Exemplos de fé (2): Vocação e missão de Moisés
Como a fé está viva e deve desenvolver-se, o diálogo com Deus nunca
termina. A oração incendeia a fé e permite adquirir a consciência do
sentido vocacional da própria existência. Surge assim a vida de fé, que
une a oração com o cotidiano, e impulsiona a dar-se aos outros, para
implantar, no meio da vida corrente a riqueza da própria vocação. Daí a
importância de aprender ou de ensinar a fazer oração. Como ensinava São
Josemaria, muitas realidades materiais, técnicas, econômicas,
sociais, políticas, culturais..., abandonadas a si mesmas, ou em mãos
dos que não possuem a luz da nossa fé, convertem-se em obstáculos
formidáveis para a vida sobrenatural: formam como que um campo fechado e
hostil à Igreja. Tu, por seres cristão –
pesquisador, literato, cientista, político, trabalhador... –, tens o
dever de santificar essas realidades. Lembra-te de que o universo
inteiro – assim escreve o Apóstolo – está gemendo como que com dores de
parto, à espera da libertação dos filhos de Deus[22].
Em Moisés, em suma, a relação entre fé, fidelidade e eficácia se
manifesta de modo especial. Moisés é fiel e eficaz porque o Senhor está
perto dele, e o Senhor está perto porque Moisés não evita o seu olhar e
lhe mostra as suas dúvidas, temores, insuficiências, com sinceridade.
Inclusive quando tudo parece perdido, como quando o povo recém-libertado
fabrica um bezerro de ouro para adorá-lo, a confiança de Moisés em seu
Senhor o levará a interceder pelo povo, e o pecado se converte em
ocasião de um novo começo, que manifesta com mais força a misericórdia
de Deus[23]. Porque Deus “jamais se cansa de perdoar, porém nós, às vezes, nos cansamos de pedir perdão”[24].
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