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quinta-feira, 28 de março de 2019

 
ATOS DOS APÓSTOLOS
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30 Quarenta anos depois, apareceu-lhe no deserto do monte Sinai um anjo na chama de uma sarça que ardia. 31 Moisés ficou admirado ao ver a aparição. Queria aproximar-se para ver melhor, quando então se ouviu a voz do Senhor: 32 ‘Eu sou o Deus de seus pais, o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó’. Moisés tremia e não ousava levantar os olhos. 33 Então o Senhor lhe disse: ‘Tire as sandálias dos pés, porque o lugar onde você está é terra santa. 34 Eu vi a miséria do meu povo no Egito. Ouvi o gemido deles e desci para o libertar. Agora venha, pois eu quero mandar você ao Egito.’ 35 Assim, aquele Moisés que os israelitas haviam renegado, dizendo: ‘Quem o nomeou chefe e juiz?’, Deus o enviou como chefe e libertador, por meio do anjo que tinha aparecido a ele na sarça. 36 Foi ele que os fez sair do Egito, realizando sinais e prodígios no Egito, no mar Vermelho e durante quarenta anos no deserto. 37 Esse é o Moisés que disse aos israelitas: ‘Deus suscitará entre os irmãos de vocês um profeta como eu.’ 38 Foi ele, na assembléia do deserto, quem serviu de intermediário entre o anjo que lhe falava no monte Sinai e os nossos pais. Ele recebeu as palavras de vida, para transmiti-las a nós. 39 Nossos pais, porém, não quiseram dar-lhe ouvidos. Ao contrário, o rejeitaram e, no seu desejo, voltaram ao Egito, 40 dizendo a Aarão: ‘Faça para nós deuses que nos guiem, porque não sabemos o que aconteceu com esse Moisés que nos tirou do Egito.’ 41 Naqueles dias, construíram um bezerro, ofereceram um sacrifício ao ídolo e celebraram a obra de suas próprias mãos. 42 Então Deus se afastou deles e deixou que adorassem os astros do céu, como está escrito no livro dos profetas: ‘Por acaso, vocês me ofereceram vítimas e sacrifícios durante quarenta anos no deserto, ó casa de Israel? 43 Pelo contrário, vocês carregaram a tenda de Moloc e a estrela do deus Refã, imagens que vocês mesmos fabricaram para adorar. Por isso eu os deportarei para além de Babilônia’.
O discípulo não está acima do Mestre -* 54 Ao ouvir essas palavras, eles ficaram enfurecidos e rangeram os dentes contra Estêvão. 55 Repleto do Espírito Santo, Estêvão olhou para o céu e viu a glória de Deus, e Jesus, de , à direita de Deus. 56 Então disse: «Estou vendo o céu aberto e o Filho do Homem, de à direita de Deus57 Então eles deram fortes gritos, taparam os ouvidos e avançaram todos juntos contra Estêvão. 58 Arrastaram-no para fora da cidade e começaram a apedrejá-lo. As testemunhas deixaram seus mantos aos pés de um jovem chamado Saulo. 59 Atiravam pedras em Estêvão, que repetia esta invocação: «Senhor Jesus, recebe o meu espírito60 Depois dobrou os joelhos e gritou forte: «Senhor, não os condenes por este pecado.» E, ao dizer isso, adormeceu.


* 7,1-53: Estêvão resume a história de Israel, mostrando o projeto de Deus, que se alia com o povo para construir a história em direção à vida e à liberdade. Estêvão interrompe o relato ao chegar a Davi (construtor do Estado) e a Salomão (construtor do Templo). Mostra, assim, que Deus quer um povo em contínua marcha histórica em direção à vida plena, e não um estado preso por um aparelho que explora, oprime e paralisa o povo. Por outro lado, Deus não está localizado e fechado num templo, nem é manipulado como ídolo para legitimar uma ordem social injusta. Deus está presente na vida e na história, caminhando com o povo (a Tenda).
A Lei de Moisés era palavra de vida, mas se transformou em palavra de morte, quando Israel deixou de ser povo aberto e se transformou em estado nacional fechado. Deus não quer ser confinado dentro das barreiras de uma nação.

Estêvão transforma sua defesa em acusação contra seus próprios juízes: estes não passam de autoridades que manipulam o Templo para legitimar um Estado que oprime o povo. Se fossem fiéis à Lei, eles teriam reconhecido Jesus como o Justo e o Profeta como Moisés, e não o teriam assassinado.

* 54-60: A morte de Estêvão, o primeiro mártir, relembra a morte de Jesus (cf. Lc 23,34.46), pois o discípulo não está acima do Mestre (Lc 6,40). Através da morte de suas testemunhas, Jesus continua exercendo o julgamento como Filho do Homem (cf. Mt 26,64; Dn 7,13). Dizendo que Estêvão «adormeceu», o autor insinua a ressurreição.


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