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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

 S. João Paulo II, papa

S. João Paulo II, Basílica de São Paulo Extramuros  
S. João Paulo II, Basílica de São Paulo Extramuros 

Karol Józef Wojtyła nasceu em Wadowice, Polônia, em 1920. Sua família e infância foram marcadas por diversos lutos. Em 1939, quando a Alemanha nazista invadiu a Polônia, o Terceiro Reich fechou a Universidade Jagelônica, em Cracóvia, que ele frequentava. Então o jovem Karol começou a trabalhar, primeiro, em uma pedreira e, depois, em uma fábrica de produtos químicos Solvay, para poder sobreviver e evitar a deportação para a Alemanha. Em 1942, sentindo a vocação para o sacerdócio, frequentou os cursos de formação, no Seminário maior clandestino de Cracóvia, dirigido pelo Arcebispo Adam Stefan Sapieha.

Pastor em uma Polônia finalmente livre

Depois da guerra, Karol continuou seus estudos no Seminário maior de Cracóvia e na Faculdade de Teologia da Universidade Jagelônica, até ser ordenado sacerdote, em 1946. Em 1948, recebeu seu primeiro cargo na Polônia: coadjutor na paróquia de Niegowić, perto de Cracóvia, e, depois, na cidade, naquela de São Floriano; foi capelão dos universitários, até 1951, e, a seguir, lecionou Teologia Moral e Ética, no Seminário maior de Cracóvia e na Faculdade de Teologia de Lublin. Em 13 de janeiro de 1964, foi nomeado Arcebispo de Cracóvia, pelo Papa Paulo VI, que também o criou Cardeal, três anos depois. Logo depois, participou do Concílio Vaticano II, durante o qual deu uma importante contribuição para na elaboração da Constituição Gaudium et spes.

Primeiro polonês no trono de Pedro

Com a morte prematura de João Paulo I, contra todas as previsões, Karol Wojtyła foi eleito Papa, em 16 de outubro de 1978: foi o primeiro Papa não italiano, após 455 anos - desde Adriano VI -, o primeiro polonês da história e também o primeiro Pontífice de um país de língua eslava. Seu Pontificado começou logo a bater recordes: fez 104 Viagens Apostólicas pelo mundo, expressão da constante solicitude pastoral do Sucessor de Pedro por todas as Igrejas; sabendo falar 11 línguas, João Paulo II sempre trabalhou para construir pontes entre as diferentes nações e religiões, em nome do Ecumenismo, verdadeiro farol, que o guiou ao longo do seu longo Pontificado. Na Itália, fez 146 Visitas Pastorais; como Bispo de Roma, visitou 317 paróquias romanas, das atuais 332.

Um ministério realmente universal

A sua solicitude de Pastor o levou a criar numerosas dioceses e circunscrições eclesiásticas; promulgou Códigos de Direito Canônico para as Igrejas latinas e orientais, e o Catecismo da Igreja Católica. Propôs ao Povo de Deus momentos de particular intensidade espiritual: convocou o Ano da Redenção, o Ano Mariano, o Ano da Eucaristia, como também o Grande Jubileu de 2000. Reuniu as novas gerações com a instituição das Jornadas Mundiais da Juventude, a primeira das quais ocorreu em Roma, em 31 de março de 1985. Desde então, o evento foi celebrado a cada dois anos, em cidades diferentes do mundo, que ele escolhia, adquirindo importância cada vez maior. Nenhum Papa encontrou tantas pessoas como João Paulo II: mais de 17 milhões e 600 mil peregrinos participaram das Audiências Gerais de quarta-feira (mais de 1160), sem contar as audiências especiais e cerimônias religiosas; expressou seu carinho, apertando as mãos de milhões de fiéis, durante suas Visitas pastorais e Viagens Apostólicas.

Atentado na Praça São Pedro

João Paulo II sofreu um grave atentado na Praça São Pedro, em 13 de maio de 1981: ao passar, com seu jipinho entre a multidão, foi ferido com um tiro. Depois de uma longa hospitalização, visitou o terrorista na penitenciária, o turco Ali Agca, que o perdoou e manteve uma longa conversa. Em sinal de agradecimento à Mãe de Deus, que o salvou com a sua mão materna, o Papa pediu para colocar a bala, com a qual foi atingido, na coroa da estátua de Nossa Senhora de Fátima, uma vez que o atentado ocorreu no seu dia litúrgico. Ciente de ter renascido para uma nova vida, João Paulo II intensificou ainda mais seus compromissos pastorais, com generosidade heroica.

Documentos e textos

Durante seu longo pontificado, o Papa Wojtyła também assinou vários documentos, que, depois, fizeram parte do Magistério da Igreja: 14 Encíclicas, 15 Exortações Apostólicas, 11 Constituições Apostólicas e 45 Cartas Apostólicas. Entre todas as Encíclicas, recorda-se aquela sobre o trabalho e a doutrina social, como a Laborem Exercens, de 1981, e a Centesimus Annus, de 1991, por ocasião do centenário da Rerum Novarum de Leão XIII. Destaca-se também a Constituição Apostólica Pastor Bonus, de 1988, com a qual organizou a Cúria Romana e as funções dos vários Dicastérios. Ao Papa João Paulo II são atribuídos também cinco livros: O Limiar da Esperança (outubro de 1994); Dom e Mistério: no quinquagésimo aniversário do meu sacerdócio (novembro de 1996); Tríptico Romano, meditações em forma de poesia (março de 2003); Levantai-vos! Vamos! (maio de 2004) e Memória e Identidade (fevereiro de 2005).

Morte e culto

João Paulo II faleceu em Roma, no Palácio Apostólico do Vaticano, no sábado, 2 de abril de 2005, às 21h37, às vésperas do Domingo in Albis ou da Divina Misericórdia, por ele instituído. Seu pontificado foi o terceiro mais longo da história, depois de São Pedro e de Pio IX. Seu solene funeral ocorreu na Praça São Pedro, no dia 8 de abril, com uma participação incrível de pessoas. João Paulo II foi beatificado no dia 1 de maio de 2011, por seu sucessor imediato, Bento XVI, e canonizado pelo Papa Francisco, em 27 de abril de 2014.

Oração que João Paulo II rezava, todos os dias, desde criança:

 
Vinde Espírito Criador,
a nossa alma visitai
e enchei os corações
com vossos dons celestiais.

Vós sois chamado o Intercessor de Deus
excelso dom sem par,
a fonte viva, o fogo, o amor,
a unção divina e salutar.

Sois o doador dos sete dons
e sois poder na mão do Pai,
por Ele prometido a nós,
por nós seus feitos proclamai.

A nossa mente iluminai,
os corações enchei de amor,
nossa fraqueza encorajai,
qual força eterna e protetor.

Nosso inimigo repeli,
e concedei-nos a vossa paz,
se pela graça nos guiais,
o mal deixamos para trás.

Ao Pai e ao Filho Salvador,
por vós possamos conhecer
que procedeis do Seu amor,
fazei-nos sempre firmes crer.

Glória a Deus Pai,
ao Filho, que ressuscitou dos mortos,
e ao Espírito Santo
por todos os séculos.
Amém! 

S. Marcos, bispo de Jerusalém

No século II, depois do último assédio de Jerusalém, Marcos, o primeiro entre os gentios, tornou-se Bispo da Cidade. Com grande fé e trabalho como guia da Igreja local, fragmentada por medo das perseguições, conseguiu reconstruí-la, até sofrer o martírio durante o império de Antônio Pio.

  https://www.vaticannews.va/pt/santo-do-dia.html

 Meditação Diária

Dia 22 | Quinta-Feira

Semana XXIX do Tempo Comum

Eu dobro os joelhos diante do Pai. (1.ª Leitura)

Dobrar os joelhos diante do Pai não é um gesto de fraqueza, mas de liberdade. Quando reconhecemos Deus como único Senhor, deixamos de nos curvar perante o medo, o poder ou a necessidade de aprovação. A oração devolve a cada coisa o seu verdadeiro lugar e liberta-nos daquilo que procura dominar-nos. São João Paulo II testemunhou esta liberdade, nascida de uma vida profundamente enraizada em Deus. É de joelhos diante do Pai que recebemos, pelo Espírito, a certeza de quem somos: filhos muito amados.

Ef 3, 14-21 / Slm 32 (33), 1.3.4-5. 11-12.18-19 / Lc 12, 49-53

 ‘Doutrina Monroe’

Doutrina Monroe

  
Retrato de James Monroe, óleo sobre tela de John Vanderlyn

A chamada Doutrina Monroe foi anunciada pelo presidente americano James Monroe (presidente de 1817 a 1825) em sua mensagem ao Congresso em 2 de dezembro de 1823.[1]

Julgarmos propícia esta ocasião para afirmar, como um princípio que afeta os direitos e interesses dos Estados Unidos, que os continentes americanos, em virtude da condição livre e independente que adquiriram e conservam, não podem mais ser considerados, no futuro, como suscetíveis de colonização por nenhuma potência europeia […] (Mensagem do Presidente James Monroe ao Congresso dos EUA, 1823)

A frase que resume a doutrina é: "América para os americanos".

O seu pensamento consistia em três pontos:

  • a não criação de novas colônias na América;
  • a não intervenção nos assuntos internos dos países americanos;
  • a não intervenção dos Estados Unidos em conflitos relacionados aos países europeus como guerras entre estes países e suas colônias.

A Doutrina reafirmava a posição dos Estados Unidos contra o colonialismo europeu, inspirando-se na política isolacionista de George Washington, segundo a qual "a Europa tinha um conjunto de interesses elementares sem relação com os nossos ou senão muito remotamente" (Discurso de despedida do Presidente George Washington, em 17 de Setembro de 1796), e desenvolvia o pensamento de Thomas Jefferson, segundo o qual "a América tem um Hemisfério para si mesma", o qual tanto poderia significar o continente americano como o seu próprio país.

O governo dos Estados Unidos, na época um país recém-independente, que havia alcançado sua independência há apenas 2 gerações (40 anos), temia que as potências europeias vitoriosas, as quais emergiam do Congresso de Viena (1814-1815) revivessem seus impérios coloniais nas Américas. À medida que as revolucionárias guerras napoleônicas (1803-1815) terminavam, a Prússia, a Áustria e a Rússia formavam a Santa Aliança para defender o monarquismo. Em particular, a Santa Aliança autorizou incursões militares para restabelecer o domínio dos Bourbon sobre a Espanha como também sob suas colônias, que estavam na época estabelecendo sua independência.

À época, a Doutrina Monroe representava uma séria advertência não só à Santa Aliança, como também ao próprio Império Britânico (com quem os americanos haviam travado recentemente a Guerra de 1812), embora seu efeito imediato, o país norte americano não possuía uma marinha e um exército confiáveis ​​na época.[2] É muito importante ressaltar que os Estados Unidos nesta época ainda estava longe de ser considerado sequer uma potência regional. De qualquer forma, a formulação da Doutrina ajudou a Grã-Bretanha a frustrar os planos europeus de recolonização da América e permitiu que os Estados Unidos continuassem a dilatar as suas fronteiras na direção do Oeste. Essa expansão no continente americano teve como pressuposto o Destino Manifesto, e marcou o início da política expansionista do país no continente.

Na época, a reação na América Latina à Doutrina Monroe foi geralmente favorável, mas em algumas ocasiões suspeita. John Crow, autor de The Epic of Latin America, afirma: "O próprio Simón Bolívar, ainda no meio de sua última campanha contra os espanhóis, Santander na Colômbia, Rivadavia na Argentina, Victoria no México - líderes dos movimentos de emancipação em todos os lugares - receberam as palavras de Monroe com a mais sincera gratidão".[3] Crow argumenta que os líderes da América Latina eram realistas. Em seu contexto histórico, eles sabiam que o Presidente dos Estados Unidos exercia muito pouco poder na época, particularmente sem o apoio das forças britânicas, e descobriram que a Doutrina Monroe era inaplicável se os Estados Unidos estivessem sozinhos contra a Santa Aliança.[3] Enquanto eles apreciavam e louvavam seu apoio no norte, eles sabiam que o futuro de sua independência estava nas mãos dos britânicos e da sua poderosa marinha. Em 1826, Bolívar apelou ao seu Congresso do Panamá para sediar a primeira reunião "Pan-Americana". Nos olhos de Bolívar e seus homens, a Doutrina Monroe devia tornar-se nada mais do que uma simples ferramenta de política nacional dos estadunidenses. De acordo com Crow, "não deveria ser, e nunca foi destinado a ser uma carta de ação hemisférica concertada".[3]

Política expansionista

A partir do final do século XIX, os Estados Unidos deram um caráter imperialista à doutrina Monroe e começaram a fortalecer sua influência militar, econômica e política na região do Caribe, inclusive através de intervenções militares. O objectivo é transformar este mar das Caraíbas num mare nostrum devido à sua importância estratégica.

Entre 1891 e 1912, realizaram uma série de intervenções militares: 1891, Haiti; 1895, Nicarágua; 1898, Porto Rico e Cuba; 1899, Nicarágua; 1902, Venezuela; 1903, República Dominicana e Colômbia; 1904, República Dominicana e Guatemala; 1906-1903, Cuba; 1907, República Dominicana; 1909-1910, Nicarágua; 1910-1911 Honduras; 1912, Cuba, Nicarágua e República Dominicana (fora do Caribe, a ação militar é tomada contra o Chile em 1891).

Ao praticar a "diplomacia do dólar", realizam intervenções financeiras que conduzem ao estabelecimento de controlos americanos sobre as finanças de vários Estados (Honduras, Nicarágua, República Dominicana, Haiti). Eles adquiriram territórios como Porto Rico depois da guerra contra a Espanha em 1898, e as Ilhas Virgens, compradas da Dinamarca em 1917. Alguns Estados são colocados sob um status próximo ao protetorado, como Cuba, em virtude da emenda Platt e da aquisição da base naval de Guantánamo, e Panamá, em virtude da Constituição panamenha (elaborada com a participação do cônsul americano) e do destacamento permanente de forças americanas na área do canal.

Ver também

Bibliografia

LAIDLER, Christiane Vieira - Capítulos da Doutrina Monroe: Apontamentos sobre as relações entre os Estados Unidos e a América Latina. Jundiaí-SP: Paco Editorial; 2024. ISBN: 978-85-462-2867-6

Referências

  1. "Monroe Doctrine". Biblioteca do Congresso
  2. New Encyclopædia Britannica. Vol. 8 (15th ed.). Encyclopædia Britannica. p. 269. ISBN 1-59339-292-3
  3. Crow, John A. (1992). «Areil and Caliban». The Epic of Latin America 4th ed. Berkeley: University of California Press. 676 páginas. ISBN 0-520-07723-7
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