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terça-feira, 23 de julho de 2019


Abdias
CONTRA A FALTA DE SOLIDARIEDADE
Introdução
Nos vinte e um versículos que compõem o seu «livro», Abdias aborda uma questão muito séria e importante: a necessária solidariedade entre os mais fracos diante de um opressor. O país estava sendo pilhado e destruído pelos babilônios. Então Abdias reparou que Edom, país-irmão (cf. Gn 25,19-28; 36,1), ao invés de ajudar o mais fraco, bandeou para o lado do mais forte. E Edom estava gostando do que acontecia: aproveitava para conquistar terras, participar da pilhagem, matava, perseguia e «dedurava» os que estavam escondidos e pediam proteção (vv. 11-14). E fazia tudo isso por vingança: não perdoava as brigas passadas (cf. 2Rs 8,20-22). Como diz Ezequiel: Edom guardou um «ódio eterno» (Ez 35,5).
Além disso, os edomitas eram arrogantes, se consideravam invencíveis (v. 3), se orgulhavam de sua sabedoria e da valentia de seus guerreiros. O profeta mostra que a sabedoria se torna insensatez e a valentia se transforma em covardia, quando aliadas ao opressor contra um país-irmão desprotegido e atacado (vv. 5-9). Abdias reconhece que Judá também não é inocente e, por isso, está sofrendo uma das situações mais trágicas de sua história. No entanto Edom é mais culpado, porque não foi fraterno nesse momento crucial da história.
Podemos estranhar a conclusão do profeta (v. 18). De fato, concordamos que Edom não deve guardar rancor de seu irmão nem tomar parte, com alegria selvagem, da destruição de Jerusalém; mas não concordamos que Israel tire desforra. Outros escritos bíblicos ensinam que devemos esperar o perdão de nossos irmãos, mas também nós devemos perdoá-los.
 
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1

12 «Não olhe com alegria para o dia do seu irmão, o dia da desgraça dele. Não se alegre às custas dos filhos de Judá, no dia da ruína deles. Não fale com insolência, no dia da humilhação deles. 13 Não entre pela porta do meu povo, no dia da sua infelicidade. Não desfrute você também da desgraça dele, no dia da sua ruína. Não ponha a mão nas riquezas dele, no dia da sua derrota. 14 Não se esconda nas esquinas, para matar os fugitivos. Não aprisione seusgitiv fuos, no dia do desespero».
O castigo de Edom e a vitória de Judá -* 15 Pois o Dia de Javé está chegando para todas as nações. Como você fez aos outros, assim será feito a você. Os atos que você praticou cairão sobre a sua cabeça.




* 1: O pequeno país de Edom, dos descendentes de Esaú (cf. Gn 36,1), está situado a sudeste do mar Morto e tem como capital a cidade de Petra. Conforme Gn 25,19-28, Esaú era o irmão mais velho de Jacó. Como de Jacó surgiu o povo de Israel, de Esaú surgiu o povo edomita; são, portanto, povos irmãos.
* 2-10: Javé coloca Edom em julgamento: Edom será completamente exterminado embora tenha todo tipo de segurança - localização geográfica entre montanhas inacessíveis; bravura guerreira, sabedoria famosa. O inimigo virá, mais ávido do que um ladrão que só rouba o que lhe interessa, e mais cuidadoso que um vindimador, que sempre deixa algum cacho de uva para trás.
* 11-14: Abdias apresenta o motivo da sentença: esquecendo os laços de sangue, Edom traiu seu irmão Judá, no dia em que os exércitos da Babilônia invadiram Jerusalém. Os edomitas tiveram a ousadia de se aproveitarem da situação, violando o pacto em vigor entre duas nações irmãs e também as normas de direito internacional, apresentadas aqui em oito não.
* 15-21: Também os judeus cometeram faltas graves no passado e, por isso, sofreram a amargura do exílio na Babilônia. Entretanto, Javé não é Senhor apenas de Israel, mas de todas as nações; por isso, julga também Edom por seu crime. E esse castigo foi confirmado quando mais tarde Edom perdeu seus territórios. O livro termina mostrando que Israel continua sendo o povo eleito, pois Javé permitiu que um grupo restaurasse Jerusalém, de onde Javé reinará para sempre.

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