuidados e o acompanhamento necessários".


Oração

Senhor Jesus, que com a parábola do Bom Samaritano nos ensinaste a tomar conta e a cuidar de quem sofre, faz com que, quando se percam os valores autênticos, os deveres de solidariedade e fraternidade humana e cristã, e a vida seja valorizada somente pela sua eficiência e utilidade, até ao ponto de serem consideradas como descartáveis ou indignas as vidas que não se ajustam a este critério, nós saibamos reconhecer sempre o valor intangível da vida humana e a sua dignidade em qualquer situação, até mesmo na sua precariedade e fragilidade. Converte o olhar do nosso coração, para que nele nunca falte a compaixão e aprendamos a comover-nos, a olhar e a envolver-nos com o que observamos, a deter-nos e a ocupar-nos do que acontece, sem passar ao lado. Pedimos-te que os doentes terminais sejam sempre acompanhados com um apoio médico, psicológico e espiritual qualificado, e tenham sempre perto de si alguém que os olhe nos olhos, que lhes aperte a mão, que lhes manifeste a sua ternura e cuide deles, para que, confortados pela proximidade dos seus entes queridos, possam viver com dignidade a fase final da sua vida terrena. Ámen.

Desafios

ACOMPANHAR - Que gesto podes fazer para acompanhar, com a tua presença ou com a tua oração, algum doente que se prepara para partir? 
“À volta da pessoa doente é preciso criar uma verdadeira plataforma humana de relações que, ao mesmo tempo que fomentam a atenção médica, se abram à esperança, especialmente nas situações limite em que a dor física vai acompanhada por desamparo emotivo e angústia espiritual”. (Papa Francisco) 
CUIDAR DA FRAGILIDADE - Pede a Jesus o seu coração compassivo e manifesta a tua ternura a quem precise. 
“Quando a doença bate à porta da nossa vida, desperta em nós a necessidade de ter perto alguém que nos olhe nos olhos, que nos dê a mão, que manifeste a sua ternura e cuide de nós, como o Bom Samaritano da parábola evangélica”. (Papa Francisco) 
ACOLHER A VULNERABILIDADE - Não passes ao lado, envolve-te com o que necessita do teu acolhimento e da tua consolação. 
“Quem tem um coração compassivo comove-se e envolve-se, detém-se e ocupa-se do que acontece”. (Papa Francisco) 
ESTAR PRESENTE E DISPONÍVEL - Pensa como podes envolver-te com alguma situação de cuidados para doentes terminais. 
“Penso em como funcionam bem as unidades de cuidados paliativos, onde os doentes terminais são acompanhados com um apoio médico, psicológico e espiritual qualificado, para que possam viver com dignidade, confortados pela proximidade dos seus entes queridos” … (Papa Francisco) 
ABRIRMO-NOS À ESPERANÇA - Sê tu mesmo uma centelha de esperança para quem sofre. 
“Santa Teresa de Calcutá, que viveu o estilo da proximidade e do partilhar, preservando até ao final o reconhecimento e o respeito da dignidade humana e tornando mais humano o morrer, dizia: «Quem, no caminho da vida, acendeu nem que seja somente uma luz na hora escura de alguém, não viveu em vão»”. (Papa Francisco)
Oração da manhã

Com Jesus pela manhã


Uma petição Pai de bondade, aqui estou diante de ti, neste novo dia. Une o meu coração ao Coração do teu Filho Jesus. Aproximo-me d’Ele esta manhã, como a mulher hemorroíssa ou como Jairo, chefe da sinagoga, que lhe pedem a cura, no Evangelho de hoje (Mc 5, 21-43). E que quero pedir-lhe? Qual é o desejo mais profundo que pode realizar, em mim ou em alguém querido? Que o Espírito Santo me faça seu amigo e apóstolo, através da oração, que me faça cheio de compaixão pelo mundo. Pai-Nosso. (Equipa França).

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