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sexta-feira, 29 de março de 2019


      • ATOS DOS APÓSTOLOS
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17
22 De , no meio do Areópago, Paulo disse: «Senhores de Atenas, em tudo eu vejo que vocês são extremamente religiosos. 23 De fato, passando e observando os monumentos sagrados de vocês, encontrei também um altar com esta inscrição: ‘Ao Deus desconhecido’. Pois bem, esse Deus que vocês adoram sem conhecer, é exatamente aquele que eu lhes anuncio. 24 O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe. Sendo Senhor do céu e da terra, ele não habita em santuários feitos por mãos humanas. 25 Também não é servido por mãos humanas, como se precisasse de alguma coisa; pois é ele que a todos vida, respiração e tudo o mais. 26 De um só homem, ele fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra, tendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites de sua habitação. 27 Assim fez, para que buscassem a Deus e para ver se o descobririam, ainda que fosse às apalpadelas. Ele não está longe de cada um de nós, 28 pois nele vivemos, nos movemos e existimos, como alguns dentre os poetas de vocês disseram: ‘Somos da raça do próprio Deus’. 29 Sendo, portanto, da raça de Deus, não devemos pensar que a divindade é semelhante ao ouro, à prata ou à pedra, trabalhados pela arte e imaginação do homem. 30 Mas Deus, sem levar em conta os tempos da ignorância, agora anuncia aos homens que todos e em todo lugar se arrependam, 31 pois ele estabeleceu um dia em que irá julgar o mundo com justiça, por meio do homem que designou e creditou diante de todos, ressuscitando-o dos mortos
32 Quando ouviram falar de ressurreição dos mortos, alguns caçoavam e outros diziam: «Nós ouviremos você falar disso em outra ocasião33 A essa altura, Paulo saiu do meio deles. 34 Alguns, porém, se uniram a ele e abraçaram a . Entre esses estava também Dionísio, o areopagita, uma mulher chamada Dâmaris e outros com eles.


* 17,1-15: Além de exercer considerável influência sobre o povo, os judeus gozavam de tolerância por parte do poder romano. Eles atacam por inveja, pois sentem que estão perdendo o prestígio entre o povo. De outro lado, querem a todo custo diferenciar-se do fenômeno cristão, com medo de atrairem sobre si a antipatia do poder romano (cf. Jo 11,47-50). Até o momento, os cristãos não tinham manifestado claramente as implicações políticas do anúncio do Evangelho e, principalmente, a crítica contra o absolutismo romano. Os judeus, a fim de reprimir os cristãos, mostram essa incompatibilidade radical entre a proposta do Evangelho e o sistema político dominante (v. 7; cf. Lc 23,2). Enquanto isso, a comunidade relê o Antigo Testamento à luz do anúncio de Jesus e se organiza para defender seus líderes.

* 16-34: A permanência de Paulo em Atenas serve de ocasião para Lucas mostrar a dinâmica do anúncio evangélico dentro de uma sociedade idolátrica e intelectualista. Primeiro, o missionário observa o ambiente, entrando em contato com o povo simples (praças públicas) e com as pessoas mais influentes (filósofos), e fazendo uma provocação. Interpelado, o missionário começa a explicitar o seu anúncio. É importante partir da observação da realidade: Paulo menciona a inscrição de um altar que ele viu (v. 23) e mostra que o Deus desconhecido é o Deus verdadeiro que dá a vida (vv. 23-28); depois cita um poeta conhecido (v. 28) para criticar a idolatria que aliena o homem (v. 29). O ápice do anúncio é o julgamento, isto é, a manifestação da verdade. O Deus vivo se manifestou em Jesus Cristo. Para ser da raça do Deus verdadeiro o homem deve confrontar-se com Jesus Cristo, reconhecendo o Deus verdadeiro (libertação da idolatria) e, assim, tornando-se homem verdadeiro (libertação da auto-suficiência e da alienação). O julgamento então se realiza: alguns rejeitam e se enrijecem na própria auto-suficiência (v. 32); outros aceitam e se convertem (v. 34).




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