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segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024



ANTIGO TESTAMENTO
LIVROS SAPIENCIAIS
SABEDORIA


14


1 Outro, lançando-se ao mar para navegar sobre ondas increspadas, invoca um ídolo de madeira, mais frágil do que o barco que o transporta. 2 Ora, o barco foi criado pela ânsia de lucro, e foi a perícia técnica que o construiu. 3 Mas é a tua providência, ó Pai, que o pilota, pois também no mar abriste um caminho, uma rota segura entre as ondas. 4 Isso fizeste para mostrar que tu podes salvar de tudo, e assim, mesmo sem experiência, qualquer pessoa possa embarcar. 5 Tu não queres que as obras da tua sabedoria não sirvam para nada. Por isso os homens confiam suas próprias vidas a um pequeno pedaço de madeira, atravessam as ondas numa frágil embarcação, e chegam a salvo no destino. 6 De fato, no princípio, quando pereciam os orgulhosos gigantes de outrora, a esperança do mundo se refugiou num pequeno barco que, pilotado por tua mão, transmitiu para o mundo a semente da vida. 7 Bendita seja a madeira pela qual vem a justiça! 8 Contudo, maldito seja o ídolo feito por mãos humanas e aquele que o fabricou. Este, por -lo feito; e o ídolo, porque, sendo corruptível, foi considerado como deus.


9 Sim, porque Deus odeia tanto o idólatra como a idolatria. 10 A obra será castigada com o seu autor. 11 Por isso, o julgamento atingirá também os ídolos das nações. Porque, entre as criaturas de Deus, eles se tornaram abomináveis, escândalo para as almas dos homens, e armadilha para os pés dos insensatos.


Origem do culto aos ídolos -* 12 A invenção dos ídolos foi o começo da prostituição e a descoberta deles introduziu a corrupção na vida. 13 Eles não existiam no princípio, e não existirão para sempre. 14 Entraram no mundo por causa da vaidade dos homens, e por isso o seu fim rápido está decretado.


15 Um pai, atormentado por um luto prematuro, manda fazer uma imagem do filho tão cedo arrebatado. Agora honra como deus aquele que antes era apenas um homem morto, e transmite para as pessoas de sua casa ritos secretos e cerimônias. 16 Com o tempo, esse costume ímpio se vai arraigando, e é observado como lei.


17 Era ainda por ordem dos soberanos que se prestava culto às estátuas. Como os súditos que viviam longe não podiam honrá-los pessoalmente, reproduziram sua figura distante, fazendo uma imagem visível do rei que veneravam. Desse modo, adulavam o ausente, como se estivesse presente. 18 A ambição do artista promoveu esse culto, mesmo entre aqueles que não conheciam o soberano. 19 De fato, querendo talvez agradar ao soberano, o artista se esforçou, com sua arte, para torná-lo ainda mais atraente do que na realidade era. 20 A multidão, atraída pelo encanto da obra, considera agora objeto de adoração aquele a quem antes honravam apenas como homem. 21 Isso tornou-se cilada para o mundo: homens, escravizados pela desgraça ou pelo poder, impuseram à pedra e à madeira o Nome incomunicável.






* 14,12-21: A palavra ídolo, em grego, significa imagem, estátua, isto é, reprodução de alguma coisa ou pessoa. O autor dá a entender que essas reproduções são feitas para substituir uma perda dolorosa, ou por razões de poder e ambição. No primeiro caso, o motivo é emocional: perenizar a lembrança de algum falecido. No segundo, há motivos políticos e econômicos: dar a impressão de que o soberano está vigiando todos os lugares, e satisfazer a ambição econômica do artista. Embora o texto pareça ingênuo e simplista, alerta para o perigo que a fascinação artística pode causar, dando margem ao endeusamento de uma realidade transformada em hiper-realidade. O perigo é maior quando isso é usado para manipular política e economicamente o povo.


* 22-31: Trocar o serviço ao Deus vivo e libertador pelo culto aos ídolos mortos tem conseqüências trágicas para a vida humana. Tanto a pessoa como a sociedade se tornam escravas da mentira e da corrupção em todos os níveis. Por trás de cada vício há sempre um ídolo.



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ANTIGO TESTAMENTO
LIVROS SAPIENCIAIS
SABEDORIA

15


O povo de Deus não adora ídolos -* 1 Tu, porém, nosso Deus, és bom e fiel, és paciente e governas tudo com misericórdia. 2 Mesmo pecando, nós somos teus e conhecemos o teu poder. Sabendo que pertencemos a ti, não pecaremos mais. 3 A justiça perfeita está em conhecer a ti, e conhecer que o teu poder é a raiz da imortalidade. 4 Não nos extraviamos com a invenção humana de uma arte pervertida, nem com o trabalho estéril dos pintores, que pintam suas imagens com várias cores. 5 Elas despertam a paixão dos insensatos, que ficam entusiasmados com a forma inerte de uma imagem morta. 6 Aqueles que fazem, desejam e adoram os ídolos, são amantes do mal e dignos da esperança que os ídolos trazem.O importante é ganhar dinheiro! -* 7 Amassando com fadiga a terra mole, o oleiro modela para nosso uso todo tipo de vasos. Com o mesmo barro, modela tanto os vasos que servem para uso nobre, como também aqueles destinados para outros fins. O oleiro determina qual deverá ser o uso de cada um deles. 8 Depois, dando-se a um esforço mal empregado, com o mesmo barro modela uma divindade falsa. O oleiro tinha pouco antes nascido da terra, e logo voltará para a terra de onde foi tirado. E então Deus lhe pedirá contas da vida que lhe tinha sido emprestada. 9 Mas ele não se preocupa com o fato de ter vida breve e depois morrer. Pelo contrário, compete com os que moldam em ouro e prata, imita os que trabalham com bronze, e se vangloria de fabricar coisas falsas. 10 A mente dele é pura cinza, sua esperança é mais desprezível do que a terra, e sua vida vale menos do que o barro, 11 porque não reconhece Aquele que o modelou, lhe infundiu alma ativa e lhe inspirou sopro vital. 12 O oleiro considera a nossa vida como um jogo, e a existência como negócio lucrativo. Ele diz: «É preciso tirar proveito de tudo, até mesmo do mal». 13 Sim, mais do que todos os outros, esse homem sabe que está pecando: fabrica de matéria terrestre vasos frágeis e estátuas de ídolos.

Insensatez dos idólatras -* 14 Mas os inimigos que oprimiram o teu povo são muito mais insensatos e infelizes que a alma de uma criança. 15 De fato, eles consideraram como deuses todos os ídolos dos pagãos. Os olhos desses ídolos não os ajudam a ver, nem o nariz a respirar o ar, nem os ouvidos a ouvir, nem os dedos das mãos a apalpar, e seus pés são incapazes de caminhar. 16 Porque foi um homem quem os fez. Quem os modelou foi um ser que recebeu a respiração por empréstimo. Nenhum homem pode plasmar um deus que lhe seja semelhante, 17 pois, sendo mortal, suas mãos ímpiaspodem produzir um cadáver. O homem é melhor do que os objetos que ele adora. O homem, pelo menos, tem a vida; mas os ídolos jamais a terão. 18 Eles adoram até os mais repugnantes animais que, comparados com outros, são mais estúpidos. 19 Esses animais não têm nenhuma beleza que os torne atraentes, como acontece com os outros animais, e não tiveram o elogio e a bênção de Deus.

* 15,1-6: No meio de todos os povos que praticam a idolatria, vive o povo de Deus, portador do conhecimento e do compromisso com o projeto do Deus vivo. Apesar de se reconhecer pecador, esse povo é capaz de se converter continuamente, para levar à frente a própria missão: revelar a todos o mistério do Deus vivo e do seu projeto, para transformar a história.

* 7-13: O aspecto diabólico da idolatria consiste em explorar a boa vontade e ingenuidade do povo para fins lucrativos. Em nome do dinheiro, os fabricantes de ídolos não receiam manipular Deus, a verdade, a justiça e o amor.

* 14-19: Usando partes do Sl 115 e do Sl 135, o autor ironiza a religião egípcia da época de Moisés e a religião que ainda existia em seu tempo na cidade de Alexandria.


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Salmodia

Ant. 1 A lei do Senhor alegra o coração e ilumina os olhos.

Salmo 18 B(19 B)

Hino a Deus, Senhor da lei

Sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito (Mt 5,48).

8 A lei do Senhor Deus é perfeita, *
conforto para a alma!
– O testemunho do Senhor é fiel, *
sabedoria dos humildes.

9 Os preceitos do Senhor são precisos, *
alegria ao coração.
– O mandamento do Senhor é brilhante, *
para os olhos é uma luz.

10 É puro o temor do Senhor, *
imuvel para sempre.
– Os julgamentos do Senhor são corretos *
justos igualmente. –

11 Mais deseveis do que o ouro são eles, *
do que o ouro refinado.
– Suas palavras são mais doces que o mel, *
que o mel que sai dos favos.

12 E vosso servo, instruído por elas, *
se empenha em guardá-las.
13 Mas quem pode perceber suas faltas? *
Perdoai as que não vejo!

14 E preservai o vosso servo do orgulho: *
não domine sobre mim!
– E assim puro, eu serei preservado *
dos delitos mais perversos.

15 Que vos agrade o cantar dos meus lábios *
e a voz da minha alma;
– que ela chegue até vós, ó Senhor, *
meu Rochedo e Redentor!

Ant. A lei do Senhor alegra o coração e ilumina os olhos.

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